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  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Tubarões podem prever furacões? Entenda

    Tubarões podem prever furacões? Entenda

    Do tubarão assassino de “Tubarão” aos predadores arrastados por tornados em “Sharknado”, o cinema construiu ao longo de décadas a imagem do tubarão como símbolo de medo no verão. Mas cientistas americanos agora dão a esses animais um papel bem diferente: o de aliados na previsão de furacões.

    Pesquisadores da Universidade de Delaware, em parceria com a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), estão colocando sensores em tubarões-mako e tubarões-azul para coletar informações vitais sobre as condições de tempestades no Oceano Atlântico. A equipe testa se os animais conseguem funcionar como observadores móveis dos oceanos, captando dados quase em tempo real para alimentar modelos oceanográficos, atmosféricos e climáticos.

    Sensores captam calor que alimenta os furacões

    Os cientistas utilizam etiquetas eletrônicas conhecidas como CTD, sigla para condutividade, temperatura e profundidade.  Os dispositivos medem a condutividade elétrica da água ( indicador diretamente relacionado à salinidade), além da temperatura e da profundidade atingida pelo animal durante os mergulhos.

    O foco da pesquisa está na chamada camada de mistura, a porção superior do oceano que mais influencia a intensidade de um furacão. Segundo Aaron Carlisle, pesquisador principal do projeto e professor da Escola de Ciência Marinha e Política da Universidade de Delaware, quanto mais quente essa camada, mais forte tende a ser a tempestade, já que ela retém o calor que alimenta os furacões.

    Por que usar tubarões e não outros animais marinhos

    Cientistas já recorrem a sensores acoplados a animais há anos, principalmente em focas-elefante nas regiões polares, onde as observações científicas são escassas. Os tubarões, porém, abrem uma nova frente de pesquisa. Eles são abundantes, amplamente distribuídos pelo oceano e mais fáceis de monitorar do que muitos mamíferos marinhos protegidos por lei.

    Foto: Ministério da Pesca e Aquicultura

    Carlisle explicou à imprensa americana que  o oceano é tão vasto que permanece praticamente inacessível à maior parte dos instrumentos científicos. Mas transformar os animais que vivem ali em sensores vivos permite coletar dados de forma constante. Até agora, a marcação de tubarões costumava servir apenas para rastrear rotas de migração e habitats utilizados pelas espécies. Ou seja, não para captar dados oceanográficos relevantes à meteorologia.

    Quais espécies participam do projeto

    A equipe seleciona os tubarões com base na capacidade de reunir as medições mais úteis para a pesquisa sobre furacões, priorizando espécies que sobem à superfície com frequência suficiente para transmitir os dados aos satélites. Análises anteriores apontaram o tubarão-mako-de-barbatana-curta, o tubarão-azul, o tubarão-martelo-liso e exemplares jovens do tubarão-branco como fortes candidatos para esse tipo de estudo no Atlântico Norte.

    Segundo reportagem da agência Reuters, a equipe já testa também tubarões-martelo e tubarões-baleia. Além de acompanhar um exemplar de tubarão-branco com uma etiqueta de satélite para avaliar se a espécie pode integrar futuras fases da pesquisa.

    Como funciona a coleta em alto-mar

    O trabalho de campo começa no início de maio, período em que as espécies migratórias se aproximam da costa vindas de seus habitats de inverno mais ao largo do Atlântico. A doutoranda em ciência marinha Caroline Wiernicki relata que a equipe navega entre 48 e 64 quilômetros mar adentro a bordo de uma embarcação de pesquisa, lança linhas com isca e aguarda, em média, de duas a três horas até que um tubarão morda a isca.

    Foto: bee happy123/Flickr

    Depois de capturado e marcado, o animal retorna ao mar carregando o sensor. Cada vez que a nadadeira dorsal rompe a superfície da água, o dispositivo transmite os dados coletados a um satélite, que os retransmite ao Centro Nacional de Furacões, em Miami.

    Um método capaz de cobrir uma lacuna na previsão de tempestades

    De acordo com a Prism News, o projeto mira justamente um ponto cego no monitoramento de tempestades. Isso porque os tubarões atravessam camadas do Atlântico que os satélites não conseguem observar diretamente. O que incluí as águas que ajudam a determinar o quanto um furacão pode se intensificar antes de atingir áreas costeiras. Esse tipo de informação se torna ainda mais valioso quando uma tempestade ganha força rapidamente, fenômeno cada vez mais comum em anos de temperaturas recordes no mar.

    Boias oceanográficas e veículos robóticos também cumprem função semelhante, mas costumam ser caros de operar e mais lentos do que os predadores. Segundo os pesquisadores, os tubarões se deslocam mais rápido do que os planadores robóticos e conseguem permanecer em campo por períodos mais longos. O que amplia a área de cobertura da pesquisa que se estende por toda a costa entre a Carolina do Norte e Massachusetts.

    Os cientistas ainda não sabem se algum dos tubarões monitorados chegará a cruzar o caminho de um furacão. Mas, ao acompanhar a temperatura da água ao longo da temporada, a equipe espera entender melhor o comportamento dos furacões que atingirão os Estados Unidos a cada ano. E inclusive se as tempestades virão mais fortes do que o normal.

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  • El Niño pode ser o mais forte desde 1950, alerta NOAA

    El Niño pode ser o mais forte desde 1950, alerta NOAA

    O fenômeno El Niño ganhou força nas últimas semanas e agora tem 81% de probabilidade de atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos.

    Caso a previsão se confirme, este poderá ser o episódio mais intenso desde 1950, quando começaram os registros históricos utilizados pela agência.

    A NOAA também estima 97% de chance de o El Niño permanecer ativo até junho de 2027, indicando impactos climáticos prolongados em diferentes regiões do planeta.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

    Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e influencia o regime de chuvas e temperaturas em diversos países, incluindo o Brasil.

    Embora seus efeitos variem de um evento para outro, episódios mais intensos costumam aumentar a probabilidade de extremos climáticos.

    Quais podem ser os impactos no Brasil?

    Segundo a NOAA, um El Niño muito forte pode provocar mudanças significativas no clima brasileiro.

    Entre os principais efeitos esperados estão:

    • aumento das chuvas no Centro-Sul;
    • períodos de seca mais prolongados no Norte;
    • redução das chuvas em áreas do Nordeste;
    • alterações nas condições de produção agrícola.

    A agência ressalta, porém, que nem todos os impactos ocorrem da mesma forma em cada episódio. Mesmo em anos de El Niño intenso, fatores regionais podem modificar os efeitos observados.

    China reforça medidas diante de eventos climáticos

    Enquanto acompanha a evolução do El Niño, a China intensifica ações preventivas diante da previsão de novos eventos climáticos severos.

    Cerca de 17 mil moradores foram retirados de áreas de risco na província de Zhejiang, enquanto Pequim e Tianjin reforçaram os sistemas de alerta para reduzir os riscos à população.

    O governo chinês enviou aproximadamente 50 mil itens de ajuda humanitária às províncias de Zhejiang e Fujian, incluindo camas dobráveis, cobertores e kits de emergência.

    O presidente Xi Jinping pediu empenho máximo nas operações de resgate e assistência às famílias afetadas, segundo informações divulgadas pela agência estatal Xinhua.

    Além disso, um tornado registrado na província de Hubei deixou 11 mortos e uma pessoa desaparecida, provocando destruição de residências, fábricas e infraestrutura.

    Fenômeno segue sendo monitorado

    Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do El Niño prevista pela NOAA.

    Se o cenário se mantiver, o fenômeno poderá influenciar o clima global durante boa parte de 2027, afetando a agricultura, os recursos hídricos e a ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões, inclusive no Brasil.

  • Saiba como o El Niño ameaça o mercado de grãos

    Saiba como o El Niño ameaça o mercado de grãos

    O avanço do El Niño tem elevado as temperaturas em todo o Brasil. Esse fenômeno costuma provocar chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul registra volumes superiores ao normal. Como consequência, a situação pode impactar o escoamento de cargas por hidrovias estratégicas utilizadas no transporte de grãos de Mato Grosso para os portos do Arco Norte.

    Na última semana, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou que o El Niño já está ativo e pode ganhar intensidade nos próximos meses.

    Segundo as projeções da NOAA, existe 63% de probabilidade de ocorrência de um El Niño classificado como “muito forte”, cenário caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico em cerca de 2 graus Celsius acima da média histórica.

    Fenômeno ameaça escoamento de cargas

    Em relatório assinado pelos analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinen e Victor Tani, o Santander alertou para possíveis impactos na navegação da região. “Isso deve impactar negativamente as condições de navegabilidade no Arco Norte”, destacou o banco.

    De acordo com estudo divulgado pela instituição financeira nesta quinta-feira (18), o nível do Rio Tapajós tende a ficar aproximadamente 0,9 metro abaixo do padrão normal durante anos de El Niño. Isso ocorre devido à redução das chuvas na região, comprometendo o fluxo de embarcações na hidrovia que conecta o Centro-Oeste aos portos do Arco Norte.

    Atualmente, a hidrovia do Tapajós concentra principalmente o transporte de granéis sólidos. A produção de soja e milho sai das áreas produtoras de Mato Grosso pela BR-163 até os terminais localizados em Miritituba, distrito de Itaituba (PA).

    Posteriormente, as cargas seguem em barcaças pelo rio rumo aos portos de Santarém e Barcarena, ambos no Pará, de onde são embarcadas para o mercado internacional. Em 2025, os portos do Arco Norte responderam por 36,2% das exportações brasileiras de soja e milho, segundo dados do governo federal.

    Os números mais recentes reforçam a importância dessa rota logística. Apenas no primeiro bimestre de 2026, a hidrovia do Rio Tapajós movimentou 2,38 milhões de toneladas de cargas, conforme informações do Ministério de Portos e Aeroportos. Nesse volume, o transporte de soja e milho representou 86% do total, enquanto os fertilizantes responderam por 6,3% e os granéis líquidos por 7,4%.

    Hidrovias na logística do agronegócio

    Apesar dos riscos climáticos associados à redução do nível dos rios, especialistas avaliam que o crescimento das hidrovias tem transformado a logística nacional. Para o diretor de agronegócio da nstech, Thiago Cardoso, o aumento do transporte de grãos por vias fluviais e a expansão das exportações pelo Arco Norte representam uma mudança estrutural importante.

    “Vamos aumentar cada vez mais o transporte por estas vias. É uma logística mais inteligente”, afirmou o executivo.

    Levantamento da nstech, baseado em dados do Ministério dos Transportes, mostra que a participação das hidrovias no escoamento da soja saltou de 9% para 13,5% entre 2023 e 2025. Dessa forma, o modal hidroviário foi o que registrou o maior crescimento no período.

    As ferrovias também ampliaram sua participação, passando de 22% para 25% no transporte da oleaginosa. No entanto, o avanço ocorreu em ritmo inferior ao observado nas hidrovias.

    Por outro lado, o transporte rodoviário continua predominante na logística brasileira. Embora sua participação tenha recuado, o modal ainda respondeu por 66% do escoamento da soja em 2025, ante 69% em 2023.

    Segundo Cardoso, a dependência das rodovias ainda gera desafios relevantes para a competitividade do setor.

    “Apesar do avanço rumo à intermodalidade, a predominância rodoviária ainda expõe ineficiências, com o país operando com um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância. Para superar os desafios, a agenda ESG e a digitalização (rastreabilidade, multimodalidade) deixaram de ser diferenciais e tornaram-se pré-requisitos comerciais”, ressaltou.

    Além disso, o executivo avalia que boa parte dos avanços observados na intermodalidade foi impulsionada pela iniciativa privada. Em contrapartida, entraves regulatórios e burocráticos ainda limitam a expansão dos investimentos em infraestrutura logística de longo prazo.

  • Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Novas previsões climáticas divulgadas em maio aumentaram a preocupação de especialistas sobre a formação de um El Niño forte nos próximos meses. Apesar disso, cientistas alertam que ainda é cedo para afirmar que o fenômeno atingirá níveis extremos, conhecidos informalmente como “super El Niño”.

    O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status para “alerta de El Niño” e apontou 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026. Além disso, a probabilidade de ele continuar ativo até o início de 2027 chega a 96%.

    Modelos meteorológicos internacionais também passaram a indicar um aquecimento mais intenso das águas do Pacífico tropical. Segundo análise da Climatempo, o fenômeno deve atingir pelo menos intensidade forte.

    Mesmo com os novos alertas, pesquisadores pedem cautela. A cientista atmosférica Kimberley Reid explicou que previsões feitas nesta época do ano ainda apresentam muitas incertezas.

    “O histórico mostra que previsões feitas nesta época do ano ainda carregam incertezas importantes”, afirmou à BBC.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno climático natural marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em várias partes do planeta.

    Enquanto o El Niño aquece as águas do Pacífico, o La Niña provoca o efeito contrário, com temperaturas mais frias do que a média.

    Anomalia de temperatura no Oceano Pacífico. Valores em graus Celsius — (Dados divulgados pelo CPC/NOOA em 11/05/2026)

    Segundo especialistas, os sinais atuais já mostram um aquecimento consistente no oceano. A NOAA informou que o aquecimento das águas subsuperficiais aumentou pelo sexto mês consecutivo.

    O pesquisador José Marengo afirmou que o fenômeno realmente está se formando, mas destacou que ainda não é possível prever sua intensidade final.

    “Neste momento, o que podemos dizer é que o El Niño está se configurando, sim, e que esperamos talvez uma intensidade moderada a forte. Mas ainda é muito cedo para afirmar que será um super El Niño ou o pior do século”, disse.

    Possibilidade de “super El Niño”

    Meteorologistas monitoram especialmente a região chamada Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Quando as temperaturas permanecem mais de 1,5 °C acima da média durante vários meses, o evento costuma ser considerado muito forte.

    Modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo já indicam possibilidade de aquecimento acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério norte. Algumas projeções mais extremas sugerem temperaturas superiores a 3 °C.

    Mesmo assim, os cientistas reforçam que previsões feitas entre março e maio costumam apresentar maior margem de erro, fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade”.

    Quais podem ser os impactos?

    Especialistas alertam que um El Niño forte pode elevar ainda mais a temperatura global e aumentar o risco de recordes de calor em 2027.

    Além disso, o fenôeno costuma provocar secas severas em países como Austrália, Indonésia e Filipinas. Já regiões da América do Sul, especialmente Peru e Equador, podem enfrentar chuvas intensas e enchentes.

    No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam clima mais quente e seco.

    Segundo nota técnica do Cemaden, o fenômeno pode aumentar o risco de enchentes e deslizamentos no Sul do país. Ao mesmo tempo, Norte e Nordeste podem sofrer com seca e incêndios florestais.

    Marengo afirmou que autoridades já deveriam iniciar medidas preventivas: “Independentemente de o El Niño ser moderado, forte ou muito intenso, nós teremos impactos”, destacou. “Ainda não sabemos exatamente a magnitude, mas já conhecemos, com base em eventos anteriores, quais regiões podem ser mais afetadas.”

  • La Niña acende alerta no setor rural da Argentina e ameaça preços no Brasil

    La Niña acende alerta no setor rural da Argentina e ameaça preços no Brasil

    A volta do fenômeno climático La Niña está causando preocupação no setor agrícola da Argentina. Especialmente após anos consecutivos de secas severas que afetaram drasticamente a produção de grãos no país vizinho. A confirmação oficial pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) trouxe um cenário de incerteza para uma das principais regiões produtoras de alimentos da América do Sul.

    O fenômeno caracteriza-se pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando padrões climáticos globais. E particularmente na América do Sul, provocando reduções significativas nas precipitações.

    Para a Argentina, que enfrentou secas devastadoras nos últimos anos, o retorno do fenômeno representa um desafio adicional. As projeções indicam que o evento deve persistir até março de 2026, com maior intensidade prevista para o verão austral de 2025. Justamente no período crítico para as culturas de soja e milho.

    A Bolsa de Comércio de Rosário, uma das principais referências do setor agrícola argentino, alertou que, embora o milho plantado precocemente possa ter condições favoráveis durante a primavera de 2024, a soja de primeira safra enfrenta riscos elevados a partir de janeiro de 2025, quando os efeitos da La Niña devem se intensificar.

    Histórico de perdas e vulnerabilidade agrícola

    A agricultura argentina já vinha sofrendo com sucessivos anos de condições climáticas adversas. As secas anteriores causaram perdas bilionárias e reduziram drasticamente a produção de grãos, comprometendo as exportações e a entrada de divisas no país. A área plantada de milho, por exemplo, caiu de aproximadamente 2 milhões de hectares em 2023 para 1,3 milhão de hectares, refletindo a cautela dos produtores diante da instabilidade climática.

    Especialistas advertem que, dependendo da intensidade do fenômeno, pode haver deficit de umidade nos solos até março de 2025, afetando diretamente a produtividade das lavouras em um momento crucial do desenvolvimento das plantas.

    Impactos nos preços e na economia brasileira

    Para o Brasil, a situação climática na Argentina tem implicações diretas nos preços dos alimentos e na economia doméstica. A Argentina é um dos principais exportadores mundiais de soja e milho, commodities fundamentais para a cadeia produtiva de alimentos. Qualquer redução na oferta argentina tende a pressionar os preços internacionais desses grãos.

    Com a possibilidade de quebra de safra no país vizinho, especialistas do setor apontam que os preços da soja e do milho podem sofrer elevações no mercado internacional. Isso impacta diretamente os custos de produção de carnes, ovos, leite e outros derivados no Brasil, já que esses grãos são a base da alimentação animal.

    A conjuntura é especialmente preocupante porque o Brasil também enfrenta seus próprios desafios climáticos com a La Niña. No Sul do país, região responsável por parcela significativa da produção nacional de grãos, as previsões indicam redução das chuvas, o que pode comprometer a produtividade das lavouras brasileiras.

    Analistas de mercado estimam que, caso haja queda simultânea na produção argentina e brasileira, os preços dos alimentos podem sofrer pressão inflacionária considerável no país. A soja, por exemplo, que já enfrenta volatilidade nos mercados internacionais, pode ver seus preços impactados pela menor oferta sul-americana.

    Monitoramento climático

    Apesar das preocupações, alguns fatores podem amenizar os impactos. O Dipolo do Índico, outro fenômeno climático que influencia as chuvas na América do Sul, está evoluindo de forma favorável. E pode compensar parcialmente os efeitos da La Niña na Argentina.

    Além disso, há expectativa de que o evento seja de intensidade fraca a moderada e de curta duração. Com possível retorno a condições neutras entre março e abril de 2025. Essa janela de tempo mais curta poderia limitar os danos às culturas, desde que as chuvas retornem no momento adequado.

    O monitoramento constante das condições climáticas por parte dos órgãos oficiais, tanto na Argentina quanto no Brasil, será fundamental para orientar as decisões dos produtores e permitir ajustes nas estratégias de plantio e comercialização.

    O retorno da La Niña representa um desafio significativo para o setor agrícola da América do Sul. Especialmente para a Argentina, que ainda se recupera de anos de secas severas. Os reflexos desse cenário climático adverso inevitavelmente chegarão aos consumidores brasileiros por meio dos preços dos alimentos, tornando essencial o acompanhamento atento da evolução do fenômeno nos próximos meses.

    A integração dos mercados agrícolas sul-americanos faz com que os problemas climáticos em um país rapidamente se transformem em questões econômicas regionais. Portanto, reforçando a importância de políticas de mitigação de riscos e diversificação da produção agrícola.