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  • Cientistas usam veneno de rã brasileira para conservar morango por mais tempo

    Cientistas usam veneno de rã brasileira para conservar morango por mais tempo

    Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram que um peptídeo extraído da pele de uma rã do Cerrado brasileiro consegue aumentar significativamente a vida de prateleira do morango.

    O estudo, conduzido no Laboratório de Equipamentos Multiusuários da Faculdade de Engenharia e Ciências (Lemu-FCE) da Unesp-Tupã e financiado pela FAPESP, comprovou que apenas cinco minutos de contato entre a fruta e a molécula bastam para preservar suas características por dias.

    Cinco minutos de imersão prolongam o frescor da fruta

    A equipe mergulhou morangos da variedade Oso Grande em uma solução contendo o peptídeo Ctx(Ile21)-Ha por apenas cinco minutos. O experimento surpreendeu os próprios cientistas: a molécula manteve as características da fruta madura por até cinco dias, um período considerado longo para um produto tão perecível.

    “Somente o peptídeo, sem nenhum outro tipo de componente, manteve as características da fruta madura após cinco dias, o que, para um morango, é um tempo longo de armazenamento. Não esperávamos tanto”, afirma Eduardo Festozo Vicente, coordenador do laboratório onde o estudo foi realizado.

    Foto: Arquivo Agro em Campo

    Vicente estuda essa molécula há quase 20 anos, desde o mestrado. Peptídeos são moléculas semelhantes a proteínas, porém menores e mais simples, que desempenham diversas funções biológicas, entre elas, ação antimicrobiana.

    Molécula preserva sabor e composição química do morango

    Publicado na revista científica Applied Food Research, o estudo analisou os parâmetros físico-químicos da fruta tratada com o peptídeo. Os pesquisadores constataram que o tratamento não alterou o sabor do morango nem comprometeu de forma significativa os compostos fenólicos e os sólidos solúveis totais. Indicadores que revelam se a composição química da fruta permanece estável.

    “O estudo mostra que o peptídeo retarda [a degradação natural do morango], aumentando relativamente a vida de prateleira e mantendo as características físico-químicas da fruta. A análise mostrou que os sólidos solúveis, que são os açúcares altamente degradáveis por microrganismos, permaneceram nas frutas que tiveram contato com o peptídeo. A textura também se manteve preservada”, explica Vicente.

    Segundo o pesquisador, o grupo ainda não realizou testes microbiológicos para confirmar a ação antimicrobiana da molécula sobre o morango. Mas já formula uma hipótese para investigações futuras: a possível redução de microrganismos causada pelo peptídeo.

    Como funcionou o experimento

    Os cientistas solubilizaram o peptídeo em água em três concentrações diferentes e submergiram 300 gramas de morango em cada solução por cinco minutos. Um grupo-controle recebeu apenas água, para efeito de comparação.

    Depois de secar as frutas, a equipe as armazenou em bandejas de PET sanitizadas com etanol, cobertas com papel-filme, a 5°C, dentro de uma incubadora com controle preciso de temperatura, reproduzindo o processo que um vendedor de morangos realizaria ao guardar o produto na geladeira.

    As amostras permaneceram na incubadora por seis dias. Os pesquisadores avaliaram parâmetros físico-químicos (pH, sólidos solúveis, textura e taxa respiratória) e bioquímicos (ácido ascórbico, fenóis totais, açúcares e atividade enzimática) nos dias 0, 1, 2, 3, 4 e 5, sempre em triplicata, método que reduz a variabilidade e o grau de erro dos resultados.

    Rã brasileira produz arsenal químico de defesa

    A equipe da professora Mariana de Souza Castro, da Universidade de Brasília (UnB), isolou e extraiu o peptídeo Ctx(Ile21)-Ha em 2006 a partir da pele de uma rã do Cerrado (Boana albopunctata). Assim, segundo Vicente, essa substância integra o sistema de defesa do anfíbio.

    “Essa substância faz parte de uma gama de defesas do anfíbio. Como ele tem uma respiração cutânea, possui um arsenal de moléculas que formam um sistema defensivo eficiente, pois está em contato direto com os patógenos do ambiente”, descreve o pesquisador.

    rã do cerrado
    Foto: Fundação Grupo Boticário

    Inicialmente, o grupo pretendia aplicar o peptídeo como aditivo zootécnico, substituindo antibióticos convencionais na nutrição animal. Uma alternativa relevante diante do avanço da resistência antimicrobiana. O projeto avançou em três frentes: os estudos biofísicos da molécula, a aplicação em nutrição animal (incluindo ruminantes, gado leiteiro, aves poedeiras, frangos de corte e suínos) e, por fim, o uso em alimentos para aumentar sua vida útil.

    FAPESP financia síntese de alta pureza

    Vicente destaca o papel da FAPESP no avanço da pesquisa, inclusive na obtenção do peptídeo. A Fundação apoiou o trabalho por meio de três projetos (21/06706-9, 19/07438-8 e 16/00446-7).

    “Somos um dos poucos laboratórios do Brasil em que se consegue sintetizar, purificar e caracterizar esse peptídeo e qualquer outro de interesse biológico”, afirma o pesquisador. A equipe atingiu grau de pureza superior a 95% na síntese da molécula, composta por aminoácidos. E garante que ela pode ser ingerida com segurança, já que o estômago a degrada normalmente, como ocorre com qualquer derivado de proteína.

    “Claro, estamos ainda em uma prova de conceito, inclusive para uso como aditivo para alimentação animal. Mas sabemos agora que o peptídeo tem um grande potencial para ser usado como tratamento pós-colheita em frutas altamente perecíveis, como o morango”, completa Vicente.

    Grupo já busca patentes e produção em larga escala

    O Ctx(Ile21)-Ha ainda não possui regulamentação de uso no Brasil. Mas Vicente acredita que a aprovação não deve enfrentar grandes obstáculos, já que outros peptídeos comerciais já circulam legalmente no país. O grupo já protocolou um pedido de patente para uso em aves poedeiras e prepara outro para aplicação em ruminantes.

    Os próximos passos da pesquisa incluem os testes microbiológicos ainda pendentes e a produção do peptídeo em larga escala, utilizando modelos já consolidados na literatura científica, como leveduras. A equipe também planeja desenvolver um filme comestível para envolver frutas com casca, já que a legislação brasileira proíbe o uso de películas comestíveis em frutas consumidas sem casca.

    A Instrução Normativa nº 211/2023 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regula os limites máximos e as condições de uso de aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados no país.

    Karina Ninni | Agência FAPESP

  • Lua Cheia de junho: entenda a origem do nome “Lua de Morango”

    Lua Cheia de junho: entenda a origem do nome “Lua de Morango”

    A Lua Cheia de junho ganhou um nome chamativo, mas a denominação não tem relação com a aparência do satélite natural. Nesta segunda-feira (29), o fenômeno conhecido como Lua de Morango atingiu sua fase máxima às 20h56 (horário de Brasília), com o disco lunar 100% iluminado. E sem qualquer tonalidade rosada ou avermelhada.

    O termo remete a tradições de povos indígenas da América do Norte, que usavam os ciclos lunares como calendário agrícola. Esses povos associavam a Lua Cheia de junho ao período de colheita dos morangos silvestres, e o nome se popularizou com o tempo. Para a Astronomia, porém, trata-se de uma Lua Cheia comum, sem particularidades físicas que a diferenciem das demais ao longo do ano.

    Quando e como observar o fenômeno

    O melhor momento para acompanhar a Lua de Morango não é necessariamente o horário exato da fase Cheia, mas sim o instante em que ela nasce no horizonte leste, pouco depois do pôr do Sol.

    Nesse momento, a Lua pode aparecer com tons amarelados ou alaranjados, efeito causado pela maior quantidade de atmosfera terrestre atravessada pela luz nesse ângulo. Ela também tende a parecer maior do que realmente é, fenômeno conhecido como Ilusão da Lua, uma percepção visual e não uma alteração real de tamanho.

    A Lua de Morango ocorre durante a Lua cheia deste mês e promete encantar observadores de todas as regiões do Brasil.

    Especialista recomenda observação a olho nu

    O astrônomo Marcos Calil, professor e referência em divulgação científica, destaca que o evento é uma porta de entrada acessível para o público se conectar com a Astronomia. Segundo ele, basta olhar para o horizonte leste logo após o pôr do Sol e aguardar o surgimento da Lua, que aparecerá grande e cheia, ideal para observação e até para fotos feitas com celular.

    Calil reforça que não é necessário ter telescópios ou equipamentos sofisticados para aproveitar o espetáculo. Para quem quiser se aprofundar no tema, a Urânia Planetário realiza transmissões ao vivo semanais, sempre às terças-feiras, às 19h30, em seu canal no YouTube, com orientações de observação do céu e conteúdo voltado à divulgação científica.

  • Empresa aposta em robôs e rodas gigantes para cultivar morangos

    Empresa aposta em robôs e rodas gigantes para cultivar morangos

    No interior da Inglaterra, no condado de Lincolnshire, a empresa Dyson, mais conhecida por fabricar aspiradores e ventiladores, está colhendo frutos bem diferentes. Literalmente. Em uma estufa de 10,5 hectares, o grupo britânico montou uma operação de cultivo vertical de morangos que parece saída de um filme de ficção científica.

    Lá dentro, por exemplo, rodas gigantes de 24 metros de comprimento e 5 metros de altura, cada uma com cerca de 500 quilos, giram lentamente, segurando fileiras de morangueiros. Esse movimento, por sua vez, garante luz uniforme para todas as plantas. Ao mesmo tempo, robôs percorrem os corredores: uns emitem luz UV para eliminar fungos, enquanto outros liberam insetos benéficos para combater pragas.

    Assim que o ponto ideal de maturação dos morangos é atingido, 16 braços mecânicos entram em ação e cuidam do serviço com precisão. Ao longo de apenas um mês, segundo James Dyson, os robôs conseguiram colher impressionantes 200 mil morangos, um resultado que reforça a eficiência do sistema automatizado.

    “Sou um fabricante e, portanto, suponho que, de certa forma, abordei a agricultura sob esse ponto de vista”, diz Dyson no vídeo que apresenta o projeto. “Como podemos torná-la mais eficiente? Que tecnologia podemos implementar para melhorar a qualidade, o sabor dos alimentos e o uso eficiente da terra?”

    Energia limpa, irrigação com chuva e morango o ano inteiro

    A estufa usa energia gerada por um digestor anaeróbico no próprio terreno. O equipamento transforma gases de grãos em eletricidade, aquece a estrutura com o calor excedente e ainda gera um subproduto reaproveitado como fertilizante. A equipe da Dyson coleta a água da chuva que escorre pelo telhado de 760 metros de comprimento e a utiliza para irrigar as plantas. Ao final de cada ciclo, a estufa produz cerca de 1.250 toneladas de morangos por ano. Eles são cultivados, portanto, com o mínimo de luz artificial e distribuídos localmente, o que ajuda a reduzir a pegada de carbono.

    Foto: Divulgação – Dyson

    Para Dyson, o futuro da agricultura passa por essa revolução tecnológica. “A produção sustentável de alimentos, a segurança alimentar e o meio ambiente são vitais para a saúde e a economia do país. A Dyson Farming se esforça para estar na vanguarda disso”, afirma.

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  • Gosta de morango? Preço da fruta tem queda de até 50%

    Gosta de morango? Preço da fruta tem queda de até 50%

    Nos últimos 30 dias, o preço do morango no Brasil sofreu uma queda significativa, chegando a custar até 50% menos em algumas regiões. A redução nos valores pode ser atribuída a fatores sazonais e ao aumento da oferta da fruta no mercado.

    Durante esse período, o clima favorável em regiões produtoras, como São Paulo e Minas Gerais, contribuiu para uma safra abundante de morangos. Com o aumento da produção, a oferta superou a demanda, resultando na diminuição dos preços para o consumidor final.

    Aumento da oferta

    Com o início da temporada de colheita em importantes regiões produtoras, como São Paulo e Minas Gerais, a quantidade de morangos disponível no mercado aumentou consideravelmente. Isso ocorre porque as condições climáticas favoráveis, com temperaturas amenas e chuvas regulares, propiciaram um bom desenvolvimento das plantas e uma colheita abundante.

    Para o consumidor, essa queda nos preços do morango é uma ótima notícia

    Além disso, a sazonalidade desempenha um papel importante no preço do morango. Entre os meses de julho e setembro, a produção atinge seu pico, o que naturalmente reduz os preços no mercado. Outra razão para a queda é a maior competitividade entre os produtores, que intensificam suas vendas para evitar perdas com frutas perecíveis.

    Redução dos Custos de Produção

    Além do aumento da oferta, os produtores de morango também têm enfrentado uma redução nos custos de produção. O preço dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, tem se estabilizado ou até mesmo diminuído nos últimos meses. Isso, aliado a uma melhoria na eficiência produtiva, permite que os produtores repassem parte desses ganhos aos consumidores na forma de preços mais baixos.

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    Para o consumidor, essa queda nos preços do morango é uma ótima notícia. Com valores mais acessíveis, a fruta se torna uma opção mais atrativa para incluir na dieta diária. Além disso, o morango é uma fonte rica em vitaminas, minerais e antioxidantes, contribuindo para uma alimentação saudável e equilibrada.

    Opção viável para produtor familiar

    Pesquisadores da HF Brasil destacam que o morango se apresenta como uma das poucas opções de cultivo economicamente viáveis para o agricultor familiar de pequena escala. Conforme dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2017, essa fruta é majoritariamente produzida por agricultores com propriedades menores que 10 hectares, sendo o módulo de cultivo mais comum de 0,5 a 1 hectare.

    Essa área reduzida se justifica pela alta demanda de mão de obra envolvida em todas as etapas do cultivo, desde o plantio até a colheita, o que torna a mecanização pouco expressiva. Esse cenário limita a produção em larga escala, mas, por outro lado, o cultivo de morangos permite ao agricultor agregar valor ao produto. Embora o custo de produção seja elevado, a demanda crescente pela fruta, impulsionada por suas propriedades funcionais e sabor, tem beneficiado os produtores.

    Os especialistas da HF Brasil também apontam que o ciclo prolongado da cultura, variando de um a três anos e permitindo colheitas dois meses após o plantio, gera um fluxo de caixa contínuo para o agricultor. Apesar dos altos custos, o produtor de morango tem registrado rendimentos positivos nos últimos anos, com períodos de preços baixos sendo compensados por valores mais altos dentro do mesmo ciclo. Essa lucratividade, aliada ao uso de variedades que permitem colheita ao longo de todo o ano, vem impulsionando a expansão do cultivo de morangos

    Perspectivas para o futuro é de aumento dos preço do morango

    Embora os preços atuais sejam favoráveis aos consumidores, é importante ressaltar que a tendência é de que os valores se estabilizem ou até mesmo aumentem gradualmente nos próximos meses, à medida que a safra avança. Isso se deve à redução natural da oferta e a possíveis variações climáticas que podem afetar a produção.

    Essa redução é uma boa notícia para os consumidores, que agora encontram o morango a preços mais acessíveis, possibilitando o aumento do consumo tanto da fruta in natura quanto de produtos derivados, como sucos, geleias e sobremesas.

    No entanto, é importante ficar atento às oscilações futuras, uma vez que a tendência é de uma gradual estabilização dos valores.