Tag: olivicultura

  • Produção de azeite de oliva no Brasil bate recorde histórico

    Produção de azeite de oliva no Brasil bate recorde histórico

    A produção brasileira de azeite de oliva alcançou 1,434 milhão de litros em 2026, o maior volume já registrado no país. O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) divulgou os dados nesta terça-feira (14), durante coletiva de imprensa em Porto Alegre (RS).

    O resultado representa alta de 496,75% em comparação com os 240,3 mil litros produzidos em 2025, ano marcado por condições climáticas adversas. O volume também superou em 123,98% o recorde anterior, de 640.228 litros, registrado em 2023.

    Rio Grande do Sul concentra a maior parte da produção nacional

    O Rio Grande do Sul liderou a produção do país, com 1,17 milhão de litros de azeite. O estado registrou aumento de 514,82% sobre os 190,3 mil litros produzidos em 2025 e superou em 101,64% o recorde estadual anterior, de 580.228 litros, obtido em 2023. O território gaúcho reúne 31 lagares (unidades que processam as azeitonas e extraem o azeite) e cerca de 390 produtores, conforme estimativa do Ibraoliva.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    A região da Mantiqueira ocupou a segunda posição no ranking nacional, com 250 mil litros produzidos em 2026. Santa Catarina produziu 10 mil litros, seguida pelo Paraná, com 2,5 mil litros, e pelo Espírito Santo, com 1,5 mil litros.

    Ibraoliva destaca aprendizado acumulado pelos produtores

    A vice-presidente do Ibraoliva, Solange Neves, destacou que o resultado de 2026 superou a melhor marca já obtida pela olivicultura brasileira. “Tivemos uma safra muito boa em 2023, com 580 mil litros no Rio Grande do Sul. Agora, o estado supera esse recorde em 101,64%, enquanto o Brasil fica 123,98% acima da melhor marca anterior”, afirmou.

    Segundo Solange, o crescimento também reflete o aprendizado acumulado pelos produtores, a evolução do manejo e o trabalho desenvolvido pela cadeia produtiva. “Essa é uma conquista conjunta, construída com a organização dos produtores e a parceria entre instituições públicas e iniciativa privada. Temos avançado no manejo, compreendido melhor os efeitos das condições climáticas e trabalhado para produzir azeites de qualidade”, acrescentou.

    A vice-presidente também apontou que o desenvolvimento da olivicultura gera efeitos que vão além das propriedades rurais, especialmente nas regiões que concentram pomares, lagares e empreendimentos ligados ao turismo. Para ela, conhecer essas áreas amplia o consumo e a percepção sobre a produção nacional. “O Rio Grande do Sul concentra a maior área plantada e uma produção expressiva. Quando uma região se torna exemplo de produção, ela agrega valor para toda a comunidade, movimenta o município e cria oportunidades ligadas ao turismo. Precisamos conhecer mais as regiões produtoras do próprio estado e também de outras partes do Brasil, como a Mantiqueira”, observou.

    Governo gaúcho relaciona resultado a duas décadas de estruturação do setor

    O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Marcio Madalena, associou o resultado à evolução da olivicultura desde o início de sua estruturação no estado, há pouco mais de duas décadas. “Trabalhávamos com uma projeção abaixo de 1 milhão de litros e não havia, até então, a expectativa de superar essa marca neste ano. Estamos falando de uma cultura que começou a ser trabalhada por volta de 2005 no Rio Grande do Sul e que, em pouco mais de 20 anos, consolidou o estado na produção brasileira”, afirmou.

    Madalena também relacionou o crescimento do volume ao reconhecimento que os azeites gaúchos vêm obtendo em competições internacionais. Segundo o secretário, a expansão acompanha a organização do setor produtivo e o trabalho conjunto entre iniciativa privada e poder público. “Não é apenas crescimento de produção. Ultrapassamos 1 milhão de litros justamente no momento em que começamos a acumular medalhas internacionais, consolidando o reconhecimento da qualidade do azeite de oliva gaúcho em nível global. É um setor que tem crescido de forma organizada, tanto da porteira para dentro quanto na representação da cadeia e na articulação com o serviço público”, concluiu.

  • Da azeitona à garrafa: como nasce um bom azeite

    Da azeitona à garrafa: como nasce um bom azeite

    O rótulo promete “extra virgem” e “extração a frio”, mas poucos consumidores sabem o que essas palavras realmente significam. Entre a colheita da azeitona e o momento em que o azeite chega à mesa, o fruto passa por um processo rápido, mecânico e extremamente sensível à temperatura. Um atraso de poucas horas ou um aumento de poucos graus já compromete o sabor, o aroma e os benefícios nutricionais do produto final.

    azeite sendo derrubado em uma vasilha
    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    No Brasil, regiões como a Serra da Mantiqueira (MG/SP) e o Rio Grande do Sul lideram essa produção em expansão. Aline Coquieri Belli, responsável pela produção de azeite da Vinícola Guaspari, em Espírito Santo do Pinhal (SP), e Cláudia Santos, sommelière de azeites e mestra de lagar da Fazenda Serra dos Tapes, em Canguçu (RS), acompanham de perto cada etapa desse processo. A seguir, entenda o caminho que a azeitona percorre até virar azeite.

    A colheita: o relógio começa a contar

    Tudo começa no momento exato da colheita, geralmente feita à mão ou com auxílio de maquinário, nas primeiras horas da manhã, quando a fruta atinge o ponto ideal de maturação. A partir daqui, a azeitona entra em uma corrida contra o tempo: quanto mais cedo ela chegar ao lagar, o local onde acontece o processamento, melhor.

    Segundo Aline Coquieri Belli, o transporte rápido das azeitonas até o lagar evita a fermentação e a oxidação da fruta, dois processos que aumentam a acidez e derrubam a qualidade do azeite. Na avaliação da especialista, o ideal é que toda essa etapa, da colheita ao início do processamento, leve no máximo um dia. Algumas produtoras, como a própria Fazenda Serra dos Tapes, mantêm o lagar junto ao olival justamente para reduzir essa distância ao mínimo.

    Lavagem e moagem: a fruta vira pasta

    No lagar, as azeitonas passam primeiro por uma lavagem, que remove folhas, gravetos e impurezas. Em seguida, entram na moedora, que tritura o fruto inteiro, incluindo o caroço, até formar uma massa espessa e homogênea, conhecida como pasta de azeitona ou pasta de oliva.

    colheita de azeitonas
    Colheita de azeitonas para produção do azeite Mantikir. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Essa etapa precisa acontecer logo depois da colheita. Quanto mais tempo a azeitona espera antes da moagem, maior o risco de fermentação, o que prejudica diretamente o sabor e a acidez do azeite.

    Malaxagem: a etapa que decide a qualidade

    Depois de moída, a pasta segue para a malaxagem (também chamada de batedura), um processo de mistura lenta e contínua que dura, em média, entre 30 e 60 minutos. A função dessa etapa é unir as pequenas gotículas de azeite espalhadas pela pasta, formando gotas maiores que a centrífuga consegue separar com mais eficiência depois.

    É exatamente aqui que mora o segredo da “extração a frio”: durante toda a malaxagem, a temperatura da pasta não pode ultrapassar 27°C. Acima desse limite, as reações químicas de oxidação se aceleram, e o azeite perde polifenóis, vitamina E e os compostos voláteis responsáveis pelo aroma. O calor até aumenta o volume de óleo extraído, mas reduz a qualidade sensorial e nutricional do produto. Uma troca que os bons produtores evitam.

    Na Fazenda Serra dos Tapes, batedeiras equipadas com sistema de refrigeração mantêm essa temperatura sob controle constante durante todo o processo, segundo explica Cláudia Santos. A especialista lembra ainda que o termo “prensado a frio”, comum em rótulos antigos, descreve um método já praticamente abandonado pela indústria: hoje, a extração não usa mais prensas mecânicas, e sim centrífugas, o que torna “extraído a frio” a expressão tecnicamente correta.

    Centrifugação: o fim das prensas tradicionais

    Até algumas décadas atrás, a separação do azeite acontecia por meio de prensas hidráulicas, que pressionavam fisicamente a pasta entre discos de fibra. O método funcionava, mas expunha o azeite a mais oxigênio e oferecia menos controle de higiene e eficiência.

    Os lagares modernos substituíram as prensas por decantadores centrífugos, equipamentos que giram a alta velocidade e separam o azeite da água de vegetação e do bagaço (a parte sólida da azeitona) em um processo contínuo, rápido e muito mais preciso. Essa centrifugação acontece, também, dentro do limite de temperatura da extração a frio.

    Decantação, filtragem e engarrafamento

    Depois de separado, o azeite ainda carrega pequenas partículas sólidas em suspensão. Algumas produtoras deixam o líquido em repouso por um período curto, permitindo que essas impurezas decantem naturalmente. Outras optam pela filtragem, que retira até os últimos resíduos e deixa o azeite mais límpido. Essa é apenas uma escolha estética, já que o azeite turvo (não filtrado) não perde qualidade por isso.

    A etapa final é o envase. As garrafas costumam ser de vidro escuro, e o motivo é técnico, não apenas estético: a luz acelera a oxidação do azeite e degrada seus compostos com a mesma rapidez que o calor. Embalagens escuras, frascos metálicos ou caixas protegem o produto até a abertura.

    Como saber se um azeite é mesmo de qualidade

    Os rótulos trazem alguns números que ajudam o consumidor a avaliar o que está comprando. A acidez, expressa em ácido oleico, não pode ultrapassar 0,8% para um azeite ser classificado como extravirgem. Porém, os de altíssima qualidade costumam ficar abaixo de 0,2%. Já o índice de peróxidos mede o grau de oxidação do produto: quanto mais baixo, mais fresca foi a azeitona e mais cuidadoso foi o processo de extração.

    Cláudia Santos destaca outro diferencial dos azeites brasileiros: por chegarem às prateleiras logo após a produção, eles preservam frescor e sabor que muitos importados, depois de meses em trânsito, já não conseguem manter.

    O Brasil entrando na rota do azeite extravirgem

    A olivicultura nacional é recente, mas cresce rápido. Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais, é considerada o berço do azeite brasileiro. A cidade recebeu as primeiras mudas de oliveira na década de 1930, trazidas por um imigrante português que notou semelhanças entre o clima local e o de sua terra natal. Décadas depois, em 2008, pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) resultaram na primeira extração de azeite extravirgem do país.

    produtor de azeite colhendo azeitonas
    Herbert Sales, produtor do azeite Mantikir, durante a colheita da safra 2026. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Hoje, regiões como a Serra da Mantiqueira e o interior do Rio Grande do Sul reúnem produtores que aplicam tecnologia de ponta na produção. E seguem rigorosamente o controle de temperatura da extração a frio, para colocar o azeite brasileiro no mesmo patamar dos grandes produtores internacionais.

  • Começa hoje a Olifeira, maior feira de azeite de oliva da América Latina

    Começa hoje a Olifeira, maior feira de azeite de oliva da América Latina

    O Preview da Olifeira, maior evento de celebração da cultura do azeite de oliva da América Latina, acontece nesta quinta-feira (28), em Guaíba (RS). O encontro reúne convidados, empresários, autoridades e imprensa, além de fortalecer relações institucionais com consulados e Câmaras de Comércio de países como Espanha, Portugal, Uruguai e Itália.

    Além disso, a iniciativa amplia a proposta de internacionalização da feira, que busca aproximar o público de diferentes tradições ligadas à olivicultura mundial.

    A 5ª edição da Olifeira ocorrerá entre os dias 14 e 18 de outubro de 2026, no Largo José Claudio Machado, na orla de Guaíba. Neste ano, o tema será “De Volta às Origens”, conceito que pretende reconectar visitantes à história, cultura, gastronomia e tradições da oliveira.

    O evento é promovido pela Abrazeite (Associação Brasileira de Consumidores e Azeite de Oliva e Derivados) com patrocínio master da Prefeitura de Guaíba. A feira também conta com apoio de empresas como Pinenge Empreendimentos Imobiliários, Azeites Prosperato, Tenuta do Bosque, Casa Perini e Hotel IBIS Style POA Centro.

    Evento terá expositores de diferentes estados

    A organização já confirmou o retorno de expositores que participaram da última edição. Com isso, produtores do Rio Grande do Sul, além de representantes de São Paulo e Minas Gerais, marcarão presença na feira.

    Ao mesmo tempo, novas marcas e parceiros seguem em negociação para integrar a programação. A expectativa é ampliar a diversidade de experiências, produtos e conexões ligadas ao setor.

    Olifeira movimentou mais de R$ 12 milhões em 2025

    A edição de 2025 consolidou a Olifeira como a principal feira da olivicultura latino-americana. O evento reuniu mais de 120 expositores e recebeu cerca de 150 mil visitantes durante quatro dias.

    Além disso, a feira movimentou mais de R$ 12 milhões na economia regional, impactando diretamente setores como turismo, hotelaria, gastronomia, comércio, agronegócio e serviços.

    Brasil projeta crescimento recorde na produção de azeite

    Segundo dados da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, o Rio Grande do Sul possui aproximadamente 6,5 mil hectares de oliveiras plantadas. Em todo o Brasil, o cultivo ocupa cerca de 10 mil hectares.

    Atualmente, o estado reúne cerca de 340 produtores distribuídos em mais de 100 municípios, respondendo por aproximadamente 75% da produção nacional de azeite de oliva.

    Para 2026, o setor projeta a maior safra da história do país. A expectativa é superar o volume registrado em 2023, quando a produção alcançou cerca de 640 mil litros.


    Produção brasileira de azeite de oliva deve crescer mais de 55% em 2026 — Foto: MAPA

    De acordo com a Abrazeite, a previsão aponta crescimento superior a 55%, impulsionado pelo avanço técnico da cadeia produtiva e pelas condições climáticas favoráveis.

    Com isso, consumidores poderão conhecer, degustar e adquirir azeites nacionais durante a realização da Olifeira.

    Reconhecida como o Portal da Rota das Oliveiras, Guaíba também reforça sua posição estratégica dentro da olivicultura gaúcha. A prefeita Claudinha Jardim destacou a importância da próxima edição do evento.

    “Em 2026, ano em que o município celebra seu centenário, a 5ª Olifeira prepara uma programação cuidadosamente pensada para valorizar história, cultura, turismo, gastronomia e as origens que aproximam o público do universo da oliveira”, afirmou.

  • Azeitech 2026 destaca uso de drones e boas práticas na produção de azeite de oliva

    Azeitech 2026 destaca uso de drones e boas práticas na produção de azeite de oliva

    A 6ª edição do Azeitech, promovida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), ocorre no dia 10 de abril. O evento acontece no Campo Experimental de Maria da Fé (MG), com foco em difusão de conhecimento e inovação na olivicultura. E integra o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura, consolidando-se como referência para produtores, técnicos e agroindústrias do setor.

    Logo pela manhã, a programação destaca a palestra “Uso de drones na olivicultura”, conduzida por Charles Santana. Ele é professor e pesquisador do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig/Itap). A abertura está marcada para as 8h30. E será seguida da apresentação sobre como a tecnologia auxilia o monitoramento das áreas de oliveiras e o manejo individualizado das plantas.

    Segundo o pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira, o uso de drones permite mapear talhões, atribuir códigos a cada planta e acompanhar indicadores como nutrição, controle de pragas e produtividade. Ele ressalta que a ferramenta se tornou aliada dos produtores ao oferecer controle mais preciso e assertivo das áreas experimentais e comerciais.

    Boas práticas para azeite de qualidade ganham espaço na programação

    Além de integrar a Comissão Organizadora do Azeitech, Luiz Fernando coordena a estação “Boas práticas e processos para elaboração de azeite de oliva”. Nesse espaço, a equipe apresenta os resultados do projeto “Processos inovadores para as agroindústrias de azeite de oliva e abacate”. Financiado pela Fapemig, tem foco na modernização da agroindústria e na melhoria da qualidade do produto final.

    A estação aborda práticas essenciais para produção de azeite de alta qualidade, critérios de avaliação sensorial e físico-química. Além de orientações para aperfeiçoar processos nas unidades de extração. A proposta é aproximar as recomendações técnicas do dia a dia dos produtores e das agroindústrias que atuam na Serra da Mantiqueira e em outras regiões olivícolas do país.

    Painel técnico discute ATeG, rastreabilidade e gestão de resíduos

    No período da tarde, o Azeitech 2026 dedica a programação a um painel técnico com palestras e rodas de conversa. Um dos destaques é a apresentação dos resultados do projeto de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Olivicultura. Desenvolvido pelo Senar, acompanha cerca de 30 produtores e foca em gestão da propriedade e eficiência produtiva.

    A programação também inclui conteúdos sobre rastreabilidade, em parceria com pesquisadores da área, e propostas de novas ações voltadas ao tratamento de resíduos da atividade olivícola. Os debates contam com a participação do coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, Pedro Moura, e da pesquisadora Carolina Zambon, que conduzem os momentos de interação com o público.

    Inscrições gratuitas e mais informações

    A participação no Azeitech 2026 é gratuita, com inscrições realizadas no próprio dia e local do evento, no Campo Experimental de Maria da Fé. A Epamig divulgará informações detalhadas sobre a programação nos seus canais oficiais e no site do Azeitech, incluindo horários das estações de campo, palestras e atividades da Mostra Tecnológica.

  • Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Uma bactéria capaz de secar ramos, matar plantas e colapsar toda a cadeia produtiva de azeite no Brasil está no centro de uma corrida científica em Minas Gerais. A Xylella fastidiosa, responsável por devastar olivais em diversas regiões do mundo, passou a ser monitorada com tecnologia de ponta pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que combina imagens captadas por drones com dados coletados em campo para detectar a doença o mais cedo possível.

    Foto: Erasmo Pereira/Epamig

    O trabalho é conduzido em parceria entre pesquisadores do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, com base em Maria da Fé, e a equipe do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig ITAP). Já no segundo ano de avaliações, o projeto utiliza drones equipados com câmeras multiespectrais capazes de captar informações invisíveis a olho nu. Um diferencial que pode antecipar diagnósticos e salvar plantações inteiras.

    Como funciona o monitoramento

    “Fazemos o monitoramento das oliveiras tentando entender o comportamento da Xylella a partir do imageamento aéreo. As câmeras especiais dos drones nos possibilitam enxergar informações além das visíveis a olho nu”, explica o pesquisador Charles Santana, da Epamig ITAP.

    Drones coletam as imagens, e a equipe de campo processa esse material e cruza os dados com informações fisiológicas e agronômicas levantadas no local. A próxima etapa prevê o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de antecipar quais plantas apresentam maior risco de infecção pela Xylella fastidiosa. Isso antes mesmo do surgimento dos sintomas visíveis.

    Além do controle da doença, o sistema abre caminho para outras aplicações. “Esse monitoramento vai permitir a coleta de dados referentes a avaliações de produtividade, fisiologia da planta e incidência de outras doenças”, destaca Gabriel Koch, pesquisador em fitopatologia na Olivicultura da Epamig.

    O risco para a produção de azeite nacional

    A preocupação tem fundamento econômico. O Brasil vem expandindo sua olivicultura, especialmente na região da Serra da Mantiqueira, e a ameaça da Xylella fastidiosa representa um risco real para um setor em crescimento. “Trata-se de um agente causal muito importante na cultura da oliveira, com grande potencial destrutivo”, alerta Koch.

    O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), sob o código PPE-00057-24. E tem como foco central a epidemiologia, a resistência vegetal e o uso de agentes biológicos no manejo da seca da oliveira. O objetivo final é evitar o que os próprios pesquisadores descrevem como um possível “colapso na cadeia produtiva de azeite na Serra da Mantiqueira”.

  • Serra da Mantiqueira deve ter safra recorde de azeite em 2026

    Serra da Mantiqueira deve ter safra recorde de azeite em 2026

    A colheita de azeitonas iniciada há cerca de 30 dias na Serra da Mantiqueira já indica um cenário histórico para a olivicultura mineira. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), os resultados iniciais do serviço de extração de azeite no Campo Experimental de Maria da Fé superam as expectativas e reforçam a projeção de safra recorde em 2026.

    O coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, Pedro Moura, destaca que a colheita atual confirma a tendência de alta iniciada em 2024, quando foram produzidos cerca de 150 mil litros de azeite. “A quantidade de frutos e a qualidade do óleo mostram que podemos ultrapassar o recorde da região. A safra é resultado direto da excelente florada de 2025, beneficiada pelas condições climáticas ideais do último inverno”, ressalta.

    Além das condições de clima e frio acumulado, a bienalidade da oliveira (alternância natural entre anos de menor e maior produtividade) explica o desempenho da atual colheita. Em 2025, a produção caiu para cerca de 60 mil litros, abrindo espaço para o ciclo de alta previsto para este ano.

    Crescimento da olivicultura mineira

    Com cerca de 100 produtores, 25 agroindústrias e 50 marcas próprias, a olivicultura da Serra da Mantiqueira vem consolidando sua presença no cenário nacional. A Epamig tem papel central nesse avanço, ao desenvolver e difundir tecnologias de extração e manejo que aumentam a qualidade dos azeites produzidos em Minas Gerais.

    Luiz Augusto, gerente dos Olivais de Quelemém — fazenda parceira da Epamig — destaca que a produção da Mantiqueira desperta atenção internacional. “Hoje, especialistas do Conselho Oleícola Internacional e azeitólogos de renome reconhecem a qualidade do nosso azeite. Essa visibilidade reforça o potencial da safra de 2026, que pode superar 300 a 400 mil litros na região”, afirma.

    Evento Azeitech 2026

    A Epamig realiza em 10 de abril a 6ª edição do Azeitech, no Campo Experimental de Maria da Fé, com participação gratuita. O evento reunirá o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura, com palestras, demonstrações e estações práticas focadas no dia a dia do produtor.

    Foto: Diego Vargas/Seapa

    “O Azeitech conecta o conhecimento das pesquisas da Epamig com a experiência dos produtores e empresas do setor. Participamos todos os anos, porque sempre há inovações relevantes para o campo”, destaca Luiz Augusto.

  • Brasil deve bater recorde histórico na produção de azeite de oliva

    Brasil deve bater recorde histórico na produção de azeite de oliva

    A produção de azeite de oliva no Brasil deve alcançar em 2026 a maior safra da história, superando os 640 mil litros registrados em 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). As condições climáticas favoráveis neste ciclo reacenderam a expectativa de o país se aproximar da marca de 1 milhão de litros.

    A olivicultura brasileira começou sua produção comercial há cerca de duas décadas e superou o desafio de desenvolver azeites extravirgens de alta qualidade fora das condições típicas do Mediterrâneo. “Produzir azeites extravirgens no hemisfério sul, em climas muito diferentes dos mediterrâneos, foi nosso grande desafio, e ele foi vencido”, afirma o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho.

    O dirigente destaca que os azeites nacionais conquistaram prestígio global. “Não conheço concurso internacional em que um azeite brasileiro participe e não receba medalha. Considerando a média de qualidade, o azeite brasileiro é o melhor do mundo”, comenta.

    Depois do recorde de 2023, o setor enfrentou duas safras difíceis. O volume recuou para 340 mil litros em 2024 e 240 mil em 2025, impactado por excesso de chuvas e alta umidade. Fatores que prejudicam o desenvolvimento das oliveiras.

    Revisão das estratégias

    Segundo Obino Filho, os últimos anos exigiram uma revisão profunda das estratégias produtivas. “Em 2023, nossa preocupação era o mercado. Em 2025, centramos esforços em entender erros e acertos, com investimento pesado em pesquisa”, explica.

    Para 2026, o ambiente é mais promissor. “As condições climáticas estão colaborando e devemos ter a maior safra da olivicultura brasileira, superando os 640 mil litros de 2023. E, quem sabe, alcançar 1 milhão de litros de azeite extravirgem produzido no Brasil”, projeta.

    Atualmente, o país conta com cerca de 550 produtores distribuídos em 200 municípios, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. O Rio Grande do Sul concentra a maior parte da produção nacional. “O caminho é seguir investindo em pesquisa e aprimoramento. Temos qualidade para figurar entre os grandes produtores mundiais”, conclui o presidente do Ibraoliva.

  • Azeitech 2026 promete movimentar o polo da olivicultura em Maria da Fé

    Azeitech 2026 promete movimentar o polo da olivicultura em Maria da Fé

    O Campo Experimental de Maria da Fé, no Sul de Minas, será o epicentro da olivicultura brasileira em 10 de abril, quando a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) realiza o Azeitech 2026. Em sua 6ª edição, o evento gratuito reunirá produtores, técnicos e apaixonados por azeite para discutir inovação, tecnologia e práticas sustentáveis no cultivo de oliveiras.

    Diferente dos anos anteriores, o Azeitech será realizado em abril. Uma mudança estratégica que busca facilitar a participação dos produtores durante o período pós-colheita. Segundo o pesquisador Pedro Moura, da comissão organizadora, a alteração atende a uma demanda antiga do setor.

    “Com a alta expectativa para a safra deste ano, decidimos aproximar a data do fim da colheita, garantindo a presença dos produtores sem interferir nas atividades de campo”, explica Moura.

    A organização dividirá a programação entre o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura. Palestras inéditas e estações práticas vão abordar desde o manejo moderno das oliveiras até o uso de novos insumos e tecnologias de processamento.

    Além das apresentações técnicas, empresas e instituições do setor vão expor soluções inovadoras em maquinários, produtos e serviços voltados à produção e à indústria de azeites. O evento reforça o papel de Maria da Fé como referência nacional na pesquisa e produção de azeite extravirgem de qualidade.

    O Azeitech soma-se aos esforços da Epamig para ampliar o conhecimento técnico. Além de fortalecer a competitividade do setor olivícola mineiro, que vem conquistando espaço no cenário nacional e internacional.

  • Ibraoliva projeta novo ciclo de crescimento

    Ibraoliva projeta novo ciclo de crescimento

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encerrou 2025 com avanços marcantes e inicia 2026 com metas ambiciosas para fortalecer a olivicultura nacional. Após um ano de ampliação de parcerias e atuação política, o presidente Flávio Obino Filho afirmou que o próximo ciclo será dedicado à integração regional, inovação tecnológica e defesa da qualidade do azeite brasileiro.

    Durante o balanço anual, Obino destacou que o Ibraoliva consolidou sua representatividade institucional e ampliou sua presença em todo o país. “Fortalecemos os laços com produtores do Sudeste, Santa Catarina e Paraná, além de estreitar a parceria com a Assolive. Hoje somos, de fato, uma entidade nacional”, afirmou.

    Entre os marcos de 2025, o dirigente ressaltou a visita de autoridades do Conselho Oleícola Internacional (COI). A agenda incluiu encontros em Campos do Jordão (SP), Maria da Fé (MG) e Porto Alegre (RS), com foco em desafios técnicos e na valorização do azeite extravirgem entre consumidores e especialistas. “Essas ações ajudaram a ampliar a visibilidade do produto e reforçar a credibilidade da produção brasileira”, acrescentou Obino.

    O Ibraoliva também intensificou o diálogo com o COI para aproximar o Brasil da futura adesão ao conselho, promovendo eventos com restaurantes, supermercadistas e profissionais de degustação. Outro avanço relevante veio com o convênio firmado com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) e a Asolur, entidade que reúne produtores do Uruguai. O acordo prevê pesquisas conjuntas para o desenvolvimento técnico da olivicultura e apoio à criação de um centro de referência no Rio Grande do Sul.

    Atuação em todas as área

    Na área regulatória, o instituto manteve posição firme contra o uso de herbicidas hormonais como o 2,4-D, defendendo o banimento desses produtos no país por seus riscos à fruticultura e à saúde pública. No campo jurídico, ingressou como amicus curiae em processo do Ministério Público de São Paulo que investiga fraudes em azeites importados. Sempre defendendo a realização de análises sensoriais para garantir a autenticidade do azeite extravirgem.

    O ano de 2025 também foi marcado por uma intensa agenda técnica e de promoção da cultura olivícola. Webinars e reuniões virtuais reuniram produtores brasileiros e uruguaios para discutir boas práticas desde o preparo do solo até o desenvolvimento das plantas. Além disso, o instituto apoiou e organizou eventos de destaque, como o Olivas no Cais, o primeiro Seminário Nacional de Olivoturismo. E o Simpósio Binacional de Olivoturismo, reforçando o potencial econômico, turístico e gastronômico do setor.

    Para 2026, Obino projeta continuidade e crescimento. “Construímos bases sólidas em 2025. Agora queremos ampliar a integração nacional, fortalecer a pesquisa e consolidar o azeite brasileiro no cenário internacional”, afirmou o presidente do Ibraoliva.

  • Estância das Oliveiras: fazenda gaúcha é referência mundial de azeite

    Estância das Oliveiras: fazenda gaúcha é referência mundial de azeite

    A história começa com um ato de teimosia. Daqueles que parecem exagero no início — mas que, mais tarde, ali adiante, revelam visão. Foi assim com o engenheiro agrônomo Lucídio Morsch Goelzer, descendente de alemães, que decidiu apostar onde quase ninguém apostava: produzir azeite de oliva extravirgem de padrão internacional em pleno Rio Grande do Sul. Em Viamão. A apenas 28 quilômetros de Porto Alegre. No coração do clima subtropical. Difícil? Sim. Impossível? Ele jurava que não. Assim nasceu a história da premiada Estância das Oliveiras.

    O projeto nasceu há pouco mais de uma década, meio silencioso, meio ousado.  E, no começo, tudo parecia improvável. Lucídio importou oliveiras, testou variedades, perdeu noites. “Vai dar errado”, diziam. Não deu. Pelo contrário. Pouco a pouco, a propriedade virou laboratório, escola e vitrine.

    Transformou também o estado. Onde antes havia ceticismo, surgiu um polo. E, logo depois, surgiu outro. Um novo endereço de azeites premium no país.

    A Estância das Oliveiras cresceu. Cresceu mesmo. E não cresceu só no campo. A fazenda virou um conjunto elegante, quase cinematográfico.

    Um casarão histórico de 600 metros quadrados, assinado pelo arquiteto uruguaio Alberto Brizolara, domina a paisagem. É grande, imponente. Ali ao lado, quase colado, um lagar moderno extrai o azeite com precisão cirúrgica.

    E, sob a sombra de uma figueira centenária, visitantes descansam, conversam, respiram o lugar. Assim, com o tempo, a estância virou turismo. Virou gastronomia. Virou experiência.

    Potência em azeite brasileiro

    Depois vieram os prêmios. E vieram rápido. De início, em 2024, o “Oscar dos azeites” — o Mario Solinas Quality Award — colocou o nome de Viamão no mapa mundial. Logo depois, no ano seguinte, a vitória no Anatolian International Olive Oil Contest, na Turquia, levou a Estância ao topo do Brasil e ainda arrancou um Best in Class. Um feito raro.

    E, por fim, hoje o produtor é o azeite mais premiado do país e aparece como a quinta marca mais laureada do mundo. Sim, do mundo.

    Mas a história não termina no brilho das medalhas. Pelo contrário. A Estância também virou referência em sustentabilidade e vida comunitária. Promove eventos, celebra a gastronomia gaúcha, estimula práticas ecológicas. A cada safra, atrai mais gente. E, em 2025, sete de seus azeites receberam o selo Produtos Premium Origem e Qualidade RS. Outro carimbo, por exemplo, importante.

    No fim, o que fica é simples. A Estância das Oliveiras não é só uma fazenda. Nem só um caso de sucesso. É, acima de tudo, uma narrativa de insistência e excelência que redesenha o mapa do azeite brasileiro. E faz de Viamão, antes discreta, um destino obrigatório para quem quer entender o novo rosto do agro gaúcho.