A Embrapa e a Unipasto lançam a BRS Carinás, primeira cultivar brasileira de *Brachiaria decumbens*.
A novidade chega ao mercado nesta semana com foco no bioma Cerrado. A cultivar apresenta alta produção de forragem e adaptação a sistemas integrados. Além disso, ela pode atingir até 16 toneladas de matéria seca por hectare.
A BRS Carinás também se destaca pela elevada produtividade de folhas, que possuem maior valor nutritivo.
Ao mesmo tempo, ela exige baixa fertilidade do solo e tolera áreas ácidas e pobres em fósforo.
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Diferenciais
A nova cultivar ainda amplia a capacidade de suporte das pastagens. Consequentemente, ela aumenta o ganho de peso vivo por área em relação à Basilisk.
O pesquisador da Embrapa, Sanzio Barrios, afirma que a cultivar diversifica áreas ocupadas pela braquiarinha.
Ele explica que a planta se adapta ao período seco e permite uso estratégico na entressafra.
Segundo Barrios, o produtor pode vedar a pastagem no fim do verão. Assim, ele garante reserva de forragem para o período seco.
A cultivar também favorece sistemas de Integração Lavoura-Pecuária. Isso ocorre porque ela produz grande volume de palhada e forragem para pastejo.
Além disso, a BRS Carinás não interfere na produtividade de culturas anuais.
Esse fator fortalece seu uso em sistemas agrícolas integrados.
Até então, a Basilisk era a única cultivar da espécie disponível no Brasil. Os pesquisadores trouxeram essa variedade da Austrália na década de 1960. No entanto, o plantio extensivo e a baixa resistência a cigarrinhas limitaram seu uso. Mesmo assim, a Basilisk ainda ocupa grandes áreas de produção de sementes.
Foco na produção sustentável
A Embrapa destaca que a nova cultivar atende à demanda por produção sustentável.
Além disso, ela contribui para aumentar a produtividade animal em solos de baixa fertilidade.
Os pesquisadores também avaliam expansão futura para outros biomas e países da América Latina.
Em comparação direta, a BRS Carinás produz 18% mais forragem na estação chuvosa. Nesse período, ela apresenta maior volume de lâminas foliares. Quando utilizada na seca, a cultivar gera 40% mais massa de forragem que a Basilisk. Além disso, mais da metade desse volume corresponde a material vivo.
Os testes com bovinos indicam aumento da lotação das pastagens. Como resultado, o ganho de peso por hectare cresce cerca de 12%. Os pesquisadores também observaram ausência de acamamento das plantas.
Esse comportamento ocorre mesmo em áreas vedadas ou de crescimento livre.
Em relação ao encharcamento, a cultivar apresenta desempenho semelhante ao Marandu e ao Xaraés.
Novos testes em solos mal drenados ainda serão realizados. Em sistemas integrados, a BRS Carinás não compete com culturas como o milho. Além disso, ela se estabelece bem com baixa taxa de semeadura.
Na entressafra, a cultivar produz até 70% mais forragem que a *Brachiaria ruziziensis*.
Isso garante mais alimento para o gado e melhor cobertura do solo.
A planta também apresenta rápida rebrotação no início das chuvas. Em apenas 60 dias, ela acumula até quatro toneladas de matéria seca. Esse desempenho favorece o uso em plantio direto com formação de palhada.
Além disso, o controle com herbicidas ocorre de forma eficiente.
No consórcio com soja, cerca de 80% da palhada se decompõe em 120 dias. Com isso, o solo recebe nutrientes equivalentes a fertilizantes comerciais.
Segundo os pesquisadores, esse processo reduz custos e melhora o manejo do solo. Assim, a cultivar contribui para sistemas mais eficientes e conservacionistas.
As sementes da BRS Carinás estarão disponíveis no início do segundo semestre.
Os produtores poderão adquirir o material por meio dos associados da Unipasto.




