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  • Promip e Embrapa Soja firmam parceria para ampliar manejo integrado de pragas na soja

    Promip e Embrapa Soja firmam parceria para ampliar manejo integrado de pragas na soja

    Promip e Embrapa Soja firmaram uma carta de intenção para ampliar a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) na sojicultura brasileira. O acordo foi oficializado durante a 40ª Reunião de Pesquisa da Soja, em Londrina (PR), e marca um avanço na integração entre pesquisa e campo.

    Carina Rufino – chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja e Marcelo Poletti – CEO da Promip. Foto: Divulgação

    A iniciativa prevê ações conjuntas de capacitação e treinamento de produtores rurais. O objetivo é expandir o acesso ao programa Soja Rota + Sustentável, desenvolvido pela Promip, que reúne treinamentos e práticas voltadas ao uso integrado de controle biológico e defensivos químicos no manejo de pragas.

    O movimento ocorre em um cenário em que especialistas buscam reduzir a distância entre o conhecimento técnico gerado pela pesquisa e sua aplicação prática nas lavouras. Apesar dos avanços científicos, a adoção do MIP ainda permanece abaixo do potencial em várias regiões produtoras.

    Segundo o CEO da Promip, Marcelo Poletti, a parceria fortalece a conexão entre ciência e produtor. Ele destaca que a iniciativa amplia a capacitação no campo e contribui para sistemas de produção mais eficientes e economicamente viáveis. Poletti também afirma que o programa Soja Rota + Sustentável incentiva uma evolução contínua no manejo integrado de pragas.

    A chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Carina Rufino, ressalta que a cooperação amplia o alcance do conhecimento técnico, inclusive por meio de ferramentas digitais. Ela aponta que o MIP melhora a tomada de decisão no campo e gera impactos positivos na sustentabilidade econômica e social da produção.

    Diálogos para o Uso Prático do MIP em Soja

    Durante o workshop “Diálogos para o Uso Prático do MIP em Soja”, realizado paralelamente ao evento, especialistas discutiram os desafios da adoção do manejo integrado. O pesquisador Adeney de Freitas Bueno destacou que a tecnologia já apresenta resultados consistentes, como redução de custos, preservação de inimigos naturais e aumento da rentabilidade.

    Para ele, o principal desafio está na ampliação do uso dessas ferramentas. Bueno defende a necessidade de compreender as barreiras enfrentadas pelos produtores, como receios e dificuldades operacionais, para desenvolver estratégias mais eficazes de adoção.

    O evento também reuniu diferentes elos da cadeia produtiva. O produtor rural Luiz Carlos de Castro abordou formas de engajar agricultores no manejo sustentável. Enquanto Amália Borsari, da CropLife Brasil, apresentou a visão da indústria sobre a integração de táticas de manejo.

    No encerramento, Marcelo Poletti destacou o conceito de MIP regenerativo dentro da proposta Rota + Sustentável, com foco em experiências práticas e nos principais gargalos enfrentados nas propriedades.

    O workshop reuniu pesquisadores, consultores, indústria e produtores, reforçando a importância da integração da cadeia para fortalecer sistemas produtivos mais rentáveis e sustentáveis, além de ampliar a disseminação das Boas Práticas Agrícolas no Brasil.

  • Outono liga sinal de alerta para a maior praga do café

    Outono liga sinal de alerta para a maior praga do café

    Responsável por severos prejuízos à produção, o bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) segue como a principal ameaça à cafeicultura brasileira. Presente em todas as regiões produtoras, estudos de campo indicam perdas entre 30 e 80%, em áreas de Cerrado, como Minas Gerais, Bahia, Goiás e parte de São Paulo.

    Mariposa é o estágio adulto do bicho-mineiro. Foto: Divulgação Rovensa Next Brasil

    “Sua capacidade adaptativa a diferentes condições ambientais, aliada ao rápido ciclo de vida e à elevada fecundidade, faz com que surtos populacionais sejam frequentes, especialmente com o clima quente e seco, comum no Outono”, alerta o engenheiro agrônomo Paulo Henrique Sá Fortes, coordenador de Desenvolvimento Técnico da Rovensa Next Brasil.

    O impacto do bicho-mineiro supera a queda de produtividade. Compromete a qualidade dos grãos, a longevidade das plantas e a rentabilidade dos produtores. O controle eficiente envolve o Manejo Integrado de Pragas (MIP) associado a inseticidas eficazes, pois as populações existentes já resistem às principais moléculas do mercado.

    Características do bicho mineiro

    O bicho-mineiro alimenta-se especificamente de folhas de cafeeiro. A larva penetra nelas logo após a eclosão e ali permanece durante o desenvolvimento, formando minas que evoluem de túneis lineares a manchas amarronzadas.

    Cada larva consome entre 1 e 2 cm² de área foliar, e a combinação de várias minas causam necrose de 80% da folha ou mais. O adulto (alvo do inseticida natural) é uma pequena mariposa de coloração branco-prateada, com cerca de 2 mm de comprimento, e asas com manchas pretas circulares e contorno amarelo.

    Bicho-mineiro se alimenta do interior da folha do cafeeiro. Foto: Divulgação Rovensa Next Brasil

    De hábitos noturnos, deposita até 50 ovos por ciclo nas folhas jovens, localizadas no terço superior da planta, especialmente em lavouras com espaçamento aberto, onde há maior exposição ao sol e menor período de molhamento.

    Ciclo de vida do bicho mineiro

    Sob temperatura média de 25° C, o ciclo de vida completo dura cerca de 22 dias, podendo cair para 14 dias, sob calor intenso e baixa umidade, ou prolongado para 87 dias, em temperaturas baixas. Aos 35° C, completa-se de 16 a 19 dias, enquanto a 19°C, de 45 a 50 dias.

    No Brasil, podem ocorrer oito a 12 gerações por ano, alcançando picos populacionais entre os meses de maio e setembro, com maior incidência em regiões de Cerrado e áreas irrigadas do Oeste da Bahia.

  • Pragas avançam no início da safra de milho e exigem monitoramento intenso

    Pragas avançam no início da safra de milho e exigem monitoramento intenso

    Com o plantio concentrado na segunda safra, o milho entra em 2026 sob forte pressão de pragas iniciais, especialmente percevejos, pragas de solo e roedores. Especialistas reforçam a necessidade de um Manejo Integrado de Pragas (MIP) mais rigoroso, com vistorias frequentes e atenção redobrada ao que fica escondido sob a palhada.

    Segundo a Conab, a produção total de milho na safra 2025/26 deve atingir 138,45 milhões de toneladas, sendo 79% vindos da segunda safra, período mais exposto a variações climáticas e ao avanço de pragas em áreas recém-colhidas de soja.

    O engenheiro agrônomo Alexandre Gazoni, da Sell Agro, alerta para um ano de cenário fragmentado e regionalizado. “Em algumas regiões, o coró voltou com força e já causa prejuízos. Também há relatos de lesmas em áreas com muita palhada e até casos de ratos reduzindo o estande do milho”, afirma.

    Percevejo segue como vilão da largada

    Pragas como o percevejo barriga-verde continuam sendo um dos principais desafios na fase inicial da cultura. “Em áreas onde a soja deixou excesso de palhada, esse material serve de abrigo e favorece a multiplicação. O impacto aparece logo nas primeiras semanas, com perda de vigor nas plantas”, explica Gazoni.

    Pesquisas da Embrapa confirmam que o percevejo se esconde nos horários mais quentes, o que dificulta a detecção e reforça a importância do monitoramento antes da semeadura.

    Entre 2020/21 e 2023/24, cigarrinhas-do-milho causaram prejuízos estimados em US$ 25,8 bilhões, com redução média de 22,7% na produção nacional, segundo levantamento de CNA, Embrapa e Epagri.

    Palhada: aliada e ameaça

    A palhada, essencial no plantio direto e na conservação do solo, também cria um ambiente favorável para lesmas e caramujos. Segundo a Embrapa, esses organismos se desenvolvem sob restos vegetais e podem causar desfolha e morte de plantas jovens.

    Gazoni destaca que o segredo está no detalhamento das vistorias. “O produtor precisa olhar além da superfície: levantar a palhada, observar a base da planta e procurar o que está escondido. Se houver condição de ataque, a praga vai aproveitar”, reforça.

    Manejo integrado exige consistência

    O sucesso no controle depende de um MIP bem executado, combinando monitoramento, definição de níveis de ação e controle biológico, cultural ou químico quando necessário. Entre as práticas mais recomendadas estão:

    • Monitoramento frequente desde o plantio, com checagens na linha, na base e sob palhada.
    • Amostragens de solo para pragas subterrâneas, como corós, em áreas com histórico de infestação.
    • Controle preventivo do percevejo na pré-semeadura e início de desenvolvimento.
    • Uso criterioso de Bt e rotação de inseticidas no caso de lagartas, seguindo orientações do IRAC-BR.
    • Controle contínuo de roedores, com redução de abrigo e reposição programada de iscas.

    Tecnologia de aplicação faz diferença

    Com parte das pragas protegidas pela palhada ou dentro do cartucho, a eficiência dos defensivos depende cada vez mais da qualidade da aplicação. “Em 2026, o produtor deve acertar o timing e melhorar a cobertura da gota. O uso de desalojantes pode ajudar a expor pragas escondidas e aumentar a efetividade do controle”, conclui o agrônomo.