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  • Tecnologia de infravermelho flagra azeites suspeitos durante fiscalização

    Tecnologia de infravermelho flagra azeites suspeitos durante fiscalização

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou nesta semana uma operação de fiscalização em quatro grandes redes atacadistas do Distrito Federal com foco em fraudes em azeites de oliva. A novidade da ação foi o uso de um equipamento portátil de Espectroscopia no Infravermelho Médio (MIR), capaz de analisar a composição química dos produtos diretamente nas prateleiras, sem precisar removê-los dos pontos de venda.

    Foto: MAPA

    A tecnologia funciona como um “scanner molecular”: feixes de luz infravermelha atravessam o produto e revelam sua composição química em tempo real. O aparelho detecta a presença de óleos vegetais mais baratos, como soja, milho e girassol, misturados ao azeite de oliva, o que configura adulteração.

    Durante a ação, auditores fiscais federais agropecuários do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) analisaram 45 amostras. Cinco delas apresentaram indícios de não conformidade com os padrões de identidade e qualidade previstos em lei. O Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) vai realizar análises físico-químicas complementares para confirmar os resultados.

    Brasil registra histórico de apreensões por fraude em azeites

    O problema não é novo. Nos últimos anos, o Brasil registrou sucessivas apreensões de azeites adulterados em diferentes estados. Em 2023, o Procon-SP e o Mapa identificaram diversas marcas com irregularidades em testes de qualidade, e lotes inteiros foram retirados do mercado.

    Operações anteriores no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais também apreenderam produtos que apresentavam proporções inadequadas de ácidos graxos — sinal clássico de mistura com óleos mais baratos.

    A adulteração é atraente para fraudadores porque o azeite extra virgem tem preço significativamente mais alto do que óleos comuns, e a diferença é difícil de detectar a olho nu ou pelo paladar de consumidores não especializados.

    Por que a tecnologia MIR muda o jogo

    Antes da adoção do equipamento MIR, a fiscalização dependia quase exclusivamente de análises laboratoriais, que demandam tempo e limitam o volume de amostras testadas. Com o scanner portátil, os auditores conseguem triagem imediata no campo e ampliam o número de marcas e lotes monitorados em cada operação. A iniciativa busca, ao mesmo tempo, proteger o consumidor e garantir concorrência leal entre produtores que seguem os padrões legais.

    As ações integram o programa de monitoramento contínuo do Mapa, que verifica regularmente se os produtos comercializados atendem à legislação vigente.