Tag: ondas de calor

  • Metade das crianças do mundo enfrenta ao menos três riscos climáticos, alerta Unicef

    Metade das crianças do mundo enfrenta ao menos três riscos climáticos, alerta Unicef

    As mudanças climáticas ampliaram os desafios enfrentados por milhões de crianças ao redor do mundo. Segundo um novo relatório do Unicef, mais de 1 bilhão de crianças já vivem sob a influência de três ou mais riscos climáticos simultâneos, o que impacta diretamente a saúde, a educação e as condições de sobrevivência.

    O levantamento aponta que, com o agravamento da crise climática global, praticamente todas as crianças do planeta estão expostas a pelo menos uma ameaça relacionada ao clima. O fenômeno não afeta apenas países em desenvolvimento, mas também nações de alta renda.

    Riscos climáticos

    O estudo considera oito tipos de riscos climáticos, incluindo calor extremo, ondas de calor prolongadas, incêndios florestais, secas, enchentes costeiras, inundações em rios, tempestades tropicais e tempestades de areia e poeira.

    Para a diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, os efeitos desses eventos já transformam a rotina de milhões de crianças. Além disso, Russell destacou ao jornal The Guardian que a situação se tornou ainda mais preocupante nos últimos anos.

    “Metade das crianças do mundo agora vive com pelo menos três ameaças climáticas sobrepostas moldando sua vida diária”, declarou.

    Crianças enfrentam perigos para estudar

    As consequências da crise climática vão muito além dos danos ambientais. Imagens divulgadas pela agência da ONU mostram crianças da Papua-Nova Guiné atravessando um rio a nado para chegar à escola após uma ponte ter sido destruída por fortes chuvas.

    O cenário se torna ainda mais preocupante porque o rio é habitado por crocodilos. Uma das estudantes afetadas é Lorna, de 15 anos, que relatou as dificuldades enfrentadas diariamente.

    “Meu sonho é ser professora ou piloto. Queremos uma nova ponte para poder ir à escola com segurança todos os dias”, disse.

    Centenas de crianças atravessam diariamente o rio Kemp Welch, em Papua Nova-Guiné, para chegar à escola — Foto: Reprodução/Unicef

    A jovem também explicou que, durante o período menstrual, meninas da comunidade são impedidas pelos mais velhos de atravessar o rio devido à crença local de que isso poderia atrair crocodilos.

    Segundo o diretor da escola local, Charlie Vali David, a ausência da ponte prejudica a frequência escolar e aumenta significativamente os riscos para os estudantes.

    “Na temporada de monções, correntes fortes, árvores mortas e detritos bloqueiam o rio, causando ferimentos e morte”, afirmou.

    De acordo com o Unicef, a comunidade não conseguiu arrecadar recursos suficientes para reconstruir a estrutura, destruída em 2012.

    Eventos extremos afetam educação, saúde e segurança infantil — Foto: Reprodução/Unicef

    África e Ásia concentram áreas mais vulneráveis

    O relatório também identifica regiões onde os impactos climáticos são particularmente severos. No Sahel, faixa localizada na África, mais de 4 milhões de crianças estão expostas simultaneamente a ondas de calor, calor extremo e tempestades de areia e poeira.

    Da mesma forma, países asiáticos como Bangladesh, Mianmar e Paquistão figuram entre os locais onde crianças enfrentam o maior número de ameaças climáticas combinadas em todo o mundo.

    No entanto, o estudo mostra que os efeitos das mudanças climáticas não se restringem a países de baixa renda. Em nações desenvolvidas, eventos extremos também representam riscos.

    Crianças brincam perto de uma fonte para escapar do calor na Califórnia, EUA — Foto: THX/VNA

    Na Itália, por exemplo, mais de 6 milhões de crianças estariam expostas à combinação de ondas de calor prolongadas e escassez de chuvas, segundo os dados do Unicef.

    A entidade defende que governos e empresas intensifiquem os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e acelerem medidas de adaptação climática. Além disso, o organismo recomenda investimentos em infraestrutura, educação, saúde e serviços essenciais voltados às crianças, consideradas um dos grupos mais vulneráveis.

  • Super El Niño: saiba quais serão os impactos do fenômeno em São Paulo

    Super El Niño: saiba quais serão os impactos do fenômeno em São Paulo

    O avanço do El Niño de intensidade moderada a forte, conhecido como “Super El Niño”, tem gerado preocupação em diversos setores da economia. No campo, produtores acompanham atentamente os possíveis reflexos do fenômeno climático, que deve influenciar as condições meteorológicas em São Paulo.

    De acordo com a meteorologista Maria Clara Sassaki, da TempoOK, os principais efeitos esperados para o estado incluem o atraso na regularização das chuvas e a manutenção de temperaturas acima da média durante a primavera e o verão. Além disso, há potencial para a ocorrência de ondas de calor mais intensas, o que pode afetar atividades agrícolas, recursos hídricos e o planejamento das safras.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Esse processo ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios, responsáveis por influenciar a circulação atmosférica global. Como consequência, diferentes regiões do planeta registram alterações significativas nos padrões de chuva e temperatura.

    Enquanto áreas do sudeste da Ásia, Austrália, sul da África e parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil costumam enfrentar condições mais secas, outras localidades registram aumento das precipitações. Esse é o caso da África Oriental, do sul dos Estados Unidos, do Peru e do Equador.

    Mais intenso já registrado

    O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta que o El Niño 2026/2027 pode se tornar o mais intenso já registrado na história moderna.

    Segundo Maria Clara Sassaki, a distribuição das chuvas tende a ficar desequilibrada durante o fenômeno.

    “As chuvas ficam concentradas no Sul e demoram muito para avançar de forma continental, organizando o corredor de umidade que seria típico desta época: com o ar mais seco, a atmosfera mais aquecida e as temperaturas também ficam mais elevadas.”

    Dessa forma, produtores rurais devem acompanhar os boletins meteorológicos e reforçar estratégias de manejo para reduzir possíveis impactos provocados pela falta de chuva e pelo aumento do calor.

    Por outro lado, os efeitos do fenômeno também exigem atenção da população em geral. A especialista recomenda evitar longos períodos de exposição ao sol, manter a hidratação adequada e utilizar protetor solar com frequência.

    Além disso, os recursos hídricos também podem sofrer pressão adicional caso o período seco se prolongue.

    “O nível dos reservatórios pode ficar baixo, então os cuidados que normalmente são tomados no período de seca devem ser mantidos até a regularização do nível dos reservatórios”, afirmou Maria Clara.

    Assim, especialistas reforçam que o monitoramento constante das condições climáticas será fundamental para minimizar impactos sobre a produção agropecuária, o abastecimento de água e a rotina da população paulista.

  • Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Novas previsões climáticas divulgadas em maio aumentaram a preocupação de especialistas sobre a formação de um El Niño forte nos próximos meses. Apesar disso, cientistas alertam que ainda é cedo para afirmar que o fenômeno atingirá níveis extremos, conhecidos informalmente como “super El Niño”.

    O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status para “alerta de El Niño” e apontou 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026. Além disso, a probabilidade de ele continuar ativo até o início de 2027 chega a 96%.

    Modelos meteorológicos internacionais também passaram a indicar um aquecimento mais intenso das águas do Pacífico tropical. Segundo análise da Climatempo, o fenômeno deve atingir pelo menos intensidade forte.

    Mesmo com os novos alertas, pesquisadores pedem cautela. A cientista atmosférica Kimberley Reid explicou que previsões feitas nesta época do ano ainda apresentam muitas incertezas.

    “O histórico mostra que previsões feitas nesta época do ano ainda carregam incertezas importantes”, afirmou à BBC.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno climático natural marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em várias partes do planeta.

    Enquanto o El Niño aquece as águas do Pacífico, o La Niña provoca o efeito contrário, com temperaturas mais frias do que a média.

    Anomalia de temperatura no Oceano Pacífico. Valores em graus Celsius — (Dados divulgados pelo CPC/NOOA em 11/05/2026)

    Segundo especialistas, os sinais atuais já mostram um aquecimento consistente no oceano. A NOAA informou que o aquecimento das águas subsuperficiais aumentou pelo sexto mês consecutivo.

    O pesquisador José Marengo afirmou que o fenômeno realmente está se formando, mas destacou que ainda não é possível prever sua intensidade final.

    “Neste momento, o que podemos dizer é que o El Niño está se configurando, sim, e que esperamos talvez uma intensidade moderada a forte. Mas ainda é muito cedo para afirmar que será um super El Niño ou o pior do século”, disse.

    Possibilidade de “super El Niño”

    Meteorologistas monitoram especialmente a região chamada Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Quando as temperaturas permanecem mais de 1,5 °C acima da média durante vários meses, o evento costuma ser considerado muito forte.

    Modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo já indicam possibilidade de aquecimento acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério norte. Algumas projeções mais extremas sugerem temperaturas superiores a 3 °C.

    Mesmo assim, os cientistas reforçam que previsões feitas entre março e maio costumam apresentar maior margem de erro, fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade”.

    Quais podem ser os impactos?

    Especialistas alertam que um El Niño forte pode elevar ainda mais a temperatura global e aumentar o risco de recordes de calor em 2027.

    Além disso, o fenôeno costuma provocar secas severas em países como Austrália, Indonésia e Filipinas. Já regiões da América do Sul, especialmente Peru e Equador, podem enfrentar chuvas intensas e enchentes.

    No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam clima mais quente e seco.

    Segundo nota técnica do Cemaden, o fenômeno pode aumentar o risco de enchentes e deslizamentos no Sul do país. Ao mesmo tempo, Norte e Nordeste podem sofrer com seca e incêndios florestais.

    Marengo afirmou que autoridades já deveriam iniciar medidas preventivas: “Independentemente de o El Niño ser moderado, forte ou muito intenso, nós teremos impactos”, destacou. “Ainda não sabemos exatamente a magnitude, mas já conhecemos, com base em eventos anteriores, quais regiões podem ser mais afetadas.”

  • Brasil enfrenta novo El Niño a partir de maio com previsão de temporais

    Brasil enfrenta novo El Niño a partir de maio com previsão de temporais

    O fenômeno climático El Niño retorna ao Brasil em 2026 com previsão de intensidade moderada a forte, trazendo temporais severos e ondas de calor prolongadas para grande parte do território nacional. Os primeiros efeitos devem começar em maio e se intensificar ao longo do ano, segundo análises da maior empresa de consultoria meteorológica do Brasil e da América Latina.

    Altas temperaturas (manchas vermelhas) no oceano Pacífico Equatorial, como observado entre 1 e 10 de junho de 2023, são características do El Niño. Fotoe: NOA

    Vinicius Lucyrio, meteorologista, alerta que o El Niño 2026 terá um início acelerado. “Possivelmente, o El Niño este ano terá um início acelerado, e a expectativa é de que seja, no mínimo, um evento climático com intensidade de moderada a forte”, afirma o especialista. E isso deve afetar de forma prejudicial a produção agrícola do Brasil.

    As projeções da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA) indicam maior probabilidade de um El Niño moderado ou mais intenso entre agosto, setembro e outubro. Normalmente, o fenômeno atinge seu pico entre novembro e janeiro.

    Temporais severos preocupam especialistas

    O aquecimento do ar e do oceano aumenta significativamente os eventos de temporais severos. Lucyrio lembra que 2023 e 2024 registraram as temperaturas mais altas da história do planeta, ambos anos marcados por um forte El Niño e maior frequência de incidentes climáticos extremos.

    O fenômeno ocorre quando as águas do Oceano Pacífico equatorial aquecem anormalmente. Esse aquecimento eleva a temperatura do ar e torna a distribuição de chuvas irregular na maior parte do País. O Rio Grande do Sul recebe mais precipitações, enquanto a Amazônia e o Nordeste enfrentam secas severas.

    Frio concentrado em maio e junho

    Especialistas apontam que o período mais frio de 2026 concentrará as massas de ar frio principalmente em maio e junho. A partir de julho, o desenvolvimento mais consistente do El Niño reduzirá gradualmente a entrada de ar frio no Brasil.

    “A tendência é termos extremos de calor e tempo seco a partir do final do inverno e a primavera de 2026. Isto mostra uma certa similaridade com as condições de 2023, no sentido de que poderemos ter grandes, frequentes, longas e intensas ondas de calor em grande parte do interior do País”, explica Lucyrio.

    Sul do país terá inverno tempestuoso

    Enquanto o interior enfrenta calor extremo, o Sul do Brasil terá um inverno mais tempestuoso e nublado. Os eventos de chuva abrangente, com risco de enchentes, além de fortes temporais e CCMs (Complexos Convectivos de Mesoescala), crescerão expressivamente na primavera. Mato Grosso do Sul e São Paulo também sentirão parte dessa instabilidade.

    As previsões indicam que os rios da Amazônia terão uma cheia maior em 2026 comparada ao ano anterior, seguida por uma vazante muito mais acentuada. “Entretanto, ainda não dá para afirmar se isso vai comprometer a navegabilidade dos rios da região. É bem provável que tenhamos longos e fortes períodos de calor e tempo seco por lá”, avalia Lucyrio.

    Chuvas irregulares ameaçam abastecimento e agricultura

    O meteorologista alerta que o início do próximo período úmido pode “enganar” algumas regiões. Pancadas de chuva atípicas podem ocorrer entre agosto e setembro no Brasil Central, sudeste do Pará, Minas Gerais, São Paulo e interior nordestino. Contudo, essas chuvas não indicarão o retorno da regularidade.

    “O começo do próximo período de chuvas deve ter um padrão muito irregular e insuficiente para repor a umidade do solo e dos reservatórios, o que pode levar a problemas de abastecimento, geração de energia hidrelétrica e instalação de algumas culturas”, conclui o especialista.

    O agricultor deve se preparar para proteger a produção, pois o ano promete muitos obstáculos para a plantação.

  • Clima no Rio Grande do Sul afeta atividade leiteira

    Clima no Rio Grande do Sul afeta atividade leiteira

    O verão de 2024/2025 no Rio Grande do Sul foi marcado por ondas de calor e estiagem, afetando significativamente a atividade leiteira no estado. Segundo o Comunicado Agrometeorológico 83, publicado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), esses eventos meteorológicos extremos resultaram em perda de produção, baixo desempenho reprodutivo das vacas, maior suscetibilidade a doenças como a mastite, e aumento dos custos de produção.

    Os principais fatores que contribuíram para esses impactos incluem estresse térmico calórico moderado, disponibilidade forrageira deficiente nos campos e má qualidade da água. A agrometeorologista Ivonete Tazzo explica que o estudo utilizou o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) para documentar as condições de conforto e desconforto térmico enfrentadas pelos animais, estimando os efeitos na produção de leite.

    Condições meteorológicas

    Durante o trimestre de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025, as temperaturas mínimas e máximas absolutas do ar foram elevadas, indicando situações de estresse térmico calórico para as vacas leiteiras. Em janeiro e fevereiro de 2025, apenas 42,6% e 28,3% das horas avaliadas ofereceram conforto térmico aos animais. Em fevereiro, ondas de calor com temperaturas acima de 35°C e precipitações irregulares foram registradas. Especialmente nas regiões Central, Campanha e Noroeste, onde se concentra a maior produção de leite do estado.

    A médica veterinária Adriana Tarouco destacou que situações de estresse térmico leve a moderado foram identificadas em 41% das horas avaliadas ao longo do trimestre. As regiões do Vale do Uruguai, Baixo Vale do Uruguai e Missioneira foram particularmente afetadas. Para minimizar os efeitos ambientais e evitar prejuízos econômicos, os produtores rurais precisaram adotar estratégias de manejo, diante de declínios de produção diária de leite estimados entre 24,5% e 28%.

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