Uma viagem comum a Fernando de Noronha, compartilhada nas redes sociais, virou dor de cabeça gigante para Carlinhos Maia. O ICMBio multou o influenciador em R$ 1 milhão por vídeos postados em setembro de 2025 durante a visita ao arquipélago.
Nas imagens, aves marinhas da espécie Fregata magnificens, conhecidas popularmente como fragatas, são vistas sendo alimentadas com carne de churrasco. A prática é proibida na Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha e está prevista como infração no Plano de Manejo local.
O que disse o ICMBio
Nesta terça-feira (14), o órgão divulgou nota confirmando a multa. Ele considerou a gravidade da infração, a importância ambiental da área, a ampla divulgação nas redes (com risco de incentivar maus exemplos) e a renda do influenciador, por isso aplicou o valor máximo da lei.
O ICMBio enquadrou Carlinhos no Art. 33 do Decreto Federal nº 6.514/2008, por explorar imagens de animais silvestres em abuso. Já o amigo que alimentou as aves respondeu pelo Art. 90 do mesmo decreto, com multa menor.
“As imagens mostram condutas em desacordo com o Plano de Manejo da APA, incluindo alimentação de fragatas com carne de churrasco”, afirmou o órgão.
A defesa de Carlinhos Maia
Nas redes, Carlinhos esclareceu: “O pessoal comigo se empolgou e deu um pedaço de camarão a uma das aves. Eu só filmei e esqueci que alimentá-las gerava multa. Apaguei os stories na hora.” Ele aceita punição, mas contesta o valor: “Eu não alimentei. Aceito a multa justa, como a do amigo que deu comida à gaivota (R$ 5 mil). Mas R$ 1 milhão por um stories? É abuso de poder.”
Além disso, ele destacou a disparidade (200 vezes maior que a do amigo) e anunciou ações judiciais: “Eu tinha achado isso tão absurdo. A gente processou de volta, porque isso é abuso de poder. Eu apelo para a Justiça brasileira porque, se isso vier a acontecer de fato, vai ser um dos maiores absurdos judiciários que eu vou presenciar na minha vida”.
Carlinhos lembrou sua relação com a ilha, com visitas frequentes, divulgações de negócios locais e consumo pago, e propôs: “Doaria o 1 milhão para melhorias na Noronha, não para ‘explorar imagem de gaivota”.
E agora?
O ICMBio alerta que alimentar animais silvestres com comida humana altera comportamentos, afeta a saúde e desequilibra o ecossistema. O caso segue para o Ministério Público Federal analisar medidas judiciais, enquanto Carlinhos tem prazo para defesa ou recurso administrativo.



