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  • Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Uma bactéria capaz de secar ramos, matar plantas e colapsar toda a cadeia produtiva de azeite no Brasil está no centro de uma corrida científica em Minas Gerais. A Xylella fastidiosa, responsável por devastar olivais em diversas regiões do mundo, passou a ser monitorada com tecnologia de ponta pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que combina imagens captadas por drones com dados coletados em campo para detectar a doença o mais cedo possível.

    Foto: Erasmo Pereira/Epamig

    O trabalho é conduzido em parceria entre pesquisadores do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, com base em Maria da Fé, e a equipe do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig ITAP). Já no segundo ano de avaliações, o projeto utiliza drones equipados com câmeras multiespectrais capazes de captar informações invisíveis a olho nu. Um diferencial que pode antecipar diagnósticos e salvar plantações inteiras.

    Como funciona o monitoramento

    “Fazemos o monitoramento das oliveiras tentando entender o comportamento da Xylella a partir do imageamento aéreo. As câmeras especiais dos drones nos possibilitam enxergar informações além das visíveis a olho nu”, explica o pesquisador Charles Santana, da Epamig ITAP.

    Drones coletam as imagens, e a equipe de campo processa esse material e cruza os dados com informações fisiológicas e agronômicas levantadas no local. A próxima etapa prevê o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de antecipar quais plantas apresentam maior risco de infecção pela Xylella fastidiosa. Isso antes mesmo do surgimento dos sintomas visíveis.

    Além do controle da doença, o sistema abre caminho para outras aplicações. “Esse monitoramento vai permitir a coleta de dados referentes a avaliações de produtividade, fisiologia da planta e incidência de outras doenças”, destaca Gabriel Koch, pesquisador em fitopatologia na Olivicultura da Epamig.

    O risco para a produção de azeite nacional

    A preocupação tem fundamento econômico. O Brasil vem expandindo sua olivicultura, especialmente na região da Serra da Mantiqueira, e a ameaça da Xylella fastidiosa representa um risco real para um setor em crescimento. “Trata-se de um agente causal muito importante na cultura da oliveira, com grande potencial destrutivo”, alerta Koch.

    O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), sob o código PPE-00057-24. E tem como foco central a epidemiologia, a resistência vegetal e o uso de agentes biológicos no manejo da seca da oliveira. O objetivo final é evitar o que os próprios pesquisadores descrevem como um possível “colapso na cadeia produtiva de azeite na Serra da Mantiqueira”.

  • Monitoramento Integrado combate a cigarrinha-do-milho no Rio Grande do Sul

    Monitoramento Integrado combate a cigarrinha-do-milho no Rio Grande do Sul

    A Emater/RS-Ascar, em parceria com a Rede Técnica Cooperativa (RTC), iniciou neste ano uma ação coordenada para monitorar a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), praga que ameaça as lavouras gaúchas. O projeto abrange cerca de 50 municípios. Técnicos da Emater visitam semanalmente propriedades para trocar armadilhas e contar os insetos capturados. Esses dados seguem para a RTC, que consolida as informações e elabora um mapa estadual de ocorrência.

    Esta é a primeira vez que a Emater e a RTC atuam em conjunto nesse monitoramento. Antes, o trabalho era feito de forma isolada, seja por cooperativas ou extensionistas autônomos.

    Elder Dal Prá, extensionista rural da Emater, explica que a cigarrinha-do-milho é uma praga recente no RS, com registros a partir das safras de 2020 e 2021. “Embora cause poucos danos diretos à planta, o inseto transmite bactérias e vírus que provocam enfezamentos — doenças que não têm controle e reduzem a produtividade”, alerta.

    O monitoramento ganha importância por permitir manejo estratégico da praga. Nem todas as cigarrinhas carregam os patógenos, pois elas precisam se alimentar antes de uma planta infectada. Por isso, amostras serão coletadas em locais específicos e testadas em laboratórios para detectar bactérias e vírus.

    Ciclo da praga

    O ciclo da cigarrinha dura cerca de 45 dias com temperatura favorável. O inseto deposita ovos no limbo foliar; as ninfas têm cor palha com manchas no abdômen e os adultos medem aproximadamente quatro milímetros, com cabeça clara e manchas negras, que facilitam sua identificação no campo.

    Foto: Fabrícia Torres.

    A cigarrinha vive principalmente no cartucho e folhas jovens do milho. O manejo integrado inclui eliminação do milho voluntário, monitoramento constante, uso de cultivares menos suscetíveis, semeadura em época única, tratamento de sementes com inseticidas e aplicação de inseticidas conforme a incidência.

    Para o produtor Jesus Amilton Amaral, de Lindolfo Collor, o monitoramento é fundamental. “Planto milho há quatro anos e a cigarrinha só apareceu recentemente. No ano passado, perdi parte da lavoura. As armadilhas vão ajudar a identificar a praga logo e agir antes que cause mais danos”, diz.

    Ele destaca que a rotina na lavoura exige atenção diária e aprendizado constante. “Estou há dois meses direto no campo, sem ir para a cidade. É trabalho duro, mas o monitoramento traz segurança para continuar produzindo mesmo com as dificuldades.”

  • Monitoramento em tempo real do nitrogênio pode poupar até R$ 1 bilhão

    Monitoramento em tempo real do nitrogênio pode poupar até R$ 1 bilhão

    A agricultura do Estado de São Paulo pode economizar até R$ 1 bilhão por ano ao adotar tecnologias que monitoram o nitrogênio no solo em tempo real. Isso é o que aponta um relatório da empresa Stenon. Esse monitoramento pode reduzir um dos maiores custos da lavoura: o fertilizante nitrogenado.

    Atualmente, o preço da ureia importada gira entre US$ 435 e US$ 475 por tonelada, equivalente a R$ 2.400 a R$ 2.600, mesmo após queda pós-pandemia. Fatores geopolíticos, como a crise no Leste Europeu e sanções dos EUA, pressionam os custos, já que 17% da ureia brasileira vêm do Golfo Pérsico. O custo elevado impacta os produtores de grãos, que gastam mais de um terço do orçamento com nutrição da terra.

    Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e da Datamar indicam que os agricultores paulistas adquiriram 2,11 milhões de toneladas de fertilizantes no primeiro semestre de 2024. Essa quantidade deve dobrar até o fim do ano, totalizando entre 4,3 e 4,5 milhões de toneladas para a safra completa. Projeta-se que 1,4 milhão de toneladas deste total seja em produtos nitrogenados para os 8 milhões de hectares cultivados no estado. O valor das compras ultrapassa R$ 3,5 bilhões.

    Estudos independentes comprovam que o manejo preciso do nitrogênio pode reduzir o uso entre 20% e 30%, sem perder produtividade. Essa redução equivale a economizar de 0,28 a 0,42 milhão de toneladas do fertilizante, representando uma economia anual entre R$ 0,7 bilhão e R$ 1,1 bilhão.

    Sustentabilidade

    Além da economia, a redução do uso de nitrogênio diminui também a emissão de gases do efeito estufa. Produzir um quilo de ureia emite cerca de 1,9 kg de CO₂ equivalente. Cortar 0,4 milhão de toneladas do insumo evita quase 0,76 milhão de toneladas de CO₂, o que equivale a retirar aproximadamente 165 mil carros das ruas por um ano.

    Niels Grabbert, CEO da Stenon, destaca a importância do monitoramento: “O nitrogênio é um alvo móvel. A aplicação no momento errado perde eficiência”.

    Niels Grabbert, CEO da Stenon. Foto:
    Divulgação/Stenon

    Agrônomos do oeste paulista que aplicaram um sistema de monitoramento registraram reduções de 20% a 42% no uso de nitrogênio em culturas como milho e cana-de-açúcar, mantendo ou aumentando a produtividade. Para pequenos produtores, a economia chega a R$ 250 mil por ano, enquanto grandes corporações podem economizar até 20 vezes mais.

    Com a instabilidade global nas cadeias de suprimentos, a eficiência baseada em dados se torna essencial para a competitividade do agronegócio. O monitoramento em tempo real de nitrogênio, desta forma, pode beneficiar economias locais e fortalecendo a sustentabilidade no campo.

  • Satélites ajudam a medir pasto e impulsionam pecuária verde

    Satélites ajudam a medir pasto e impulsionam pecuária verde

    Uma nova metodologia da Embrapa está transformando o monitoramento das pastagens brasileiras. A tecnologia permite estimar com precisão a massa de forragem disponível para o gado.

    A técnica combina modelagem agrometeorológica e sensoriamento remoto. Para isso, utiliza dados climáticos e imagens de satélites. O objetivo é orientar o manejo e apoiar a intensificação sustentável da produção de carne e leite.

    Sistemas de produção

    Pesquisadores aplicaram a metodologia em três sistemas de produção: extensivo, intensivo rotacionado e integração lavoura-pecuária (ILP). Os testes ocorreram na Fazenda Canchim, unidade da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP).

    O modelo utilizado explicou mais de 67% da variação da massa de forragem nos diferentes sistemas. No sistema extensivo, a precisão alcançou 86%, o que empolgou os pesquisadores.

    “O desempenho da metodologia nos três sistemas foi promissor e reforça sua eficácia em diferentes contextos”, afirmou Gustavo Bayma, analista da Embrapa Meio Ambiente (SP).

    A abordagem utiliza o modelo SAFER (Simple Algorithm for Evapotranspiration Retrieving). Ele integra dados do produto HLS (Harmonized Landsat Sentinel-2), desenvolvido pela Nasa e pela Agência Espacial Europeia (ESA).

    Esses dados de refletância da Terra são captados pelos satélites Landsat-8 e Sentinel-2. O modelo também considera variáveis climáticas, como radiação solar, temperatura, umidade e velocidade do vento, para simular o crescimento do capim.

    “O SAFER é pouco usado em pastagens, sendo mais comum em estudos sobre demanda hídrica. Somos pioneiros nessa aplicação”, explicou Bayma.

    Diferenciais da pesquisa

    Um dos diferenciais da pesquisa foi aplicar a metodologia em três sistemas simultaneamente. Além disso, os cientistas separaram dois componentes da forragem: matéria seca total (MST) e matéria verde (MV).

    Essa distinção aumentou a precisão das estimativas. “A MST inclui material de baixa qualidade nutricional, enquanto a MV representa o capim realmente consumido pelos animais”, detalhou a pesquisadora Sandra Nogueira, coautora do estudo.

    A equipe realizou a pesquisa de campo por dois anos. Eles coletaram amostras em áreas alinhadas aos pixels dos satélites (30×30 metros). A estratégia permitiu validar os resultados com dados reais.

    A metodologia se mostrou mais eficaz em ambientes com baixa interferência humana. No sistema extensivo, a estabilidade das pastagens favoreceu os cálculos. Já no ILP, a alternância entre milho e pasto, somada à adubação e à palhada, trouxe mais complexidade. Mesmo assim, os resultados foram positivos. No sistema intensivo rotacionado, a eficácia foi levemente menor, devido à dinâmica mais rápida do manejo.

    Sensoriamento remoto avança na pecuária brasileira

    Marcos Adami, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vê avanço no uso de satélites na pecuária. Segundo ele, sensores hiperespectrais, drones e inteligência artificial vão permitir prever variações com mais agilidade e precisão.

    Essas tecnologias podem integrar programas estratégicos, como o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), aponta o pesquisador.

    Patrícia Santos, da Embrapa, também destaca os benefícios. Para ela, o sensoriamento remoto melhora a gestão das áreas produtivas e favorece decisões mais assertivas no planejamento forrageiro.

    Ela acredita que os dados podem orientar políticas públicas e ações privadas voltadas à recuperação de áreas degradadas. “Isso fortalece os objetivos do PNCPD”, afirma.

    Em um cenário em que o Brasil busca elevar a produtividade sem expandir as áreas de pasto, a ferramenta ganha ainda mais relevância. Segundo o IBGE, em 2020 o país possuía 113,2 milhões de hectares de pastagens com manejo.

    Dados da Embrapa mostram que os sistemas integrados ocupavam 17,4 milhões de hectares em 2020. A meta é alcançar 30 milhões até 2030.

    O monitoramento contínuo e preciso das pastagens pode ajudar o país a atender à crescente demanda por alimentos sem pressionar os recursos naturais. “Essa metodologia contribui diretamente para a intensificação sustentável da pecuária”, concluiu Bayma.

    Estudo completo está disponível online

    O estudo foi assinado por Gustavo Bayma, Sandra Furlan Nogueira, Marcos Adami (Inpe), Edson Sano, Daniel Nuñez, Patrícia Santos, José Pezzopane, Célia Grego, Antônio Teixeira e Sergii Skakun. A pesquisa completa pode ser acessada aqui.

    Pastagens com manejo cresceram quase 28% em 20 anos

    Segundo o IBGE, entre 2000 e 2020, as áreas de pastagens com manejo cresceram 27,9%. O aumento corresponde a 24,7 milhões de hectares ou 247 mil km².

    A Embrapa estima que o Brasil ainda possui 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para a produção agrícola.

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  • Comunicação e monitoramento no agronegócio são fundamentais para produtividade

    Comunicação e monitoramento no agronegócio são fundamentais para produtividade

    A comunicação e o monitoramento eficientes são pilares essenciais para o sucesso no campo, impulsionando a produtividade, a sustentabilidade e a gestão estratégica das propriedades rurais. Em um cenário onde a tecnologia avança rapidamente, fazendas que investem em sistemas modernos de comunicação e monitoramento, como rádios digitais, sensores, GPS e plataformas de dados, conquistam vantagens competitivas decisivas. Essas ferramentas permitem o acompanhamento em tempo real das operações, facilitam a tomada de decisões e otimizam o uso de recursos naturais e humanos.

    A boa comunicação no campo vai muito além da simples troca de informações. Ela conecta todos os elos da cadeia produtiva, desde agricultores e técnicos até gestores e colaboradores. Promovendo o alinhamento de processos e garantindo que cada etapa do cultivo, da pecuária ou da logística ocorra de forma integrada e eficiente. Sistemas de comunicação modernos driblam as barreiras naturais das áreas rurais, permitindo que informações essenciais cheguem rapidamente a quem precisa, independentemente do tamanho da fazenda ou da localização dos trabalhadores.

    O monitoramento, por sua vez, potencializa a gestão ao fornecer dados precisos sobre solo, clima, saúde animal, irrigação e produtividade. Com sensores e análise de dados, é possível identificar problemas precocemente, como pragas, doenças ou falhas de irrigação, e agir de forma preventiva, reduzindo perdas e maximizando resultados. O uso dessas tecnologias também contribui para a sustentabilidade, ao evitar desperdícios de água, fertilizantes e outros insumos, e para a conformidade com normas ambientais e de segurança alimentar.

    Hytera apresenta soluções inovadoras em comunicação para o agronegócio

    A Hytera, líder global em soluções de comunicação profissional, marcou presença na 30ª edição da Agrishow. A maior feira de tecnologia agrícola do Brasil foi realizada entre 28 de abril e 2 de maio em Ribeirão Preto (SP). O evento é reconhecido por reunir os principais players do setor e apresentar as últimas tendências em inovação para o campo

    Foto: Divulgação Hytera Brasil

    Em parceria com a 3R NETWORK e os parceiros BIRD, CONECTPLAN e RAMC, a Hytera apresentou equipamentos que aliam alta performance, resistência e tecnologia de ponta. Essas são características essenciais para as diferentes demandas do setor rural. Entre os destaques estiveram os rádios móveis MD626 e HM686, ideais para instalação em veículos utilitários e máquinas agrícolas. Além dos rádios portáteis HP506, HP71x e HP79x EX, desenvolvidos para ambientes exigentes e aplicações críticas, inclusive áreas com risco de explosão.

    Importância da comunicação eficiente no campo

    Flávio Fuchs, vice-presidente da Hytera Brasil, ressaltou a importância da comunicação eficiente no campo. “A comunicação confiável é um elemento estratégico na gestão de propriedades rurais, independentemente do seu porte. Nossos equipamentos atendem desde fazendas familiares até grandes grupos agroindustriais, garantindo segurança, agilidade nas decisões e integração entre as equipes. Estar na Agrishow por meio da 3R e de parceiros especializados reforça nosso compromisso em apoiar o agro com inovação real e aplicável”.

    Alex Freitas(3R Network), Flavio Fuchs (Hytera), Leandro Roque(3R Network) e Carlos Eduardo(3R Network) na Agrishow. Foto: Divulgação Hytera Brasil

    Entre os lançamentos, a câmera corporal SC780 chamou a atenção por incorporar inteligência artificial, recursos como alerta de lente obstruída, comunicação integrada com rádios DMR e TETRA via aplicativo HyTalk. Isso além de cancelamento de ruídos por IA, melhorando a clareza das gravações em campo. O dispositivo é indicado tanto para segurança patrimonial quanto para registro de atividades agrícolas e apoio logístico.

    A Hytera também apresentou os novos rádios PoC (Push-to-Talk over Cellular) P50 e P50 Pro, equipados com sistema Android 12, conectividade 4G, NFC, ManDown e câmera de 8 megapixels (no modelo Pro). Esses dispositivos oferecem uma experiência moderna e intuitiva, ampliando a conectividade e a mobilidade das operações rurais, inclusive em áreas remotas.

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  • Monitoramento climático ajuda a prever e controlar pragas no milho

    Monitoramento climático ajuda a prever e controlar pragas no milho

    Pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, comprovaram que o monitoramento climático ajuda no controle sustentável de pragas no milho. Em resumo, a análise considera variáveis como temperatura e chuva para antecipar o aparecimento de pragas e doenças.

    Com isso, os agricultores conseguem reduzir custos e usar defensivos agrícolas de forma mais racional e eficiente. Além disso, o estudo contribui para a sustentabilidade no campo.

    Estudo teve base em quatro anos de ensaios

    A equipe do IAC avaliou o efeito das condições meteorológicas sobre pragas do milho em diferentes regiões do Estado de São Paulo. A análise utilizou dados coletados ao longo de quatro anos. Em geral, o objetivo foi entender como variáveis climáticas influenciam insetos, bactérias, fungos e vírus em plantações de milho. “Essa análise reduz o custo operacional e os riscos ambientais, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis”, explica Angélica Prela Pantano, pesquisadora do IAC e da APTA.

    Dados ajudam a prever o comportamento das pragas

    O estudo identificou características térmicas e exigências bioclimáticas de diferentes variedades de milho. Os testes abrangeram desde cultivares superprecoces até materiais de ciclo longo. Além disso, também foram avaliadas pragas como lagarta-do-cartucho, cigarrinha-do-milho e diabrótica. O engenheiro agrônomo Walter Holtz Merege, da CATI, contribuiu com suporte técnico. “Essa sequência de trabalho nos ajudou a entender em que condições cada praga se desenvolve”, afirma Angélica. Com base nos dados, os pesquisadores elaboraram mapas agrometeorológicos que indicam o risco de infestação por pragas. Essas previsões podem ser feitas semanal ou mensalmente.

    Agricultor ganha agilidade no manejo

    Com essas informações, o agricultor pode se planejar melhor. Portanto, ele consegue organizar os estoques e escolher o defensivo agrícola mais indicado para cada situação.

    Segundo Angélica, o estudo também definiu limites térmicos e hídricos para as pragas analisadas. A diabrótica, por exemplo, prefere temperaturas máximas entre 26°C e 32°C e mínimas entre 14°C e 18°C.

    Essa praga também se favorece com chuvas acima de 20 mm diários e acúmulo superior a 60 mm em dois dias seguidos. Ela ocorre durante todo o ano, especialmente com solo úmido, calor moderado durante o dia e noites amenas. “Altas umidades e noites frias, que favorecem fungos inimigos naturais, dificultam o aparecimento da praga”, detalha a cientista.

    Clima influencia cada praga de forma diferente

    A lagarta-do-cartucho aparece com mais frequência de outubro a janeiro. No entanto, em épocas de safrinha, pode haver surtos mesmo com pouca chuva. Em geral, essa praga se desenvolve melhor com baixa precipitação, dias quentes e noites suaves. As temperaturas ideais ficam entre 26°C e 33°C (máxima) e 14°C e 18°C (mínima). Por outro lado, chuvas intensas e temperaturas mais baixas inibem seu avanço. “O excesso de precipitação, junto com frio, reduz a presença da lagarta”, destaca Angélica.

    Já a cigarrinha-do-milho cresce mais quando as temperaturas máximas variam entre 26°C e 32°C. As mínimas ideais ficam entre 16°C e 20°C. Diferente das outras pragas, a água disponível no solo não afeta seu desenvolvimento. Essa praga ocorre durante todo o ano. Temperaturas elevadas durante o dia favorecem seu avanço, enquanto o frio limita sua presença.

    Sistema classifica potencial de infestação

    O monitoramento agrometeorológico também permite classificar o risco de infestação em três níveis: favorável, razoável e desfavorável. A condição favorável aponta alto risco de ataque, com ambiente ideal para o desenvolvimento da praga. O cenário razoável indica que a praga pode surgir, mas sem condições ideais. Já o desfavorável mostra que o ambiente limita a incidência, com impacto mínimo na lavoura.

    Essa classificação ajuda o produtor a tomar decisões mais precisas e evitar o uso desnecessário de defensivos. O acompanhamento pode ser feito diariamente ou semanalmente. “É fundamental agir rápido quando o risco é alto e evitar aplicações quando o cenário é desfavorável”, ressalta Angélica.

    Sistema prevê pragas com até 45 dias de antecedência

    A equipe do IAC criou um sistema de monitoramento com base em parâmetros biometeorológicos. A ferramenta considera temperatura e chuvas diárias para prever o surgimento de pragas em até 45 dias. Além disso, o sistema permite criar mapas espaciais por localidade. Ele utiliza dados do Centro de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro). Esses mapas facilitam a visualização da distribuição de pragas nas áreas de cultivo.

    Parcerias fortaleceram o projeto

    O projeto contou com apoio da Agência Paulista de Tecnologias do Agronegócio (APTA), da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag). A pesquisa reforça a importância do monitoramento climático para o manejo sustentável do milho. Com ele, o agricultor ganha eficiência, reduz custos e protege o meio ambiente.

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  • Mortandade de peixes preocupa produtores

    Mortandade de peixes preocupa produtores

    Nos últimos três anos, a mortandade de peixes tem causado prejuízos alarmantes na piscicultura brasileira, impactando principalmente pequenos e médios produtores. Falhas na infraestrutura, mudanças climáticas e poluição hídrica são apontadas como as principais causas desses eventos, que resultaram na morte de milhões de peixes. No entanto, seguros especializados e tecnologias emergentes oferecem novas esperanças para o setor.

    Casos recentes, como a perda de 150 mil tilápias em Nova Aurora (PR) devido a uma falha elétrica e a morte de 235 mil peixes no Rio Piracicaba (SP) por despejo de poluentes, evidenciam a vulnerabilidade da atividade. A criação de peixes é uma importante fonte de renda para muitas famílias, e a recorrência desses eventos coloca em risco a sustentabilidade do setor.

    Seguros especializados: proteção financeira para o produtor

    Pensando em oferecer proteção aos produtores, a Alper Seguros, desenvolveu um seguro exclusivo que cobre o prejuízo causado pela mortalidade de peixes, que pode ter diversos gatilhos. “Sabemos que a criação de peixes depende de equipamentos como bombas e oxigenadores, cujo funcionamento contínuo é crucial. Nosso seguro foi projetado para proteger os criadores de perdas financeiras catastróficas, garantindo a continuidade do negócio em situações de emergência”, afirma André Lins, vice-presidente de agronegócios da Alper Seguros.

    Além da cobertura básica para mortalidade, a Alper Seguros oferece outras opções, como o Seguro de Danos, que protege contra danos materiais e prejuízos causados por deslizamentos, desmoronamentos, falta de energia elétrica e falhas elétricas, e o Seguro Agrícola, que garante indenização em caso de morte por doenças, acidentes ou outros imprevistos. Para quem busca uma proteção ainda mais personalizada, o Seguro Paramétrico oferece cobertura baseada em índices específicos, como a taxa de mortalidade.

    Tecnologia a favor da piscicultura

    Além dos seguros, a tecnologia tem se mostrado uma grande aliada dos produtores na prevenção da mortandade de peixes. O uso de geradores de energia garante o funcionamento de aeradores e outros sistemas críticos mesmo em casos de apagões. Atualmente, há incentivos e linhas de crédito específicas para produtores que desejam investir em geradores de alta eficiência.

    Tecnologias que permitem o monitoramento em tempo real dos níveis de oxigênio, temperatura e pH da água ajudam os produtores a identificar problemas antes que eles se tornem críticos. Além disso, sensores conectados a sistemas de alerta podem notificar os criadores sobre mudanças nos parâmetros, permitindo intervenções rápidas.

    Boas práticas de manejo

    A adoção de boas práticas de manejo, incluindo a densidade adequada nos tanques e o uso de alimentos de qualidade, também contribui para a saúde dos peixes. Esses cuidados reduzem o estresse nos animais e minimizam a ocorrência de doenças, outro fator comum de mortalidade.

    Proteger a produção contra riscos ambientais e estruturais vai além de garantir o lucro do produtor; é também uma questão de segurança alimentar. O Brasil, um dos maiores exportadores de pescado, depende de uma cadeia produtiva sólida e resiliente para atender às demandas do mercado interno e externo. A combinação de seguros especializados, tecnologias inovadoras e práticas de manejo sustentável cria um cenário mais seguro e previsível para os criadores, permitindo que o setor continue a crescer sem as interrupções causadas por eventos inesperados.

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  • Arroz: acordo histórico vai monitorar preço e abastecimento

    Arroz: acordo histórico vai monitorar preço e abastecimento

    O governo federal formalizou um acordo histórico com produtores e indústria do arroz. O objetivo é monitorar de perto o abastecimento e os preços do grão em todo o Brasil. A iniciativa, que contou com a presença dos ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, além do presidente da Conab, Edegar Pretto, tem como objetivo garantir estabilidade e justiça ao longo da cadeia produtiva até o consumidor final.

    Andressa Silva, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), destacou que agricultores e indústria se comprometeram a manter uma oferta regular do grão e preços equilibrados. E ainda, manter estoques nos centros consumidores e buscar alternativas para reforçar o abastecimento em áreas mais vulneráveis.

    Em contrapartida, o governo se comprometeu a suspender temporariamente os leilões para importação do arroz, embora a medida provisória que autoriza essa operação permaneça válida até setembro. O presidente da Conab mencionou que, apesar da possibilidade de leilões, espera-se que o diálogo e compromisso firmado reduzam a necessidade de recorrer a esse mecanismo.

    O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, enfatizou que o acordo proporcionou um importante canal de comunicação com o governo federal. Ele permite esclarecer questões cruciais para o mercado de arroz e consequentemente mitigar riscos como a insegurança no setor e potenciais impactos na próxima safra.

    Monitoramento e ações futuras

    O acordo estabelece que a Câmara Setorial do Arroz, em conjunto com a Conab, irá criar um grupo de trabalho dedicado a monitorar de perto o comportamento do mercado de arroz. Semanalmente, a Conab realizará levantamentos de preços. Caso detecte aumentos significativos, a Câmara Setorial será comunicada e consequentemente deve mobilizar o setor produtivo e industrial. Ou seja, o foco será estabilizar os preços e garantir o abastecimento nas áreas afetadas.

    Além disso, o governo federal se comprometeu a manter um diálogo contínuo com a cadeia produtiva do arroz, em parceria com o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Conab. O foco é assegurar que o produto chegue ao consumidor brasileiro a preços acessíveis.

    Lançamento do programa “Arroz da Gente”

    Na quinta-feira (4), o governo federal anunciou o lançamento do programa “Arroz da Gente”, como parte do Plano Safra deste ano. Essa iniciativa visa oferecer crédito com juros reduzidos, acompanhamento técnico, garantia de comercialização e facilitação de acesso a equipamentos agrícolas para pequenos agricultores. Isso inclui também máquinas como colheitadeiras e silos secadores de pequeno porte. O objetivo é modernizar a produção e eliminar a colheita manual. Inicialmente o programa vai beneficiar 10 mil famílias em 200 municípios de 14 estados nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Norte e Sudeste. Ou seja, vai ajudar onde a produção de arroz é limitada em comparação ao Sul, que responde por 85% da produção nacional. 

    Essas medidas fortalecem significativamente o setor de arroz no Brasil. Elas garantem não apenas a estabilidade econômica, mas também a segurança alimentar para os consumidores em todo o país.