Tag: moagem

  • Oferta de cacau cresce, mas demanda limita recuperação do setor

    Oferta de cacau cresce, mas demanda limita recuperação do setor

    A oferta de cacau no Brasil apresentou recuperação no primeiro semestre de 2026. No entanto, a demanda por derivados ainda limita o avanço da indústria. Dados do SindiDados – Campos Consultores, divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), mostram esse cenário.

    O recebimento de amêndoas alcançou 95.108 toneladas no semestre. O volume cresceu 63,4% frente ao mesmo período de 2025. Além disso, o resultado praticamente igualou o nível registrado em 2023, antes da crise de oferta. O segundo trimestre impulsionou esse desempenho. Entre abril e junho, o recebimento atingiu 66.503 toneladas. O volume representou alta de 64,5% na comparação anual.

    Segundo a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, a produção brasileira voltou a mostrar sinais positivos. Ela afirma que o desafio agora consiste em consolidar esse crescimento nos próximos ciclos.  Além disso, ela destaca que a expansão precisa aumentar o processamento, fortalecer a competitividade e gerar mais valor para toda a cadeia.

    Moagem cresce pouco apesar da maior oferta de cacau

    Apesar da recuperação da oferta, a atividade industrial avançou em ritmo bem menor. A moagem totalizou 101.426 toneladas no primeiro semestre. O volume cresceu apenas 3,6% em relação a 2025. Mesmo assim, o resultado permaneceu 19,8% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2023.

    O segundo trimestre repetiu essa tendência. Entre abril e junho, a moagem somou 49.711 toneladas. O volume aumentou 8,6% sobre igual período de 2025. Entretanto, ficou 20,4% abaixo do processamento registrado no segundo trimestre de 2023.

    A comparação entre recebimento e moagem evidencia o momento da cadeia produtiva. Enquanto a oferta de amêndoas cresceu mais de 63%, a moagem avançou somente 3,6%. Segundo Anna Paula Losi, produzir mais cacau representa apenas o primeiro passo. Ela ressalta que a geração de valor depende da transformação dessa produção em produtos industrializados. Além disso, ela afirma que, sem essa conversão, parte dos ganhos da safra deixará de gerar renda, empregos e competitividade.

    Importações de cacau caem com maior produção nacional

    A recuperação da safra também reduziu a necessidade de importações. O Brasil importou 18,1 mil toneladas de amêndoas no primeiro semestre. O volume foi o menor da série recente. Além disso, caiu 57,1% em comparação ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre, o país não precisou importar amêndoas pela primeira vez em quatro anos.

    Apesar disso, a AIPC recomenda cautela na interpretação desse resultado. Segundo a entidade, a queda das importações combina maior oferta nacional com demanda mais moderada por derivados. Por isso, o cenário ainda não indica autossuficiência estrutural na produção brasileira de cacau.

    Exportações de derivados seguem abaixo do esperado

    As exportações brasileiras de derivados de cacau somaram 26.739 toneladas no primeiro semestre. O volume recuou 7% frente ao mesmo período de 2025. Embora o segundo trimestre tenha registrado crescimento de 13% sobre o primeiro, o avanço não compensou as perdas acumuladas.

    A Argentina permaneceu como principal destino dos derivados brasileiros. O país respondeu por 45% do volume exportado. Na sequência apareceram os Estados Unidos, com 19%, e o Chile, com 9%.

    As importações de derivados também diminuíram. O volume totalizou 23.336 toneladas, queda de 8,1% na comparação anual. Segundo a AIPC, esse resultado reflete um mercado ainda moderado para produtos processados.

    As exportações de amêndoas permaneceram reduzidas. O Brasil embarcou apenas 274 toneladas durante o semestre. Segundo a entidade, esse resultado confirma que a competitividade brasileira está concentrada na industrialização e na exportação de produtos com maior valor agregado.

    Anna Paula Losi afirma que a próxima etapa da recuperação dependerá da expansão do consumo de derivados. Segundo ela, essa demanda impulsionará a moagem, reduzirá a ociosidade industrial e fortalecerá toda a cadeia produtiva.

    Bahia lidera produção, enquanto Pará amplia participação

    A recuperação da oferta ocorreu de forma desigual entre os estados produtores. A Bahia permaneceu como principal origem das amêndoas recebidas pela indústria. O estado respondeu por 56,8% do volume nacional no primeiro semestre. Mesmo assim, sua participação diminuiu em relação aos anos anteriores.

    O Pará ampliou sua participação para 38,8%. Com isso, o estado reforçou o avanço da produção na Região Norte e diversificou a oferta nacional. O Espírito Santo respondeu por 3,1% do recebimento nacional. Já Rondônia alcançou 1,2% de participação e manteve a trajetória de crescimento observada nos últimos anos.

  • Etanol recua com avanço da moagem da cana

    Etanol recua com avanço da moagem da cana

    Os preços do etanol anidro e hidratado voltaram a cair com mais intensidade no mercado paulista. Segundo o Cepea, o clima favorável acelerou a moagem da cana-de-açúcar e ampliou a oferta do biocombustível.

    Além disso, a entrada de etanol de outros estados aumentou a disponibilidade do produto em São Paulo. Como resultado, as cotações sofreram maior pressão na última semana.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que as usinas de açúcar e etanol enfrentam forte pressão financeira. Os custos elevados e as altas taxas de juros desafiam a rentabilidade do setor. Esse cenário também amplia o endividamento das empresas sucroenergéticas. Afinal, as usinas dependem de recursos para manter as operações, investir e expandir a capacidade produtiva.

    Diante desse contexto, o Cepea avalia que o setor sucroenergético enfrentará um ambiente desafiador nos próximos meses.

    Açúcar mantém estabilidade com negociações pontuais

    Os preços do açúcar cristal branco permanecem praticamente estáveis no mercado paulista. Segundo o Cepea, os negócios seguem pontuais. Os compradores acompanham o ritmo da safra no Centro-Sul. Ao mesmo tempo, os vendedores mantêm posição firme e evitam reduzir os preços.

    Ainda conforme o Cepea, as chuvas registradas em maio e junho desaceleraram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar. Por outro lado, as precipitações favoreceram o desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos na segunda metade da safra.

  • Preço da fécula sustenta faturamento da mandioca

    Preço da fécula sustenta faturamento da mandioca

    A indústria brasileira de amidos de mandioca ampliou sua capacidade instalada, aumentou a moagem e gerou mais empregos em 2025. No entanto, a produção de fécula e de outros derivados registrou leve queda.

    Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Amidos de Mandioca (Abam), mostram que a valorização da fécula compensou a retração produtiva e elevou o Valor Bruto da Produção (VBP).

    O levantamento identificou 88 unidades industriais ativas e inativas. As plantas estão distribuídas em 65 municípios de sete estados brasileiros.

    Capacidade industrial cresce pelo quinto ano seguido

    A capacidade instalada alcançou 25,6 mil toneladas por dia em 2025. O resultado representa o quinto crescimento anual consecutivo. A expansão ocorreu principalmente devido às ampliações realizadas em algumas unidades industriais.

    O Paraná liderou a capacidade instalada, com participação de 65,6%. Mato Grosso do Sul respondeu por 19,8% e São Paulo por 7,9%. Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Alagoas concentraram os 6,7% restantes.

    O número de empregados diretos nas fecularias chegou a 3.721 trabalhadores. O volume representa aumento de 7% em comparação com 2024.

    Moagem de mandioca bate recorde histórico

    As fecularias processaram 3,13 milhões de toneladas de mandioca em 2025. O volume cresceu 5,5% em relação ao ano anterior e estabeleceu novo recorde na série histórica do Cepea. O aumento ocorreu na maior parte das regiões acompanhadas pela pesquisa.

    Produção de fécula recua apesar da maior moagem

    A produção nacional de fécula totalizou 686,03 mil toneladas em 2025. O resultado ficou 0,5% abaixo do registrado no ano anterior. A queda foi influenciada principalmente por São Paulo. O estado reduziu sua produção em 40,9%.

    Nas demais regiões, a produção avançou ao longo do período. O Paraná respondeu por 67,6% da produção nacional. Mato Grosso do Sul participou com 22,8% e São Paulo com 5,8%. O Nordeste concentrou 3,1% da produção e Santa Catarina representou 0,7%.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a redução ocorreu devido à menor taxa média de extração de amido pela indústria. O cenário contrasta com o maior teor de amido nas raízes observado durante a maior parte de 2025.

    Amidos modificados avançam no mercado

    A diversificação industrial permaneceu em crescimento. Entre as empresas pesquisadas, 45,1% produziram pelo menos um derivado adicional além da fécula. O volume total desses produtos alcançou 355,8 mil toneladas. Apesar disso, a produção conjunta recuou 3,2% no ano.

    O destaque ficou com os amidos modificados. A produção da categoria cresceu 31,2% e atingiu 155,6 mil toneladas. O desempenho indica avanço dos produtos com maior valor agregado.

    Valorização da fécula eleva VBP para R$ 2,14 bilhões

    O preço médio nominal da fécula subiu 3,1% em 2025. A tonelada foi comercializada, em média, por R$ 3.122,47 na modalidade FOB indústria. Com isso, o Valor Bruto da Produção alcançou R$ 2,14 bilhões. O indicador avançou 2,6% em relação ao ano anterior. Em termos reais, porém, os preços permaneceram praticamente estáveis após o desconto da inflação.

    Panificação lidera consumo da fécula

    O principal destino da fécula foi o segmento de massas, biscoitos e panificação. O setor respondeu por 26,7% do volume comercializado. Atacadistas e redistribuidores participaram com 10,8%. Outras fecularias absorveram 10,2% da produção.

    Os setores de papel e papelão representaram 6,4%. O varejo respondeu por 5,3% e os frigoríficos por 5,1%. A produção de tapioca semipronta absorveu 3,6%.

    Já as indústrias químicas utilizaram 2,1% do total produzido. Entre as empresas pesquisadas, 20,7% realizaram exportações diretas de fécula. Os estoques encerraram 2025 em 54,3 mil toneladas. O volume correspondeu a 7,9% da produção anual.

    Setor projeta crescimento em 2026

    Para 2026, 57,4% das empresas esperam manter a produção nos mesmos níveis de 2025. Outros 29,4% projetam crescimento médio de 20,3%. Já 13,2% estimam queda média de 12,8%.

    No consolidado, a expectativa do setor aponta expansão de 15,5% na produção. Dados preliminares do Cepea indicam que a produção de fécula alcançou 360 mil toneladas até maio. O volume supera em 4,1% o registrado no mesmo período de 2025.

    Apesar do avanço, o resultado ainda permanece abaixo das projeções do setor. A colheita da mandioca e o esmagamento industrial concentram-se tradicionalmente no primeiro semestre.

     

  • Da azeitona à garrafa: como nasce um bom azeite

    Da azeitona à garrafa: como nasce um bom azeite

    O rótulo promete “extra virgem” e “extração a frio”, mas poucos consumidores sabem o que essas palavras realmente significam. Entre a colheita da azeitona e o momento em que o azeite chega à mesa, o fruto passa por um processo rápido, mecânico e extremamente sensível à temperatura. Um atraso de poucas horas ou um aumento de poucos graus já compromete o sabor, o aroma e os benefícios nutricionais do produto final.

    azeite sendo derrubado em uma vasilha
    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    No Brasil, regiões como a Serra da Mantiqueira (MG/SP) e o Rio Grande do Sul lideram essa produção em expansão. Aline Coquieri Belli, responsável pela produção de azeite da Vinícola Guaspari, em Espírito Santo do Pinhal (SP), e Cláudia Santos, sommelière de azeites e mestra de lagar da Fazenda Serra dos Tapes, em Canguçu (RS), acompanham de perto cada etapa desse processo. A seguir, entenda o caminho que a azeitona percorre até virar azeite.

    A colheita: o relógio começa a contar

    Tudo começa no momento exato da colheita, geralmente feita à mão ou com auxílio de maquinário, nas primeiras horas da manhã, quando a fruta atinge o ponto ideal de maturação. A partir daqui, a azeitona entra em uma corrida contra o tempo: quanto mais cedo ela chegar ao lagar, o local onde acontece o processamento, melhor.

    Segundo Aline Coquieri Belli, o transporte rápido das azeitonas até o lagar evita a fermentação e a oxidação da fruta, dois processos que aumentam a acidez e derrubam a qualidade do azeite. Na avaliação da especialista, o ideal é que toda essa etapa, da colheita ao início do processamento, leve no máximo um dia. Algumas produtoras, como a própria Fazenda Serra dos Tapes, mantêm o lagar junto ao olival justamente para reduzir essa distância ao mínimo.

    Lavagem e moagem: a fruta vira pasta

    No lagar, as azeitonas passam primeiro por uma lavagem, que remove folhas, gravetos e impurezas. Em seguida, entram na moedora, que tritura o fruto inteiro, incluindo o caroço, até formar uma massa espessa e homogênea, conhecida como pasta de azeitona ou pasta de oliva.

    colheita de azeitonas
    Colheita de azeitonas para produção do azeite Mantikir. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Essa etapa precisa acontecer logo depois da colheita. Quanto mais tempo a azeitona espera antes da moagem, maior o risco de fermentação, o que prejudica diretamente o sabor e a acidez do azeite.

    Malaxagem: a etapa que decide a qualidade

    Depois de moída, a pasta segue para a malaxagem (também chamada de batedura), um processo de mistura lenta e contínua que dura, em média, entre 30 e 60 minutos. A função dessa etapa é unir as pequenas gotículas de azeite espalhadas pela pasta, formando gotas maiores que a centrífuga consegue separar com mais eficiência depois.

    É exatamente aqui que mora o segredo da “extração a frio”: durante toda a malaxagem, a temperatura da pasta não pode ultrapassar 27°C. Acima desse limite, as reações químicas de oxidação se aceleram, e o azeite perde polifenóis, vitamina E e os compostos voláteis responsáveis pelo aroma. O calor até aumenta o volume de óleo extraído, mas reduz a qualidade sensorial e nutricional do produto. Uma troca que os bons produtores evitam.

    Na Fazenda Serra dos Tapes, batedeiras equipadas com sistema de refrigeração mantêm essa temperatura sob controle constante durante todo o processo, segundo explica Cláudia Santos. A especialista lembra ainda que o termo “prensado a frio”, comum em rótulos antigos, descreve um método já praticamente abandonado pela indústria: hoje, a extração não usa mais prensas mecânicas, e sim centrífugas, o que torna “extraído a frio” a expressão tecnicamente correta.

    Centrifugação: o fim das prensas tradicionais

    Até algumas décadas atrás, a separação do azeite acontecia por meio de prensas hidráulicas, que pressionavam fisicamente a pasta entre discos de fibra. O método funcionava, mas expunha o azeite a mais oxigênio e oferecia menos controle de higiene e eficiência.

    Os lagares modernos substituíram as prensas por decantadores centrífugos, equipamentos que giram a alta velocidade e separam o azeite da água de vegetação e do bagaço (a parte sólida da azeitona) em um processo contínuo, rápido e muito mais preciso. Essa centrifugação acontece, também, dentro do limite de temperatura da extração a frio.

    Decantação, filtragem e engarrafamento

    Depois de separado, o azeite ainda carrega pequenas partículas sólidas em suspensão. Algumas produtoras deixam o líquido em repouso por um período curto, permitindo que essas impurezas decantem naturalmente. Outras optam pela filtragem, que retira até os últimos resíduos e deixa o azeite mais límpido. Essa é apenas uma escolha estética, já que o azeite turvo (não filtrado) não perde qualidade por isso.

    A etapa final é o envase. As garrafas costumam ser de vidro escuro, e o motivo é técnico, não apenas estético: a luz acelera a oxidação do azeite e degrada seus compostos com a mesma rapidez que o calor. Embalagens escuras, frascos metálicos ou caixas protegem o produto até a abertura.

    Como saber se um azeite é mesmo de qualidade

    Os rótulos trazem alguns números que ajudam o consumidor a avaliar o que está comprando. A acidez, expressa em ácido oleico, não pode ultrapassar 0,8% para um azeite ser classificado como extravirgem. Porém, os de altíssima qualidade costumam ficar abaixo de 0,2%. Já o índice de peróxidos mede o grau de oxidação do produto: quanto mais baixo, mais fresca foi a azeitona e mais cuidadoso foi o processo de extração.

    Cláudia Santos destaca outro diferencial dos azeites brasileiros: por chegarem às prateleiras logo após a produção, eles preservam frescor e sabor que muitos importados, depois de meses em trânsito, já não conseguem manter.

    O Brasil entrando na rota do azeite extravirgem

    A olivicultura nacional é recente, mas cresce rápido. Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais, é considerada o berço do azeite brasileiro. A cidade recebeu as primeiras mudas de oliveira na década de 1930, trazidas por um imigrante português que notou semelhanças entre o clima local e o de sua terra natal. Décadas depois, em 2008, pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) resultaram na primeira extração de azeite extravirgem do país.

    produtor de azeite colhendo azeitonas
    Herbert Sales, produtor do azeite Mantikir, durante a colheita da safra 2026. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Hoje, regiões como a Serra da Mantiqueira e o interior do Rio Grande do Sul reúnem produtores que aplicam tecnologia de ponta na produção. E seguem rigorosamente o controle de temperatura da extração a frio, para colocar o azeite brasileiro no mesmo patamar dos grandes produtores internacionais.

  • Alívio no bolso: é hora de abastecer com etanol

    Alívio no bolso: é hora de abastecer com etanol

    A média do etanol hidratado caiu em abril, primeiro mês da safra 2026/27. O Indicador CEPEA/ESALQ atingiu o menor nível real desde junho de 2024.

    O aumento da oferta pressionou os preços ao longo do mês. A moagem avançou rapidamente porque o volume de chuvas ficou abaixo do esperado.

    Os pesquisadores do Cepea informam que as usinas venderam volumes pequenos e pontuais. Além disso, distribuidoras reduziram a presença nas compras durante abril.

    Mesmo assim, o volume comercializado em São Paulo cresceu de forma significativa. As usinas venderam 75,1% mais etanol frente ao mês anterior. Na comparação anual, o avanço foi de 24,8%, segundo dados do Cepea.

    O setor sucroenergético ainda enfrenta um cenário de incerteza. Os agentes de mercado apontam preocupação com o desempenho da safra 2026/27. Os preços mais baixos do etanol e do açúcar reforçam esse alerta no Centro-Sul do Brasil.

  • Safra de laranja 2025/26 entra na fase final

    Safra de laranja 2025/26 entra na fase final

    A safra de laranja 2025/26 avança para a fase final no cinturão citrícola paulista e no Triângulo Mineiro. Os produtores concentram as atividades nas variedades tardias, mas enfrentam volume reduzido no campo. Além disso, agentes consultados pelo Cepea relatam ritmo mais lento na colheita.

    Com menor oferta, muitas indústrias passaram a operar de forma gradual ao longo de fevereiro. Por outro lado, entre as unidades ainda ativas, apenas uma recebe os últimos contratos. Essa indústria também processa os volumes próprios de laranja que restam nesta temporada.

    O último levantamento do Fundecitrus indicou apenas 13% do volume estimado ainda no campo.
    O dado considera o total projetado para a safra 2025/26. No entanto, o relatório foi divulgado no fim de janeiro.

    Diante do avanço da colheita, o índice deve cair para menos de 5% neste fim de fevereiro. Assim, o encerramento da moagem ocorre de forma escalonada nas indústrias do cinturão citrícola. A retomada do processamento deve acontecer entre abril e maio. Nesse período, as indústrias receberão frutas temporãs e iniciarão o processamento das variedades precoces da safra 2026/27.

     

  • Moagem de mandioca cresce e se aproxima de 3 milhões de toneladas

    Moagem de mandioca cresce e se aproxima de 3 milhões de toneladas

    A indústria brasileira de fécula aumentou a moagem de mandioca em 2024. O volume processado alcançou 2,97 milhões de toneladas. Ou seja, esse número representa um crescimento de 11,5% em relação ao ano anterior. O dado integra o levantamento anual do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Abam (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca). O estudo chega à 21ª edição e avalia o desempenho do setor de amidos no Brasil.

    Produção nacional

    Mesmo com menor teor de amido e rendimento industrial, a maior moagem impulsionou a produção nacional de fécula. Em geral, o total fabricado somou 689,3 mil toneladas em 2024, alta de 10,4% frente a 2023. Portanto, foi o segundo aumento consecutivo e o maior volume desde 2015.

    O Paraná liderou a produção, com 65,6% do total. Em seguida vieram Mato Grosso do Sul (21,3%), São Paulo (9,7%) e outros estados (3,4%), como Santa Catarina, Bahia, Alagoas e Pernambuco.

    Destinos da fécula

    O levantamento apontou ainda os principais destinos da fécula. Os setores de massas, biscoitos e panificação responderam por 26,9% das vendas. Em seguida, vieram atacado (13,1%), varejo (6,6%), papel e papelão (5%), frigoríficos (6,5%), outras fecularias (8,6%) e tapioca semi-pronta (6,5%). As indústrias químicas consumiram 1,3%. Já 25,5% do volume teve destino não identificado. Além disso, 23,3% das fecularias exportaram fécula. Do total exportado, 31,9% saíram do Paraná e 29,4% de Mato Grosso do Sul.

    A produção de amidos derivados cresceu 28% em 2024. O setor fabricou 367,7 mil toneladas de produtos como polvilhos doce e azedo, tapioca, misturas para pão de queijo e amidos modificados.

    Apesar do avanço na produção, o preço médio nominal da fécula caiu 27,7% no ano. Isso impactou o Valor Bruto da Produção (VBP), que recuou 21,6%, fechando 2024 em R$ 2,08 bilhões — o menor dos últimos dois anos.

    Capacidade de processamento

    O estudo também mostrou que a indústria brasileira tem capacidade para processar 24,9 mil toneladas de mandioca por dia. Além disso, 38% das unidades diversificaram a produção, fabricando outros derivados além da fécula in natura.

    Ao todo, o levantamento mapeou 88 unidades industriais em 64 municípios. Elas se concentram principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

    Setor prevê nova alta em 2025

    Segundo o Cepea, o setor de amidos de mandioca está otimista em 2025. A expectativa é aumentar a produção de fécula em 20,9%, alcançando 834 mil toneladas.

    Dados parciais do Cepea até maio mostram 347 mil toneladas produzidas em 2025. O volume é 5,3% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. A produção de derivados também deve seguir em expansão.

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  • Moagem de cana cresce 2,46% em setembro no Centro-Sul

    Moagem de cana cresce 2,46% em setembro no Centro-Sul

    As usinas do Centro-Sul do Brasil processaram 42,93 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de setembro. Ou seja, o volume representa um crescimento de 2,46% em relação às 41,90 milhões de toneladas registradas na safra 2023/2024. Em resumo, no acumulado da safra 2024/2025, até 16 de setembro, a moagem atingiu 466,26 milhões de toneladas, frente a 448,55 milhões de toneladas no mesmo período do ciclo anterior.

    Atualmente, 259 unidades permanecem em operação na região, sendo 240 dedicadas à cana-de-açúcar, nove ao etanol de milho e dez usinas flex. Apenas uma unidade encerrou a moagem na primeira quinzena de setembro, enquanto nenhuma havia interrompido a operação na mesma data do ciclo anterior.

    Qualidade da matéria-prima

    O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 159,52 kg por tonelada de cana na primeira quinzena de setembro. Ou seja, o valor representa um aumento de 3,98% em comparação com os 153,41 kg por tonelada registrados na safra passada. No acumulado da safra, o índice de ATR é de 139,35 kg por tonelada, uma variação positiva de 0,43%.

    Produção de açúcar e etanol

    A produção de açúcar somou 3,123 milhões de toneladas na primeira quinzena de setembro, praticamente o mesmo volume do ano anterior. Desde o início da safra até 16 de setembro, a fabricação totalizou 30,29 milhões de toneladas, 3,49% a mais do que no ciclo anterior. A proporção de cana destinada ao açúcar caiu para 47,86%, ante 51,04% na mesma quinzena da safra anterior, devido à qualidade da matéria-prima.

    Segundo Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, o teor de sacarose por tonelada foi semelhante ao ciclo passado, apesar do aumento de 6 kg de ATR por tonelada. Além disso, ele destaca que a queda de pureza do caldo e fatores climáticos adversos influenciaram os resultados.

    A produção de etanol pelas usinas do Centro-Sul alcançou 2,43 bilhões de litros na primeira metade de setembro. Desse total, 1,60 bilhão corresponde a etanol hidratado (+26,66%) e 833,77 milhões a etanol anidro (-3,90%). No acumulado da safra, foram produzidos 22,95 bilhões de litros de etanol, alta de 8,15%. A produção de etanol de milho subiu 17,78%, totalizando 336,06 milhões de litros na primeira quinzena de setembro.

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    Vendas de etanol

    As vendas de etanol no mercado interno cresceram 0,70% na primeira quinzena de setembro, atingindo 1,32 bilhão de litros. O volume de etanol hidratado vendido foi de 811,22 milhões de litros, um aumento de 2,04%. Já o etanol anidro registrou vendas de 475,50 milhões de litros, avanço de 3,64%.

    Desde o início da safra 2024/2025, as vendas de etanol no Centro-Sul somam 16,21 bilhões de litros, crescimento de 16,76% em relação ao ciclo anterior. O volume de etanol hidratado vendido totalizou 10,52 bilhões de litros, uma alta de 32,61%, enquanto o etanol anidro somou 5,69 bilhões de litros, uma queda de 4,37%.

    Mercado de CBios

    Os produtores de biocombustíveis emitiram 30,03 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) até 23 de setembro. Em resumo, o estoque disponível para negociação totaliza 29,60 milhões de créditos. Portanto, o diretor da UNICA afirma que, considerando os créditos aposentados, já foram alcançados 86% da meta estabelecida para o ano.