Tag: monitoramento ambiental

  • Abotoado se multiplica no Rio Teles Pires e acende alerta em MT

    Abotoado se multiplica no Rio Teles Pires e acende alerta em MT

    A crescente presença do abotoado (Pterodoras granulosus) em trechos do Rio Teles Pires, no norte do Mato Grosso, tem chamado a atenção de pescadores e órgãos ambientais. Embora a espécie não desperte interesse na pesca esportiva, por ser um peixe de menor valor comercial, o aumento de sua população levantou questionamentos sobre impactos na dinâmica da bacia hidrográfica.

    Registros feitos por moradores e pescadores apontam grandes concentrações do peixe na região de Itaúba, município localizado a cerca de 580 quilômetros de Cuiabá.

    A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) informou que os monitoramentos realizados pelos especialistas até o momento não identificaram indicadores que caracterizem uma infestação. Além disso, o órgão destacou que segue acompanhando a situação e poderá adotar medidas ambientais caso sejam constatadas alterações que exijam intervenção ou ações de manejo.

    Mudanças ambientais favorecem a espécie

    A pesquisadora e especialista em ictiofauna, Solange Arrolho, explicou que o abotoado já fazia parte da bacia, mas sua ocorrência era mais restrita a determinadas áreas do rio.

    “Ele era natural no Rio Teles Pires, mas abaixo do que a gente chamava na época de Cachoeira das Sete Quedas, que hoje fica a Usina Hidrelétrica de Teles Pires. Quando ele chega no reservatório de Colíder e abaixo da usina, ele se sente confortável, principalmente porque ele é um bicho, além de ser migrador de longa distância, ele não tem grandes exigências alimentares. Ele come qualquer coisa, qualquer porcaria que está no rio, ele come”, explicou.

    Segundo a especialista, o aumento da população está diretamente relacionado às condições ambientais e à ampla oferta de alimento encontrada atualmente em determinados trechos da bacia.

    “Quando você tem uma grande quantidade de flutuantes, uma grande quantidade de ceva, que é o que nós estamos vendo, a explosão não é só do abotoado, mas de outras espécies também. Além de ter a ceva, restos de comida jogadas no rio, por exemplo, faz com que tenha um ambiente propício”, acrescentou.

    Avanço descontrolado do peixe abotoado, também conhecido como armal, tem provocado preocupação entre pescadores — Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Monitoramento é a principal estratégia

    Solange defende que o acompanhamento contínuo das populações de peixes presentes na bacia é a melhor forma de compreender os efeitos das transformações ambientais.

    “Eles não são vilões, eles só estão atrás de sobreviver. Eles vão continuar se alimentando, continuar reproduzindo se continuar com o mesmo ritmo acelerado de mudanças no ambiente. Ele tem predador? Não. Os únicos predadores que podem tirar ele do rio é o homem”, destacou.

    Além disso, a pesquisadora alerta que o descarte inadequado dos exemplares capturados não representa uma solução para o problema. Em contrapartida, ela defende o aproveitamento da carne para consumo humano.

    Conheça o abotoado

    O abotoado (Pterodoras granulosus) é um peixe de água doce encontrado nas bacias Amazônica, do Paraná e do Paraguai, ocorrendo em rios dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

    A espécie possui uma carapaça resistente e espinhos de defesa, características que dificultam a ação de predadores. Além disso, alimenta-se de moluscos, insetos, frutos e sementes, vive em cardumes e apresenta alta resistência a ambientes com baixos níveis de oxigênio.


    Espécie tem o cheiro e a aparência peculiar como os principais motivos do desinteresse em sua pesca — Foto: Flavioubaid/iNaturalist

    Embora sua captura possa ser desafiadora devido à boca pequena, o peixe costuma voltar a atacar a isca após a primeira tentativa. Apesar do baixo valor comercial, o abotoado é apreciado em diversas comunidades ribeirinhas.

  • Tanques-rede de grande volume avançam na criação de tilápias

    Tanques-rede de grande volume avançam na criação de tilápias

    O Instituto de Pesca (IP-Apta), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, amplia as pesquisas sobre o uso de tanques-rede de grande volume na piscicultura continental, com foco na sustentabilidade e na eficiência produtiva da criação de tilápias.

    Desde 2017, a Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental, em São José do Rio Preto (SP), conduz os estudos em parceria com a Fisher Piscicultura Água Vermelha. Os testes ocorrem no reservatório de Água Vermelha, onde os tanques-rede funcionam em estrutura comercial, enquanto as análises de qualidade da água e desempenho dos peixes são realizadas nos laboratórios do Instituto.

    Estruturas flutuantes sustentáveis

    Os tanques-rede de grande volume consistem em estruturas flutuantes de materiais duráveis, como duralumínio e telas de aço inox, ideais para o cultivo intensivo de peixes. Podem ser instalados em reservatórios de hidrelétricas, lagos e outros ambientes com grande circulação de água.

    Entre as vantagens estão a alta produtividade, o melhor aproveitamento do fluxo natural, a facilidade de manejo e despesca e a redução de impactos ambientais. O sistema ainda permite cultivo escalonado e flexibilidade operacional, o que favorece a produção contínua ao longo do ano.

    Monitoramento de qualidade e desempenho

    O Instituto de Pesca monitora mais de 70 tanques-rede, cada um com 450 m³, que abrigam cerca de 2,1 milhões de tilápias. As coletas de dados ocorrem mensalmente em três pontos do reservatório: a montante, no centro e a jusante da área de cultivo.

    Os pesquisadores medem variáveis como temperatura da água, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, condutividade elétrica e transparência. Além de nutrientes e compostos nitrogenados (fósforo total, nitrito, nitrato e amônia). As análises laboratoriais confirmaram que os índices se mantêm dentro dos padrões adequados à piscicultura, conforme as resoluções CONAMA nº 375/2005 e 413/2009.

    De acordo com os resultados, a qualidade da água apresenta variações naturais ligadas ao clima e ao nível do reservatório, mas sem diferenças significativas entre os pontos monitorados. As correntes naturais do local ajudam na dispersão e renovação da água, favorecendo a estabilidade ambiental.

    Expansão da pesquisa

    Para a pesquisadora Daniela Castellani, responsável pelo estudo, as pesquisas do Instituto de Pesca demonstram o potencial da ciência aplicada em fortalecer a aquicultura nacional. “O trabalho promove inovação, sustentabilidade e competitividade no setor”, afirma.

    Em 2026, o Instituto iniciará um novo projeto com tanques-rede de grande volume no reservatório de Itaipu. Portanto, ampliando a pesquisa e impulsionando o uso de tecnologias sustentáveis na piscicultura brasileira.

  • Gato-mourisco avermelhado: raro felino do pantanal surpreende pesquisadores

    Gato-mourisco avermelhado: raro felino do pantanal surpreende pesquisadores

    O Pantanal continua revelando suas maravilhas naturais. Recentemente, pesquisadores registraram na RPPN Eng. Eliezer Batista dois exemplares do discreto gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), sendo um deles portador de uma característica extremamente rara: a coloração avermelhada.

    O gato-mourisco é conhecido por sua versatilidade cromática, podendo apresentar pelagem que varia do cinza tradicional até tons mais incomuns. No entanto, a coloração vermelha representa um fenômeno particularmente extraordinário na espécie, despertando o interesse da comunidade científica.

    Esta não é a primeira vez que a variação cromática avermelhada é documentada na região. Pesquisadores do Instituto de Homem Pantaneiro (IHP) já haviam descrito o fenômeno em artigo científico publicado com base em estudos realizados na RPPN Acurizal, evidenciando que essa característica genética está presente em diferentes pontos do bioma pantaneiro.

    Guardião do equilíbrio ecológico

    Além de sua beleza singular, o gato-mourisco desempenha uma função ecológica fundamental no Pantanal. Este felino atua como regulador natural das populações de pequenos animais, contribuindo significativamente para o equilíbrio dos ecossistemas locais.

    Sua dieta diversificada inclui roedores, aves de pequeno porte e outros animais que, sem o controle natural exercido por predadores como o gato-mourisco, poderiam proliferar descontroladamente e causar desequilíbrios ambientais.

    O registro destes dois indivíduos na RPPN Eng. Eliezer Batista reforça a importância crucial dos programas de monitoramento de fauna selvagem. Essas iniciativas não apenas documentam a biodiversidade local, mas também fornecem dados essenciais para estratégias de conservação mais efetivas.

    As Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) demonstram ser verdadeiros laboratórios a céu aberto, permitindo que cientistas acompanhem de perto o comportamento e as características de espécies nativas em seus habitats naturais.

    Um tesouro a ser preservado

    A descoberta da coloração avermelhada no gato-mourisco pantaneiro representa mais do que uma curiosidade científica. É um lembrete da riqueza genética ainda pouco conhecida da fauna brasileira e da urgente necessidade de proteger os habitats que abrigam essas variações únicas.

    O Pantanal, reconhecido como uma das maiores planícies alagáveis do mundo, continua sendo um reservatório de surpresas biológicas que podem revolucionar nossa compreensão sobre a diversidade da vida selvagem sul-americana.