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  • Unesp e Incra ampliam acesso com pós-graduação para comunidades rurais

    Unesp e Incra ampliam acesso com pós-graduação para comunidades rurais

    A Universidade Estadual Paulista (Unesp) abrirá, em 2026, uma turma especial do mestrado em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe voltada para assentados da reforma agrária, acampados, quilombolas e educadores do campo. A parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) oferecerá 20 vagas no curso, que terá duração de 30 meses.

    O edital com as regras para inscrição será publicado no próximo ano. O curso representa o 13º projeto estabelecido entre a Unesp e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), consolidando uma colaboração de quase três décadas.

    Pedagogia da alternância conecta teoria e comunidade

    O mestrado adotará a pedagogia da alternância, que intercala períodos de aulas presenciais com atividades de pesquisa nas comunidades de origem dos estudantes. As etapas presenciais ocorrerão em maio e novembro, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema. E também no Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI-Unesp), em São Paulo.

    “A turma especial se concentrará em três linhas de pesquisa. Formação de professores da educação no campo, relações entre campesinato e capitalismo, e a intersecção entre agronomia, saúde e soberania alimentar”, explica a professora Silvia Fernandes, coordenadora do programa. Ela ressalta que, apesar do título ser em Geografia, o curso aceita profissionais de diversas áreas.

    Parceria histórica atinge todos os níveis de ensino

    A colaboração entre Unesp e Pronera começou em 1998, com cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Desde então, a parceria evoluiu para oferecer formações em agropecuária, agroecologia, cursos técnicos, uma graduação em Geografia e um primeiro mestrado entre 2013 e 2015.

    “Esta parceria com a Unesp atingiu todos os níveis de ensino com o Pronera em São Paulo, da alfabetização até a pós-graduação”. É o que destaca Sonia Rodrigues, coordenadora estadual do Pronera no Incra-SP. Ela enfatiza que o objetivo do novo mestrado é formar pessoas que possam pensar o desenvolvimento territorial e ecológico de suas regiões e levar ações concretas de volta às suas comunidades.

    O ingresso ocorrerá por processo seletivo, exigindo a apresentação de um projeto de pesquisa. Coordenadores do programa e representantes do Incra já se reuniram para definir os critérios da seleção.

    A trajetória de cursos com o Pronera contribuiu para que a Unesp se tornasse, em 2009, sede da Cátedra UNESCO de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial. Reforçando o compromisso da universidade com o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais.

  • Jovem extrativista da Amazônia é aprovada em mestrado na UnB

    Jovem extrativista da Amazônia é aprovada em mestrado na UnB

    Para celebrar o Mês da Mulher, a trajetória de Cátia Santos, jovem extrativista da Amazônia, ganha destaque com sua aprovação no disputado Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais (MESPT), da Universidade de Brasília (UnB). A conquista de Cátia, coordenadora de comunicação digital do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), reforça a importância do acesso à educação de qualidade para as comunidades tradicionais da Amazônia e impulsiona a luta por seus direitos.

    Foto: Divulgação

    Nascida na Reserva Extrativista (RESEX) Chico Mendes, no Acre, Cátia cresceu inspirada pelo legado de Chico Mendes. E também pela luta dos seringueiros em defesa da Floresta Amazônica. “Tenho orgulho de ser extrativista”, afirma Cátia, ressaltando a importância de dar continuidade a esse legado.

    Desafios

    Apesar de sua dedicação à causa extrativista, Cátia enfrentou desafios no acesso à educação, precisando deixar seu território para concluir os ensinos Fundamental e Médio. A oferta insuficiente de vagas e colégios e a infraestrutura precária são dificuldades enfrentadas pelos jovens. Além disso, a internet limitada e o conteúdo programático não adaptado são obstáculos que dificultam o acesso à educação de qualidade para os jovens das RESEXs amazônicas.

    “A luta por uma educação de qualidade é essencial para garantir dignidade e igualdade para nossa população”, enfatiza Cátia. A jovem extrativista defende a valorização da educação e a necessidade de inseri-la dentro das comunidades.

    A aprovação de Cátia no mestrado representa um novo tempo para a luta extrativista. Cátia espera que a sua conquista inspire outros jovens da região. O conhecimento adquirido no mestrado será uma ferramenta para fortalecer o movimento extrativista. Além de ampliar a participação da juventude na luta por direitos e buscar soluções mais justas para a realidade das comunidades tradicionais.

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