Tag: mulheres rurais

  • Produtoras do Piauí assumem liderança em projetos de agricultura familiar

    Produtoras do Piauí assumem liderança em projetos de agricultura familiar

    Na zona rural de Teresina e em diversos municípios do Piauí, cresce o número de mulheres à frente da produção agrícola. Elas participam de todas as etapas da cadeia produtiva, do plantio à comercialização. E vêm consolidando um papel decisivo na economia rural do estado.

    A Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) tem priorizado políticas públicas voltadas às mulheres rurais. Segundo a secretária Rejane Tavares, cerca de 30% dos recursos dos programas da pasta são destinados a projetos liderados por mulheres. “Temos priorizado as mulheres rurais em quase todos os nossos programas”, destaca.

    Produtoras que inspiram o campo piauiense

    Em Coivaras, na localidade Malhada Alta, a produtora Leslly Raquel Costa dos Santos lidera a Associação de Produtores e Criadores do município. Com seis hectares, ela cultiva melancia, principal cultura local, além de milho, feijão verde e outras lavouras. Em 2025, Leslly colheu 179 toneladas de melancia e comercializou parte da produção por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa de Alimentação Saudável (PAS).

    “Conseguimos escoar volumes significativos para a Nova Ceasa. Ainda enfrentamos desafios na comercialização, mas seguimos com fé e persistência”, afirma a produtora, que também gera empregos temporários durante a colheita e contribui para a economia local.

    Para ela, a agricultura representa mais do que renda: é sinônimo de força e esperança. “Acordamos cedo, enfrentamos muitos desafios, mas acreditamos que vale a pena”, destaca.

    De autônoma a produtora rural em Teresina

    No Assentamento Vale da Esperança, na zona sudeste de Teresina, Cleidimar Oliveira de Araújo Sousa transformou a rotina da família ao investir na agricultura familiar. Antes autônoma, hoje cultiva hortaliças, feijão, milho, macaxeira e abóbora, além de criar pequenos animais.

    “O trabalho na agricultura aumentou nossa renda e melhorou nossa alimentação. Vendemos ao PAA, ao PAS e também na feira da Universidade Federal do Piauí”, conta. A renda mensal chega a cerca de um salário mínimo, sem contar os alimentos consumidos em casa.

    Agricultura como sinônimo de independência

    A produtora Antônia Soares de Moura Costa, conhecida como Toinha, é outro exemplo de protagonismo feminino no campo. Moradora da Serra do Gavião, em Teresina, ela cultiva três hectares e integra um grupo de 30 agricultores, sendo mais da metade mulheres, que compartilham uma área coletiva de oito hectares.

    A agricultora Antônia Soares de Moura Costa, conhecida como Toinha. Foto: Arquivo Pessoal

    Toinha cultiva banana, caju e acerola, além de aproveitar integralmente o fruto do caju para doces, pães e conservas. Parte da produção é vendida em feiras organizadas pela SAF e por programas de compra pública. “Com as vendas, nossa renda mensal chega a R$ 1,6 mil”, afirma.

    Essas histórias refletem a força do trabalho feminino na agricultura familiar piauiense. Nas comunidades rurais, as mulheres vêm consolidando espaço, ampliando a renda e garantindo alimentos saudáveis à população. O protagonismo delas mostra que a agricultura familiar é, acima de tudo, uma forma de resistência e de vida no campo.

  • Dia da Mulher: programas valorizam trabalhadoras rurais e agricultura familiar

    Dia da Mulher: programas valorizam trabalhadoras rurais e agricultura familiar

    Hoje, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas que valorizem as mulheres e garantam seus direitos. No campo, esse compromisso se traduz em programas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar voltados a ampliar a autonomia, a renda e as oportunidades para trabalhadoras rurais em todo o Brasil.

    ​As políticas reconhecem o papel central das mulheres na produção de alimentos, no fortalecimento da agricultura familiar e no desenvolvimento sustentável do país. Segundo o Censo Agropecuário 2017 (IBGE), 4,37 milhões de mulheres atuam como trabalhadoras rurais, 946 mil dirigem estabelecimentos e 817 mil participam como codiretoras, respondendo por 42,4% da renda familiar no meio rural.

    ​A recriação do MDA, em 2023, retomou e fortaleceu ações específicas para agricultoras familiares, com foco em produtividade, inclusão produtiva e igualdade de gênero. Os programas atendem mulheres do campo, das águas, das florestas e de povos e comunidades tradicionais, integrando crédito, assistência técnica, acesso à água, equipamentos e documentação básica.

    ​Programa de Organização Produtiva e Econômica de Mulheres Rurais

    Instituído pelo Decreto n° 11.452, de 22 de março de 2023, o Programa de Organização Produtiva e Econômica de Mulheres Rurais promove a autonomia econômica das mulheres do campo, das águas e das florestas. A política integra ações de fomento produtivo, crédito rural, assistência técnica e extensão rural, ampliando o acesso das mulheres e de suas organizações econômicas a mercados e infraestrutura.

    O programa incentiva a qualificação de processos produtivos, a geração de alimentos saudáveis e sustentáveis e a valorização do trabalho feminino. Também fortalece organizações coletivas de mulheres, estimula cooperativismo e amplia a participação feminina em cadeias produtivas estratégicas.

    Programa Quintais Produtivos para Mulheres Rurais

    O Programa Quintais Produtivos para Mulheres Rurais apoia a autonomia econômica a partir da estruturação de quintais produtivos em propriedades familiares. As iniciativas incluem acesso a políticas públicas de apoio à produção e comercialização de alimentos, além de equipamentos, máquinas, implementos, utensílios, insumos e tecnologias sociais de acesso à água.

    ​Os quintais produtivos contribuem para diversificar a produção, melhorar a segurança alimentar e gerar renda complementar para as famílias rurais. Conduzidos majoritariamente por mulheres, esses espaços fortalecem a soberania alimentar e a permanência da juventude no campo.

    Ater Mulheres Rurais

    O Ater Mulheres Rurais integra a política de assistência técnica e extensão rural com foco em trabalhadoras rurais. O serviço busca elevar produção, produtividade e qualidade dos produtos e serviços rurais, ao mesmo tempo em que melhora renda e qualidade de vida no campo.

    ​As equipes de Ater orientam projetos produtivos, gestão da propriedade e acesso a créditos e programas públicos, com recorte específico de gênero. A abordagem considera os desafios enfrentados pelas mulheres, como divisão desigual do trabalho doméstico e dificuldade de acesso a políticas.

    ​Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais

    O Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais garante acesso à documentação civil básica e à titulação conjunta da terra e do território onde essas mulheres vivem e trabalham. A iniciativa atende mulheres do campo, das florestas e das águas, com foco no reconhecimento de direitos civis, políticos e sociais.

    ​Ao assegurar documentação e titularidade, o programa amplia o acesso a políticas públicas, crédito e proteção social, fortalecendo a dignidade, a segurança e a autonomia das mulheres rurais.

    ​Projeto Jandaíras: Mulheres e Saberes Tradicionais

    O Projeto Jandaíras atua com mulheres de povos e comunidades tradicionais, articulando geração de renda, segurança alimentar e valorização de saberes ancestrais. A iniciativa incentiva o desenvolvimento e a melhoria de produtos da sociobiodiversidade em agroindústrias comunitárias e grupos produtivos.

    ​O projeto também facilita a inserção dessas mulheres em mercados institucionais e programas de compras públicas, ampliando a comercialização e o reconhecimento de seus produtos.

    Fomento Mulher

    O programa Fomento Mulher oferece recursos não reembolsáveis para mulheres titulares de lotes da reforma agrária. O benefício financia projetos produtivos sustentáveis, como hortas, criação de animais e artesanato, fortalecendo a autonomia financeira e a produção de alimentos.

    ​Com apoio técnico, as beneficiárias estruturam atividades geradoras de renda, agregam valor à produção e ampliam a segurança alimentar das famílias assentadas.

    ​Pronaf B para mulheres rurais

    O Pronaf B, linha do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar voltada a famílias de menor renda, ganhou condições especiais para mulheres rurais no Plano Safra 2025/2026. A política incentiva a autonomia econômica feminina, com foco em quintais produtivos, produção de alimentos saudáveis e segurança alimentar.

    O crédito do Pronaf B Quintais Produtivos oferece até R$ 20 mil, com juros de 0,5% ao ano e bônus de adimplência de até 40%, destinado prioritariamente às agricultoras. Essas condições estimulam investimentos em produção agroecológica e diversificada, ampliando renda e inclusão produtiva no meio rural.

    Lavanderias Coletivas Agroecológicas

    Lançado em 2023, o projeto-piloto de Lavanderias Coletivas Agroecológicas desenvolve tecnologias sociais e práticas sustentáveis voltadas ao bem viver das mulheres rurais. As estruturas reduzem o esforço físico e o tempo dedicado ao trabalho doméstico, liberando mais horas para atividades produtivas e de formação.

    ​As lavanderias utilizam soluções sustentáveis, como reuso de água e energia solar. E se somam a outras ações que melhoram condições de trabalho e qualidade de vida no campo.

     

  • Mulheres do agro inovam e transformam a cadeia do leite

    Mulheres do agro inovam e transformam a cadeia do leite

    Um passo firme no campo, outro na gestão moderna e um olhar atento ao futuro: assim caminha o protagonismo feminino na produção de leite no Brasil. Em um cenário de alta capilaridade – presente em 98% dos municípios do país – o setor lácteo ganha cada vez mais força com a atuação de mulheres que aliam tecnologia, sustentabilidade e impacto social em suas propriedades.

    Três exemplos dessa transformação são Alessandra Barth, Lisiane Rocha Czech e Maria Lúcia Bessa, premiadas no Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Bayer em parceria com a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio). Cada uma, em sua realidade, rompeu barreiras e tornou sua fazenda um modelo de equilíbrio entre produtividade e responsabilidade ambiental.

    Gestão, tecnologia e bem-estar animal

    Alessandra Barth, 3º lugar na categoria Pequena Propriedade do Prêmio Mulheres do Agro de 2023 – Foto: Arquivo Pessoal

    Ex-professora, Alessandra Barth assumiu o Sítio São Jorge, em Ipiranga (PR), em 2021. Terceira colocada na categoria pequena propriedade em 2023, ela implantou um modelo de gestão baseada em dados, com software zootécnico e financeiro, inseminação artificial e uso de colares inteligentes para monitoramento do rebanho. A fazenda também adota energia solar e reaproveitamento de dejetos como adubo, resultando em economia de até 90% nas contas de energia.

    Além da eficiência, o bem-estar animal é prioridade. “Uma vaca que não está bem e não está confortável, não produz”, resume Alessandra. O reconhecimento do prêmio, segundo ela, mostrou que o caminho da inovação e da sensibilidade pode – e deve – caminhar junto no campo.

    Lisiane Rocha Czech, 3º lugar na categoria grande propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2024, faz palestra para produtoras do Paraná e da Alemanha – Foto: Arquivo Pessoal

    Na categoria grande propriedade, quem brilhou foi Lisiane Rocha Czech, da Fazendinha Sofia, em Teixeira Soares (PR). Desde 1992 à frente do negócio, ela modernizou a propriedade de 182 hectares, que hoje abriga 402 animais de alto rendimento. A adoção de energia fotovoltaica, plantio direto, logística reversa e manejo sustentável consolidou sua posição como referência.

    Para Lisiane, o prêmio abriu novas possibilidades de troca de experiências. Em março, ela reuniu mais de 200 mulheres em um dia de campo, inclusive produtoras rurais vindas da Alemanha. “A atividade leiteira é intensa, cheia de detalhes. E é isso que me motiva: os desafios constantes”, afirma.

    Modelo de agricultura regenerativa no Centro-Oeste

    Maria Lúcia Bessa – 2º lugar na categoria média propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2024 – Foto: Arquivo Pessoal

    Na categoria média propriedade, a 2ª colocação foi para Maria Lúcia Bessa, da Fazenda São Tomaz, em Rio Verde (GO). Autodidata, ela transformou a fazenda em um laboratório vivo de agricultura regenerativa, com recuperação de nascentes, pastagem rotacionada e uso de energia solar. A propriedade alia produtividade com redução do impacto ambiental. “Equilibrar inovação com respeito ao meio ambiente é o que guia nosso trabalho”, afirma.

    Nestlé fortalece apoio às mulheres do agro

    Para 2025, o Prêmio Mulheres do Agro conta com uma nova apoiadora institucional: a Nestlé Brasil. A empresa já investe no protagonismo feminino com o programa Força da Moça, além de promover práticas sustentáveis no leite por meio do Nature por Ninho. A parceria com a premiação visa ampliar a participação de mulheres no setor e fortalecer pilares ESG (ambiental, social e de governança).

    “Acreditamos que fortalecer o papel da mulher no campo é essencial para o avanço do agronegócio”, afirma Bárbara Sollero, Head de Agricultura Regenerativa da Nestlé. Priscila Araújo, da Bayer, complementa: “Unimos forças por um futuro mais equitativo e sustentável”.

    As inscrições para a edição de 2025 estão abertas até 31 de julho, no site oficial do prêmio.

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  • Modo de fazer alimentos na serra gaúcha pode virar patrimônio cultural imaterial

    Modo de fazer alimentos na serra gaúcha pode virar patrimônio cultural imaterial

    O modo tradicional de preparo de alimentos pelas mulheres e suas famílias nas zonas rurais de Gramado, Canela e São Francisco de Paula pode ganhar o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Sul. O objetivo do inventário de referências culturais, que será realizado nas comunidades rurais desses municípios nos próximos meses, é documentar e valorizar essas práticas.

    Em junho, três seminários vão apresentar a finalidade e a funcionalidade do inventário, além de mobilizar a comunidade para participar do processo. Gramado recebe o evento no dia 3, no Horto Municipal. Em São Francisco de Paula, o seminário ocorre no dia 4, no salão comunitário de Campestre do Tigre. A data em Canela ainda está em definição. Estimativas informais indicam que pelo menos 350 famílias da região mantêm, diariamente, hábitos que podem compor o inventário.

    Protagonismo feminino e tradição no preparo de alimentos

    O preparo de alimentos nas comunidades serranas destaca o protagonismo das mulheres, que impulsionam a cadeia produtiva, geram emprego e renda, e preservam tradições culturais ancestrais. Essas práticas são transmitidas de geração em geração desde a chegada de imigrantes italianos e alemães ao Brasil. E fortalecem a identidade e o sentimento de pertencimento nas comunidades.

    “Queremos identificar e documentar para promover as práticas culturais dessas mulheres”, afirma Fernanda Pereira, especialista em Patrimônio Cultural do projeto. “O processo de preparo dos alimentos pelas famílias carrega forte traço cultural e reúne todas as características de patrimônio cultural imaterial”, destaca.

    Inventário de referências culturais valoriza a cultura gaúcha

    O inventário de referências culturais utiliza métodos internacionais para identificar e documentar práticas culturais das comunidades. “Nosso objetivo é destacar o protagonismo das mulheres da região, que preservam a cultura gaúcha e fortalecem a economia local”, ressalta Adriane Laste, coordenadora executiva do projeto.

    Os encontros para apresentação da metodologia e identificação dos entrevistados contam com a participação de representantes das prefeituras, Emater/RS-Ascar, associações rurais, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e entidades da sociedade civil.

    Sandra de Moraes Silva, extensionista social da Emater/RS-Ascar de São Francisco de Paula, reforça. “A Emater já promove o resgate cultural e o fortalecimento das comunidades rurais, inclusive com o resgate de receitas tradicionais. Este projeto amplia o alcance e a efetividade dessas ações. Em São Francisco de Paula, o seminário acontece na comunidade de Campestre do Tigre, de origem italiana, reconhecida pela forte presença de tradições culturais, o que destaca a importância do inventário”.

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