Tag: oliveiras

  • Azeitech 2026 destaca uso de drones e boas práticas na produção de azeite de oliva

    Azeitech 2026 destaca uso de drones e boas práticas na produção de azeite de oliva

    A 6ª edição do Azeitech, promovida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), ocorre no dia 10 de abril. O evento acontece no Campo Experimental de Maria da Fé (MG), com foco em difusão de conhecimento e inovação na olivicultura. E integra o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura, consolidando-se como referência para produtores, técnicos e agroindústrias do setor.

    Logo pela manhã, a programação destaca a palestra “Uso de drones na olivicultura”, conduzida por Charles Santana. Ele é professor e pesquisador do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig/Itap). A abertura está marcada para as 8h30. E será seguida da apresentação sobre como a tecnologia auxilia o monitoramento das áreas de oliveiras e o manejo individualizado das plantas.

    Segundo o pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira, o uso de drones permite mapear talhões, atribuir códigos a cada planta e acompanhar indicadores como nutrição, controle de pragas e produtividade. Ele ressalta que a ferramenta se tornou aliada dos produtores ao oferecer controle mais preciso e assertivo das áreas experimentais e comerciais.

    Boas práticas para azeite de qualidade ganham espaço na programação

    Além de integrar a Comissão Organizadora do Azeitech, Luiz Fernando coordena a estação “Boas práticas e processos para elaboração de azeite de oliva”. Nesse espaço, a equipe apresenta os resultados do projeto “Processos inovadores para as agroindústrias de azeite de oliva e abacate”. Financiado pela Fapemig, tem foco na modernização da agroindústria e na melhoria da qualidade do produto final.

    A estação aborda práticas essenciais para produção de azeite de alta qualidade, critérios de avaliação sensorial e físico-química. Além de orientações para aperfeiçoar processos nas unidades de extração. A proposta é aproximar as recomendações técnicas do dia a dia dos produtores e das agroindústrias que atuam na Serra da Mantiqueira e em outras regiões olivícolas do país.

    Painel técnico discute ATeG, rastreabilidade e gestão de resíduos

    No período da tarde, o Azeitech 2026 dedica a programação a um painel técnico com palestras e rodas de conversa. Um dos destaques é a apresentação dos resultados do projeto de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Olivicultura. Desenvolvido pelo Senar, acompanha cerca de 30 produtores e foca em gestão da propriedade e eficiência produtiva.

    A programação também inclui conteúdos sobre rastreabilidade, em parceria com pesquisadores da área, e propostas de novas ações voltadas ao tratamento de resíduos da atividade olivícola. Os debates contam com a participação do coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, Pedro Moura, e da pesquisadora Carolina Zambon, que conduzem os momentos de interação com o público.

    Inscrições gratuitas e mais informações

    A participação no Azeitech 2026 é gratuita, com inscrições realizadas no próprio dia e local do evento, no Campo Experimental de Maria da Fé. A Epamig divulgará informações detalhadas sobre a programação nos seus canais oficiais e no site do Azeitech, incluindo horários das estações de campo, palestras e atividades da Mostra Tecnológica.

  • Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Uma bactéria capaz de secar ramos, matar plantas e colapsar toda a cadeia produtiva de azeite no Brasil está no centro de uma corrida científica em Minas Gerais. A Xylella fastidiosa, responsável por devastar olivais em diversas regiões do mundo, passou a ser monitorada com tecnologia de ponta pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que combina imagens captadas por drones com dados coletados em campo para detectar a doença o mais cedo possível.

    Foto: Erasmo Pereira/Epamig

    O trabalho é conduzido em parceria entre pesquisadores do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, com base em Maria da Fé, e a equipe do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig ITAP). Já no segundo ano de avaliações, o projeto utiliza drones equipados com câmeras multiespectrais capazes de captar informações invisíveis a olho nu. Um diferencial que pode antecipar diagnósticos e salvar plantações inteiras.

    Como funciona o monitoramento

    “Fazemos o monitoramento das oliveiras tentando entender o comportamento da Xylella a partir do imageamento aéreo. As câmeras especiais dos drones nos possibilitam enxergar informações além das visíveis a olho nu”, explica o pesquisador Charles Santana, da Epamig ITAP.

    Drones coletam as imagens, e a equipe de campo processa esse material e cruza os dados com informações fisiológicas e agronômicas levantadas no local. A próxima etapa prevê o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de antecipar quais plantas apresentam maior risco de infecção pela Xylella fastidiosa. Isso antes mesmo do surgimento dos sintomas visíveis.

    Além do controle da doença, o sistema abre caminho para outras aplicações. “Esse monitoramento vai permitir a coleta de dados referentes a avaliações de produtividade, fisiologia da planta e incidência de outras doenças”, destaca Gabriel Koch, pesquisador em fitopatologia na Olivicultura da Epamig.

    O risco para a produção de azeite nacional

    A preocupação tem fundamento econômico. O Brasil vem expandindo sua olivicultura, especialmente na região da Serra da Mantiqueira, e a ameaça da Xylella fastidiosa representa um risco real para um setor em crescimento. “Trata-se de um agente causal muito importante na cultura da oliveira, com grande potencial destrutivo”, alerta Koch.

    O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), sob o código PPE-00057-24. E tem como foco central a epidemiologia, a resistência vegetal e o uso de agentes biológicos no manejo da seca da oliveira. O objetivo final é evitar o que os próprios pesquisadores descrevem como um possível “colapso na cadeia produtiva de azeite na Serra da Mantiqueira”.