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  • Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Dois dos maiores produtores agrícolas do hemisfério sul decidiram sentar à mesa para construir algo maior do que uma simples troca comercial. Brasil e África do Sul assinaram, nesta quinta-feira (30), um Memorando de Entendimento voltado ao fortalecimento da cooperação agropecuária bilateral. O destaque fica para a defesa sanitária animal e para a ampliação de oportunidades em setores estratégicos do agro.

    Do lado brasileiro, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, assinou o documento. Do lado sul-africano, o ministro da Agricultura, John Steenhuisen. No centro das negociações, um tema que o Brasil conhece bem e que ainda preocupa o sul do continente africano: a febre aftosa.

    Brasil como referência global em sanidade animal

    Não é por acaso que a África do Sul buscou o Brasil como parceiro técnico nessa área. Afinal, o país conquistou, junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o status de território livre de febre aftosa sem vacinação. Trata-se de um dos patamares mais elevados de reconhecimento sanitário no mundo. Chegar a esse ponto levou décadas de investimento em vigilância, rastreabilidade e políticas públicas de defesa agropecuária.

    Agora, essa experiência pode ser transferida. O governo sul-africano demonstrou interesse direto em aprender com o modelo brasileiro para estruturar um plano regional de combate à doença. Vale lembrar que a febre aftosa ainda provoca impactos econômicos relevantes em boa parte do sul da África. “Estamos aqui para aprender com a experiência brasileira e buscar apoio no enfrentamento da febre aftosa”, afirmou o ministro John Steenhuisen.

    André de Paula, por sua vez, reforçou o papel estratégico da parceria: “A garantia da segurança alimentar no mundo é uma prioridade do governo brasileiro e representa um ponto de convergência importante com a África do Sul”. Além da febre aftosa, o acordo também abre espaço para cooperação no monitoramento da influenza aviária. Essa é outra preocupação crescente para produtores de proteína animal em escala global.

    O que está na mesa além da sanidade

    Saúde animal é o núcleo do acordo, mas está longe de ser o único tema. Os dois países mapearam oportunidades concretas em pelo menos cinco segmentos: proteínas animais, frutas cítricas, fertilizantes, máquinas agrícolas e genética animal e vegetal.

    Para que esse comércio funcione com mais agilidade, o acordo prevê ainda o aprimoramento dos mecanismos de diálogo em medidas sanitárias e fitossanitárias, o chamado sistema SPS. Na prática, isso significa reduzir o tempo de resolução de barreiras técnicas que costumam travar exportações. Quando essas barreiras persistem, o prejuízo ao setor pode ser considerável.

    Uma das propostas mais concretas do encontro foi a criação de um Corredor de Biosseguridade Brasil–África do Sul. A ideia é montar uma estrutura capaz de reduzir o risco de interrupções no fluxo comercial em casos de surtos sanitários. Esse tipo de evento, quando ocorre, pode fechar mercados da noite para o dia.

    Por que esse acordo importa para o produtor brasileiro

    Em um cenário em que o agronegócio brasileiro segue expandindo sua presença internacional, acordos como este têm peso direto na competitividade do setor. A África do Sul representa uma porta de entrada relevante para o continente africano, um mercado em crescimento que ainda importa volumes consideráveis de proteína animal, insumos e tecnologia agrícola.

    No entanto, o valor estratégico do acordo vai além dos números imediatos. Ao se posicionar como referência técnica em sanidade animal, o Brasil fortalece sua credibilidade internacional. Assim, amplia também sua capacidade de negociar acesso a mercados com mais solidez. Ser reconhecido como o país que ensina a combater a febre aftosa tem um peso diplomático e comercial que nenhuma campanha publicitária compra.

    Por fim, a cooperação entre Brasil e África do Sul reforça uma tendência crescente: o hemisfério sul construindo alianças próprias em torno de agendas produtivas. Para o agro brasileiro, essa aproximação chega em um momento estratégico.

  • Escândalo da Nutratta: MAPA mantém suspensão total da empresa

    Escândalo da Nutratta: MAPA mantém suspensão total da empresa

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou nesta atualização que 284 equinos morreram após consumir rações fabricadas pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda. O número representa um aumento significativo no registro de óbitos relacionados ao caso que chocou o setor agropecuário brasileiro.

    A principal mudança no cenário jurídico é a revogação da decisão judicial que havia autorizado parcialmente a retomada da produção de rações não destinadas a cavalos. Com essa revogação, volta a valer integralmente a suspensão cautelar imposta pelo MAPA.

    A medida proíbe a fabricação de rações para todas as espécies animais até que a Nutratta comprove ao Ministério a correção completa das irregularidades identificadas pela fiscalização. Até o momento, a empresa não apresentou as adequações necessárias.

    Contaminação por planta tóxica

    As investigações oficiais revelaram que a contaminação ocorreu devido a falhas graves no controle de matéria-prima. O material utilizado pela empresa continha resíduos de plantas do gênero Crotalaria, conhecidas por conter alcaloides pirrolizidínicos.

    Entre essas substâncias, destaca-se a monocrotalina, composto altamente tóxico para animais e estritamente proibido na formulação de rações. Essas substâncias aparecem apenas quando há uso inadequado de matérias-primas não autorizadas ou contaminação de ingredientes permitidos.

    Os alcaloides pirrolizidínicos são classificados como hepatotóxicos, causando alterações no DNA celular e danos irreversíveis ao fígado dos animais. Os efeitos variam conforme a dose ingerida, tempo de exposição e condição física individual de cada animal.

    Investigação em andamento

    O MAPA aguarda os resultados de análises laboratoriais de outros lotes de ração produzidos pela empresa, além de examinar lotes de matérias-primas envolvidas no processo produtivo. Essas análises serão fundamentais para definir os próximos passos da investigação.

    Cronologia:

    • Primeira Denúncia – 26 de Maio

    O caso teve início quando o MAPA recebeu, através do canal Fala.BR, uma denúncia sobre mortes de cavalos no estado de São Paulo. A denúncia deu início a uma investigação que se revelaria muito mais ampla do que inicialmente imaginado.

    • Inspeção em Campo – 30 de Maio

    Fiscais do Ministério se deslocaram até uma propriedade em Elias Fausto (SP) e identificaram suspeitas relacionadas à ração fornecida aos animais afetados.

    • Inspeção na fábrica – 2 a 4 de Junho

    Durante três dias consecutivos, equipes técnicas realizaram inspeções detalhadas na fábrica da Nutratta. As investigações revelaram falhas significativas nos processos de produção e controle de qualidade.

    Com o surgimento de novas denúncias, um padrão preocupante emergiu: em todas as propriedades investigadas, apenas os equinos que consumiram produtos da Nutratta adoeceram ou morreram.

    Animais que não ingeriram as rações permaneceram saudáveis, mesmo compartilhando os mesmos ambientes com os cavalos afetados.

    Diante das evidências, o MAPA emitiu alerta para suspensão imediata do consumo de todas as rações fabricadas pela empresa investigada.

    • Confirmação laboratorial – 25 de Junho

    Análises laboratoriais oficiais confirmaram a presença de monocrotalina nas rações, substância tóxica e expressamente proibida para equídeos.

    O Ministério instaurou processo administrativo formal, mantém as investigações ativas e continua com o recolhimento dos lotes contaminados em todo o território nacional

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  • Ministério da Agricultura atualiza caso de influenza aviária

    Ministério da Agricultura atualiza caso de influenza aviária

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou sua mais recente nota oficial reforçando a rápida identificação do primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no município de Montenegro, Rio Grande do Sul. O órgão destaca que as ações imediatas de isolamento, controle e erradicação do foco comprovam a eficiência e robustez do sistema de inspeção sanitária brasileiro, reconhecido internacionalmente.

    O foco da doença foi detectado em uma granja comercial, marcando a primeira ocorrência da IAAP na avicultura comercial brasileira – antes, os casos registrados envolviam apenas aves silvestres. Em resposta, o governo federal decretou estado de emergência zoossanitária, isolando uma área de 10 quilômetros ao redor da granja afetada, com possibilidade de ampliação conforme avaliação técnica.

    Todas as aves remanescentes foram sacrificadas para conter a disseminação do vírus. A Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul investiga possíveis novos casos na região. O Mapa acionou o Plano Nacional de Contingência, comunicou a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e parceiros comerciais internacionais, garantindo transparência e alinhamento com protocolos globais.

    Impacto nas exportações e defesa da regionalização

    A China e a União Europeia anunciaram suspensão temporária de 60 dias nas importações de carne de frango brasileira, conforme previsto em contratos comerciais. O Mapa trabalha para que esses e outros parceiros reconheçam o princípio da regionalização, preconizado pela OMSA, que limita restrições sanitárias à área afetada, minimizando impactos econômicos.

    Países como Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Filipinas já adotam a regionalização para casos de IAAP, restringindo as suspensões a municípios ou regiões específicas. O Brasil, com sua vasta extensão territorial de mais de 8 milhões de km², reforça a importância desse reconhecimento para proteger a cadeia produtiva e as exportações.

    O Ministério da Agricultura informou que o consumo de carne de aves e ovos continua seguro, pois a gripe aviária não se transmite pelo consumo desses produtos. O risco de infecção humana é baixo e ocorre principalmente entre profissionais com contato direto e prolongado com aves infectadas.

    Nota oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que a identificação rápida de um caso de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em Montenegro-RS e as ações efetivas para isolamento, controle e erradicação, demonstram a robustez do sistema de inspeção do Brasil.

    Reafirmando o compromisso de transparência e de responsabilidade com a qualidade e sanidade dos produtos exportados pelo Brasil, as restrições de exportação seguirão fielmente aos acordos sanitários realizados com nossos parceiros comerciais.

    O Mapa tem trabalhado ativamente para que nas negociações de acordos sanitários internacionais os países parceiros reconheçam o princípio de regionalização, preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) – restringindo a exportação aos 10 quilômetros de raio do foco. Contudo há reconhecimentos pelos países de diferentes tipos de regionalização como por município ou por estado.

    Tendo em vista que o Brasil é o maior produtor e exportador de carne de aves do mundo, que possui dimensões continentais com mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, com longas distâncias e deslocamentos, reiteramos a importância de se reconhecer a regionalização para o caso.

    Países como o Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Filipinas, por exemplo, já aprovaram a regionalização para IAAP. Para respeitar os acordos firmados com a China e a União Europeia, as exportações ficam restritas ao país todo.

    O Mapa agradece a contínua confiança no sistema sanitário brasileiro e coloca à disposição todo seu corpo técnico de altíssima competência para esclarecimentos. Portanto, não há restrição generalizada da exportação de produtos de aves do Rio Grande do Sul.

    Quando as exigências estão relacionadas à sanidade e à qualidade dos produtos, o Brasil se compromete a seguir rigorosamente os protocolos internacionais estabelecidos, garantindo a segurança e a confiança dos nossos parceiros comerciais.

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  • Fiscalização apreende mais de 6 mil litros de vinhos irregulares

    Fiscalização apreende mais de 6 mil litros de vinhos irregulares

    A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) realizou duas operações em abril contra a venda de vinhos clandestinos, apreendendo 6.645 litros (4.430 garrafas) em estabelecimentos de Porto Alegre e Gravataí. As ações, lideradas pela Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), visam coibir a comercialização de bebidas sem controle sanitário.

    Uso indevido do termo “Vinho Colonial” e irregularidades em importados

    Entre os produtos apreendidos estavam garrafas rotuladas como “Vinho Colonial”, denominação permitida apenas para produtos artesanais conforme a Lei Federal 12.959/2014. “Essa categoria exige venda direta ao consumidor final em propriedades rurais, cooperativas ou feiras da agricultura familiar”, explica Andresa Lucho, da DIPOV.

    Fiscais também identificaram vinhos importados sem registro no Ministério da Agricultura (Mapa). Pela legislação, importadores devem constar no rótulo com CNPJ, endereço e número de registro válido. É proibido e constitui infração a importação de vinhos e derivados da uva e do vinho sem o prévio registro do estabelecimento importador no Mapa e importar, manter em depósito ou comercializar vinhos e derivados da uva e do vinho importados em desconformidade com o disposto na legislação.

    Riscos à saúde e como identificar produtos regulares

    O consumo de vinhos sem procedência traz perigos como adulterações e falta de inspeção sanitária. Para evitar riscos, verifique no rótulo:

    • CNPJ e endereço do fabricante
    • Registro no Mapa
    • Tradução do rótulo (no caso de importados)

    Os comerciantes responsáveis podem receber multas administrativas, ações civis e penais. Os produtos apreendidos permanecem no local sob custódia dos proprietários até a conclusão dos processos.

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