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  • Mosca-dos-estábulos ataca no Brasil e mosca carnívora preocupa autoridades nos EUA

    Mosca-dos-estábulos ataca no Brasil e mosca carnívora preocupa autoridades nos EUA

    O verão brasileiro traz condições ideais para a multiplicação da mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), uma praga hematófaga que compromete a produção pecuária nacional. O inseto, similar à mosca doméstica, se diferencia pelo comportamento agressivo e pelas picadas dolorosas que aplica nos animais para se alimentar de sangue.

    Gibrann Frederiko, médico veterinário, explica que o calor e a alta umidade da primavera e do verão aceleram o desenvolvimento das larvas em materiais orgânicos decompostos, como esterco e restos de alimentos.

    A mosca-dos-estábulos ataca principalmente bovinos, equinos e suínos, causando redução no desempenho produtivo, estresse nos animais e transmissão de agentes patogênicos como o Trypanosoma evansi. A praga também eleva os custos com tratamentos e manejo nas propriedades rurais.

    Sinais de infestação exigem atenção dos produtores

    Frederiko aponta comportamentos que indicam a presença da praga: os animais balançam a cauda constantemente, movimentam as patas de forma agitada, sacodem a cabeça ou se esfregam com frequência. A infestação também provoca diminuição no consumo de alimentos, perda de peso, lesões cutâneas nas áreas de picadas e, em casos graves, anemia e deterioração do estado geral.

    O impacto econômico atinge a produção de leite, o ganho de peso dos animais e a reprodução, especialmente em bovinos e equinos. Os custos aumentam com tratamentos, mão de obra adicional e controle químico.

    O especialista identifica erros comuns de manejo que favorecem a multiplicação das moscas: acúmulo de esterco ou restos de ração próximos aos animais, falta de limpeza adequada em estábulos e currais, e descarte incorreto de resíduos orgânicos como palha contaminada.

    Controle integrado substitui uso isolado de inseticidas nas propriedades

    O controle químico, embora comum, não resolve o problema de forma isolada. Frederiko destaca três desafios principais: a resistência dos insetos ao uso frequente e inadequado de produtos químicos, os impactos ambientais e riscos à saúde humana e animal, e a curta eficácia dos tratamentos diante da reprodução rápida dos insetos.

    “O manejo preventivo e contínuo representa o caminho mais eficaz para evitar prejuízos econômicos e garantir a saúde dos animais. Ações simples, aliadas às tecnologias disponíveis, criam um ambiente mais saudável e produtivo”, afirma o veterinário.

    O sistema integrado de controle combina medidas preventivas, químicas e biológicas. A rotina inclui limpeza diária de currais e remoção correta dos resíduos, uso de armadilhas e controle biológico com predadores e parasitoides de ovos e larvas, e aplicação racional de inseticidas com rodízio de princípios ativos para evitar resistência.

    Frederiko relaciona as soluções mais inovadoras disponíveis: inseticidas biológicos à base de bactérias como Bacillus thuringiensis, armadilhas inteligentes e dispositivos automáticos que liberam inseticidas em horários programados, e uso de drones e sensores para monitoramento de infestações.

    Mosca carnívora mobiliza cientistas nos EUA para evitar nova infestação

    Pesquisadores da University of California iniciaram uma estratégia preventiva para evitar o retorno da mosca-da-bicheira americana ao estado. A espécie já causou prejuízos devastadores ao gado no passado, e a campanha atual busca detectar o inseto antes de uma nova infestação se estabelecer.

    Foto: USDA

    A mosca-da-bicheira americana representa a forma larval de uma varejeira metálica chamada Cochliomyia hominivorax. A espécie se alimenta de carne viva e deposita ovos em feridas abertas de animais e humanos, um comportamento que exigiu ações de erradicação no século passado.

    “Nem todas as varejeiras são dessa espécie. Não precisamos ter medo de todas as moscas. Mas essa espécie em particular não é uma que queremos aqui”, afirma Amy Murillo, professora assistente de entomologia, segundo comunicado da UCR.

    Armadilhas inteligentes monitoram fronteira para evitar propagação

    O governo estadual investiu US$ 507 mil no projeto. O sistema utiliza armadilhas com atrativo desenvolvido pelo USDA que simula o cheiro de carne em decomposição. A equipe analisa os insetos capturados para identificar sinais da espécie invasora.

    “Ela ainda não foi encontrada na Califórnia, mas está a cerca de 70 milhas da fronteira do Texas”, alerta Murillo em nota da University of California, Riverside.

    A espécie deposita ovos em feridas e provoca infecções graves. A ameaça atinge principalmente animais de criação, pois ferimentos comuns em fazendas, como cortes de arame farpado, funcionam como portas de entrada para a infestação.

    “A maioria das pessoas pensa em citros ou abacates como nossos principais produtos, mas, na verdade, os laticínios lideram nossa economia agrícola”, destaca a nota da UCR.

    Campanha de conscientização prepara profissionais para reconhecer primeiros sinais

    A universidade também lançou uma campanha de informação direcionada a veterinários, pecuaristas e especialistas. A iniciativa busca garantir que os primeiros sinais sejam reconhecidos rapidamente.

    Murillo esclarece que nem todas as varejeiras representam ameaça. “Muitas são benéficas”, afirmam os pesquisadores no comunicado oficial. Embora a mosca possa atingir humanos, os especialistas apontam que a ameaça maior recai sobre o gado.

    “A espécie precisa de uma abertura na carne, e ela não precisa ser grande. O inseto não faz a ferida, mas a explora”, explica o comunicado da UCR. Murillo evita criar alarme desnecessário: “Você não precisa se preocupar que eles vão começar a comer sua carne”.

    O comunicado da University of California, Riverside reforça que o foco está em estimular a vigilância sem gerar pânico. A universidade destaca que a técnica do inseto estéril continua sendo o método mais eficaz caso ocorra um surto, estratégia que funcionou no passado e pode ser aplicada novamente.