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  • Do campo à escola: entenda por que o Brasil virou referência em alimentação escolar

    Do campo à escola: entenda por que o Brasil virou referência em alimentação escolar

    O Brasil consolidou sua posição como referência mundial em alimentação escolar. O país investe em políticas públicas que garantem refeições nutritivas para milhões de estudantes da rede pública. Além disso, o modelo brasileiro prioriza alimentos frescos e produzidos no próprio país. A estratégia fortalece a segurança alimentar e estimula a agricultura familiar.

    Nas escolas, os cardápios incluem arroz integral, feijão, carnes bovina e suína, frango, peixe, hortaliças e leguminosas. Esses alimentos garantem refeições equilibradas e contribuem para a saúde dos alunos.

    O sistema brasileiro contrasta com a realidade observada em parte das escolas dos Estados Unidos. Lá, a alimentação escolar inclui produtos ultraprocessados, como salgadinhos, biscoitos recheados, sucos artificiais e pães com elevado teor de açúcar.

    Um levantamento divulgado pelo Instituto de Defesa dos Consumidores (Idec) mostrou exemplos de cardápios servidos em escolas de Nova York. Em uma creche privada, uma refeição incluiu sanduíche com queijo cheddar ultraprocessado, pequena porção de ervilhas e fruta.

    Outro estudo, publicado pelo USA Today em 2019, apontou que a carne servida em escolas americanas apresentava padrões inferiores aos exigidos por redes de fast-food. Além disso, o livro “Lunch Lessons” revelou que quase metade dos vegetais consumidos por crianças e adolescentes era composta por batatas fritas.

    Alimentação influencia aprendizado e desenvolvimento

    Especialistas destacam que a alimentação adequada exerce papel fundamental no desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.

    A nutricionista infantil Zuila Acioly afirma que a qualidade dos alimentos deve ser prioridade durante a fase escolar. Segundo ela, muitas crianças dependem da merenda como principal refeição do dia. Por isso, as escolas precisam oferecer cardápios variados, equilibrados e saudáveis. A especialista também destaca a importância dos alimentos fornecidos pela agricultura familiar.

    De acordo com Acioly, esses produtos garantem acesso imediato a alimentos frescos e nutritivos. Além disso, influenciam diretamente a composição corporal e o funcionamento do cérebro. Ela ressalta que hábitos alimentares saudáveis na infância contribuem para a formação de adultos mais saudáveis e com melhor desenvolvimento físico.

    Pnae fortalece o campo e a alimentação escolar

    O Brasil mantém uma das mais abrangentes políticas de alimentação escolar do mundo. A legislação garante refeições gratuitas para todos os estudantes da rede pública.

    O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), coordenado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), desempenha papel central nessa estratégia. A política determina que pelo menos 45% dos recursos federais sejam destinados à compra direta de alimentos da agricultura familiar. Com isso, o programa fortalece a produção rural, amplia a renda dos agricultores e garante alimentos frescos nas escolas. O resultado aparece diariamente nos pratos dos estudantes, que recebem refeições produzidas com alimentos de qualidade.

    Nos Estados Unidos, a realidade é diferente. A merenda escolar geralmente não é gratuita para todos os alunos. Embora exista o programa federal National School Lunch Program, o benefício atende principalmente estudantes de famílias de baixa renda. O governo subsidia parte dos custos conforme critérios específicos de elegibilidade.

    Segurança alimentar ajuda Brasil a sair do Mapa da Fome

    Em julho de 2025, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). O resultado reflete o avanço de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao acesso da população aos alimentos.

    Segundo a ONU, o país reduziu para menos de 2,5% o percentual da população em situação de subnutrição ou sem acesso suficiente à alimentação.

    A recriação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em 2023, reforçou esse movimento. Programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) ampliaram o apoio à produção rural.

    As iniciativas aumentam a oferta de alimentos, fortalecem a agricultura familiar e beneficiam milhões de famílias brasileiras. Dessa forma, o Brasil une produção agrícola, segurança alimentar e educação em uma estratégia que transforma a alimentação escolar em referência internacional.

  • Distrito Federal incluirá mel da agricultura familiar na merenda escolar

    Distrito Federal incluirá mel da agricultura familiar na merenda escolar

    Governo do Distrito Federal anunciou um edital inédito para compra de mel da agricultura familiar. O edital garante 13,2 toneladas do produto para a merenda de cerca de 438 mil estudantes da rede pública.

    A medida integra o Programa Nacional de Alimentação Escolar do DF, coordenado pela Emater, Seagri e Secretaria de Educação. O investimento inicial chega a R$ 463,9 mil e busca avaliar logística, entrega e aceitação do mel pelos alunos. Segundo Cleison Duval, presidente da Emater-DF, a iniciativa fortalece cadeias produtivas locais e valoriza a identidade regional do mel. “Estamos mostrando que a agricultura familiar pode atender demandas de escala, gerar renda e diversificar sua produção”, destacou Duval. A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, ressaltou que a ação amplia a segurança alimentar e incentiva agricultores a expandirem a produção.
    “Nossas crianças recebem agora uma merenda mais saudável e diversificada. Se tivéssemos mais toneladas, compraríamos todas”, afirmou Paranaguá.

    Merenda escolar

    Atualmente, a merenda escolar prioriza alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, hortaliças, queijos e agora o mel. Os grupos interessados devem enviar documentação até 30 de setembro, exclusivamente por e-mail, à Comissão de Chamada Pública.
    A iniciativa também acompanha a ampliação da meta do Pnae, que elevou de 30% para 45% a compra da agricultura familiar. No lançamento, participaram cooperativas de apicultores e produtores agrícolas do DF e da Ride, além do sindicato da categoria.

    Produção de mel

    O presidente da Cooapis, Eliseu Sérgio, destacou que a oportunidade fortalece os apicultores e amplia a renda das famílias associadas. A cooperativa reúne 25 famílias e espera alcançar 50 até o fim do ano, ampliando a capacidade de produção de mel. Com novo entreposto, a Cooapis prevê processar até 20 toneladas de mel por ano a partir de 2026.

    O chefe do Núcleo de Produção Sustentável, João Ricardo Soares, destacou a importância da cooperação entre instituições públicas e agricultores. Segundo ele, a iniciativa transforma a demanda em oportunidade concreta e qualifica a produção voltada à alimentação escolar.

    Blaiton de Carvalho, da Emater-DF, afirmou que a chamada pública estimula a reorganização da cadeia produtiva do mel no DF. “O setor tem agora o desafio positivo de crescer de forma estruturada e sustentável para atender a demanda”, avaliou Carvalho.