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  • Azeite brasileiro em safra recorde mas setor pede ajuda

    Azeite brasileiro em safra recorde mas setor pede ajuda

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) entregou nesta quarta-feira (7), em Brasília, ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, uma pauta de reivindicações para combater a concorrência desleal de azeites importados e fortalecer a produção nacional. A reunião ocorre num momento estratégico. A safra de 2026 deve bater recorde histórico, com produção estimada em 1 milhão de litros de azeite extravirgem no Brasil.

    Foto: Guilherme Martimon/MAPA/Divulgação

    A audiência, intermediada pelo deputado federal Paulo Pimenta, reuniu o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, e o diretor jurídico da entidade, Jorge Buchabiqui. Entre os temas debatidos estão fiscalização de importações, controle dos lagares nacionais, crédito agrícola e restrição ao uso de herbicidas hormonais próximos a pomares de oliveiras.

    Fraude nos rótulos: o alvo central das demandas

    A principal queixa do setor diz respeito à comercialização de azeites europeus de baixa qualidade como se fossem extravirgens nas prateleiras dos supermercados brasileiros. Para o Ibraoliva, azeites com defeitos sensoriais, incluindo os chamados “lampantes”, impróprios para consumo in natura, estão sendo rotulados indevidamente e colocados lado a lado com os azeites nacionais de alta qualidade.

    “Não podemos mais admitir essa fraude na rotulagem”, declarou Obino Filho. A entidade solicitou a conclusão do laudo pericial de análise sensorial de azeites importados comercializados nos principais supermercados do país. Além de reforço imediato nas ações de fiscalização do Ministério da Agricultura.

    “A partir dessa safra recorde que temos no Brasil este ano, de azeite extravirgem de verdade, a nossa preocupação é com a concorrência desleal de azeites de refugo europeu, que são trazidos para o Brasil e vendidos nos supermercados como se extravirgens fossem.”, disse Flávio Obino Filho, presidente do Ibraoliva

    Adesão ao COI: sinal verde do ministério

    Um dos principais resultados práticos da reunião foi a sinalização do ministro André de Paula sobre o avanço da adesão do Brasil ao Comitê Oleícola Internacional (COI). Segundo Obino Filho, o ministro garantiu que, até a semana seguinte ao encontro, encaminharia o pedido formal à Casa Civil, etapa necessária antes da votação no Congresso Nacional.

    A entrada no COI permitiria ao Brasil alinhar suas normas técnicas às de outros países produtores, como Argentina e Uruguai. Além de acessar programas de fomento à produção e treinamento de painéis de análise sensorial para autoridades públicas. O que fortaleceria diretamente a fiscalização de importações.

    Controle dos lagares e revisão regulatória

    O Ibraoliva também defende a normatização do controle dos lagares, unidades de processamento de azeitonas. A proposta é que todos os estabelecimentos informem ao Ministério da Agricultura a origem das azeitonas processadas, os volumes recebidos e a quantidade de azeite produzida. A medida visa aumentar a rastreabilidade da produção nacional.

    Além disso, a entidade solicitou a indicação dos representantes do ministério no grupo de trabalho responsável pela revisão do regulamento do azeite de oliva no país.

    Crédito agrícola e proteção dos pomares

    Na dimensão econômica, o Ibraoliva pediu a redução a zero do imposto de comercialização incidente sobre o azeite nacional. Essa medida buscaria equiparar condições competitivas frente aos produtos europeus. Também foram solicitados maior acesso a crédito agrícola, securitização e seguro rural. Isso especialmente após as frustrações de safra em 2024 e 2025, causadas por adversidades climáticas.

    A deriva de herbicidas hormonais sobre pomares de oliveiras também entrou na pauta. O instituto informou que está mapeando as áreas de cultivo no país. E relatou casos no Rio Grande do Sul de pomares que pararam de produzir após exposição a esses produtos.

    A olivicultura brasileira está presente em oito estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O volume esperado para 2026 representa um marco histórico para o setor, que cresce em escala e qualidade. E agora busca também proteção institucional para consolidar esse avanço.

  • Carrefour Brasil lamenta declaração de CEO

    Carrefour Brasil lamenta declaração de CEO

    O Carrefour Brasil lamentou a recente declaração do CEO global do grupo, Alexandre Bompard, que gerou polêmica ao afirmar que a rede não venderia mais carne proveniente do Mercosul em suas lojas na França. A posição de Bompard provocou uma onda de boicotes por parte de frigoríficos brasileiros, resultando em relatos de falta de carne nas unidades do Carrefour em São Paulo.

    Desde a declaração, que ocorreu no dia 20 de novembro, frigoríficos como JBS, Marfrig e Masterboi interromperam o fornecimento de carne ao Carrefour no Brasil. A suspensão começou a impactar as prateleiras das lojas, com clientes relatando escassez de produtos. Em uma pesquisa realizada pela Folha de S. Paulo, 34 dos 60 entrevistados afirmaram que notaram a falta de carne nas lojas da rede.

    Em um comunicado, o Carrefour Brasil reconheceu que a suspensão do fornecimento afeta seus clientes, especialmente aqueles que confiam na empresa para abastecer suas casas com produtos de qualidade. “Estamos em diálogo constante na busca de soluções que viabilizem a retomada do abastecimento de carne nas nossas lojas o mais rápido possível”, afirmou a empresa.

    Governo apoia boicote

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, apoiou o boicote dos frigoríficos e criticou a maneira como Bompard abordou a qualidade da carne brasileira, destacando que o Brasil possui um dos melhores sistemas de sanidade alimentar do mundo. Ele ressaltou que as declarações do CEO francês parecem estar alinhadas com interesses protecionistas que têm ganhado força na França, especialmente em meio às discussões sobre um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

    Analistas apontam que a interrupção no fornecimento pode ter um impacto significativo nas vendas do Carrefour Brasil, já que a carne bovina representa cerca de 12% das vendas totais da varejista. A situação é monitorada com preocupação, pois os estoques limitados podem levar à escassez real nos próximos dias.

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    Enquanto isso, surgem especulações sobre uma possível influência do governo francês nas declarações do Carrefour e nas críticas à carne brasileira. O governo francês tem se mostrado contrário ao acordo com o Mercosul, temendo que os produtos sul-americanos possam prejudicar seus agricultores.

    Apesar das dificuldades enfrentadas, o Carrefour Brasil reafirmou seu compromisso com o setor agropecuário brasileiro. E expressou esperança em resolver rapidamente a situação para atender seus clientes com qualidade e responsabilidade.

    Embargo aumenta e inclui carne de frango

    O ministro Carlos Fávaro anunciou que o embargo ao Carrefour no Brasil se estende também à carne de frango.

    Em entrevista à Folha de S. Paulo, Fávaro expressou indignação com a posição do Carrefour e classificou a decisão como um “absurdo” e um pretexto protecionista. “Se ele não quer comprar os produtos brasileiros, é simples, não compra. Agora, dizer que não tem qualidade sanitária? Faz 40 anos que a França compra carne do Brasil”, afirmou o ministro. Ele ressaltou que a França representa apenas 0,5% das exportações de carne brasileira e que o Brasil possui garantias de qualidade sanitária reconhecidas mundialmente.

    Fávaro enfatizou que “não vamos admitir que questionem a qualidade da nossa carne”. E reiterou que o Brasil possui um histórico sólido na produção de alimentos seguros e de qualidade. A crise atual ressalta as tensões comerciais entre os dois países e levanta questões sobre as futuras relações comerciais no setor agropecuário.

  • Governo Federal anuncia apoio a produtores atingidos por incêndios em São Paulo

    Governo Federal anuncia apoio a produtores atingidos por incêndios em São Paulo

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou nesta segunda-feira (23) em São Paulo um pacote de apoio aos produtores rurais afetados pelos recentes incêndios. A iniciativa será viabilizada por meio do Programa de Financiamento de Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro). O programa destina recursos para a recuperação de áreas degradadas.

    Durante reunião com representantes de instituições financeiras, como Banco do Brasil, Caixa, BNDES, BNB, Basa, Sicredi, Sicoob e Bradesco, Fávaro informou que o presidente Lula autorizou o uso de verbas do RenovAgro para socorro emergencial aos produtores. Alguns bancos, como o Banco do Brasil, já disponibilizam essa linha de crédito, enquanto outras instituições deverão oferecê-la a partir de outubro.

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    Um exemplo prático foi o produtor Manoel Benedito Rosa Filho, da região de Cáceres (MT). Ele assinou contrato para acessar essa linha de crédito durante o encontro. Sua propriedade foi gravemente afetada pelos incêndios, com 40% da área queimada.

    O ministro destacou que o crédito do RenovAgro oferece condições vantajosas, com taxas de juros menores e prazos amplos para pagamento. Além disso, algumas instituições financeiras, que inicialmente planejavam liberar parte dos recursos no próximo ano, decidiram antecipar essa liberação para este ano, dada a urgência da situação.

    A reunião também contou com a presença de Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola, Wilson Vaz, secretário adjunto, e Fabio Paarmann, superintendente interino do Mapa em São Paulo.

    Incêndios em canaviais causam prejuízo de R$ 1.2 bilhão

    Os prejuízos causados pelas queimadas em canaviais no Estado de São Paulo podem superar R$ 1.2 bilhão. A Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) atualizou a estimativa de perdas nesta sexta-feira (13).

    Entre 23 de agosto e 10 de setembro, a organização identificou mais de 3 mil focos de incêndio. O balanço revelou que as chamas destruíram mais de 181 mil hectares de cana-de-açúcar e áreas de rebrota no estado de São Paulo.

    “A base de dados utilizada pela Orplana é a de um conjunto de satélites que fazem a verificação das áreas, inclusive com monitoramento de queimadas. Então, pela espectrofotometria é possível ver a diferença das áreas onde tinha cana e onde não tem e também o que aconteceu com a cana, se queimou, se mudou a coloração ou se manteve sem alteração, além da verificação a campo”, explica o CEO da organização, José Guilherme Nogueira.

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    Além disso, Nogueira afirma que o produtor ainda está juntando os cacos para entender os próximos passos. “O custo de implantação na renovação de canavial é por volta de R$ 13,5 mil por hectare. E mesmo naquela rebrota que ainda continuar viável, que não precisar do replantio, pode ser que precise de manejo e nutrientes, em que os custos também impactarão. Isso porque, o colchão de palha que havia ali auxiliava contra plantas daninhas, na retenção de água e na matéria orgânica do solo”, explica. “Além disso, as rebrotas de cana de 3 e 4 meses viraram pó, causando um acúmulo de cinzas, que também precisará de manejo na área”, reforça.

    Sem previsão dos impactos

    Os impactos das queimadas em canaviais para a próxima safra são imprevistos. “A taxa de plantio, a área a ser disponibilizada para colheita no próximo ano e o cenário de clima seco, podem sim impactar a safra futura, mas ainda é muito cedo para qualquer previsão, pois vamos depender de como virão as chuvas e climas para os próximos meses”, conclui Nogueira.