Tag: mercado de açúcar

  • Etanol sobe com oferta menor em São Paulo

    Etanol sobe com oferta menor em São Paulo

    As chuvas recentes nas regiões produtoras de cana-de-açúcar de São Paulo interromperam parte da moagem. Com isso, a oferta de etanol diminuiu e os preços registraram leve alta.

    Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que vendedores mantiveram firmeza nos preços. Além disso, muitos participaram do mercado spot apenas para gerar receita.

    Por outro lado, distribuidoras ampliaram as compras na última semana. O movimento elevou o volume negociado de etanol anidro e hidratado em comparação ao período anterior. Apesar disso, agentes do mercado ainda esperam ampla oferta de etanol durante a safra 2026/27.

    Negócios com etanol avançam

    O volume negociado de etanol anidro no mercado spot paulista mais que dobrou na última semana. Já as negociações de etanol hidratado cresceram 81,5% no mesmo comparativo, segundo cálculos do Cepea.

    Açúcar cristal amplia perdas

    Enquanto o etanol ganhou força, o açúcar cristal branco continuou em queda no mercado paulista. Segundo pesquisadores, os compradores seguem retraídos. Muitos aguardam novas baixas diante da oferta abundante neste início da safra 2026/27. A movimentação reduzida também contribuiu para a pressão sobre os preços.

    El Niño preocupa produtores

    No cenário climático, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou a ocorrência do fenômeno El Niño. O fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de açúcar em importantes regiões produtoras, como Índia, Tailândia e partes do Brasil.

    No Centro-Sul brasileiro, as previsões indicam mais chuvas. Esse cenário pode dificultar a colheita e o processamento da cana-de-açúcar. Como consequência, a oferta imediata da matéria-prima pode ficar mais limitada.

    Mercado global pressiona cotações

    No mercado internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York seguiram em queda. As cotações recuaram diante das expectativas de maior oferta global de açúcar no curto prazo.

     

     

     

  • Brasil projeta avanços para 2025 e 2026 no mercado de açúcar

    Brasil projeta avanços para 2025 e 2026 no mercado de açúcar

    Mesmo enfrentando adversidades climáticas e desafios de safra, o Brasil consolidará sua posição de liderança no mercado global de açúcar em 2025 e 2026. Especialistas do setor destacaram essa projeção durante a nona edição da série de lives Conexão SCA Brasil, transmitida pelo YouTube. Entre os participantes, estavam Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil; Júlio Adorno, head da Alvean no Brasil; e Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting.

    Para o ciclo 2024-2025, a Alvean prevê uma produção de 39,5 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul do Brasil, número que pode variar dependendo das condições climáticas e das decisões sobre o encerramento de operações industriais. Para a safra seguinte, a expectativa é de alcançar 40 milhões de toneladas.

    O Brasil responde por 50% do fornecimento mundial de açúcar, e as exportações atingiram recordes históricos: 19 milhões de toneladas em 2023 e 26 milhões em 2024. Segundo Júlio Adorno, esse desempenho reflete a eficiência da indústria açucareira brasileira e a maior capacidade operacional nos terminais de grãos.

    “Os estoques globais de açúcar continuam baixos, sem reposição nos últimos dois anos. O açúcar brasileiro é rapidamente consumido, e o mundo depende cada vez mais dessa produção para atender à demanda”, enfatizou Adorno.

    Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting, compartilha dessa visão, destacando que o Brasil detém atualmente uma participação de 56,5% no mercado global. “Se o Brasil tiver uma ‘gripe’, o mercado mundial de açúcar sofrerá uma ‘pneumonia dupla’”, afirmou.

    Consumo e dependência global

    Os especialistas destacaram o crescimento do consumo de açúcar em mercados como Bangladesh, Paquistão e Indonésia, onde a demanda somada ultrapassa 1 bilhão de consumidores. Na Indonésia, por exemplo, o consumo per capita aumentou sete quilos em uma década.

    Por outro lado, fatores como preços elevados em 2023-2024 impactaram levemente o consumo em regiões como América do Norte e Ásia. Entretanto, Adorno prevê uma normalização no curto prazo, acompanhada por uma retomada do consumo global.

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    A Tailândia, tradicional concorrente no mercado, enfrenta baixa produtividade de cana e mandioca, limitando sua capacidade de recuperação nos próximos anos. Já a Índia, segunda maior produtora mundial, não deverá aumentar significativamente sua participação no mercado internacional.

    Impactos climáticos e safras futuras

    A atual safra brasileira enfrenta os efeitos de uma grave deficiência hídrica, estimada entre 400 e 500 milímetros nas regiões canavieiras, além de incêndios que destruíram 665 mil hectares de cana, sendo 465 mil somente em São Paulo. Como resultado, a moagem para a temporada 2024-2025 deve ficar entre 606 e 608 milhões de toneladas, segundo projeções da SCA Brasil.

    Martinho Ono alertou para os reflexos desses problemas na safra 2025-2026, que deve processar entre 565 e 585 milhões de toneladas de cana. “A próxima safra enfrentará desafios como germinações desiguais, redução no índice de tonelada de cana por hectare (TCH), morte de soqueiras e aumento de pragas e doenças. Isso exigirá mais replantio e reduzirá a área disponível para colheita”, explicou.

    O especialista Arnaldo Corrêa apresentou uma análise de preços do açúcar ao longo das últimas duas décadas. De acordo com seus cálculos, apenas 10% do tempo o mercado operou acima de R$ 2.956,00 por tonelada, enquanto em 90% permaneceu abaixo de R$ 1.609,00. Ele também prevê uma elevação no índice global de preços para as próximas safras, que pode variar de 300 a 400 pontos, ultrapassando os atuais 18 centavos de dólar por libra-peso.

    Impacto global e oportunidades para o Brasil

    Adorno e Corrêa também analisaram o papel do Brasil no cenário internacional frente a disputas comerciais entre grandes potências, como Estados Unidos e China. Segundo Corrêa, tensões entre esses países poderiam beneficiar o Brasil, aumentando as exportações de grãos e gerando novas oportunidades no mercado de etanol de milho.

    Com projeções robustas de crescimento e a manutenção de sua hegemonia no mercado global de açúcar, o Brasil reafirma sua relevância como principal fornecedor mundial, equilibrando eficiência industrial, resiliência climática e adaptação às demandas internacionais.