Tag: mobilidade sustentável

  • Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    O 15º Congresso Andav encerrou nesta semana em São Paulo com números que confirmam o crescimento do evento. Ao longo de três dias, mais de 18 mil pessoas circularam pelo espaço, entre distribuidores de insumos agropecuários, representantes da indústria, especialistas e lideranças de diferentes elos da cadeia produtiva. Mais de 260 marcas expositoras participaram da edição, que também trouxe debates estratégicos sobre os rumos do agronegócio brasileiro.

    Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, e Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav. Foto: FD Fotografia

    Para Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, empresa que organiza o Congresso, os números comprovam a relevância crescente do encontro para o mercado. “O Congresso Andav é um evento que está crescendo. E isso só acontece graças aos profissionais do agronegócio, que estão aqui para trocar informações, adquirir conhecimento e fazer negócios”, afirmou a executiva.

    Empresas já garantem presença na edição de 2027

    A confiança do setor no evento já aparece nos números da próxima edição. O Congresso Andav 2027 acontecerá entre os dias 3 e 5 de agosto e, antes mesmo do encerramento da edição atual, 71% das empresas expositoras já haviam renovado a participação. Um resultado que superou a meta inicial de 70% estabelecida pela organização.

    “Isso mostra a confiança da indústria e das empresas da cadeia no Congresso Andav como palco de networking e geração de negócios”, destacou Vivian Lima.

    Programação aprofunda temas estratégicos para o setor

    Além da área de exposição e relacionamento, a plenária do Congresso reuniu especialistas para discutir temas que impactam diretamente a competitividade do agronegócio. A programação percorreu cenários econômicos, perspectivas para o setor, gestão, liderança, inovação, sustentabilidade, reforma tributária e novas tecnologias.

    O presidente do Conselho Diretor da Andav, Marcos Chaves, avaliou os três dias de evento. E destacou a diversidade dos assuntos discutidos. “Debatemos os cenários da agroeconomia e do futuro do setor, além de aprofundarmos temas como gestão, liderança e as tendências apresentadas por diversos especialistas para fortalecer o agronegócio brasileiro”, disse.

    Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav. Foto: FD Fotografia

    Já o presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, ressaltou que a proximidade com o produtor rural representa um dos grandes diferenciais da distribuição. E que o relacionamento continua sendo fundamental para o setor. O executivo agradeceu o público presente durante os três dias de evento e reforçou a importância de equilibrar pragmatismo e visão de futuro no setor.

    Indústria avalia resultados positivos no relacionamento com revendas

    Representantes de grandes empresas do setor também comentaram os resultados da edição. Anderson Parra, gerente de acesso a revendas da BASF Soluções para Agricultura, considerou a exposição imprescindível para a companhia construir relacionamento com parceiros, fornecedores e clientes.

    Jeferson Oliveira, líder de distribuição da Bayer, destacou a capilaridade dos distribuidores como elemento fundamental para levar as tecnologias da companhia às diferentes regiões produtoras do país.

    Haroldo Yamanaka, diretor estratégico da GIROAgro e da Vivabio, apontou a proximidade com a rede de distribuição como um dos principais objetivos da participação das empresas no evento. “A importância de estarmos aqui próximo da distribuição do Brasil, entendendo o momento e os desafios dos clientes é uma oportunidade de relacionamento”, afirmou.

    Roberto Dib, diretor de marketing de clientes da Syngenta no Brasil, reafirmou a parceria da companhia com a distribuição de insumos agropecuários e classificou o evento como um ambiente propício para discutir desafios e oportunidades do setor.

    Negócios

    Oziel Ferreira, CEO do Grupo Ceres Investimentos, avaliou que as conversas ganharam qualidade e avançaram do ponto de vista dos negócios nesta edição. “O cliente vem, senta com a gente, mostra a situação e onde está a dor, e desenhamos uma estrutura para poder ajudá-lo”, explicou.

    Juliana Oliveira, head de Marketing e Comunicação da Ecoagro, descreveu o Congresso Andav como um espaço estratégico para a empresa se aproximar da cadeia de distribuição. E desenvolver soluções financeiras alinhadas às necessidades do setor.

    Brunna Santos, gerente de marketing da Aliare, classificou o evento como fundamental no calendário de oportunidades e negócios da companhia, funcionando como ponto de encontro com clientes, revendas e prospects.

    Carlos Baptista, diretor comercial da Biotrop, comentou o avanço da agricultura regenerativa e o papel estratégico que os distribuidores exercem para that as tecnologias biológicas ganhem espaço no campo, reforçando a importância da parceria com as revendas para os negócios da empresa.

    Eletrificação e etanol fecham a programação

    A mobilidade sustentável também ocupou espaço no último dia de evento. Na palestra de encerramento, o vice-presidente sênior e head de Comercial e Marketing da BYD, Alexandre Baldy, apresentou o potencial brasileiro para combinar eletrificação e biocombustíveis na construção de uma matriz de transporte de baixo carbono.

    Segundo o executivo, a diversidade de fontes renováveis do país,que inclui energia solar, eólica e hidrelétrica, além de etanol, biodiesel e biometano,coloca o Brasil em posição diferenciada na transição energética global.

    Baldy citou a tecnologia híbrida plug-in como uma das rotas de convergência entre eletrificação e etanol. E com potencial de expansão não apenas no Brasil, mas também em outros países com forte presença do biocombustível, como a Índia.

    “Temos uma matriz diversa de fontes renováveis. Podemos eletrificar valorizando o etanol, que é ativo estratégico competitivo para o futuro”, afirmou o executivo.

  • Embrapa e Toyota avançam em parceria para bioenergia e mobilidade sustentável

    Embrapa e Toyota avançam em parceria para bioenergia e mobilidade sustentável

    Em um movimento estratégico para acelerar a transição energética no Brasil, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, visitou a fábrica da Toyota em Sorocaba (SP) para avaliar tecnologias limpas. E com destaque para a integração de biocombustíveis e eletrificação em veículos híbridos flex. A iniciativa reforça a colaboração entre as instituições em prol de soluções sustentáveis que aliam o etanol brasileiro a inovações automotivas de baixo carbono.

    A comitiva da Embrapa, que incluiu a chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Paula Packer, e a coordenadora da RenovaCalc, Marília Folegatti, conheceu detalhes da tecnologia híbrido-flex da Toyota, que combina etanol e eletricidade para reduzir emissões. Os veículos, que já são exportados para mercados globais, convertem energia cinética em eletricidade, potencializando a eficiência energética.

    “O etanol é uma solução consolidada no Brasil. Mas seu potencial global é enorme quando integrado a sistemas híbridos”, destacaram técnicos da Toyota durante a visita. A montadora japonesa enfatizou que o uso do biocombustível em motores flex reduz em até 70% as emissões de CO₂ em comparação à gasolina. Alinhando-se às metas do RenovaBio, política nacional impulsionada pela Embrapa.

    Embrapa destaca agropecuária como base da bioeconomia

    Silvia Massruhá apresentou um panorama da evolução agroambiental brasileira, desde a Revolução Verde até o atual status de potência em bioeconomia. “Estamos focados em uma agricultura multifuncional, resiliente e regenerativa, com investimentos em biofertilizantes, biocombustíveis e rotas tecnológicas inovadoras”, afirmou.

    A presidente destacou ainda o papel da Embrapa na estruturação de políticas públicas, como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro, que inclui programas como o Diesel Verde (PNDV) e o Biometano. “A transição energética exige parcerias entre setores, e a indústria automotiva é um ator chave”, reforçou.

    Biometano e hidrogênio: novas fronteiras

    Paula Packer ressaltou que a visita buscou entender como a Toyota está ampliando suas estratégias de descarbonização além da produção de veículos. “Avaliamos desde colaborações em pesquisas com sorgo para biocombustíveis até tecnologias emergentes, como células a hidrogênio e biometano”, explicou.

    Ela destacou a importância da RenovaCalc, ferramenta desenvolvida pela Embrapa para calcular a intensidade de carbono de biocombustíveis, e convidou grandes empresas a integrarem o AgNest, hub de inovação da Embrapa. “O AgNest pode acelerar o desenvolvimento de novas rotas tecnológicas, reunindo startups, pesquisadores e indústrias”, afirmou.

    Apesar dos avanços, os desafios para escalonar biocombustíveis alternativos, como o biometano, ainda são complexos. Packer enfatizou a necessidade de métricas claras e investimentos em pesquisa. “A descarbonização do transporte depende não apenas de tecnologia, mas de uma governança colaborativa”, concluiu.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Wine South America 2025: feira debate mercado de vinhos
    + Agro em Campo: Estudo inédito mapeia o “DNA” do Queijo Minas Artesanal do Serro

  • USP testa primeira planta de hidrogênio renovável a partir do etanol

    USP testa primeira planta de hidrogênio renovável a partir do etanol

    A Universidade de São Paulo (USP) iniciou testes da primeira estação experimental do mundo para produção de hidrogênio renovável a partir do etanol. O projeto, conduzido pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), busca impulsionar a transição energética e reduzir emissões de carbono.

    Em geral, a iniciativa recebeu investimento de R$ 50 milhões e reúne grandes empresas e instituições, como Shell Brasil, Raízen, Hytron, SENAI CETIQT e a própria USP. Também participam Toyota, Hyundai, Marcopolo e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU). Em resumo, a tecnologia pretende mostrar a viabilidade do etanol como fonte sustentável de hidrogênio, aproveitando a infraestrutura já existente no país.

    Capacidade e aplicações

    A planta-piloto pode produzir 100 quilos de hidrogênio por dia. Ou seja, volume suficiente para abastecer três ônibus e dois veículos leves. Os pesquisadores testarão o hidrogênio em coletivos da USP e nos modelos Toyota Mirai e Hyundai Nexo, ambos movidos a células a combustível.

    Ao mesmo tempo, os cientistas avaliarão a conversão do etanol em hidrogênio e o desempenho do combustível nos veículos. “Estamos demonstrando que o etanol pode ser um vetor eficiente para o hidrogênio sustentável”, afirma Julio Meneghini, diretor científico do RCGI. “O Brasil tem uma infraestrutura consolidada para o etanol, o que favorece a descarbonização de setores industriais e do transporte”, completa.

    O hidrogênio será produzido por reforma a vapor do etanol, processo químico que combina o biocombustível com água em altas temperaturas para gerar hidrogênio. Esse método reduz emissões porque o CO₂ liberado pode ser compensado pelo cultivo da cana-de-açúcar.

    Impacto na indústria e na mobilidade

    A iniciativa pode impulsionar a mobilidade sustentável no Brasil. Fabricantes de aviões, caminhões e ônibus terão acesso a uma fonte estratégica de hidrogênio para desenvolvimento de novas tecnologias.

    “A produção em grande escala pode beneficiar diversos setores, da mobilidade à fabricação de fertilizantes sustentáveis”, diz Meneghini. A expectativa é que o projeto gere dados para ampliar sua aplicação comercial. “Queremos mostrar que essa solução é viável e pode fortalecer a transição energética do Brasil”, destaca o pesquisador.

    O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, reforça a importância da pesquisa. “Nosso papel é desenvolver tecnologias inovadoras para acelerar a transição energética e posicionar o Brasil como líder global”, afirma. Segundo ele, energia mais barata e com menor pegada de carbono pode tornar o país referência no setor.

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visitou a planta no dia 19 de fevereiro e destacou o impacto econômico do projeto. “São Paulo tem infraestrutura, pesquisa científica e mão de obra qualificada para liderar a transição energética no Brasil”, afirma. Além disso, ele acredita que a iniciativa pode transformar a indústria e fortalecer a produção de energia limpa para exportação.

    Avanço estratégico

    O desenvolvimento da planta experimental marca um passo importante para o hidrogênio sustentável no Brasil. Meneghini aposta que a tecnologia consolidará o país como referência global na produção de energia limpa. “Essa solução pode reduzir a dependência de combustíveis fósseis e impulsionar setores estratégicos de forma sustentável”, conclui.