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  • Robalo: peixe brasileiro conquista 3º lugar em ranking de alimentos mais nutritivos

    Robalo: peixe brasileiro conquista 3º lugar em ranking de alimentos mais nutritivos

    O robalo, peixe nobre encontrado em abundância no litoral brasileiro, acaba de ganhar reconhecimento internacional ao alcançar o terceiro lugar em um ranking que avaliou mais de mil alimentos quanto ao valor nutricional. A pesquisa, divulgada pelo portal britânico Surrey Live e amplamente citada em publicações internacionais, atribuiu 89 pontos ao robalo em uma escala de até 100, colocando-o atrás apenas das amêndoas e da fruta-do-conde.

    Segundo o Dr. Xiao Jianjian, do Hospital Cathay em Taiwan, o robalo possui perfil nutricional superior ao do salmão, especialmente por apresentar menor teor de gordura. Enquanto 100 gramas de robalo contêm entre 2 e 5 gramas de gordura, a mesma porção de salmão pode chegar a 13 gramas, tornando o peixe brasileiro uma opção mais leve para quem busca controle de peso sem abrir mão da qualidade nutricional.

    Além de proteínas de alta qualidade, o robalo é fonte de magnésio, cálcio, ferro e zinco, nutrientes que desempenham papel importante no funcionamento do organismo e contribuem para processos como cicatrização, fortalecimento muscular e manutenção da energia diária. O consumo do peixe é frequentemente recomendado em contextos de recuperação pós-operatória, pós-parto e tratamentos que exigem reforço nutricional.

    Brasil tem potencial gigantesco para liderar produção de proteína marinha

    Apesar do destaque nutricional, o Brasil ainda subutiliza seu enorme potencial para a aquicultura marinha. A aquicultura brasileira encerrou 2024 com resultados históricos, atingindo R$ 11,7 bilhões em valor de produção, um crescimento de 15,4% em relação a 2023. No entanto, a produção nacional ainda está concentrada em espécies de água doce, como a tilápia, que representa cerca de 70% do total.

    O robalo-flecha (Centropomus undecimalis) e o robalo-peva (Centropomus parallelus), espécies nativas brasileiras, apresentam características ideais para a aquicultura: resistência ao manejo, adaptação a diferentes salinidades (água doce, salobra e salgada) e alto valor comercial. De acordo com pesquisas realizadas durante estudos de doutorado, é possível produzir um peixe de 1 quilo em dois anos, a partir de juvenis de 2 ou 3 gramas, mesmo sem melhoramento genético e com rações nacionais inadequadas para a espécie.

    Giovanni, pesquisador especializado em aquicultura marinha, destaca que com reprodutores domesticados e algumas gerações de melhoramento genético, o robalo pode passar facilmente de 1 kg nos primeiros 18 a 24 meses. “Há muitos e muitos anos escuto muita gente falando algumas besteiras por aí. Dizendo que os nossos centropomídeos não crescem nada, que sua criação comercial é inviável economicamente. Quanta bobagem!”, afirmou em artigo publicado na Aquaculture Brasil.

    Atualmente, regiões de Santa Catarina e São Paulo já desenvolvem cultivos experimentais de robalo, além de outras espécies marinhas como o beijupirá e a tainha. As pesquisas são conduzidas pela CEDAP, em São Paulo, e pela EPAGRI, em Santa Catarina, mas ainda em escala limitada.

    Grécia e Portugal já produzem milhares de toneladas , em um modelo que pode transformar economia brasileira

    Enquanto o Brasil engatinha na produção de robalo, países europeus já consolidaram uma indústria bilionária. A Grécia produziu principalmente robalo e dourada, sendo um dos principais produtores aquícolas da União Europeia em 2020, representando 11% do total da produção. A União Europeia é o maior produtor mundial de robalo, respondendo por 80% da produção. Sendo a Grécia o principal produtor no bloco, seguida da Espanha.

    Cerca de 90% do robalo e da dourada consumidos em Portugal são importados, maioritariamente de criação em jaulas offshore na Grécia, Espanha e Turquia. O que demonstra a demanda europeia pelo peixe e o potencial de mercado para exportações brasileiras.

    A tecnologia europeia de cultivo em tanques-rede offshore (em mar aberto) poderia ser perfeitamente replicada no extenso litoral brasileiro. O país possui mais de 7.400 quilômetros de costa, com condições climáticas favoráveis durante todo o ano, ao contrário dos países europeus que enfrentam invernos rigorosos.

    FAO prevê crescimento de 104% na aquicultura brasileira

    A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) projeta que a aquicultura no Brasil poderá crescer 104% até 2025, acima da média de outras nações emergentes, devido aos investimentos significativos feitos no setor.

    Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o Brasil produziu 1,35 milhão de toneladas de pescado em 2024. Um crescimento de 11,5% em relação ao ano anterior, movimentando R$ 10,7 bilhões. Desse total, a aquicultura respondeu por 881 mil toneladas, somando cultivos em água doce e salgada.

    No entanto, a piscicultura marinha, que inclui espécies como robalo, linguado e beijupirá, ainda representa uma fração mínima desse volume. A imensa maioria da produção concentra-se em espécies de água doce, com destaque para tilápia e tambaqui.

    Desafios e oportunidades para o setor

    Apesar do potencial gigantesco, a aquicultura marinha brasileira enfrenta desafios significativos. A ausência de rações comerciais específicas para o robalo é um dos principais gargalos. “Como não há produção, não há ração”, explica o pesquisador Giovanni em sua coluna.

    Outro obstáculo é o crescimento relativamente lento da espécie em comparação com a tilápia (5-6 meses) ou o camarão marinho (90 dias). O robalo leva de 18 a 24 meses para atingir o peso comercial, o que exige paciência e planejamento de longo prazo dos produtores.

    A falta de investimentos estruturantes também limita a expansão do setor. Enquanto países como a China transformaram sua aquicultura em commodities de exportação, aumentando suas riquezas nacionais, o Brasil carece de políticas públicas consistentes e financiamento para pesquisa e desenvolvimento.

    Um futuro promissor ao alcance

    Com sua extensa faixa litorânea, biodiversidade marinha e condições climáticas favoráveis, o Brasil tem todos os elementos necessários para se tornar um líder global na produção de proteína aquática de alta qualidade. O robalo, com seu reconhecido valor nutricional e alto valor de mercado, representa uma oportunidade estratégica.

    A experiência europeia demonstra que a produção em larga escala é viável e lucrativa. Portugal, por exemplo, estabeleceu a meta de aumentar sua produção aquícola para 25 mil toneladas até 2030, segundo a Estratégia Nacional para o Mar.

    Para que o Brasil alcance seu pleno potencial, são necessários investimentos em três frentes principais. Desenvolvimento de rações específicas e tecnologias de cultivo, melhoramento genético das espécies nativas e criação de políticas públicas que incentivem a aquicultura marinha sustentável.

    O robalo brasileiro não é apenas um superalimento que supera o salmão em leveza e densidade nutricional. É também uma oportunidade econômica capaz de gerar milhares de empregos, aumentar o PIB nacional e posicionar o país como protagonista na produção mundial de pescado de qualidade.

  • Brasil lidera produção de peixes cultivados nas Américas

    Brasil lidera produção de peixes cultivados nas Américas

    O Brasil consolidou-se, em 2024, como o maior produtor de peixes de cultivo das Américas, ultrapassando o Chile e alcançando a marca de 968 mil toneladas produzidas. O avanço coloca o país na liderança continental e reforça sua ambição de alcançar o topo do ranking mundial da piscicultura até 2040, segundo dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR).

    A meta de liderança global está ancorada em investimentos robustos do setor privado, que devem representar cerca de 80% dos aportes no segmento nos próximos anos. O crescimento acelerado da tilapicultura, principal motor do setor, é impulsionado por avanços em genética, nutrição, manejo, equipamentos e sanidade. Além de estratégias para ampliar a comercialização nos mercados interno e externo.

    Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR. Foto; reprodução

    De acordo com Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, a participação de empresas já consolidadas em outras cadeias de proteína animal, como aves e suínos, tem gerado sinergias que aceleram o desenvolvimento da piscicultura nacional. Nos últimos 11 anos, o setor registrou crescimento médio anual superior a 10%, evidenciando o potencial brasileiro para atingir a meta de 2040.

    Tilapicultura brasileira é referência em tecnologia e produtividade

    O Brasil já se destaca internacionalmente pela tilapicultura mais tecnológica do mundo. Segundo Medeiros, a produtividade nacional chega a ser o dobro da média global, resultado direto dos investimentos em inovação em toda a cadeia produtiva. O uso intensivo de ciência, tecnologia e inovação tem permitido ao setor crescer mesmo em cenários econômicos desafiadores, mantendo a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Apesar do cenário favorável, a piscicultura brasileira enfrenta desafios significativos. A sanidade dos plantéis é apontada como o principal gargalo atual, com aumento de ocorrências e sem sinais de recuo. No ambiente pós-produção, entraves regulatórios e mercadológicos exigem atenção constante para não comprometer o desempenho do setor.

    A Peixe BR destaca que o trabalho contínuo da entidade é fundamental para manter o ritmo de expansão. Além de garantir que o Brasil siga atendendo às demandas dos mercados interno e externo. A proteína de pescado, especialmente a de peixes cultivados, já é a mais consumida no mundo. E o país pretende ampliar sua contribuição para a segurança alimentar global.

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