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  • Brasil amplia exportação de frutas para a Índia

    Brasil amplia exportação de frutas para a Índia

    A missão comercial organizada pela Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), fortaleceu a presença da fruticultura brasileira na Índia e abriu novas oportunidades de negócios no mercado asiático.

    Foto: Abrafrutas

    A agenda conectou exportadores brasileiros a importadores, redes varejistas e operadores logísticos indianos, com foco em frutas como abacate, limão tahiti e maçã. A ação integrou a estratégia de ampliar as exportações brasileiras para um dos maiores mercados consumidores do mundo.

    Com articulação do adido agrícola do Brasil na Índia, Roberto Papa, e apoio da Embaixada do Brasil em Nova Délhi, a comitiva percorreu diferentes etapas da cadeia de distribuição local. O grupo realizou reuniões comerciais, visitas técnicas e prospecção direta com compradores.

    Na capital indiana, os representantes visitaram o Azadpur Subzi Mandi, maior centro atacadista de frutas e hortaliças de Nova Délhi. Além de mercados tradicionais, lojas especializadas e pontos de venda de produtos importados. Durante os encontros, varejistas locais demonstraram interesse crescente na importação de frutas brasileiras.

    Suri Agrofresh

    A missão também incluiu visita à Suri Agrofresh, em Kundli, no estado de Haryana. No local, os participantes avaliaram estruturas de armazenagem refrigerada e discutiram logística, exigências sanitárias e condições comerciais para ampliar o acesso das frutas brasileiras ao mercado indiano.

    A programação em Nova Délhi terminou com o evento “Terroir of Brazil: a taste of Brazilian fruits and typical dishes”, realizado na residência oficial da Embaixada do Brasil. O encontro reuniu autoridades, importadores e empresários para apresentar produtos brasileiros e fortalecer parcerias comerciais.

    Durante o evento, a Adidância Agrícola lançou o Centro de Distribuição Móvel (CDM), ferramenta digital que facilita o acesso a informações sobre produtos, empresas e oportunidades de negócios. A plataforma opera via QR Code e oferece atendimento em português, inglês e hindi.

    Fresh India Show

    Na sequência, a delegação seguiu para Mumbai, onde participou da feira Fresh India Show 2026, no CIDCO Exhibition Centre. A agenda incluiu ainda visita técnica ao Porto de Mumbai para análise das condições logísticas de importação de frutas frescas.

    Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia representa um mercado estratégico para a fruticultura brasileira. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou crescimento superior a 20% em valor e 13% em volume nas exportações de frutas frescas, na comparação anual.

    Desde 2023, o país abriu 34 novos mercados para frutas brasileiras, ampliando o alcance internacional do setor e reforçando a competitividade do agronegócio nacional.

  • Índia desponta como “nova China” do agronegócio brasileiro

    Índia desponta como “nova China” do agronegócio brasileiro

    Enquanto o Brasil celebrava o Carnaval, o foco da diplomacia econômica brasileira se voltou para Nova Délhi. Em uma das maiores missões comerciais da atual gestão, o governo busca consolidar a Índia como novo parceiro estratégico do agronegócio e da tecnologia nacional. A meta é clara: diversificar as exportações e repetir o sucesso da aproximação com a China nas últimas décadas.

    A Índia, hoje com 1,44 bilhão de habitantes e mais de 350 milhões de consumidores de classe média, tornou-se uma das principais fronteiras de expansão para o agronegócio brasileiro. A demanda crescente por proteínas e alimentos industrializados cria um cenário promissor. E o Brasil surge como fornecedor confiável para atender essa nova onda de consumo.

    “Desde 2022, o poder de compra da classe média urbana indiana cresce cerca de 7% ao ano, impulsionando o consumo de proteínas e produtos premium. Esse contexto torna o mercado indiano uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro”, afirma Tiago Costa, professor do curso de Agronomia da UniCesumar, instituição com 35 anos de tradição e nota máxima no MEC.

    Diversificação e novas oportunidades

    A ampliação da parceria com a Índia é parte de uma estratégia de diversificação de mercados, especialmente diante da forte dependência da China, destino de cerca de 40% das exportações do agronegócio brasileiro em 2025. Segundo o professor, o país asiático comprou US$ 54 bilhões em produtos do agro nacional no último ano, mas também mostrou as vulnerabilidades de uma relação concentrada.

    “A dependência de um único mercado traz riscos, como ficou evidente com as suspensões temporárias das importações de carne bovina pela China, que reduziram embarques em até 35%. Por isso, é essencial ampliar o leque de destinos, especialmente para a Índia e outros emergentes asiáticos”, destaca Costa.

    Atualmente, soja, açúcar e algodão lideram as exportações brasileiras ao mercado indiano. Mas há espaço para produtos de maior valor agregado. Em 2025, por exemplo, as exportações de carne de frango cresceram 21%, somando US$ 85 milhões. O café brasileiro atingiu US$ 38 milhões, enquanto frutas tropicais como manga e melão conquistam espaço entre consumidores jovens e urbanos.

    Desafios logísticos e barreiras comerciais

    Apesar do entusiasmo, o caminho para ampliar essa relação ainda tem desafios. A Índia impõe tarifas de importação de até 35% para carnes e mantém barreiras sanitárias rigorosas. A logística também pesa: o trajeto marítimo entre Santos e Mumbai leva, em média, 28 dias.

    Mesmo assim, o Ministério da Agricultura projeta que a Índia poderá responder por 8% das exportações do agronegócio brasileiro até 2030, movimentando cerca de US$ 9 bilhões por ano.

    “O fortalecimento dessa parceria tende a impulsionar inovação, sustentabilidade e a imagem internacional do agronegócio brasileiro, além de contribuir para o crescimento do PIB do setor”, conclui o professor Tiago Costa.

  • Brasil quer ampliar comércio com a Índia e propõe parcerias

    Brasil quer ampliar comércio com a Índia e propõe parcerias

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, apresentou as oportunidades do agronegócio brasileiro no India–Brazil Business Forum, em Nova Délhi, neste sábado (21). Em um painel com empresários e autoridades dos dois países, Fávaro destacou a retomada das relações bilaterais. E defendeu uma nova etapa de cooperação baseada em confiança, diálogo e complementaridade econômica.

    O fórum integra a agenda oficial da comitiva brasileira na Índia, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convite do primeiro-ministro Narendra Modi. A missão reúne ministros, parlamentares e uma grande delegação de empresários brasileiros.

    Fávaro ressaltou que Brasil e Índia compartilham o compromisso com o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a estabilidade global. Ele atribuiu a transformação da agropecuária brasileira nas últimas décadas à ciência, tecnologia e governança, com papel central da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na adaptação de soluções aos trópicos e no aumento da produtividade.

    O ministro citou exemplos práticos desse avanço, como a eficiência da produção de carne de frango no Brasil, estruturada em modelo de integração com pequenas propriedades e padrões sustentáveis. Ele mencionou ainda o melhoramento genético do girolando, tecnologia já negociada com o mercado indiano. E os ganhos de qualidade em feijões e pulses, segmento com potencial de cooperação bilateral.

    Na área de sustentabilidade, Fávaro destacou a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono, a liderança brasileira no uso de bioinsumos, a recuperação de áreas degradadas no âmbito do programa Caminho Verde Brasil e o desenvolvimento de moléculas biodegradáveis e seletivas.

    Comércio e cooperação:

    Ao tratar das perspectivas comerciais, Fávaro defendeu a ampliação do intercâmbio com base na reciprocidade. Ele lembrou que o agro brasileiro abriu 538 mercados internacionais nos últimos anos e reforçou a importância do equilíbrio nas relações: “Quem deseja vender precisa comprar.”

    O ministro apontou áreas para cooperação em inovação, como o desenvolvimento conjunto de produtos biológicos, parcerias em agricultura regenerativa e atração de investimentos. Ele também mencionou o interesse de empresas brasileiras em ampliar a presença na Índia, especialmente no processamento de alimentos. E o interesse de companhias indianas em investir no Brasil em tecnologia, inteligência artificial e bioinsumos.

    Em 2025, a Índia figurou como o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões. Ao encerrar a participação no fórum, Fávaro reforçou o compromisso brasileiro com previsibilidade regulatória e ambiente seguro para investimentos como base para parcerias de longo prazo.