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  • Mosca-da-carambola: praga ameaça fruticultura brasileira e mundial

    Mosca-da-carambola: praga ameaça fruticultura brasileira e mundial

    Durante coletiva no Ministério da Agricultura na última segunda feira, o Ministro Carlos Fávaro citou que apesar de ser mais falada esses dias, a gripe aviária não é a única emergência sanitária que os técnicos do MAPA enfrentam no momento. Ele citou outras que já acompanhamos aqui no Agro em Campo, como a vassoura de bruxa, a monilíase e a menos falada até agora, a praga da mosca-da-carambola.

    A mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae) é considerada uma das pragas agrícolas mais perigosas do mundo, capaz de devastar plantações de frutas e causar prejuízos bilionários. Originária do Sudeste Asiático, essa pequena mosca de 7 a 8 mm já se espalhou por partes da América do Sul e, no Brasil, levou o governo a declarar emergência fitossanitária em quatro estados.

    O que é a mosca-da-carambola?

    A Bactrocera carambolae é uma espécie de mosca-das-frutas que deposita ovos dentro de frutos hospedeiros. As larvas se alimentam da polpa, causando apodrecimento e queda prematura, inviabilizando o consumo e a comercialização.

    Características principais:

    • Reprodução acelerada: Uma fêmea pode botar 1.200 a 1.500 ovos em sua vida (cerca de 126 dias) .
    • Diversidade de hospedeiros: Ataca mais de 20 frutas, incluindo manga, goiaba, laranja, acerola, caju e tangerina.
    • Falta de inimigos naturais: Por ser uma espécie exótica, não tem predadores eficazes no Brasil, dificultando o controle.

    Prejuízos econômicos e sociais

    Se a mosca se espalhar para grandes polos frutícolas, como o Vale do São Francisco, as perdas podem chegar a R$ 400 milhões por ano só em exportações. Além disso:

    • Queda na produção: frutas atacadas apodrecem e caem antes da colheita.
    • Barreiras comerciais: países importadores rejeitam frutas de regiões infestadas.
    • Impacto social: pequenos produtores podem perder renda e empregos.

    MAPA Reforça Combate à Mosca-da-Carambola com Nova Portaria

    A praga foi detectada pela primeira vez em 1996, no Amapá, e hoje está presente em Amapá, Pará e Roraima, com risco de chegar ao Amazonas 1012. O Ministério da Agricultura (MAPA) decretou emergência fitossanitária em novembro de 2023, reforçando fiscalizações e restrições ao transporte de frutas.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou, em 14 de março de 2025, a Portaria nº 776/2025, estabelecendo diretrizes para vigilância, contenção, supressão e erradicação da mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae), praga quarentenária presente no Brasil. A medida visa atualizar o programa de controle da praga, incorporando novas tecnologias e ampliando a participação de estados e produtores na sua gestão .

    Desde sua detecção no Brasil em 1996, no município de Oiapoque (AP), a mosca-da-carambola permanece restrita aos estados do Amapá, Roraima e Pará. Apesar disso, a praga representa uma ameaça significativa à fruticultura nacional, afetando culturas como carambola, goiaba, manga, mamão e citros.

    Medidas de controle:
    • Armadilhas com feromônios para monitoramento.
    • Proibição de transporte de frutas de áreas infestadas.
    • Eliminação de frutos caídos para evitar a proliferação.

    A mosca-da-carambola já se estabeleceu no Suriname, Guiana e Guiana Francesa, onde também causa danos à agricultura 3. Países como Estados Unidos e nações europeias impõem barreiras fitossanitárias rigorosas para evitar sua entrada.

    Riscos à saúde humana

    Ao contrário de mosquitos como o Aedes aegypti, a mosca-da-carambola não transmite doenças diretamente aos humanos. No entanto, pode contaminar alimentos ao pousar em matéria orgânica em decomposição antes de ir para frutas.

    A mosca-da-carambola é uma ameaça global à fruticultura, e seu avanço no Brasil exige ações urgentes. Enquanto pesquisadores buscam métodos de controle biológico, a fiscalização e a conscientização são fundamentais para evitar sua dispersão. Se não contida, a praga pode causar prejuízos irreparáveis à economia e à segurança alimentar.

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  • Comissão debate risco da monilíase para a produção de cacau no Brasil

    Comissão debate risco da monilíase para a produção de cacau no Brasil

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados realizará uma audiência pública nesta terça-feira (20), às 14h, no plenário 6, para discutir o risco da monilíase nas principais regiões produtoras de cacau do Brasil. O debate foi solicitado pelo deputado Zé Neto (PT-BA) diante da crescente preocupação com a disseminação dessa doença.

    O que é a Monilíase?

    A monilíase é uma doença causada pelo fungo Moniliophthora roreri, que ataca os frutos do cacaueiro e do cupuaçuzeiro. Essa praga provoca necrose na casca e no interior dos frutos, além de esporulação, que serve como fonte de infecção para outras plantas. A doença pode afetar o cacaueiro em qualquer estágio de desenvolvimento do fruto, tornando-a especialmente devastadora para a produção agrícola.

    Ela pode causar perdas que variam de 70% a 100% da produção em áreas afetadas, tornando-se uma ameaça grave para a cacauicultura brasileira. Autoridades já detectaram a doença em áreas do Acre e do Amazonas, estados onde a produção comercial ainda está em estágio inicial. No entanto, o risco de a gripe aviária avançar para as principais regiões produtoras — como Bahia, Pará, Rondônia e Espírito Santo — continua alto.

    Além da redução drástica na produção, os prejuízos econômicos podem alcançar bilhões de reais anualmente, impactando diretamente mais de 100 mil famílias que dependem da cadeia produtiva do cacau. A disseminação da monilíase pode provocar aumento do desemprego rural, desmatamento e impactos ambientais negativos nos biomas Amazônia e Mata Atlântica.

    Como a monilíase se propaga

    O fungo se dispersa por meio do vento, da chuva, de insetos e até pela ação humana, o que exige medidas rigorosas de controle e monitoramento para evitar sua propagação. A doença é considerada quarentenária, ou seja, sua introdução e disseminação são tratadas com máxima prioridade pelas autoridades fitossanitárias.

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), junto com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) e associações como a Associação Nacional de Produtores de Cacau (ANPC), tem adotado protocolos de supressão e monitoramento, que incluem:

    • Redução da copa das plantas infectadas
    • Remoção e destruição dos frutos doentes
    • Aplicação de ureia para controle do fungo
    • Monitoramento constante das lavouras nas regiões de risco
    • Reforço das medidas fitossanitárias e biosseguridade nas propriedades

    O deputado Zé Neto reforça a necessidade da colaboração de todos os elos da cadeia produtiva para o bloqueio da disseminação da monilíase, com cumprimento rigoroso dos protocolos de monitoramento e mitigação.

    Histórico de devastação

    A monilíase já devastou plantações de cacau em países da América Latina, como Colômbia, Equador e Peru. No Brasil, a doença foi detectada pela primeira vez em 2021, em uma árvore de cupuaçu no Acre. E desde então o governo decretou emergência fitossanitária para conter sua expansão.

    Especialistas alertam que a cacauicultura brasileira, especialmente nos sistemas tradicionais de cultivo à sombra (cabruca), enfrenta alta vulnerabilidade à praga por causa da baixa produtividade e do uso limitado de manejo tecnológico. No entanto, áreas mais tecnificadas, com manejo adequado e irrigação, podem conviver melhor com a doença.

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