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  • Peixe gigante da Amazônia ajuda a controlar a pressão alta

    Peixe gigante da Amazônia ajuda a controlar a pressão alta

    O pirarucu, uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia, é conhecido há décadas pelas histórias dos pescadores. Presente principalmente nos estados do Pará e do Acre, o peixe também vem chamando atenção pelo elevado valor nutricional.

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    Segundo a nutricionista Paloma Cupini, o alimento reúne uma combinação de nutrientes capaz de favorecer a saúde cardiovascular, fortalecer os ossos e contribuir para o funcionamento adequado do sistema nervoso.

    “O pirarucu é um peixe com excelente valor nutricional, alto teor de proteína e sabor mais suave, o que facilita muito a adesão alimentar no dia a dia. A espécie impressiona pelos benefícios que atingem desde a construção e manutenção muscular até a saúde mental”, destaca.

    Benefícios para o coração

    Quando o assunto é saúde cardiovascular, o pirarucu se destaca pela presença de ácidos graxos ômega 3. Esses nutrientes ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue, diminuem processos inflamatórios e colaboram para o equilíbrio do colesterol.

    “Os ácidos graxos ômega 3 presentes no pirarucu ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue, diminuem a inflamação sistêmica e contribuem para o equilíbrio do colesterol, com efeitos protetores ao coração. Somado ao baixo teor de gordura saturada, o peixe é um aliado direto da saúde cardíaca”, explica a especialista.

    Conhecido como o “gigante da Amazônia”, a carne do pirarucu é considerada uma iguaria da região — Foto: Embrapa

    Além disso, o alimento contém potássio, mineral importante para o equilíbrio eletrolítico do organismo e para o controle da pressão arterial.

    “Essa característica funciona como um contraponto ao excesso de sódio na dieta moderna”, ressalta a nutricionista.

    Pelas estimativas da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), cerca de 30% da população adulta brasileira tem hipertensão — Foto: GOV

    Aliado no controle glicêmico

    Por apresentar elevado teor de proteínas e praticamente não conter carboidratos, o pirarucu também pode favorecer a saciedade e auxiliar estratégias de controle metabólico.

    Segundo Paloma, o peixe possui entre 1 g e 3 g de gorduras totais, predominantemente insaturadas, sendo considerado uma proteína magra.

    “O pirarucu é um peixe magro. Em termos de gorduras totais, ele tem em torno de 1 g a 3 g, predominantemente insaturada. Para pacientes com resistência à insulina, diabetes tipo 2 ou que seguem protocolos de controle glicêmico, o pirarucu é uma proteína que indico com frequência. Ele sacia e não eleva a glicose”, afirma.

    Fonte de proteína de alta qualidade

    Outro diferencial está na concentração de proteínas. A cada 100 gramas do alimento, é possível encontrar entre 25 g e 28 g de proteína, um dos maiores teores entre os peixes de água doce.

    Tal característica amplia o potencial do alimento para a manutenção da massa muscular e para a recuperação dos tecidos do organismo.

    “Do ponto de vista funcional, o pirarucu se destaca por oferecer uma proteína de alto valor biológico, com todos os aminoácidos essenciais. Isso significa que o organismo consegue aproveitar esse nutriente de forma muito eficiente, seja para construção muscular, seja para regeneração celular e manutenção de tecidos”, explica Cupini.

    O pirarucu é uma proteína que sacia e não eleva a glicose — Foto: GOV

    Saúde mental e funcionamento do sistema nervoso

    Além dos benefícios físicos, o consumo do pirarucu pode contribuir para a saúde mental. Isso ocorre devido à presença de vitaminas do complexo B, especialmente as vitaminas B6 e B12, essenciais para a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina.

    “Muitas pessoas têm deficiência desse nutriente sem ao menos saber. O pirarucu é uma fonte animal relevante dessa vitamina. Seu consumo regular contribui para o bom funcionamento do sistema nervoso, o equilíbrio do humor e a prevenção de fadiga mental”, destaca Paloma sobre a vitamina B12.

    Benefícios para os ossos

    O peixe amazônico também pode ser um aliado da saúde óssea. Conforme a nutricionista, a combinação de fósforo e magnésio presente no alimento auxilia diretamente na manutenção da densidade mineral dos ossos.

    “O pirarucu é um alimento interessante para a prevenção de osteopenia e osteoporose, especialmente em mulheres pós-menopausa e idosos”, garante.

    Além disso, a especialista ressalta que o consumo regular do peixe pode contribuir para a imunidade e para os processos de cicatrização, ampliando ainda mais os benefícios associados à espécie amazônica.

  • Dieta nórdica: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais

    Dieta nórdica: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais

    Quando o assunto é alimentação saudável, os países mediterrâneos costumam ser os primeiros a vir à mente. Contudo, a dieta nórdica desponta como uma forte candidata ao título de melhor dieta do planeta. Os padrões alimentares tradicionais da Dinamarca, Islândia, Finlândia, Noruega e Suécia oferecem benefícios tão expressivos quanto os da dieta mediterrânea, e a ciência tem acumulado evidências para comprovar isso.

    “É basicamente a prima da dieta mediterrânea, adaptada a climas mais frios”, afirma Dawn Jackson Blatner, nutricionista e autora do livro The Superfood Swap. Um grupo de nutricionistas, cientistas e chefs criou a chamada “nova dieta nórdica” em 2004, baseando-a em alimentos locais e sazonais, com ênfase em saúde, sabor e sustentabilidade. Para David L. Katz, especialista em medicina preventiva e coautor do livro How to Eat, a proposta não é nova: “Todas as boas dietas são compostas de comida de verdade, principalmente de origem vegetal. A dieta nórdica é uma variação desse mesmo tema, e seus benefícios se traduzem em vitalidade e longevidade.”

    Os dados científicos reforçam essa visão. Uma análise de 47 estudos publicada em outubro de 2025 no European Journal of Nutrition mostrou que pessoas com alta adesão à dieta nórdica apresentaram risco 22% menor de morte prematura por qualquer causa, 16% menor de morte por doença cardiovascular e 14% menor de morte por câncer. Por trás desses números está a combinação de alimentos ricos em anti-inflamatórios, antioxidantes, fibras e gorduras saudáveis.

    O que a dieta nórdica inclui?

    A dieta nórdica é rica em vegetais, peixes e grãos integrais e prioriza ingredientes locais, frescos e de origem sustentável, focando na “comida de verdade” com forte ação anti-inflamatória e antioxidante.

    Vegetais como batata, cenoura, beterraba, couve-flor e repolho entram no cardápio. Frutas vermelhas como maçã, pera, amora e morango se destacam pelo poder antioxidante. Além disso, cereais integrais, peixes, frutos do mar, óleos (como o óleo de canola, que substitui o azeite de oliva) e lacticínios magros fazem parte do estilo alimentar.

    Benefícios comprovados pela ciência

    As evidências científicas a favor da dieta nórdica crescem de forma consistente. Pesquisas associam sua adoção à redução do risco de doenças cardíacas, AVC e diabetes tipo 2, além de queda nos níveis de colesterol LDL e da pressão arterial. Um estudo de 2024 na revista Scientific Reports identificou risco 58% menor de doença hepática gordurosa entre os adeptos, enquanto uma pesquisa de 2025 na Frontiers in Endocrinology apontou redução equivalente no risco de diabetes tipo 2.

    Além dos efeitos de longo prazo, a dieta também traz benefícios perceptíveis no dia a dia. Um estudo de 2022 demonstrou melhora na qualidade do sono entre os participantes, e outra pesquisa observou que mulheres idosas adeptas do padrão alimentar apresentaram desempenho físico superior em testes como caminhada, flexões e levantar de uma cadeira, indicando potencial para reduzir o risco de incapacidade na terceira idade. Embora não seja voltada ao emagrecimento, um estudo também registrou melhoras no peso corporal entre os que seguiram a dieta.

    Por que funciona: anti-inflamação, fibras e equilíbrio hormonal

    O potencial protetor da dieta nórdica está diretamente ligado ao perfil anti-inflamatório dos alimentos que a compõem. Frutas e vegetais fornecem antioxidantes em abundância; grãos integrais como centeio e cevada têm índice glicêmico mais baixo, favorecendo a regulação do açúcar no sangue; e os peixes oleosos entregam ácidos graxos ômega-3, benéficos para o coração e o cérebro.

    Além disso, as fibras presentes em grãos, leguminosas e vegetais aumentam a saciedade e promovem o equilíbrio da microbiota intestinal. Somado a isso, segundo Katz, a dieta ainda contribui para a regulação de hormônios como insulina, cortisol, grelina e leptina. “O que torna a dieta nórdica tão saudável é que há muitos fatores trabalhando juntos”, resume Joan Salge Blake, nutricionista da Universidade de Boston.