Tag: monitoramento animal

  • Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    A automação avança no campo e desperta cada vez mais interesse entre produtores de leite. De olho nesse movimento, o Sistema FAEP capacitou 16 instrutores do curso de Manejo e Ordenha para atuarem como multiplicadores de conhecimento sobre ordenha robotizada.

    O treinamento ocorreu nos municípios de Castro e Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, e reuniu atividades práticas e técnicas voltadas ao uso de robôs de ordenha nas propriedades rurais.

    Segundo a entidade, a iniciativa surgiu após o aumento da procura por informações sobre a adoção dessas tecnologias nas fazendas.

    “Os próprios produtores começaram a perguntar como funciona o robô, se seria possível implementar esse sistema na propriedade e o que precisariam entender para tomar essa decisão. Diante disso, atualizamos tecnicamente nosso quadro de instrutores para levar informação atualizada e baseada na realidade do campo”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

    Como funciona a ordenha robotizada

    Nos sistemas automatizados, a vaca se dirige espontaneamente ao equipamento, atraída pela oferta de ração concentrada.

    O robô identifica o animal, realiza a higienização dos tetos, faz a ordenha e executa os procedimentos sanitários necessários.

    Após a operação, a vaca retorna normalmente para a alimentação ou para o descanso.

    Robôs de ordenha prometem revolucionar a pecuária leiteira — Foto: Embrapa

    Além da automação da ordenha, o sistema registra uma série de informações importantes para a gestão da propriedade.

    Entre os dados monitorados estão a produção individual do leite, frequência de ordenha, comportamento dos animais e indicadores de saúde do rebanho.

    Essas informações são disponibilizadas em tempo real para o produtor.

    Leia mais: Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Capacitação uniu teoria e prática

    Durante a formação, os instrutores visitaram centros de distribuição das empresas Lely e DeLaval para conhecer os diferentes modelos de robôs de ordenha disponíveis no mercado.

    O grupo também acompanhou o funcionamento da tecnologia em três propriedades rurais com diferentes níveis de produção.

    A proposta foi mostrar que a automação pode ser adotada em sistemas de diversos portes, desde fazendas menores até operações de maior escala.

    Tecnologia não substitui trabalhadores

    Um dos temas abordados durante a capacitação foi o impacto da automação sobre a mão de obra rural.

    Segundo Marta Liliane de Vasconcelos, técnica do Departamento de Desenvolvimento de Ofertas do Sistema FAEP, a tecnologia não elimina postos de trabalho, mas modifica a dinâmica das atividades dentro da propriedade.

    “O robô não vem para eliminar a mão de obra, mas para flexibilizar e qualificar o trabalho. O profissional que antes ficava exclusivamente na ordenha pode ser direcionado para outras atividades estratégicas dentro da propriedade, inclusive para acompanhamento dos dados gerados pelo sistema”, explica.

    Automação cresce na produção de leite

    O interesse pela ordenha robotizada tem aumentado à medida que os produtores buscam mais eficiência operacional, melhor gestão do rebanho e maior controle dos indicadores produtivos.

    Para Ricardo Biscaro, instrutor da regional de Pato Branco, a capacitação permitiu compreender na prática o funcionamento dos equipamentos e ampliar o conhecimento necessário para orientar os pecuaristas.

    Além dos ganhos de produtividade, a tecnologia também pode contribuir para melhorar a qualidade de vida no campo, oferecendo mais flexibilidade na rotina de trabalho das propriedades leiteiras.

  • Pernambuco retoma monitoramento de tubarões com microchips após 11 anos

    Pernambuco retoma monitoramento de tubarões com microchips após 11 anos

    Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) vão retomar, a partir de julho, o monitoramento de tubarões na costa pernambucana por meio de microchips transmissores. A iniciativa marca a volta de um projeto que havia sido interrompido há 11 anos e que agora recebeu um novo impulso.

    O trabalho será conduzido pelo Núcleo de Educação Ambiental do Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE e tem como principal objetivo ampliar o conhecimento sobre o comportamento e os deslocamentos das espécies que frequentam o litoral do estado.

    Além disso, os dados coletados deverão contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção de incidentes com tubarões.

    Duas espécies serão acompanhadas

    Nesta nova etapa, os pesquisadores vão monitorar o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre, espécies associadas à maior parte dos incidentes registrados em Pernambuco.

    Inclusive, os dois ataques ocorridos nesta semana envolveram justamente esses animais.

    Tubarão cabeça-chata aparece frequentemente em redes de pesca — Foto: Divulgação

    O sistema consiste na captura dos tubarões para instalação de um chip transmissor ultrassônico. Em seguida, os animais são devolvidos ao ambiente natural. Além disso, receptores serão distribuídos ao longo da costa para registrar a passagem dos indivíduos monitorados.

    Dessa forma, os pesquisadores poderão acompanhar os padrões de movimentação, identificar áreas mais frequentadas e entender como essas espécies utilizam os diferentes ambientes costeiros.

    O tubarão-tigre apresenta uma série de riscas transversais escuras nas costas e nas laterais — Foto: Divulgação

    Pernambuco soma 84 incidentes desde 1992

    Pernambuco registra incidentes envolvendo tubarões desde o início da década de 1990. Segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o estado contabilizou 84 ataques desde 1992.

    Desse total, 70 ocorrências foram registradas no Grande Recife e outras 14 em Fernando de Noronha.

    Além disso, dois novos incidentes ocorreram em um intervalo de pouco mais de 24 horas entre os dias 31 de maio e 1º de junho.

    No primeiro caso, um menino de 11 anos foi atacado por um tubarão-cabeça-chata na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

    Já no dia seguinte, uma jovem de 19 anos sofreu a amputação de uma perna após ser atacada por um tubarão-tigre de aproximadamente três metros de comprimento na praia de Boa Viagem, no Recife.

    Apesar da proximidade temporal, os dois ataques foram provocados por espécies diferentes e ocorreram em locais separados por menos de 10 quilômetros.

    Especialistas reforçam medidas de prevenção

    Além do monitoramento científico, especialistas do Núcleo de Educação Ambiental da UFRPE destacam a importância de medidas preventivas para reduzir os riscos de incidentes.

    Entre as recomendações está a atenção às condições do mar. Águas turvas, por exemplo, reduzem a visibilidade, enquanto a maré alta favorece a circulação de animais.

    Outro ponto importante é priorizar áreas protegidas pelos arrecifes naturais. Segundo os especialistas, essa barreira funciona melhor durante a maré baixa, quando os arrecifes permanecem aparentes ou próximos da superfície.

    Por outro lado, quando a maré está cheia e os arrecifes ficam totalmente submersos, os tubarões conseguem ultrapassar a barreira natural com mais facilidade, aumentando as chances de aproximação da área de banho.

    Além disso, os pesquisadores recomendam que os frequentadores das praias respeitem a sinalização instalada nos locais e sigam as orientações dos guarda-vidas.

  • Tecnologia no campo impulsiona salto milionário na pecuária leiteira brasileira

    Tecnologia no campo impulsiona salto milionário na pecuária leiteira brasileira

    A Cowmed, empresa brasileira especializada em monitoramento animal e tecnologia para pecuária leiteira, projeta um crescimento de 65% no faturamento em 2026. O avanço deve ocorrer devido ao aumento da procura por soluções de inteligência artificial e ferramentas de gestão voltadas ao agronegócio.

    A expectativa da companhia é encerrar o próximo ano com receita próxima de R$ 30 milhões, valor superior aos cerca de R$ 18 milhões registrados anteriormente.

    Segundo a Cowmed, o crescimento acompanha a modernização das fazendas leiteiras e o avanço da tecnologia no campo. Além disso, a empresa acredita que ainda existe uma ampla margem para expansão no setor.

    Atualmente, cerca de 90% da expansão esperada deve vir do mercado brasileiro. Enquanto isso, os outros 10% devem ser impulsionados pelas operações internacionais já iniciadas em países como Paraguai, México e Uruguai.

    Tecnologia ganha espaço nas fazendas

    O setor leiteiro tem incorporado cada vez mais ferramentas de automação, análise de dados e monitoramento em tempo real. Antes restritas às grandes propriedades, essas soluções agora chegam também aos pequenos e médios produtores.

    Além disso, cooperativas e indústrias passaram a exigir mais controle de qualidade, rastreabilidade e eficiência produtiva. Por isso, o uso de tecnologia deixou de ser apenas diferencial e passou a ocupar um papel estratégico dentro das fazendas.

    A principal solução da Cowmed é uma coleira inteligente equipada com sensores. O dispositivo acompanha o comportamento das vacas em tempo real e envia as informações para um sistema baseado em inteligência artificial.

    Vacas leiteiras monitoradas com a coleira IA — (Foto: Divulgação/Cowmed)

    Segundo Thiago Martins, CEO da empresa, a tecnologia monitora alimentação, ruminação, repouso, atividade física, ofegância e sinais de estresse térmico.

    Além disso, o sistema identifica comportamentos ligados ao cio, um dos principais indicadores reprodutivos dos animais. Dessa forma, o produtor consegue melhorar a eficiência do rebanho e reduzir perdas operacionais.

    Após a coleta, os dados seguem para a nuvem e passam pelo processamento da plataforma de inteligência artificial chamada Vic, desenvolvida pela própria companhia.

    “A plataforma interpreta os dados e emite recomendações operacionais aos produtores, incluindo alertas de saúde, identificação de doenças, gestão de reprodução e otimização de manejo nutricional”, afirmou Martins.

    Atualmente, a Cowmed monitora cerca de 100 mil animais. No entanto, a meta da empresa é alcançar 1 milhão de vacas monitoradas nos próximos cinco anos.

    Modelo por assinatura impulsiona adesão

    Outro fator que favorece o crescimento da tecnologia no campo é o modelo de contratação mais acessível. Em vez de exigir altos investimentos iniciais, a Cowmed oferece o serviço por assinatura mensal.

    Hoje, o custo varia entre R$ 22 e R$ 23 por animal monitorado. Segundo a empresa, esse valor representa entre 1% e 1,5% da receita mensal do produtor.

    Por outro lado, os ganhos podem chegar a até 4% de aumento no faturamento ao longo do tempo. A melhora ocorre devido ao avanço da produtividade, à redução da mortalidade e ao aumento da eficiência reprodutiva.

    A IA interpreta individualmente o comportamento de cada vaca e envia notificações pelo celular sempre que identifica variações bruscas — (Foto: Divulgação/Cowmed)

    Além disso, o monitoramento contínuo ajuda os produtores a anteciparem problemas de saúde nos animais. Assim, o manejo se torna mais eficiente e as perdas diminuem.

    Expansão internacional mira o Paraguai

    A Cowmed também acelera seus planos fora do Brasil. A empresa pretende instalar 5 mil coleiras inteligentes em rebanhos leiteiros do Paraguai até o fim de 2026.

    A iniciativa faz parte de uma parceria com a Rural Makro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do país.

    Segundo dados da Associação Rural do Paraguai (ARP), o mercado paraguaio possui mais de 12 milhões de cabeças de gado. Dessa maneira, a companhia enxerga grande potencial para expandir suas soluções de inteligência artificial aplicadas ao agronegócio.

    A avaliação da empresa é que o Paraguai ainda apresenta baixa adoção de ferramentas de monitoramento contínuo no campo. Por isso, a expectativa é ampliar rapidamente a presença da tecnologia entre os produtores locais.

    Além disso, a companhia acredita que as soluções podem ajudar fazendeiros a anteciparem diagnósticos, reduzirem perdas e otimizarem ciclos reprodutivos.

    “O desafio não é só levar tecnologia, mas garantir que ela se pague no campo. Em mercados como o paraguaio, a adoção vem quando o produtor enxerga retorno claro, e isso exige consistência de dados e usabilidade”, destacou Martins.