Tag: NCGA

  • Etanol de milho pode impulsionar demanda global com uso em navios

    Etanol de milho pode impulsionar demanda global com uso em navios

    O etanol produzido a partir do milho pode abrir um novo mercado para os produtores e ampliar a demanda mundial pelo grão nos próximos anos. A National Corn Growers Association, entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, defende o uso do biocombustível no transporte marítimo como alternativa para acelerar a descarbonização da navegação.

    A proposta aproveita uma infraestrutura já existente de produção, armazenamento e distribuição do etanol, reduzindo custos para a adoção do combustível pelo setor naval. Além disso, a iniciativa integra a estratégia da NCGA para ampliar os mercados consumidores da safra norte-americana, que alcançou o recorde de 17 bilhões de bushels em 2025, com valor estimado em US$ 70,1 bilhões.

    Transporte marítimo busca reduzir emissões

    O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. Por isso, empresas do setor buscam alternativas aos combustíveis derivados do petróleo para atender às metas de descarbonização estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).

    Nesse cenário, o etanol de milho ganha espaço por apresentar características semelhantes às do metanol, outro combustível renovável utilizado na indústria naval. Além disso, sua cadeia logística já está consolidada em diversos mercados, o que facilita uma eventual expansão do uso em escala comercial.

    Segundo a empresa de navegação Maersk, essa infraestrutura existente pode acelerar a adoção do etanol como combustível marítimo.

    Mercado pode ampliar o consumo de milho

    A NCGA estima que, caso o etanol conquiste 10% do mercado global de combustíveis para navios, a demanda adicional poderá chegar a aproximadamente 3 bilhões de bushels de milho.

    O volume é semelhante às exportações anuais de milho dos Estados Unidos, indicando um potencial significativo para fortalecer a renda dos produtores e ampliar a competitividade da cadeia agrícola.

    Testes reforçam a viabilidade do combustível

    Empresas ligadas à navegação já iniciaram projetos para validar o uso do etanol em embarcações comerciais.

    Entre os principais avanços estão o abastecimento de um navio movido integralmente a etanol realizado pela Maersk; o desenvolvimento de motores marítimos movidos a etanol pela fabricante suíça WinGD e encomendas da nova tecnologia por armadores interessados em reduzir emissões.

    Esses resultados indicam que a adoção do combustível pode ocorrer sem a necessidade de construir uma cadeia logística completamente nova.

    Expansão ainda depende de políticas públicas

    Apesar dos avanços tecnológicos, a expansão do etanol de milho no transporte marítimo dependerá da criação de políticas públicas e de regras internacionais para avaliação das emissões de carbono dos combustíveis.

    A NCGA defende que os modelos utilizados reconheçam os ganhos de sustentabilidade obtidos pela produção de milho nas últimas décadas.

    Entre as prioridades apontadas pela entidade estão:

    • adoção de metodologias científicas para medir emissões;
    • reconhecimento internacional dos combustíveis renováveis produzidos a partir de culturas agrícolas;
    • fortalecimento das políticas de incentivo às exportações de etanol;
    • integração entre agricultura, energia e meio ambiente.

    Estratégia pode fortalecer o mercado global do milho

    Para o presidente da NCGA, Jed Bower, desenvolver novos mercados para o etanol representa uma estratégia de longo prazo para garantir demanda consistente pelo milho produzido nos Estados Unidos.

    Segundo ele, a diversificação dos mercados consumidores contribui para aumentar a renda dos agricultores e criar perspectivas para as futuras gerações permanecerem na atividade rural.

    Se a tecnologia avançar e as políticas de incentivo forem implementadas, o uso do etanol de milho no transporte marítimo poderá representar um novo capítulo para a cadeia global dos biocombustíveis, unindo inovação, sustentabilidade e novas oportunidades para o agronegócio.

  • Etanol brasileiro entra na mira dos EUA com tarifa de 25%

    Etanol brasileiro entra na mira dos EUA com tarifa de 25%

    A National Corn Growers Association (NCGA), entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, pediu ao governo americano a aplicação de uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro durante a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301. A associação afirma que políticas adotadas pelo Brasil prejudicaram os agricultores americanos ao longo da última década e defende novas medidas de retaliação.

    O posicionamento foi apresentado em um depoimento encaminhado às autoridades dos EUA, no qual a entidade acusa o Brasil de restringir o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro enquanto ampliava as exportações de etanol produzido no país.

    NCGA critica tarifa brasileira sobre etanol dos EUA

    Segundo a NCGA, a principal barreira comercial é a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado dos Estados Unidos.

    A associação afirma que, em 2017, o governo brasileiro criou uma tarifa de 20% acompanhada de uma cota tarifária para o biocombustível americano. Na avaliação da entidade, a medida provocou forte queda nas exportações para o mercado brasileiro.

    De acordo com o documento, desde 1º de janeiro de 2024, a tarifa permanece em 18%.

    “O mercado praticamente desapareceu”, afirmou o vice-presidente da NCGA, Matt Frostic, ao defender que a tarifa brasileira foi responsável pela redução das exportações americanas de etanol.

    Associação pede tarifa de 25% contra o etanol brasileiro

    Além de criticar as políticas brasileiras, a entidade apoia que o governo dos Estados Unidos imponha uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro.

    Segundo Frostic, a investigação conduzida com base na Seção 301 deveria abranger todas as ações que, na visão da associação, prejudicam os produtores de milho americanos.

    Além disso, o documento também solicita que Washington avalie outras formas de retaliação comercial contra o Brasil.

    RenovaBio também é alvo de críticas

    A associação também direcionou críticas ao RenovaBio, programa brasileiro voltado à descarbonização dos combustíveis.

    Segundo a NCGA, o modelo brasileiro dificultaria a habilitação de usinas americanas e favoreceria os produtores nacionais, ampliando a competitividade do etanol brasileiro em mercados internacionais, incluindo o segmento de combustíveis sustentáveis para aviação.

    Debate sobre pegada de carbono

    Outro ponto levantado pela entidade envolve a comparação da pegada de carbono entre o milho produzido no Brasil e nos Estados Unidos.

    No documento, Frostic questiona o argumento de que o milho brasileiro, cultivado em segunda safra, apresenta menor impacto ambiental. Segundo ele, mudanças no uso da terra, incluindo áreas de pastagem e vegetação nativa, não seriam devidamente consideradas nos cálculos utilizados pelo Brasil.

    A manifestação da NCGA integra a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos para avaliar práticas comerciais brasileiras e poderá servir de base para eventuais decisões do governo americano sobre novas tarifas e outras medidas envolvendo o comércio bilateral de etanol, milho e biocombustíveis.