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  • Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Parasita que devora animais vivos faz EUA investirem milhões

    Uma das pragas mais temidas da pecuária voltou ao centro das atenções nos Estados Unidos. O governo americano anunciou um novo pacote de investimentos para impedir o avanço da mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo, inseto capaz de provocar ferimentos graves e até matar animais quando o tratamento não ocorre a tempo.

    Desta vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) destinou US$ 25 milhões para construir uma unidade de distribuição de moscas estéreis em Douglas, no Arizona. A medida fortalece a barreira sanitária na fronteira com o México e amplia a capacidade de resposta diante da ameaça.

    Como a mosca-da-bicheira ameaça os rebanhos

    O perigo não está na mosca adulta, mas nas larvas.

    As fêmeas procuram feridas abertas em bovinos, ovinos, caprinos, equinos e outros animais de sangue quente. Em seguida, depositam os ovos sobre esses machucados.

    Pouco tempo depois, as larvas eclodem e passam a consumir tecido vivo. Como consequência, a lesão aumenta rapidamente e favorece infecções secundárias.

    Sem tratamento imediato, o quadro se agrava. Além de perder peso, o animal sofre intenso estresse e pode morrer nos casos mais graves.

    Embora a pecuária concentre a maior parte dos prejuízos, o parasita também pode atingir animais silvestres, cães, gatos e, em situações raras, seres humanos.

    Técnica reduz a população do inseto

    Em vez de depender apenas de produtos químicos, os Estados Unidos apostam em uma estratégia biológica desenvolvida há décadas.

    O método consiste na criação de milhões de machos estéreis em laboratório.

    Depois disso, equipes especializadas liberam esses insetos nas áreas de risco.

    Ao cruzarem com as fêmeas selvagens, eles impedem o nascimento de novas gerações. Assim, a população da praga diminui gradualmente até desaparecer em determinadas regiões.

    Por isso, especialistas consideram essa tecnologia uma das ferramentas mais eficientes já utilizadas no controle da mosca-da-bicheira.

    Nova estrutura amplia a defesa na fronteira

    O novo centro funcionará em Douglas, cidade localizada na divisa entre os Estados Unidos e o México.

    A escolha não ocorreu por acaso. A região representa uma das principais portas de entrada para animais provenientes do território mexicano.

    Com a nova unidade, o USDA espera acelerar a distribuição das moscas estéreis sempre que surgirem focos da praga.

    Ao mesmo tempo, o governo mantém outro projeto estratégico em andamento: a construção de uma fábrica de grande porte no Texas, responsável pela produção em larga escala desses insetos.

    Juntas, as duas estruturas deverão ampliar significativamente a capacidade de resposta das autoridades sanitárias.

    Avanço da praga elevou o nível de alerta

    Foto: USDA

    Nos últimos meses, a identificação de novos focos na América Central e no México aumentou a preocupação do setor pecuário americano.

    Diante desse cenário, o USDA endureceu temporariamente as regras para a entrada de bovinos mexicanos.

    Agora, entretanto, o governo iniciou uma reabertura gradual das importações.

    Douglas será o primeiro ponto autorizado a receber animais novamente. Ainda assim, cada etapa dependerá do cumprimento rigoroso das medidas sanitárias estabelecidas pelas autoridades americanas.

    Restrição também afetou o mercado

    As limitações impostas às importações reduziram a oferta de bovinos para frigoríficos dos Estados Unidos.

    Como resultado, os preços da carne permaneceram elevados durante vários meses.

    Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que reforçar o controle sanitário continua sendo mais vantajoso do que enfrentar uma disseminação ampla da praga em regiões produtoras.

    Segundo eles, um surto de grandes proporções poderia provocar prejuízos muito superiores aos impactos temporários sobre o mercado.

    Brasil também acompanha a situação

    Embora o investimento tenha como foco o território americano, o assunto interessa diretamente aos pecuaristas brasileiros.

    A mosca-da-bicheira ocorre em diversos países das Américas e exige monitoramento permanente das propriedades rurais.

    Por isso, veterinários orientam os produtores a examinarem qualquer ferida identificada nos animais.

    Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores serão as chances de recuperação e menores tendem a ser os prejuízos econômicos.

    Além disso, boas práticas de manejo, inspeções frequentes e programas de vigilância sanitária continuam sendo fundamentais para preservar a saúde dos rebanhos e garantir a competitividade da pecuária no mercado internacional.

  • Praga reaparece nos EUA após 60 anos e ameaça pecuária do Texas

    Praga reaparece nos EUA após 60 anos e ameaça pecuária do Texas

    Autoridades americanas confirmaram o primeiro caso do verme da bicheira do Novo Mundo (screwworm) em solo americano em seis décadas. O diagnóstico positivo veio de uma amostra colhida em um bezerro de três semanas de idade em La Pryor, no condado de Zavala, próximo à fronteira com o México. A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, anunciou o caso durante coletiva de imprensa em 3 de junho.

    A mosca, que deposita seus ovos em ferimentos abertos de animais vivos, representa uma ameaça direta à indústria pecuária do Texas, avaliada em cerca de US$ 15 bilhões por ano. Até o momento, as autoridades não registraram novos casos, mas o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já mobilizou equipes em campo e trabalha em conjunto com parceiros locais para conter um possível avanço da praga.

    O órgão reforçou que a bicheira não contamina carne, frutas ou vegetais e não deve afetar diretamente a cadeia de abastecimento de alimentos. Ainda assim, estimativas do próprio USDA apontam que um surto pode gerar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão apenas no Texas, pressionando ainda mais os preços da carne bovina, que já operam em patamares recordes.

    O que é o verme da bicheira?

    O verme da bicheira do Novo Mundo pertence a uma espécie de mosca varejeira que se diferencia das demais por depositar ovos em tecido vivo, e não em matéria em decomposição. Pequenos ferimentos, como picadas de carrapato, já atraem as fêmeas, que podem depositar entre 200 e 300 ovos por vez. E até 3 mil ao longo de uma vida que dura entre 10 e 30 dias.

    As bicheiras do Novo Mundo são a forma larval carnívora de Cochliomyia hominivorax, uma espécie de mosca varejeira — Foto: Michael Miller/Texas A&M

    Após a eclosão, as larvas penetram na ferida e se alimentam da carne viva do hospedeiro. No estágio final de desenvolvimento, elas formam estruturas semelhantes a ganchos e se aprofundam ainda mais no tecido, o que originou o nome “screwworm” (verme parafuso, em tradução livre). Depois de cerca de sete dias se alimentando, as larvas caem no solo, se enterram e emergem como moscas adultas, reiniciando o ciclo.

    Infestações múltiplas costumam ocorrer na mesma ferida, com larvas em diferentes estágios de desenvolvimento, o que acelera a destruição dos tecidos.

    Historicamente, a praga concentrava sua presença na América do Sul e em partes do Caribe. Desde 2023, porém, ela vem avançando para o norte, atravessando a América Central até chegar ao México, movimento que levou as autoridades a intensificar o monitoramento a partir do ano seguinte.

    A praga pode infectar humanos e animais domésticos?

    A maior parte dos casos atinge mamíferos como bovinos, animais domésticos e fauna silvestre, mas humanos também podem ser infectados.

    Cães e gatos apresentam vulnerabilidade especial, já que pequenos ferimentos já são suficientes para atrair as moscas. O Texas Farm Bureau recomenda que tutores inspecionem os animais diariamente, com atenção redobrada a áreas com picadas antigas, mau cheiro, lesões visíveis ou sinais de larvas. A entidade também orienta que os tutores avaliem o ambiente onde os pets circulam, evitando objetos que possam causar ferimentos, como cercas de arame ou vegetação cortante. Sem tratamento, a infestação pode matar o animal rapidamente.

    Em humanos, os casos permanecem raros e costumam estar associados a viagens para regiões onde a praga é comum, como América do Sul, Cuba, Haiti e República Dominicana. Pequenos ferimentos, picadas de insetos e até incisões cirúrgicas podem servir de porta de entrada, e a infestação também pode atingir nariz, boca e olhos. Entre os sinais estão feridas que não cicatrizam, dor, sangramento e, em alguns casos, a sensação de movimento causada pela presença das larvas. A prevenção passa por manter feridas limpas e cobertas e usar roupas que protejam a pele.

    Por que a bicheira preocupa tanto o setor pecuário?

    A presença do verme em um animal provoca danos severos, já que o ciclo contínuo de deposição de ovos amplia progressivamente a ferida e pode levar o animal à morte. Mesmo quando o animal sobrevive, a infestação costuma deixar prejuízos significativos à saúde e ao couro.

    vaca leiteira

    Os bovinos enfrentam risco particularmente alto, pois não conseguem proteger feridas abertas e seu porte físico permite o surgimento de múltiplos focos de infestação simultâneos.

    Embora os Estados Unidos tenham erradicado a praga na década de 1960, um ressurgimento entre 1972 e 1976 afetou dezenas de milhares de animais em seis estados e gerou custos milionários ao setor. Produtores americanos não enfrentam essa praga há mais de 40 anos, fator que aumenta a vulnerabilidade atual do setor. O Texas, maior produtor de bovinos do país, movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano com a atividade.

    Como a praga chegou até o Texas?

    A disseminação pela América Central ocorreu de forma rápida, avançando centenas de quilômetros em poucas semanas. Especialistas acreditam que esse deslocamento não se deu apenas por vias naturais, mas também por meio do transporte de animais já infestados. Uma hipótese reforçada pelo fato de a praga não tolerar bem climas muito secos, quentes ou frios por longos períodos.

    Após a confirmação de casos no México em novembro de 2024, os Estados Unidos chegaram a fechar a importação de gado vivo pela fronteira sul, medida que também impactou a oferta no Texas. As restrições passaram por ajustes ao longo de 2025. Até o momento, as autoridades ainda não determinaram exatamente como a infestação chegou ao sul do estado.

    Quais medidas as autoridades estão adotando?

    O governo federal já investiu US$ 100 milhões em pesquisas, armadilhas e reforço da vigilância na fronteira. A principal estratégia de combate continua sendo a técnica do inseto estéril: machos esterilizados são liberados no ambiente para cruzar com fêmeas, gerando ovos inviáveis e reduzindo gradualmente a população da praga. O método já provou eficácia ao longo de décadas, com base operacional no Panamá.

    Novas instalações estão em implementação no México e no Texas, incluindo centros de dispersão de moscas estéreis. As autoridades também estabeleceram uma zona de quarentena e intensificaram a vigilância, com monitoramento que inclui a fauna silvestre. Produtos veterinários emergenciais já foram autorizados para tratamento em diversas espécies.

    Quais sinais os produtores devem observar?

    Especialistas recomendam monitoramento constante dos animais. Entre os principais sinais de alerta estão:

    • Feridas com mau cheiro e presença de larvas
    • Animais lambendo ou mordendo ferimentos com insistência
    • Lesões visíveis e comportamento anormal, como agitação ou apatia

    As larvas podem ser identificadas por pequenos espinhos ao redor do corpo. O tratamento envolve a remoção manual das larvas, limpeza da ferida e uso de produtos prescritos por veterinários. Atualmente há 12 produtos aprovados nos EUA para esse fim, embora ainda não exista ração medicamentosa disponível no mercado.

    Produtores devem comunicar casos suspeitos a veterinários ou autoridades sanitárias imediatamente. Segundo o USDA, o controle da praga é possível com cooperação do setor e cumprimento rigoroso das medidas sanitárias, evitando que a bicheira volte a se estabelecer no país.

  • Mosca-dos-estábulos ataca no Brasil e mosca carnívora preocupa autoridades nos EUA

    Mosca-dos-estábulos ataca no Brasil e mosca carnívora preocupa autoridades nos EUA

    O verão brasileiro traz condições ideais para a multiplicação da mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), uma praga hematófaga que compromete a produção pecuária nacional. O inseto, similar à mosca doméstica, se diferencia pelo comportamento agressivo e pelas picadas dolorosas que aplica nos animais para se alimentar de sangue.

    Gibrann Frederiko, médico veterinário, explica que o calor e a alta umidade da primavera e do verão aceleram o desenvolvimento das larvas em materiais orgânicos decompostos, como esterco e restos de alimentos.

    A mosca-dos-estábulos ataca principalmente bovinos, equinos e suínos, causando redução no desempenho produtivo, estresse nos animais e transmissão de agentes patogênicos como o Trypanosoma evansi. A praga também eleva os custos com tratamentos e manejo nas propriedades rurais.

    Sinais de infestação exigem atenção dos produtores

    Frederiko aponta comportamentos que indicam a presença da praga: os animais balançam a cauda constantemente, movimentam as patas de forma agitada, sacodem a cabeça ou se esfregam com frequência. A infestação também provoca diminuição no consumo de alimentos, perda de peso, lesões cutâneas nas áreas de picadas e, em casos graves, anemia e deterioração do estado geral.

    O impacto econômico atinge a produção de leite, o ganho de peso dos animais e a reprodução, especialmente em bovinos e equinos. Os custos aumentam com tratamentos, mão de obra adicional e controle químico.

    O especialista identifica erros comuns de manejo que favorecem a multiplicação das moscas: acúmulo de esterco ou restos de ração próximos aos animais, falta de limpeza adequada em estábulos e currais, e descarte incorreto de resíduos orgânicos como palha contaminada.

    Controle integrado substitui uso isolado de inseticidas nas propriedades

    O controle químico, embora comum, não resolve o problema de forma isolada. Frederiko destaca três desafios principais: a resistência dos insetos ao uso frequente e inadequado de produtos químicos, os impactos ambientais e riscos à saúde humana e animal, e a curta eficácia dos tratamentos diante da reprodução rápida dos insetos.

    “O manejo preventivo e contínuo representa o caminho mais eficaz para evitar prejuízos econômicos e garantir a saúde dos animais. Ações simples, aliadas às tecnologias disponíveis, criam um ambiente mais saudável e produtivo”, afirma o veterinário.

    O sistema integrado de controle combina medidas preventivas, químicas e biológicas. A rotina inclui limpeza diária de currais e remoção correta dos resíduos, uso de armadilhas e controle biológico com predadores e parasitoides de ovos e larvas, e aplicação racional de inseticidas com rodízio de princípios ativos para evitar resistência.

    Frederiko relaciona as soluções mais inovadoras disponíveis: inseticidas biológicos à base de bactérias como Bacillus thuringiensis, armadilhas inteligentes e dispositivos automáticos que liberam inseticidas em horários programados, e uso de drones e sensores para monitoramento de infestações.

    Mosca carnívora mobiliza cientistas nos EUA para evitar nova infestação

    Pesquisadores da University of California iniciaram uma estratégia preventiva para evitar o retorno da mosca-da-bicheira americana ao estado. A espécie já causou prejuízos devastadores ao gado no passado, e a campanha atual busca detectar o inseto antes de uma nova infestação se estabelecer.

    Foto: USDA

    A mosca-da-bicheira americana representa a forma larval de uma varejeira metálica chamada Cochliomyia hominivorax. A espécie se alimenta de carne viva e deposita ovos em feridas abertas de animais e humanos, um comportamento que exigiu ações de erradicação no século passado.

    “Nem todas as varejeiras são dessa espécie. Não precisamos ter medo de todas as moscas. Mas essa espécie em particular não é uma que queremos aqui”, afirma Amy Murillo, professora assistente de entomologia, segundo comunicado da UCR.

    Armadilhas inteligentes monitoram fronteira para evitar propagação

    O governo estadual investiu US$ 507 mil no projeto. O sistema utiliza armadilhas com atrativo desenvolvido pelo USDA que simula o cheiro de carne em decomposição. A equipe analisa os insetos capturados para identificar sinais da espécie invasora.

    “Ela ainda não foi encontrada na Califórnia, mas está a cerca de 70 milhas da fronteira do Texas”, alerta Murillo em nota da University of California, Riverside.

    A espécie deposita ovos em feridas e provoca infecções graves. A ameaça atinge principalmente animais de criação, pois ferimentos comuns em fazendas, como cortes de arame farpado, funcionam como portas de entrada para a infestação.

    “A maioria das pessoas pensa em citros ou abacates como nossos principais produtos, mas, na verdade, os laticínios lideram nossa economia agrícola”, destaca a nota da UCR.

    Campanha de conscientização prepara profissionais para reconhecer primeiros sinais

    A universidade também lançou uma campanha de informação direcionada a veterinários, pecuaristas e especialistas. A iniciativa busca garantir que os primeiros sinais sejam reconhecidos rapidamente.

    Murillo esclarece que nem todas as varejeiras representam ameaça. “Muitas são benéficas”, afirmam os pesquisadores no comunicado oficial. Embora a mosca possa atingir humanos, os especialistas apontam que a ameaça maior recai sobre o gado.

    “A espécie precisa de uma abertura na carne, e ela não precisa ser grande. O inseto não faz a ferida, mas a explora”, explica o comunicado da UCR. Murillo evita criar alarme desnecessário: “Você não precisa se preocupar que eles vão começar a comer sua carne”.

    O comunicado da University of California, Riverside reforça que o foco está em estimular a vigilância sem gerar pânico. A universidade destaca que a técnica do inseto estéril continua sendo o método mais eficaz caso ocorra um surto, estratégia que funcionou no passado e pode ser aplicada novamente.