Tag: nozes

  • Anvisa suspende venda de queijo minas e molho pesto

    Anvisa suspende venda de queijo minas e molho pesto

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quarta-feira (29/7) a suspensão da venda, da distribuição e do consumo do Queijo Minas Artesanal da marca Militão da Canastra. Um dia antes, a agência já havia suspendido a comercialização do Molho Pesto Vermelho com Mascarpone, da marca Cecco. As duas determinações foram publicadas no Diário Oficial da União por meio das resoluções RE 2.937/2026 e RE 2.938/2026.

    A medida contra o queijo atinge exclusivamente o Lote 42 do produto, fabricado em 30 de junho de 2026 e com validade até 30 de setembro de 2026. A Queijaria Militão da Canastra, identificada pelo SIF 5256, comunicou à Anvisa que realiza o recolhimento de forma voluntária.

    O recolhimento foi motivado pela identificação de contagem de coliformes a 30°C e de coliformes termotolerantes a 45°C acima dos limites estabelecidos pela legislação sanitária, resultado obtido por análise oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A presença desses microrganismos acima do permitido costuma indicar falhas no processo de higienização ou na conservação do alimento, o que pode representar risco de contaminação alimentar para quem consome o produto.

    Molho pesto Cecco é retirado por falha na rotulagem

    No caso do Molho Pesto Vermelho com Mascarpone, a fabricante Cia Bel de Alimentos (Festval), CNPJ 78.116.670/0005-99, vai recolher o Lote 07225288. Diferentemente do queijo, o problema não está relacionado a contaminação microbiológica: o rótulo do produto não informa a presença do alergênico “nozes”, item de declaração obrigatória pela legislação sanitária brasileira.

    A omissão dessa informação é considerada grave porque pode expor consumidores alérgicos a oleaginosas a reações que vão de leves a potencialmente graves, já que eles não têm como saber, pela embalagem, que o produto contém esse ingrediente.

    Como o consumidor deve agir

    A Anvisa orienta que consumidores que tenham em casa os produtos das marcas Militão da Canastra e Cecco verifiquem o número do lote impresso na embalagem antes de consumir. Caso o lote corresponda ao que está sob restrição, 42 no caso do queijo e 07225288 no caso do molho, o produto não deve ser consumido nem devolvido às prateleiras de estabelecimentos comerciais.

    Estabelecimentos que ainda tenham unidades dos lotes afetados em estoque também estão proibidos de comercializar ou distribuir os itens até que a situação seja regularizada junto à vigilância sanitária.

    Recolhimentos frequentes reforçam papel da Anvisa

    As duas ações fazem parte da rotina de fiscalização da Anvisa, que atua tanto a partir de denúncias e inspeções quanto de resultados de análises laboratoriais oficiais, como as conduzidas pelo MAPA no caso do queijo mineiro.

    Recolhimentos voluntários, como os das marcas Militão da Canastra e Cecco, ocorrem quando a própria empresa identifica ou é informada sobre uma não conformidade e decide retirar o lote do mercado antes de uma determinação compulsória da agência.

  • Polinização cruzada eleva qualidade e valor da macadâmia

    Polinização cruzada eleva qualidade e valor da macadâmia

    Um estudo internacional confirmou que a polinização cruzada exerce papel decisivo na produtividade e qualidade da macadâmia, elevando o tamanho das nozes, o rendimento e o teor de óleo. A pesquisa, conduzida na Austrália, no Brasil e na África do Sul, analisou mais de 1,3 mil frutos coletados em 23 pomares e apontou que, em 17 deles, entre 80% e 100% das nozes resultaram de polinização cruzada.

    Pomar de nogueira macadâmia em Dois Córregos, SP. Foto: Jeanne Scardini Marinho-Prado/Embrapa

    A polinização cruzada ocorre quando o pólen de uma planta fertiliza a flor de outra da mesma espécie. Segundo os cientistas, esse processo se mostra predominante entre as 19 cultivares comerciais de macadâmia avaliadas, o que revela alta dependência desse método reprodutivo para garantir frutos de qualidade comercial.

    Nozes maiores, mais óleo e maior rentabilidade

    Os resultados demonstraram que as nozes formadas por cruzamento entre cultivares apresentaram amêndoas maiores, mais pesadas e com até 3,5% a mais de óleo. O rendimento médio dos frutos foi entre 3,3% e 6,4% superior ao das nozes autopolinizadas. Diferença que pode representar ganho financeiro de até US$ 841 por tonelada, considerando o preço médio internacional de US$ 3 mil por tonelada com casca.

    Esse ganho de qualidade está ligado ao fenômeno xenia, em que o pólen influencia diretamente as características das sementes e frutos, como já se observou em outras culturas, a exemplo das amêndoas e avelãs.

    Desenho dos pomares influencia produção

    A pesquisa mostrou que o arranjo das cultivares dentro dos pomares afeta a produtividade. Em plantações compostas por grandes blocos de uma única cultivar, a autopolinização predomina no centro dos talhões, gerando menor rendimento. Para melhorar a eficiência, os cientistas recomendam intercalar diferentes cultivares e posicionar colmeias estrategicamente, favorecendo o transporte de pólen pelas abelhas.

    No Brasil, por exemplo, a cultivar IAC 4-12B apresentou 88% de frutos formados por polinização cruzada. Enquanto na África do Sul a cultivar A4 mostrou comportamento semelhante ao observado na Austrália. Já a cultivar ‘814’ teve apenas 10% de cruzamentos no local analisado.

    Abelhas como aliadas essenciais

    A pesquisa reforça que abelhas são fundamentais na polinização da macadâmia, uma cultura fortemente dependente de insetos polinizadores. A pesquisadora Kátia Braga, da Embrapa Meio Ambiente, destaca a necessidade de preservar a diversidade de abelhas silvestres e incorporá-la ao manejo dos pomares. “A polinização por diferentes insetos complementa, mas não é substituída pela abelha manejada”, afirmou.

    Ela recomenda o desenho de pomares com talhões menores e diversificados, intercalados com faixas de vegetação nativa para garantir a presença de várias espécies de polinizadores.

    Estudo premiado e parceria brasileira

    A Southern African Society for Horticultural Sciences premiou o trabalho e reconheceu o artigo como o melhor publicado em periódico científico revisado por pares na área de horticultura durante congresso realizado em janeiro de 2025, em Polokwane, na África do Sul.

    A publicação integra o projeto “Levantamento da entomofauna associada presente e identificação de insetos-pragas exóticos ausentes com potencial de dano ao cultivo de macadâmia em Dois Córregos (SP)”. Ele foi desenvolvido entre 2019 e 2024 pela Embrapa Meio Ambiente e pela Queen Nut Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. Também assinam o artigo os pesquisadores Thayne Munhoz (Embrapa) e Leonardo Moriya (Queen Nut).

  • Quebra na safra de pecan pode chegar a 40%

    Quebra na safra de pecan pode chegar a 40%

    Produtores de noz pecan enfrentam um ano desafiador, com estimativas de quebra na safra de até 40%, segundo o Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan). Após as enchentes de maio, o forte calor e a falta de chuvas no verão agravaram a situação, comprometendo a produção. A expectativa atual é de uma colheita entre 4 e 5 mil toneladas.

    Além dos problemas climáticos, o presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, alerta para a alta informalidade no setor, que impacta o crescimento devido aos altos custos de revenda da noz. O instituto busca atrair esses produtores para a formalização, promovendo a qualidade do produto e a sanidade.

    Uma das estratégias é a criação de um regime tributário diferenciado para a pecan, a exemplo da redução do ICMS para produtores de oliveiras e azeites de oliva. O IBPecan argumenta que esse tratamento tributário incentivaria a formalização e traria mais competitividade ao setor.

    Irrigação é urgência

    O IBPecan também busca apoio governamental para projetos de irrigação, destacando a dificuldade em enquadrar as características da cultura em modelos existentes. A entidade ressalta a necessidade de ampliar os sistemas de irrigação diante do quarto ano consecutivo de estiagem.

    A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural e Irrigação (Seapi) receberá os temas tributários e de irrigação.

    O Rio Grande do Sul é o maior produtor de pecan do Brasil, respondendo por mais de 80% da produção nacional e sediando mais de 90% da indústria de beneficiamento. Estima-se que existam 10,5 mil hectares plantados por mais de 2 mil produtores, a maioria composta por agricultores familiares. Além de abastecer o mercado interno, o excedente é exportado para diversos países.

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