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  • Dívida de R$ 1,12 bilhão: gigante do agro pede recuperação judicial

    Dívida de R$ 1,12 bilhão: gigante do agro pede recuperação judicial

    A Justiça de Mato Grosso deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Lermen, conglomerado familiar do agronegócio sediado em Sorriso/MT. A decisão abrange cinco sociedades empresárias, entre transportadoras e agropecuárias,  e três produtores rurais do mesmo núcleo familiar. O passivo concursal indicado no processo soma R$ 1.125.328.266,68.

    Segundo a decisão judicial, existe um efetivo grupo econômico entre as empresas e os empresários rurais envolvidos, com unidade de direção e interdependência operacional e patrimonial. Por esse motivo, o juízo determinou a consolidação processual e substancial entre os recuperandos, o que exige a apresentação de um plano único de soerguimento e garante tratamento unificado a todos os credores.

    Da chegada a Nova Ubiratã à consolidação do agronegócio em Sorriso

    A história do Grupo Lermen remonta a 1977, quando o casal fundador da família chegou ao município de Nova Ubiratã, em Mato Grosso, então marcado por infraestrutura precária e intensa atividade madeireira. Originários do Rio Grande do Sul, os fundadores apostaram no potencial produtivo do Centro-Oeste e adquiriram as primeiras áreas rurais, que passaram a cultivar a partir da segunda metade dos anos 1980.

    Em 2004, o filho do casal, já formado em agronomia, assumiu a gestão técnica das terras da família e profissionalizou a estrutura produtiva, o que elevou a produtividade nos anos seguintes.

    Para sustentar a logística da produção agrícola, a família criou sua primeira transportadora em 2011, hoje Dalila Lermen Ltda, seguida pela Buritis Transportes Ltda, em 2015, e pela Transportes São Pedro Ltda, em 2020. Entre 2015 e 2017, porém, a inadimplência de um grande cliente somada a uma seca severa, que reduziu a produtividade da soja, obrigou o grupo a reorganizar suas operações.

    Entre 2018 e 2019, a família diversificou a produção com o cultivo de algodão em pluma e ampliou a área plantada até cerca de 18 mil hectares, distribuídos entre soja, milho safrinha e algodão. Para sustentar essa expansão, o grupo constituiu, em 2021, a Agropecuária Dona Hilda Ltda e a Agropecuária Campo Santo Ltda, responsáveis pela titularidade das principais áreas rurais e pela condução conjunta das atividades agrícolas.

    Quais empresas e produtores tiveram a recuperação judicial deferida

    A Justiça deferiu a recuperação judicial, sob regime de consolidação processual e substancial, para as sociedades Buritis Transportes Ltda, Transportes São Pedro Ltda, Agropecuária Dona Hilda Ltda, Agropecuária Campo Santo Ltda e Dalila Lermen Ltda, além dos produtores rurais Adriana Lermen Bedin, Alexandro Lermen e Oli Baltazar Lermen.

    A decisão, no entanto, indeferiu o pedido em relação às pessoas físicas de Dalila Lermen e Patrícia Aparecida Gotardi Lermen. O juízo entendeu que ambas não comprovaram, de forma individual e robusta, o exercício pessoal da atividade rural pelo prazo mínimo de dois anos exigido pela Lei 11.101/2005. As duas seguem, contudo, vinculadas ao grupo familiar por meio das demais empresas e produtores contemplados pela medida.

    O que levou o Grupo Lermen à recuperação judicial

    Uma combinação de fatores provocou a crise econômico-financeira do Grupo Lermen. O primeiro deles foi a retração do crédito bancário a partir do final de 2022, quando instituições financeiras passaram a dificultar a renovação de operações já existentes e estrangularam o capital de giro necessário à atividade agrícola. O quadro se agravou quando uma instituição financeira bloqueou um financiamento já negociado para a construção de um armazém. Obra em que o grupo já havia investido cerca de R$ 40 milhões de recursos próprios, sem a correspondente recomposição de caixa.

    A partir de 2023, mudanças nos procedimentos de terceiros ligados à cadeia de beneficiamento do algodão geraram problemas recorrentes na classificação e comercialização do produto. As irregularidades, que incluíram manipulação de registros, divergências de volumes e falsificação de documentos, deram origem à Operação Safra Desviada, deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público de Mato Grosso. A investigação apura um esquema de desvio de grãos que teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 140 milhões ao Grupo Lermen.

    A safra de soja 2023/2024 somou-se aos problemas: uma estiagem severa, uma das piores da década em Mato Grosso, reduziu a produtividade e provocou perda superior a 400 mil sacas de soja para os produtores do grupo.

    Qual o valor da dívida e quem são os maiores credores

    O passivo concursal sujeito à recuperação judicial totaliza R$ 1.125.328.266,68, conforme apurado na decisão que deferiu o processamento do pedido. Os autos apontam como principais credores, por volume de crédito:

    • Riza Securitizadora S.A. (atual denominação de Virgo Companhia de Securitização) — aproximadamente R$ 80 milhões
    • São Pedro Agropecuária e Participações Ltda — aproximadamente R$ 79,1 milhões
    • Banco Santander (Brasil) S.A. — aproximadamente R$ 77,1 milhões
    • Banco John Deere S.A. — aproximadamente R$ 76,4 milhões
    • Origeo Comércio de Produtos Agropecuários S.A. — aproximadamente R$ 34 milhões
    • Syngenta Proteção de Cultivos Ltda — aproximadamente R$ 33,9 milhões
    • Sagel Comércio de Cereais Ltda — aproximadamente R$ 29,3 milhões

    A dívida extraconcursal ainda não está definida

    Além do passivo concursal, os autos registram créditos de natureza extraconcursal, titularizados principalmente por instituições financeiras e fornecedoras de máquinas e equipamentos agrícolas com garantia de alienação fiduciária, caso de bancos ligados ao financiamento de tratores, colheitadeiras e implementos.

    A própria decisão que deferiu o processamento apontou, porém, inconsistências entre os valores informados pelos recuperandos e os registros contábeis do grupo, e determinou a reapresentação das listas de credores com a correta classificação de cada crédito. Por isso, o valor total consolidado da dívida extraconcursal segue indefinido nos autos e permanece sujeito à verificação da Administração Judicial.

    A recuperação judicial do Grupo Lermen tramita sob o número 1013072-04.2026.8.11.0015, na 4ª Vara Cível da Comarca de Sinop/MT. A empresa SCZ – Scalzilli Administração Judicial foi nomeada administradora judicial do processo.

    Os desafios do setor e do Grupo Lermen na recuperação judicial

    O agronegócio do médio-norte de Mato Grosso, região que concentra grande parte da produção nacional de soja, milho e algodão, atravessa um momento de particular sensibilidade financeira. Juros elevados, restrição de crédito bancário para o setor rural e uma volatilidade climática cada vez mais frequente, com safras marcadas por estiagens atípicas, têm elevado o endividamento de produtores e empresas do agronegócio em todo o estado. Esse cenário torna a recuperação judicial um instrumento cada vez mais recorrente entre grupos familiares tradicionais do setor.

    A esse quadro soma-se um desafio mais recente e específico da cadeia do algodão. Episódios de fraude e desvio de produção por agentes intermediários, como os investigados na Operação Safra Desviada, expõem a fragilidade dos mecanismos de controle e certificação de qualidade em elos que os produtores rurais, muitas vezes, não conseguem fiscalizar diretamente. A tendência é que esse risco exija maior rigor contratual e rastreabilidade em todo o setor nos próximos anos.

    Para o Grupo Lermen, o principal desafio será equacionar, em um único plano de recuperação judicial, os interesses de credores financeiros, fornecedores de insumos e instituições garantidas por alienação fiduciária sobre máquinas, veículos e imóveis rurais. Ao mesmo tempo em que preserva a atividade produtiva em mais de 18 mil hectares. O grupo também precisará esclarecer, no curso do processo, as inconsistências contábeis apontadas pela perícia judicial. E regularizar a documentação de Dalila Lermen e Patrícia Aparecida Gotardi Lermen, caso pretenda incluir ambas nos efeitos da recuperação. A efetividade da reorganização dependerá, sobretudo, da apresentação de um plano de recuperação judicial consistente no prazo de 60 dias fixado pela Justiça, sob pena de convolação em falência.

    Com informações do Empresa em Crise.com
  • Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) avança na modernização da pecuária estadual por meio do projeto ATeG Inseminação, iniciativa gratuita que combina melhoramento genético, assistência técnica e gestão rural para elevar a produtividade nas propriedades. Desde o início da execução, em dezembro de 2024, o programa já atendeu 1.513 propriedades em 99 municípios de Mato Grosso.

    O projeto oferece suporte completo ao produtor, da aquisição do sêmen aos protocolos de inseminação e mão de obra especializada. Para a pecuária de corte, as raças disponíveis são Nelore, Nelore Mocho e Angus. Já para a cadeia leiteira, o programa contempla Girolando (3/4 e 5/8), Gir e Sindi. A iniciativa é realizada em parceria com os Sindicatos Rurais do estado.

    Como funciona na prática 

    A metodologia divide a atuação em duas frentes complementares. Primeiro, o técnico de campo realiza o diagnóstico da propriedade, o acompanhamento gerencial e o preparo das condições necessárias. Só então o médico-veterinário executa o protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), garantindo maior eficiência reprodutiva ao rebanho.

    “A inseminação é uma ferramenta importante, mas o resultado vem da soma das ações, com o técnico de campo atuando na organização, gestão e preparo da propriedade, e o técnico em reprodução na execução do protocolo”, explica a supervisora do projeto, Jéssica Gonçalves.

    Superação e resultados no campo

    Na Fazenda Água Boa, em Brasnorte, a produtora Claudete Grimm Denadai representa tanto o impacto da iniciativa quanto a força do produtor rural. Após perder o marido, ela assumiu sozinha a gestão da propriedade e, por isso, buscou apoio da ATeG para reorganizar o sistema produtivo. Com isso, adotou novas práticas de manejo, nutrição e planejamento e logo colheu resultados concretos.

    “De 63 animais, 38 deram positivo. Teve bastante animal jovem que também emprenhou. A diferença dos bezerros da inseminação para os de touro é muito grande: mais resistência, mais peso, carcaça melhor. A qualidade é outra”, relata Claudete.

    Além dos índices reprodutivos, o acompanhamento da técnica de campo Ingrid dos Santos Costa trouxe novas estratégias de comercialização. “Ela me orientou como engordar as fêmeas e vender os machos. Assim, isso virou uma alternativa para manter a fazenda viável o ano todo”, acrescenta a produtora.

    Tecnologia acessível e gestão integrada

    Para o técnico em reprodução Jeferson Polidoro Murussi, o diferencial do projeto está no acesso. “A inseminação não é novidade: ela já provou que funciona. Portanto, o que o projeto faz é facilitar o acesso, com material de qualidade e suporte técnico. Além disso, o produtor aumenta o valor de venda e ganha eficiência”, afirma.

    Da mesma forma, o gerente da ATeG, Bruno Faria, reforça o caráter estratégico da iniciativa. “Quando aliamos técnica, acompanhamento contínuo e gestão, o produtor passa a ter mais controle da atividade e evolui de forma consistente. Por isso, mais do que aumentar a produção, nosso objetivo é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias no campo”, destaca.

    Números e reconhecimento nacional

    Até março de 2026, o ATeG Inseminação registrou 32.021 protocolos executados, 53.131 diagnósticos de gestação e taxa média de prenhez de 44,37%, índice que comprova a efetividade da técnica quando associada a um sistema produtivo organizado. Diante desses resultados, o projeto segue na terceira rodada de execução, com novas etapas previstas para ampliar ainda mais o alcance.

    Além do desempenho produtivo, os números trouxeram reconhecimento nacional: o Senar MT saltou da 26ª para a 6ª colocação no ranking do Prêmio Coordenador de Excelência 2026, anunciado durante o Encontro Nacional de Coordenadores da ATeG, realizado na sede da CNA, em Brasília, em março.

  • Sítio São José: 30 anos de agricultura familiar sustentável em Diamantino

    Sítio São José: 30 anos de agricultura familiar sustentável em Diamantino

    A 30 quilômetros de Diamantino, no assentamento Caité, uma história de dedicação e amor à terra se renova a cada safra. O Sítio São José celebra três décadas de atividades mantendo viva a tradição da agricultura familiar em Mato Grosso, agora com um diferencial: a combinação entre o conhecimento ancestral e as novas tecnologias de produção sustentável.

    José Lemes, agricultor de quase 70 anos, lidera a propriedade de 33 hectares ao lado da esposa Creuza da Silva, do filho caçula José Lemos da Silva Filho e da nora Francielly Rodrigues. Dos 33 hectares totais, nove são destinados à produção diversificada de hortaliças, frutíferas, mel e piscicultura.

    A rotina no Sítio São José começa cedo e reflete o compromisso da família com a qualidade dos alimentos produzidos. José Lemes, que começou a trabalhar na roça aos sete anos seguindo o ensinamento passado de pai para filho, hoje prepara a transição do comando para a nova geração.

    Fornecimento para escolas garante renda estável

    Uma decisão estratégica mudou os rumos da propriedade nos últimos anos. José Lemes deixou de comercializar produtos em mercados convencionais para participar de programas governamentais de fornecimento de alimentos às escolas públicas.

    A mudança trouxe estabilidade financeira e melhor qualidade de vida para a família. O agricultor avalia positivamente a parceria com o poder público e destaca o reconhecimento que a agricultura familiar recebe atualmente em Mato Grosso.

    O produtor ressalta que o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf) e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), representa um incentivo fundamental para quem trabalha no campo.

    Nova geração traz inovação e empreendedorismo rural

    José Lemos da Silva Filho enxerga como privilégio trabalhar ao lado do pai e contribuir para a expansão dos negócios da família. Após experiências em outras fazendas, o jovem agricultor encontrou no Sítio São José o espaço ideal para implementar suas ideias.

    Família Lemes. Foto: Samuel Janke/Seaf

    Os planos incluem fortalecer a piscicultura e a policultura, expandir a fruticultura e desenvolver o turismo rural na propriedade. A intenção é atrair visitantes interessados em conhecer o sistema de produção consorciada e as práticas de convivência harmônica com a natureza adotadas pela família.

    Liderança feminina fortalece associação de agricultores

    Francielly Rodrigues, de 24 anos, representa o protagonismo feminino na agricultura familiar de Mato Grosso. Além de atuar diretamente na produção do sítio, ela é presidente da Associação de Agricultura Familiar Sustentável de Policultura Ceiba, que reúne 32 famílias produtoras.

    A jovem assumiu a liderança da associação após conhecer a comunidade do assentamento e reconhece o peso da responsabilidade. Mesmo ciente dos desafios enfrentados pelas mulheres no campo, Francielly demonstra confiança no potencial feminino para transformar a realidade rural.

    Segundo a presidente da associação, as políticas públicas implementadas pela Seaf em Diamantino fortalecem não apenas a agricultura familiar tradicional, mas também ampliam oportunidades para indígenas e quilombolas em todo o estado de Mato Grosso.

    Agricultura familiar sustentável como modelo de desenvolvimento

    O Sítio São José exemplifica como tradição e inovação podem caminhar juntas no campo. A experiência acumulada por José Lemes ao longo de décadas se complementa com o entusiasmo empreendedor do filho e a capacidade de liderança da nora.

    Esse ciclo de produção sustentável reforça a identidade do assentamento Caité e comprova que, quando famílias trabalham com amor e propósito, a agricultura produz resultados econômicos, sociais e ambientais positivos para toda a comunidade rural.

    A história da família Lemes demonstra que a agricultura familiar em Mato Grosso tem potencial para crescer de forma sustentável, gerando renda, preservando tradições e inspirando novas gerações a permanecerem no campo com qualidade de vida.

  • MT destina R$ 1,5 milhão para produção de indígenas Xavantes

    MT destina R$ 1,5 milhão para produção de indígenas Xavantes

    O Governo de Mato Grosso liberou R$ 1,5 milhão para fortalecer a produção rural de 252 indígenas Xavantes em sete municípios do estado. O investimento integra o edital 2.2 do Fundo de Apoio à Agricultura Familiar (Fundaaf) e visa promover a autonomia econômica das comunidades tradicionais através do Programa de Incentivo Rural.

    A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) coordena a iniciativa com apoio da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer). Os municípios de Campinápolis, General Carneiro e Paranatinga concentram 73% dos beneficiários, reflexo da forte presença Xavante nessas regiões.

    A equipe da Seaf calcula que cada beneficiário receberá em média R$ 5.956. A pecuária, especialmente a avicultura de corte, representa 70% dos projetos aprovados e se consolida como a principal atividade produtiva das comunidades Xavantes. A olericultura responde por 11% dos investimentos, enquanto a fruticultura abrange 13% dos projetos, garantindo diversificação e sustentabilidade.

    Distribuição regional dos recursos

    Em Campinápolis, 90 indígenas receberam R$ 539,9 mil. A região destina 98% dos recursos para projetos de pecuária. General Carneiro contempla 57 beneficiários com R$ 341,2 mil, divididos entre pecuária (43,9%) e olericultura (38,6%).

    Paranatinga investe R$ 216,1 mil em 37 produtores e se destaca pela inclusão de agroindústrias e atividades não agropecuárias. Já Barra do Garças atende 30 beneficiários, com 77% dos projetos focados em fruticultura, principalmente o cultivo de mexirica.

    Igualdade de acesso aos recursos

    O relatório do Fundaaf aponta que os valores médios por beneficiário se aproximam do teto do programa em todos os municípios, o que demonstra uma política de equidade. O estudo recomenda monitorar os resultados da pecuária em Campinápolis, expandir cadeias produtivas diversificadas e fortalecer parcerias com cooperativas e associações indígenas.

    “Esses investimentos reafirmam o compromisso do Governo do Estado em promover o desenvolvimento rural sustentável e inclusivo a fim de valorizar o trabalho das comunidades indígenas e fortalecer a autonomia produtiva”, destaca o documento.

    Reunião intersetorial debate estratégias

    A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Barra do Garças, sediou nos dias 29 e 30 de outubro a Reunião Técnica Intersetorial de Alinhamento Estratégico para a Promoção da Segurança Alimentar e Nutricional para etnia Xavante. O evento apresentou os dados do programa e reuniu representantes de municípios parceiros, Seaf e outras secretarias estaduais.

    “Esta reunião é a primeira a acontecer no formato de encontro intersetorial, com participação de representantes de municípios parceiros, Seaf e outras secretarias de Estado, para discussão da saúde e segurança alimentar nutricional dos indígenas Xavantes”, explicou a professora da UFMT Rosaline Lunardi, coordenadora do evento.

    Ações integradas no território

    O gestor territorial do Pontal e Médio Araguaia, Camilo Tavares Lopes, destacou o trabalho conjunto no Território Indígena São Marcos, em Barra do Garças. Técnicos desenvolvem projetos de agrofloresta, plantio de mandioca e hortaliças, todos com sistemas de irrigação financiados principalmente pelo Fundaaf.

    “Graças à integração entre Seaf, Empaer, Governo do Estado, Prefeitura, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e UFMT, temos uma parceria no território. Essas ações são possíveis e, num futuro próximo, algumas aldeias terão sua história alimentar mudada”, afirmou Lopes. O gestor informou que existem 31 projetos para criação de aves e lavouras irrigadas, incluindo agroflorestas frutíferas e culturas anuais.

    Compromissos futuros

    Leonardo Vivaldini dos Santos, coordenador do projeto MT Produtivo da Seaf, ressaltou a importância da reunião para definir os compromissos da secretaria na promoção da soberania alimentar indígena. A Seaf atua com fomento, compra de tratores, equipamentos e insumos, sendo que parte desses recursos chega aos povos indígenas da região Leste, especialmente os Xavantes.

    Vivaldini observou que a assistência técnica em terras indígenas exige esforço maior do que o habitualmente visto nos indicadores. “Esta mudança da lógica de atuação também é importante para rever a estratégia para os técnicos atuarem nos municípios”, disse.

    O coordenador informou que o orçamento das secretarias pode estar vinculado, nos próximos anos, à complementação do Fundaaf. “O objetivo é fortalecer a agricultura familiar, povos indígenas, comunidades quilombolas, muito importante implementar este suporte técnico e financeiro para elaborar projetos de desenvolvimento para este público”, concluiu.

  • Tecnologia de embriões triplicam renda de produtores de leite

    Tecnologia de embriões triplicam renda de produtores de leite

    A biotecnologia de transferência de embriões está transformando a realidade de pequenos produtores de leite em Mato Grosso. Desde 2020, o projeto estadual já investiu mais de R$ 6,7 milhões e atendeu 1.043 produtores rurais em 32 municípios, resultando em 3.894 prenhezes confirmadas.

    A iniciativa da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) utiliza embriões sexados de fêmeas da raça Girolando ½ sangue, oriundos do cruzamento entre vacas Gir Leiteiro – com potencial produtivo superior a 5.000 kg de leite por lactação – e sêmen sexado de touros da raça Holandesa importados.

    Resultados comprovados no campo

    Em Campo Verde, o produtor Ademirson Machado, do assentamento Dom Osório, exemplifica o sucesso do programa. Beneficiário da primeira etapa em 2023, ele já contabiliza o nascimento de dez novilhas com alto padrão genético em sua propriedade.

    “Cada uma pode chegar a produzir até 35 litros por dia. Hoje, nossa média é de 25 litros. Um embrião desses custa de R$ 3 mil a R$ 4 mil, e sozinho a gente não conseguiria”, explica o pecuarista, demonstrando o impacto econômico da tecnologia.

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    Estudos técnicos da Seaf indicam que as vacas geradas pelo projeto devem produzir no mínimo 15 litros de leite diários, superando significativamente a média estadual atual de 4,34 litros. Essa melhoria pode representar um incremento de até R$ 735,60 na renda mensal por animal, potencialmente triplicando a receita de muitos produtores familiares.

    Secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka. Foto: Divulgação

    “Este projeto oferece uma resposta concreta, com tecnologia de ponta, para que o pequeno produtor possa competir, aumentar sua renda e permanecer no campo com dignidade”, afirma Andreia Fujioka, secretária de Estado de Agricultura Familiar.

    Assistência técnica especializada

    O projeto conta com apoio integral da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e secretarias municipais de agricultura. Os técnicos acompanham todas as fases, desde a seleção das propriedades até o monitoramento dos nascimentos.

    Suelme Fernandes, presidente da Empaer, destaca que “a transferência de embriões em rebanhos da agricultura familiar é uma das ações mais estratégicas que já executamos”, enfatizando a democratização do acesso à genética de excelência.

    O engenheiro agrônomo Marcelo Furtado, que acompanha o projeto desde 2022, relata resultados impressionantes: “Começamos com 66 prenhezes. Hoje, já temos novilhas com 26 meses prenhas novamente”.

    Em Campo Verde, já são quase 80 animais frutos do projeto, segundo o técnico da Empaer Kênio Batista Nogueira, que enfatiza como o programa tem “mudado a dinâmica das comunidades rurais e fortalecido a permanência das famílias no campo”.

    Projeto referência nacional

    A proposta prevê a oferta total de 2.000 prenhezes, divididas em quatro lotes, com cobertura em todas as macrorregiões de Mato Grosso. A execução conta com parcerias estratégicas envolvendo prefeituras, cooperativas e associações.

    O projeto de melhoramento genético por transferência de embriões já é considerado referência nacional no uso de biotecnologias reprodutivas na agricultura familiar, alinhado à política estadual de desenvolvimento rural sustentável.

    Juraci Vasto, secretário municipal de Agricultura de Campo Verde, confirma o impacto positivo: “É gratificante ver esse salto. Estamos em diálogo com a Seaf para expandir o projeto, porque a primeira etapa foi um sucesso”.

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  • Trairão gigante é capturado em Tabaporã-MT

    Trairão gigante é capturado em Tabaporã-MT

    Um trairão (Hoplias lacerdae) de dimensões extraordinárias foi capturado recentemente nas águas de Tabaporã, município localizado no interior de Mato Grosso, chamando a atenção de pescadores esportivos e especialistas em ictiofauna regional. O exemplar, que ultrapassou 1 metro de comprimento, representa um dos maiores registros da espécie já documentados na região.

    A captura do trairão gigante aconteceu durante uma pescaria esportiva realizada nos rios que banham o município de Tabaporã. O peixe, conhecido cientificamente como Hoplias lacerdae e popularmente chamado de trairão ou traíra-açu, demonstrou toda a sua força característica durante a captura, proporcionando uma experiência inesquecível aos pescadores presentes.

    Os trairões são predadores naturais dos ecossistemas aquáticos da região Centro-Oeste, reconhecidos por sua agressividade e força durante a pesca. Exemplares com mais de 1 metro de comprimento são considerados raros e indicam a qualidade dos ambientes aquáticos onde habitam.

    Riqueza da fauna aquática de Mato Grosso

    A captura deste exemplar excepcional evidencia a extraordinária biodiversidade presente nos rios mato-grossenses. Tabaporã, assim como outros municípios do estado, possui uma rica rede hidrográfica que abriga diversas espécies de peixes de grande porte, consolidando Mato Grosso como um dos principais destinos para a pesca esportiva no Brasil.

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    “Exemplares como este trairão demonstram a importância da preservação dos nossos ecossistemas aquáticos”, destacam especialistas em pesca esportiva da região. A presença de peixes de grande porte indica a saúde dos rios e a abundância de recursos naturais disponíveis.

    Potencial turístico e econômico

    A pesca esportiva representa uma importante fonte de receita para municípios do interior de Mato Grosso. Pescadores de todo o Brasil se deslocam até a região em busca de exemplares como o trairão capturado em Tabaporã, movimentando a economia local através do turismo de pesca.

    Os rios da região oferecem condições ideais para o desenvolvimento de peixes de grande porte, com águas límpidas, abundante vegetação aquática e ecossistemas preservados. Esta combinação de fatores favorece não apenas a pesca esportiva, mas também a manutenção da biodiversidade local.

    Conservação e pesca sustentável

    A captura do trairão gigante também serve como um lembrete sobre a importância das práticas sustentáveis na pesca esportiva. O pesque-e-solte tem se tornado cada vez mais comum entre pescadores conscientes, garantindo a preservação de exemplares excepcionais e a continuidade da espécie nos rios mato-grossenses.

    Especialistas recomendam que pescadores esportivos adotem práticas responsáveis, respeitando os períodos de defeso e os tamanhos mínimos estabelecidos pela legislação ambiental. Dessa forma, é possível conciliar a paixão pela pesca com a conservação dos recursos naturais.

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  • Cobertura vegetal supera meta em MT, mas falta diversidade

    Cobertura vegetal supera meta em MT, mas falta diversidade

    Após oito anos de restauração, uma área experimental da Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), já apresenta avanços relevantes. O plantio de mudas gerou cobertura do solo acima da meta estabelecida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT). No entanto, a diversidade de espécies e a densidade de regenerantes seguem abaixo dos parâmetros exigidos.

    A Sema-MT define três critérios para avaliar o sucesso da recomposição florestal. O primeiro é a cobertura do solo com copas de árvores nativas acima de dois metros, que deve ultrapassar 80%. O segundo exige, no mínimo, 3 mil indivíduos regenerantes por hectare. O terceiro exige ao menos 20 espécies diferentes entre esses regenerantes. O prazo para atingir os indicadores é de até 20 anos.

    O pesquisador Ingo Isernhagen, da Embrapa Florestas (PR), lembra que ainda restam 12 anos para o prazo final. Mesmo assim, os dados já servem de referência para possíveis intervenções. “Este é o único experimento com esse nível de monitoramento e idade em Mato Grosso. Esses parâmetros ajudam a planejar novas ações para alcançar as metas da Sema”, afirma.

    Referência para novos parâmetros ambientais

    As leis que tratam da vegetação nativa, como o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e o Decreto Estadual nº 1.491/2018, ainda são recentes. Por isso, a Sema-MT baseou seus critérios em estudos limitados, alguns fora do bioma local. A pesquisa da Embrapa pode ajudar a aperfeiçoar os parâmetros de avaliação.

    “Nosso estudo se soma aos relatórios que a Sema já recebe. É mais um elemento de análise em um ambiente controlado. Os resultados podem indicar ajustes necessários agora ou nos próximos anos”, sugere Isernhagen.

    Como o experimento foi feito

    Foto: Divulgação – Embrapa Agrossilvipastoril / Gabriel Faria

    A Embrapa iniciou os ensaios em 2012 para avaliar técnicas de restauração aplicáveis ao médio-norte de Mato Grosso. Os pesquisadores testaram plantio de mudas, semeadura direta e regeneração natural, com espécies nativas voltadas à produção de madeira, frutos e essências.

    Em uma das áreas, a equipe também plantou eucalipto, uma espécie exótica, permitida por lei. A ideia era gerar renda e compensar os custos da restauração. No entanto, os dados de oito anos cobriram apenas os tratamentos com mudas, conforme os parâmetros da Sema.

    Métodos para medir cobertura vegetal

    Para medir a cobertura de copas, os pesquisadores compararam cinco métodos. Um deles segue o protocolo da Sema, com observações a cada metro em uma área de 25m x 2m. Também utilizaram um densiômetro e quatro aplicativos gratuitos: GLAMA Application, Canopy Capture, Canopy App e Canopy Cover Free.

    “Os aplicativos foram sensíveis às variações de luz, como a passagem de nuvens e o movimento das copas. Isso gerou grande variação nos resultados”, explica Isernhagen. Mesmo assim, o GLAMA e o protocolo da Sema apresentaram os dados mais altos de cobertura.

    O pior desempenho foi no tratamento com eucalipto, devido ao desbaste de árvores e ao ataque de formigas que causou mortalidade de indivíduos.

    Regeneração e diversidade ainda são desafios

    A densidade de regenerantes está aquém da meta. O melhor resultado chegou a 1.083 indivíduos por hectare. O pior, 483. Em diversidade, os melhores tratamentos alcançaram dez espécies. O mais fraco registrou apenas cinco.

    Esses dados levantam a possibilidade de intervenções. Entre as ações possíveis estão podas para entrada de luz, plantio de novas mudas e novas semeaduras. “Buscamos parcerias para viabilizar insumos e mão de obra. Assim, poderemos comparar áreas com e sem intervenção ao longo do tempo”, afirma Diego Alves Antônio, analista da Embrapa.

    Segundo Isernhagen, os próximos anos trarão mudanças naturais. Árvores de ciclo curto, como embaúbas, devem morrer e abrir clareiras. A serrapilheira também vai melhorar o solo, e os animais dispersores de sementes devem circular com mais frequência.

    “Nossa meta é apoiar produtores que precisam recuperar áreas. Seja para cumprir exigências legais, seja para gerar renda com madeira, frutos e essências”, completa Isernhagen.

    Mais indicadores em análise

    Além dos três critérios da Sema, os pesquisadores também avaliam o transporte de carbono no solo. A UFMT iniciará um estudo sobre o estoque de carbono na biomassa das árvores plantadas.

    Rede amplia a restauração produtiva

    Foto: Divulgação – Embrapa Agrossilvipastoril / Gabriel Faria

    A Embrapa atua há décadas na restauração de áreas degradadas. Em 2024, passou a integrar o programa federal Florestas Produtivas, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Por meio de Sistemas Agroflorestais de Referência, a Embrapa Florestas propõe soluções sustentáveis e produtivas para combater a fome e o aquecimento global.

    Esses sistemas foram implantados em assentamentos no Pará e Maranhão, e devem ser adaptados a outros biomas, como Cerrado e Mata Atlântica. Uma das frentes será o resgate de projetos bem-sucedidos que foram descontinuados. O foco será combinar conservação ambiental e inclusão social, com viabilidade econômica e aplicação em larga escala.

    “Chamamos essa abordagem de restauração produtiva. Começaremos com Unidades de Referência Tecnológica no Pará, Maranhão e Mato Grosso. Usaremos tecnologias consagradas da Embrapa para restaurar áreas com foco produtivo. Isso conserva o solo, evita erosão e gera renda”, afirma Marcelo Arco-Verde, chefe-geral da Embrapa Florestas.

    Rede RestauraBio amplia articulação

    A Embrapa também criou, há menos de um ano, a rede colaborativa RestauraBio. A iniciativa mapeia projetos antigos e estrutura novas ações, como as URTs. “A rede integra iniciativas como Florestas Produtivas e evita a fragmentação do conhecimento. Sua governança está sendo construída, mas o papel é estratégico”, finaliza Arco-Verde.

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  • Guia turístico é gravado fazendo “carinho” em jacaré no Pantanal

    Guia turístico é gravado fazendo “carinho” em jacaré no Pantanal

    Um guia turístico foi flagrado fazendo “carinho” em um jacaré em uma pousada na cidade de Poconé, Pantanal de Mato Grosso. A cena, registrada em vídeo, mostra o homem passando a mão pelo corpo do animal, que permanece imóvel. Especialistas alertam sobre os riscos dessa interação, pois jacarés são predadores selvagens e podem reagir imprevisivelmente.

     

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    A prática, sem licença ambiental, é considerada crime e pode causar estresse ao animal. Portanto, é crucial manter distância desses répteis, evitando contatos diretos que podem ser perigosos tanto para humanos quanto para os animais.

    Ou seja, a interação pode alterar o comportamento natural dos jacarés, o que é prejudicial para a conservação da espécie. Assim, é importante respeitar a natureza e seguir as orientações de profissionais qualificados para garantir a segurança de todos os envolvidos.

    Jacarés e o Pantanal

    O Pantanal, a maior planície alagada do mundo, abriga uma diversidade impressionante de vida selvagem, com destaque para o jacaré-do-pantanal (Caiman yacare). Essa espécie, encontrada desde o norte da Argentina até o sul da Bolívia e no Centro-Oeste do Brasil, é fundamental para o equilíbrio do ecossistema pantaneiro.

    Além disso, pesquisadores recentemente avistaram o jacaré-anão, a menor espécie de jacaré do mundo, em áreas alagadas do Pantanal, evidenciando a rica biodiversidade da região.

    Os jacarés-do-pantanal são semiaquáticos, habitando áreas alagadas, rios e lagoas, onde se alimentam de peixes, moluscos e crustáceos. Sua presença é crucial para o controle biológico de outras espécies, ajudando a manter o equilíbrio do ecossistema.

    Apesar das ameaças no passado, esforços de conservação estabilizaram a população desses jacarés. No entanto, desafios como a caça ilegal e o comércio de carne ainda representam ameaças para a espécie. Portanto, é essencial continuar protegendo esses animais e seu habitat para garantir a saúde do Pantanal.

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  • Governo de MT vai recorrer de decisão do STF sobre a moratória da soja

    Governo de MT vai recorrer de decisão do STF sobre a moratória da soja

    O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, anunciou que vai recorrer da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que suspendeu a Lei Estadual 12.709/2024. Confira a decisão aqui. A norma, sancionada em outubro, proíbe a concessão de incentivos fiscais a empresas que aderem à moratória da soja. A decisão cautelar foi emitida nesta quinta-feira (26).

    Governo de MT

    “Nossa lei impede incentivos fiscais para empresas que criam exigências além do Código Florestal Brasileiro. Se houver erros, vamos corrigir, mas, inicialmente, vamos recorrer para eliminar essas restrições ilegais ao agronegócio mato-grossense”, afirmou Mendes.

    Em resumo, a legislação aprovada pela Assembleia Legislativa define critérios claros para concessão de benefícios fiscais. Ou seja, na prática, veta vantagens para empresas que participam da moratória da soja.

    Mauro Mendes destacou que não aceitará exigências fora do Código Florestal. “Nenhuma empresa, nacional ou multinacional, pode impor condições além das leis brasileiras. O Código Florestal já é um dos mais rígidos do mundo”, disse o governador.

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    A moratória da soja, criada em 2006, impede a compra de grãos produzidos em áreas desmatadas da Amazônia, mesmo que dentro da legalidade. O Código Florestal determina a preservação de 80% das áreas e autoriza o uso de apenas 20%.

    A lei estadual proíbe benefícios fiscais e concessões de terrenos públicos a empresas que adotem compromissos que restrinjam a expansão agropecuária em áreas permitidas por lei. O descumprimento prevê a revogação imediata dos incentivos fiscais, anulação da concessão de terrenos e devolução dos benefícios recebidos irregularmente.

     

  • Descubra quais são os municípios mais ricos do agro brasileiro

    Descubra quais são os municípios mais ricos do agro brasileiro

    A produção agrícola brasileira continua impulsionando a economia, com destaque para os municípios de Sorriso (MT) e São Desidério (BA), que lideram o ranking dos 100 municípios mais ricos do agronegócio em 2023. A lista foi divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Política Agrícola, com base na Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do IBGE.

    Em 2023, o valor total da produção agrícola no Brasil alcançou R$ 814,5 bilhões, dos quais R$ 260 bilhões, ou 31,9%, vieram dos 100 municípios mais produtivos. Essa elite agrícola está distribuída por 14 estados, entre eles Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, com uma concentração expressiva na região Centro-Oeste.

    O estado de Mato Grosso se destaca, abrigando 36 dos municípios mais produtivos do país, com Sorriso no topo da lista, alcançando R$ 8,3 bilhões em valor de produção. Em segundo lugar está São Desidério, na Bahia, com uma produção de R$ 7,8 bilhões.

    Municípios mais ricos do agronegócio em 2023- Divulgação: MAPA

    Esses 100 municípios ocupam uma área colhida de 33,1 milhões de hectares, o equivalente a 34,5% da área total cultivada no Brasil, que é de 95,8 milhões de hectares. A pesquisa considerou 70 diferentes produtos das lavouras temporárias e permanentes, espalhados por 5.563 municípios brasileiros.

    Entre os produtos de maior destaque, a soja se consolidou como o principal, representando R$ 348,6 bilhões (42,8% do valor total da produção agrícola). O milho também registrou um desempenho expressivo, gerando R$ 101,8 bilhões, seguido pela cana-de-açúcar, com R$ 101,9 bilhões. Outros produtos, como algodão, café e laranja, reforçam a diversidade do agronegócio brasileiro.

    Em algumas culturas específicas, certos municípios têm participação expressiva na produção nacional. Sapezal (MT) e São Desidério (BA) respondem por mais de 30% da produção de algodão do país, enquanto Santa Vitória do Palmar (RS) se destaca na produção de arroz, com 5,6% do total nacional.

    Confira o top 10 municípios mais ricos do agronegócio em 2023:

    • Sorriso (MT)
    • São Desidério (BA)
    • Sapezal (MT)
    • Campo Novo do Parecis (MT)
    • Rio Verde (GO)
    • Diamantino (MT)
    • Formosa do Rio Preto (BA)
    • Nova Ubiratã (MT)
    • Nova Mutum (MT)
    • Jataí (GO)

    Com esse desempenho, o agronegócio brasileiro segue como um dos principais motores da economia, consolidando a liderança de municípios que impulsionam o crescimento do setor.