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  • Por que o feijão ficou 8% mais caro? Estudo aponta os motivos

    Por que o feijão ficou 8% mais caro? Estudo aponta os motivos

    O varejo alimentar brasileiro fechou junho com a inflação concentrada nos itens básicos da cesta de consumo. Questões de oferta regional e sazonalidade impulsionaram o feijão, que liderou as altas do período com avanço de 8% na média nacional. Os legumes vieram na sequência, com incremento de 4,2%. Os dados constam do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados voltado à gestão da cadeia de suprimentos.

    O preço médio do feijão saltou de R$ 8,05 para R$ 8,70 entre maio e junho, com o Centro-Oeste e o Sul puxando o movimento de forma mais expressiva. Os legumes, por sua vez, subiram de R$ 7,93 para R$ 8,26, com destaque para a região Norte, onde o avanço chegou a 11,3%.

    Para Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, o encarecimento reflete a sensibilidade dessas categorias ao clima. “O cenário atual reforça a importância de um abastecimento inteligente no varejo. Com oscilações regionais tão distintas, a capacidade de adequar a reposição e a precificação com precisão para cada praça torna-se um diferencial competitivo”, afirma o executivo.

    Higiene e limpeza também registram altas

    Além dos itens de hortifrúti, o papel higiênico contabilizou alta de 1,8% no país, passando de R$ 1,50 para R$ 1,53. O detergente líquido acompanhou o movimento com alta de 1,7%, enquanto a água sanitária avançou 1,4%.

    Em direção oposta, alguns itens aliviaram o orçamento das famílias em junho. O café em pó e em grãos recuou 3,2%, com o preço médio caindo de R$ 65,20 para R$ 63,09. O açúcar registrou queda de 2,8%, saindo de R$ 3,59 para R$ 3,49. Ovos (-1,8%), óleo (-1,7%) e xampu (-1,5%) completam a lista das principais quedas nacionais.

    Pressão acumulada no ano preocupa

    O balanço entre dezembro de 2025 e junho de 2026 confirma os legumes como o item de maior valorização, com alta acumulada de 50,2% — de R$ 5,50 para R$ 8,26. O feijão vem logo atrás, com elevação de 36,7% no período. Leite UHT (23,1%), carne bovina (6,5%) e farinha de mandioca (5%) fecham a lista das maiores altas do ano.

    “Para os próximos meses, a tendência é de que a pressão sobre hortifrútis e feijão continue. O equilíbrio entre o encarecimento dos itens essenciais e a estabilidade nas demais categorias será determinante para a percepção de inflação e o ritmo de consumo das famílias no segundo semestre, exigindo acompanhamento em tempo real dos estoques para evitar rupturas e perdas financeiras”, analisa Alves.

    Na região Sudeste, o feijão liderou as altas com avanço de 8,4%, seguido pelos legumes (3%), papel higiênico (2,8%), cerveja (2,3%) e detergente líquido (1,6%). Em contrapartida, os ovos puxaram os recuos com queda de 5,5%, seguidos pela carne suína (-3,5%), açúcar e farinha de mandioca (-3,3% cada) e café em pó e em grãos (-2,9%).

  • Queijos puxam alta de preços no Brasil em novembro; leite e arroz recuam

    Queijos puxam alta de preços no Brasil em novembro; leite e arroz recuam

    orémNovembro registra caminhos distintos no câmbio de preços dos alimentos no Brasil, aponta estudo da Neogrid. Enquanto os queijos avançaram 21,2% no preço médio nacional, com alta em todas as regiões, mas itens básicos como leite UHT (-4,9%) e arroz (-3,0%) foram os que mais recuaram no mês. O levantamento “Variações de Preços: Brasil & Regiões” utiliza os produtos mais presentes no carrinho do consumidor. E é elaborado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo.

    Entre os itens que mais pressionaram o orçamento em novembro, aparecem legumes (+3,1%), sal (+3,1%) e óleo (+2,5%). O óleo, em particular, registrou alta em todas as regiões. Em contrapartida, sinais de deflação ocorreram em alimentos como café em pó e em grãos (-1,5%), açúcar (-1,4%) e ovos (-1,2%), ajudando a atenuar a inflação no mês.

    No cenário macroeconômico, o IPCA de novembro de 2025 avançou 0,18%, apontando inflação sob controle para o fim do ano. Porém, para a especialista em dados estratégicos da Neogrid, Anna Carolina Fercher, a pressão permanece em categorias como óleo e queijos. A recuperação de estoques e custos de matéria-prima influenciam a persistência de altas. “Categorias como óleo e queijos, que apresentaram elevação de preço em todas as regiões em novembro, tendem a levar mais tempo para estabilizar ou recuar, dependendo da normalização dos estoques e dos custos de produção”, afirma.

    No período de dezembro de 2024 a novembro de 2025, o café em pó e em grãos segue como o item com maior incremento. Ele teve alta de 42,1% no preço médio nacional. Em seguida, aparecem queijos (12,3%), margarina (11,2%), creme dental (10%) e refrigerantes (5,7%).

  • Crise do cacau eleva preços, mas bombons permanecem favoritos dos brasileiros

    Crise do cacau eleva preços, mas bombons permanecem favoritos dos brasileiros

    No Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, um levantamento da Neogrid revela os efeitos da crise global do cacau nas prateleiras e no bolso dos brasileiros. Apesar do aumento dos preços dos derivados, especialmente do chocolate, os bombons seguem como preferência nacional, presentes em 67,3% das compras em maio.

    Entre junho de 2024 e janeiro de 2025, os preços médios das barras de chocolate e dos bombons dispararam, atingindo picos de R$ 113,84 e R$ 113,93, respectivamente, no início de 2025. A partir de fevereiro, o valor dos bombons começou a recuar, chegando a R$ 107,94 em maio, enquanto as barras voltaram a subir em abril, atingindo R$ 108,73.

    O principal motivo para a escalada dos preços foi a quebra de safra do cacau em países da África Ocidental, responsáveis por 65% da produção mundial. O quilo do cacau triplicou, alcançando em abril o maior valor em 50 anos. Segundo a Organização Internacional do Cacau, 81% das plantações em Gana — segundo maior produtor global — estão infectadas pelo vírus da doença do broto inchado do cacau (CSSV).

    Creme de chocolate: única categoria com alta contínua

    O creme de chocolate foi destaque, registrando aumento contínuo de 14,7% no período e encerrando maio a R$ 99,41, o maior valor do intervalo. Após queda de R$ 86,64 em junho de 2024 para R$ 83,00 em dezembro, o preço voltou a subir mês a mês até maio de 2025.

    Apesar das oscilações, bombons e chocolates recheados cresceram em participação, atingindo 67,3% das compras em maio — alta de 2,1 pontos percentuais em relação a janeiro. Em contrapartida, as barras de chocolate perderam 5,1 pontos percentuais no mesmo período.

    Segundo Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, o consumidor brasileiro tem valorizado produtos mais sofisticados, como bombons. E buscando qualidade, inovação e exclusividade, mesmo diante dos preços elevados. “Como o consumidor já sabe que precisará pagar mais por esses itens, há uma clara tendência de valorização de chocolates mais sofisticados, como os bombons. Eles proporcionam uma experiência diferenciada com foco na qualidade, inovação e exclusividade.”

    Mudança de hábitos: cacau em pó ganha espaço

    A categoria de chocolate em pó perdeu relevância, caindo de 84,7% para 79% entre janeiro e maio de 2025. Portanto, isso indica uma possível substituição por opções menos processadas. O cacau em pó, por sua vez, avançou de 15,7% para 21,5%, mesmo com aumento de 6,2% no preço. E assim, fechando maio a R$ 94,34 o quilo.

    O chocolate em pó segue associado ao preparo de receitas caseiras, enquanto chocolates prontos têm relação mais pulverizada com snacks, refrigerantes e pão.

    A alta histórica do cacau segue influenciando o comportamento de compra. Mesmo com sinais de alívio nos contratos futuros, o consumidor já demonstra novas preferências e adaptações diante do cenário de preços elevados.

    “Mesmo com um alívio recente nos contratos futuros, o consumidor já demonstrou mudanças no padrão de compra e novas preferências de produto”, complementa Fercher.

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