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  • A árvore da Semana Santa: conheça a oliveira mais antiga do mundo

    A árvore da Semana Santa: conheça a oliveira mais antiga do mundo

    Seu nome científico Olea europaea já sugere a utilidade e a origem. Ao longo dos séculos, essa árvore ocupou lugar especial em diferentes culturas ao fornecer madeira forte, azeitonas e óleo para o alimento, bem como o azeite que iluminava as noites do Oriente Médio até Roma. Além disso, seus frutos também eram úteis para remédio (unguentos) e símbolo de poder, como na unção dos reis.

    Apesar da importância simbólica, o cultivo da oliveira é relativamente simples. Ela exige pouca umidade (rega de duas a três vezes por semana) e bastante luz. Enraizada, a árvore ganha autonomia e longevidade, adquirindo formas particulares no entroncamento, o que faz de cada exemplar uma personalidade única.

    No Brasil, embora o cultivo seja ainda recente, segundo a EMBRAPA, vale lembrar a qualidade dos azeites já reconhecidos em competições internacionais.

    Na Grécia, a Oliveira eterna.

    Com esse perfil resistente, valioso e utilitário, ainda é possível encontrar Oliveiras centenárias em países do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Em Abrantes, Portugal, a Oliveira de Mouchão é histórica; na região de Gallura, na Sardenha (Itália), é possível encontrar outra, apelidada de “Matriarca da Natureza”, com quase 14 metros de altura.  Protegidas por leis nacionais, esses monumentos naturais têm mais de 2 mil anos e são  importantes pontos turísticos.

    O recorde de longevidade, contudo, pertence à Oliveira de Vouves, na ilha de Creta, na Grécia. Enquanto alguns estimam sua idade entre 3 e 4 mil anos, outros  chegam a acreditar que ela já tenha 5 mil anos. O fato é que essa árvore impressionante tem cerca de 12 metros de altura, e, mesmo com o tronco já oco, ainda produz azeitonas valorizadas por especialistas. Tão simbólica, a árvore éprotegida por leis gregas e chegou a fornecer ramos para a confecção das coroas dos atletas dos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas.

    Resistente, adaptável e com mil utilidades, a oliveira e seu fruto são, e sempre foram, símbolos grandiosos da humanidade e da cultura. O leitor, caso concorde com essa ideia, não está sozinho nas companhias longevas e respeitáveis.

    “Doce, prateada ama de leite, nascida sozinha e imortal, cuja força desafia jovens e idosos”, escreveu o poeta grego Sófocles. “E Jesus saiu, então, e foi, como decostume, para o monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele…” é a narrativa que muitos ouvirão nesta Semana Santa.

  • Azeite: mitos e verdades que você precisa conhecer

    Azeite: mitos e verdades que você precisa conhecer

    Você já parou pra pensar na história por trás daquela garrafa de azeite na sua cozinha? A oliveira não é só uma árvore qualquer, mas sim um verdadeiro símbolo de resistência que atravessou milênios produzindo um dos ingredientes mais versáteis da gastronomia.

    A oliveira carrega consigo uma história de longevidade impressionante. Ela cresce devagar, quase como se não tivesse pressa nenhuma, mas quando decide produzir, não para mais. Algumas dessas árvores continuam dando frutos depois de 150 anos, e existem exemplares milenares que seguem firmes até hoje.

    A Jornada surpreendente: da flor ao azeite

    Mas a história fica ainda mais interessante quando você descobre que essa árvore não entrega seus tesouros facilmente. Uma oliveira leva pelo menos cinco anos pra começar a dar frutos. É quase como se ela precisasse amadurecer primeiro, ganhar experiência.

    E aqui vem uma revelação que surpreende muita gente: não existe pé de azeitona verde separado do pé de azeitona preta. Toda azeitona nasce verdinha e vai escurecendo conforme amadurece. Simples assim. Mas esse detalhe aparentemente pequeno faz toda diferença no sabor final do azeite.

    Frutos colhidos ainda verdes geram azeites mais intensos, com aquele gostinho picante e amargo que divide opiniões. Já as azeitonas maduras produzem azeites mais suaves e delicados. é a natureza mostrando como um timing perfeito transforma tudo.

    Do campo à garrafa: um processo que exige precisão

    Produzir azeite é quase uma arte. São necessarios de cinco a seis quilos de azeitonas pra extrair apenas um litro de azeite. Isso mesmo, é 100% suco de azeitona, sem misturas ou atalhos. A marca Andorinha, por exemplo, faz a colheita de forma mecânica nos seus olivais, preservando a qualidade do fruto, e leva as azeitonas pro lagar em questão de horas.

    “Muitas pessoas não fazem a ligação direta entre a oliveira e a complexidade sensorial de um bom azeite”, explica Vasco Martins, Diretor Geral da Nutrifarms, empresa agrícola do Grupo Sovena. “Entender que o clima, o momento da colheita e a rapidez da extração são vitais para a qualidade do que chega à mesa valoriza todo o trabalho no campo. A oliveira é a verdadeira protagonista dessa história.”

    Mitos e verdades: o que você precisa saber

    • ✓ VERDADE: o mediterrâneo é o paraíso da oliveira

    Invernos amenos e chuvosos combinados com verões quentes e secos criam o ambiente perfeito pra oliveira prosperar. Não é atoa que a região mediterrânea domina a produção mundial.

    • ✗ MITO: azeitona Direto do Pé é Deliciosa

    Se você tiver a ideia de colher uma azeitona e comer na hora, prepare-se pra uma surpresa desagradável. O fruto in natura é extremamente amargo e precisa passar por um longo processo de cura antes de ficar comestível.

    • ✗ MITO: azeite não serve pra fritar

    Esse é um dos maiores equívocos. O azeite é uma das gorduras mais estáveis e saudáveis pra altas temperaturas, resistindo ao calor sem perder suas propriedades benéficas.

    • ✓ VERDADE: acidez é Coisa Séria (Mas Não do Jeito Que Você Pensa)

    A acidez é sim um parâmetro químico importante pra determinar a qualidade do azeite, mas você não consegue perceber isso no paladar. É uma medida técnica, não sensorial.

    • ✗ MITO: quanto mais velho, melhor

    Ao contrário do vinho, o azeite não melhora com o tempo. Na verdade, quanto mais novo, mais preservados estarão seus aromas, sabores e benefícios à saúde. Não guarde aquela garrafa especial pra daqui há cinco anos!

    • ✗ MITO: azeite na geladeira

    Não precisa. O ideal é manter em temperatura ambiente, num local fresco e principalmente protegido da luz. Por isso que as embalagens escuras funcionam melhor.

    Quer ver de perto? visite um olival em Portugal

    Pra quem curte experiências autênticas, existe uma oportunidade incrível: visitar o olival e o Lagar de Marmelo, na região de Ferreira do Alentejo, em Portugal. É lá que nascem os azeites Andorinha.

    A visita é gratuita e oferece uma imersão completa no universo do azeite. Um guia acompanha os visitantes explicando todas as fases de produção, e no final rola uma degustação onde você aprende a distinguir as diferenças entre os azeites.

    As visitas acontecem de segunda a sexta-feira, das 11h às 13h e das 14h às 17h. O agendamento pode ser feito pelo e-mail [email protected].