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  • “Rainha das águas”: sucuri-amarela desfila em pastagem do Pantanal

    “Rainha das águas”: sucuri-amarela desfila em pastagem do Pantanal

    Um vídeo gravado pelo guia Fagner Almeida mostra uma cena que parece saída de um documentário: uma sucuri-amarela gigante deslizando calmamente por um pasto alagado no coração do Pantanal, na região de Miranda (MS). O réptil, que segundo o guia mede cerca de 3,5 metros de comprimento, se movimentava em direção a uma área com mais água, como quem procura o palco perfeito para seu espetáculo solitário.

    Fagner, que trabalha como guia na Pousada Caiman, não escondeu a surpresa com o encontro. O refúgio, com 53 mil hectares preservados, recebe turistas e pesquisadores que buscam conhecer e conservar a fauna e a cultura pantaneira. “É o tipo de privilégio que a gente nunca esquece”, resumiu o guia.

    Rainha silenciosa das águas

    A sucuri-amarela (Eunectes notaeus) é uma das maiores serpentes do continente, rivalizando em tamanho com sua parente, a sucuri-verde. Apesar da fama de assustadora, raramente ataca humanos. Prefere águas calmas, onde passa horas camuflada, à espera de presas como capivaras, aves e até jacarés. Seu método de caça dispensa veneno: envolve a vítima com a força do corpo e só solta depois que a luta termina.

    Embora pareça lenta em terra firme, dentro da água é ágil e precisa, movendo-se como uma sombra líquida. Não por acaso, o Pantanal é considerado um dos melhores lugares do mundo para observar sucuris em liberdade.

    Um encontro raro e simbólico

    O flagrante da sucuri-amarela registrado por Fagner é mais do que uma curiosidade turística. Afinal, representa a força de um bioma que ainda resiste às pressões do desmatamento, das queimadas e da expansão agropecuária. Além disso, a cada aparição, a sucuri lembra que ainda há vida pulsando nos meandros alagados do Pantanal. Por isso, mesmo que pareça silenciosa, sua presença se transforma em um grito eloquente da natureza.

  • Sobrevivente do fogo, onça-pintada vira mãe no Pantanal

    Sobrevivente do fogo, onça-pintada vira mãe no Pantanal

    Era agosto de 2024. O Pantanal pegava fogo, mais uma vez. Com a fumaça densa e a vegetação seca, os animais corriam como podiam ou nem isso. Foi nesse cenário que Miranda, uma jovem onça-pintada, apareceu: ferida, exausta e encolhida dentro de uma manilha de concreto, no município de Miranda, em Mato Grosso do Sul.

    Estava queimada nas quatro patas. A pele chamuscada. As patas em carne viva. Tinha, na época, pouco mais de dois anos. Jovem demais para morrer daquele jeito. Mas, ao contrário do que parecia, aquela onça ainda não estava pronta para desistir.

    O resgate durou 26 horas

    Veterinários, bombeiros, biólogos. Gente experiente, acostumada a ver de tudo. Mas o resgate de Miranda foi diferente. A operação começou de madrugada e só terminou no fim da tarde. Foram quase 26 horas de tensão, silêncio e cuidado extremo.

    Depois da sedação, veio a corrida contra o tempo. Ela foi levada para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande. Chegou com as patas queimadas até o osso. Ninguém sabia se iria sobreviver.

    Tratamento diário, dor e paciência

    Durante mais de 40 dias, Miranda foi tratada com tudo o que a medicina veterinária podia oferecer. Curativos todos os dias, pomadas cicatrizantes, sessões de ozonioterapia e muita paciência.

    Foto: Alvaro Rezende

    Ela não se rendia. Mesmo com dor, aceitava a comida, reagia aos cuidados e, aos poucos, voltava a caminhar. Cada passo era uma conquista.

    Os profissionais evitavam criar expectativas. Mas, no fundo, torciam. E torciam muito.

    De volta à mata com um segredo

    Quando foi solta de novo no Pantanal, em setembro, Miranda já estava inteira. Havia vencido a fase mais crítica da recuperação. Na ocasião, recebeu um colar com GPS, o que permitiu que fosse monitorada à distância, sem interferências diretas em sua rotina. A partir dali, retomou sua liberdade e seguiu seu caminho pela mata.

    No entanto, nos meses seguintes, a equipe da ONG Onçafari começou a perceber algo diferente. Ao contrário do que acontece com animais recém-reintroduzidos, Miranda não vagava grandes distâncias. Em vez disso, ela havia escolhido uma área de mata fechada e permanecia por ali, dia após dia, sempre circulando em torno de pontos muito próximos.

    Esse padrão, aliás, chamou a atenção justamente por destoar do comportamento típico de onças em fase de readaptação. Por isso, os especialistas passaram a suspeitar de algo a mais.

    Esse comportamento era conhecido. As fêmeas costumam agir assim quando têm filhotes. Mas ninguém queria se antecipar. Era cedo demais para comemorar.

    A surpresa que emocionou o país

    Demorou. Mas, um dia, as imagens vieram. As câmeras instaladas na mata captaram Miranda caminhando com um filhote. Pequeno, curioso, seguindo os passos da mãe.

    O registro correu o país. Era mais do que uma boa notícia. Era um milagre.

    Miranda, que quase morreu no fogo, tinha sobrevivido. Mais do que isso: tinha gerado vida.

    Um símbolo da resistência pantaneira

    A história de Miranda é o retrato do Pantanal em tempos difíceis. Ela resistiu às chamas, às dores, ao confinamento, ao medo e voltou à mata mais forte do que saiu.

    Sua sobrevivência é mérito de quem agiu rápido. Mas também é um lembrete: sem prevenção, sem fiscalização, sem investimento, o Pantanal vai continuar sangrando.

    Porque, no fim, Miranda sobreviveu. Mas nem todos os bichos têm a mesma sorte.

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  • Anta que sofreu queimaduras graves nas 4 patas volta a andar

    Anta que sofreu queimaduras graves nas 4 patas volta a andar

    Após meses de tratamento intensivo, a anta Valente, que sofreu queimaduras graves nas quatro patas durante os incêndios no Pantanal em 2024, voltou a andar. Resgatada pela ONG Onçafari, em Miranda, Mato Grosso do Sul, Valente passou por uma reabilitação rigorosa, que incluiu a cicatrização lenta e tratamentos complementares para regenerar tecidos danificados.

     

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    Reabilitação

    A equipe da Onçafari transferiu a anta Valente para um recinto maior, com um hectare de área, em janeiro. Esse espaço, portanto, oferece acesso a vegetação nativa e um grande açude, simulando seu habitat natural e facilitando sua readaptação. Sem previsão para soltura, monitores equiparão Valente com um brinco de rastreamento para acompanhar seus movimentos.

    Os biólogos e veterinários destacam a evolução significativa de Valente em 2025. A equipe da Onçafari continua a monitorar sua recuperação, garantindo que ele esteja pronto para um eventual retorno ao seu habitat natural. Ou seja, a história de Valente serve como um lembrete dos impactos dos incêndios na biodiversidade do Pantanal e da importância do trabalho de reabilitação realizado por organizações como a Onçafari.

    Impacto das queimadas

    As queimadas e a seca extrema no Pantanal ameaçam a vida de inúmeras espécies animais. Os incêndios de 2024 criaram um cenário alarmante do bioma, causando uma redução drástica nas populações de lobos-guará, onças-pintadas e antas. Além disso, a destruição da cadeia alimentar resultou na “fome cinzenta”, que impediu animais maiores de obter alimentos essenciais.

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