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  • Fertilizantes: Minas Gerais pode reduzir dependência externa do Brasil

    Fertilizantes: Minas Gerais pode reduzir dependência externa do Brasil

    O Brasil pode estar próximo de uma revolução na produção de fertilizantes, com Minas Gerais liderando um movimento que promete reduzir drasticamente a dependência externa de insumos agrícolas. O estado mineiro concentra aproximadamente 70% das reservas nacionais de potássio. O nutriente essencial para a agricultura, e abriga a maior operação de extração do país, localizada em São Gotardo.

    A atual capacidade produtiva de 3 milhões de toneladas anuais tem planos ambiciosos de expansão. Os projetos em desenvolvimento preveem um salto para 23 milhões de toneladas em uma primeira fase, com potencial posterior de atingir 50 milhões de toneladas anuais. Um volume quase equivalente aos 60 milhões de toneladas que o país consome atualmente.

    Essa expansão surge em momento estratégico para o agronegócio brasileiro, que registrou safra recorde de 320 milhões de toneladas de grãos em 2025.

    As culturas que mais demandam fertilizantes – soja, milho, cana-de-açúcar e café – têm sido responsáveis por esse crescimento histórico da produção nacional.

    Minas lidera mercado de fertilizantes especiais

    No segmento de fertilizantes especiais, os insumos de alto valor agregado fundamentais para aumentar produtividade, Minas Gerais domina o cenário nacional. Segundo dados da Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal), o estado responde por 18,2% da demanda nacional. Superando São Paulo (16,7%) e Mato Grosso (13,6%).

    “Minas Gerais tem uma vocação natural para liderar a indústria de fertilizantes”, afirma Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, empresa sediada em Machado, no Sul de Minas. “A velocidade não está apenas na entrega de tecnologias inovadoras, mas também na forma como nos antecipamos às demandas do produtor rural.”

    No contexto latino-americano, o Brasil consolida-se como maior consumidor e produtor agrícola da região. Superando Argentina e Paraguai tanto em demanda por fertilizantes quanto em modernização do uso de insumos. Essa liderança reflete-se nos números de consumo interno. Apenas no primeiro semestre de 2025, Minas Gerais recebeu entre 1,35 e 1,69 milhão de toneladas de fertilizantes tradicionais.

    Empresas mineiras impulsionam inovação

    A GIROAgro exemplifica a força da indústria mineira no setor de fertilizantes líquidos. Posicionada entre as maiores empresas do segmento no país, a companhia investe continuamente em tecnologia e soluções inovadoras. Abastecendo não apenas produtores locais, mas projetando Minas Gerais em âmbito nacional.

    No cenário de distribuição de fertilizantes tradicionais, Minas Gerais figura entre os cinco principais destinos do país em 2025. O ranking é liderado por estados de forte produção graneleira: Mato Grosso (3,8 milhões de toneladas), Paraná (2,3 milhões), Goiás (1,6 milhão) e São Paulo (1,5 milhão).

    A combinação de reservas abundantes de potássio, empresas consolidadas e mercado consumidor interno robusto posiciona Minas Gerais como peça-chave para a segurança alimentar e o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro. Os investimentos em expansão da capacidade produtiva podem representar um marco histórico na redução da dependência externa de fertilizantes, fortalecendo a autonomia estratégica do país no setor.

  • Grupo J&F compra única mina de potássio em operação do Brasil

    Grupo J&F compra única mina de potássio em operação do Brasil

    A família Batista oficializou sua entrada no estratégico setor de fertilizantes ao adquirir por US$ 27 milhões (R$ 146 milhões) a mina de potássio Taquari-Vassouras, localizada em Rosário do Catete, Sergipe. A VL Mineração, controlada por Valere Batista Mendonça Ramos, irmã de Joesley e Wesley Batista, fechou acordo para comprar por US$ 27 milhões (R$ 146 milhões) a mina de potássio Taquari-Vassouras, em Sergipe, único ativo do tipo em operação no Brasil.

    A transação com a multinacional norte-americana Mosaic Company garante ao clã o controle do único ativo do tipo em operação no país, consolidando a agressiva estratégia de diversificação da família que já domina a gigante JBS e expandiu recentemente para mineração de ferro e siderurgia com investimentos na Usiminas.

    Em 2024, o complexo produziu 398 mil toneladas de cloreto de potássio. A Mosaic informou que as operações demandariam investimentos superiores a US$ 25 milhões para garantir continuidade, devido ao estado de exaustão das reservas minerais.

    A nova controladora, VL Mineração, assume também US$ 22 milhões em obrigações ambientais e trabalhistas, além dos desafios técnicos para ampliar a produção do ativo. O negócio representa uma aposta na otimização de um recurso estratégico em momento de alta dependência externa.

    A importância estratégica do potássio para o agronegócio

    O potássio configura-se como elemento fundamental para a agricultura brasileira. O principal nutriente aplicado no Brasil é o potássio, com 38%, seguido por fósforo, com 33%, e nitrogênio, com 29%. Este mineral desempenha papel essencial no desenvolvimento vegetal, atuando na regulação hídrica das plantas, ativação enzimática e transporte de nutrientes.

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    O potássio é um dos elementos básicos na produção de fertilizantes NPK (compostos de Nitrogênio, Fósforo e Potássio). Os minerais potássicos são considerados estratégicos no cenário brasileiro que, infelizmente, apresenta uma alta dependência externa.

    Dependência externa crítica

    O Brasil enfrenta dependência crítica na importação de fertilizantes potássicos. E no caso específico do potássio, crucial em todas as culturas agrícolas, a dependência do insumo importado chega a 96%. Esta vulnerabilidade expõe o agronegócio nacional a flutuações geopolíticas e cambiais que impactam diretamente os custos de produção.

    Quase 23% das importações são provenientes da Rússia, incluindo metade do potássio consumido nacionalmente. A concentração de fornecedores aumenta os riscos estratégicos para a segurança alimentar nacional.

    Estratégia de diversificação dos Batista

    A aquisição representa mais um movimento na expansão do império familiar para setores vitais da economia. A família já atua na produção de fertilizantes organominerais através da Campo Forte Fertilizantes, localizada em Guaiçara (SP), criando sinergia com o novo ativo mineral.

    O investimento alinha-se com a estratégia governamental de redução da dependência externa. O PNF buscará readequar o equilíbrio entre a produção nacional e a importação ao atender sua crescente demanda por produtos e tecnologias de fertilizantes. Pretende-se diminuir a dependência de importações, em 2050, de 85% para 45%, mesmo que dobre a demanda por fertilizantes.

    Potencial de reservas nacionais

    Pesquisas indicam que o Brasil possui reservas significativas para suprir a demanda nacional. Segundo o professor Raoni Rajão, do departamento de Engenharia de Produção da UFMG, dois terços das reservas se concentram nos estados de Sergipe, São Paulo e Minas Gerais.

    A expectativa é que a nova gestão desenvolva tecnologias para otimizar a extração e explore alternativas para ampliar a vida útil da mina, contribuindo para a redução da vulnerabilidade estratégica do agronegócio brasileiro no fornecimento deste insumo essencial.

    A transação sinaliza maior interesse de grupos nacionais em ativos estratégicos para a agricultura, setor que responde por parcela significativa do PIB brasileiro. O controle nacional da única mina em operação pode representar maior estabilidade de fornecimento e potencial redução de custos para produtores rurais.

    A expertise da família Batista em gestão de negócios complexos e integração vertical, demonstrada na construção do império da JBS, sugere potencial para otimização operacional e expansão da capacidade produtiva do ativo mineral.

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