Tag: mercado agrícola

  • Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    Agroindústria perde força e fecha primeiro semestre em queda

    A agroindústria iniciou 2026 com a produção em alta, mas perdeu força ao longo dos meses seguintes. Com isso, encerrou o primeiro semestre com retração acumulada de 0,3%, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).

    O desempenho, porém, variou entre os segmentos. Enquanto as indústrias não alimentícias registraram queda de 2% na produção no semestre, as de alimentos e bebidas avançaram 1,1%. De acordo com o FGV Agro, “a desaceleração da economia brasileira e as turbulências no setor externo explicam a perda de ritmo do setor”.

    Entre os segmentos analisados, a indústria de insumos agropecuários apresentou o pior resultado, com queda de 8,3% na produção. O setor já vinha registrando retração desde 2025 e teve o desempenho agravado pela guerra no Oriente Médio, devido aos “potenciais efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos”, segundo o centro de estudos.

    Outros segmentos também fecharam o semestre no vermelho. A produção de produtos têxteis recuou 5%, enquanto a de produtos florestais caiu 2,4%.

    Na direção oposta, as indústrias de biocombustíveis registraram forte crescimento. A produção avançou 18,1% no semestre, impulsionada principalmente pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar. As indústrias de fumo também tiveram resultado positivo, com alta de 1,6%.

    Agroindústria perde ritmo no segundo trimestre

    O desempenho da agroindústria também mudou de forma significativa entre os dois primeiros trimestres do ano. Entre janeiro e março, o PIMAgro cresceu 0,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já entre abril e junho, o indicador registrou queda de 0,8% na comparação anual.

    No segmento de alimentos e bebidas, entretanto, todas as indústrias apresentaram crescimento no primeiro semestre. O destaque ficou com as bebidas alcoólicas e não alcoólicas, que registraram alta de 1,5% cada.

    A produção de alimentos de origem animal também avançou. O crescimento foi de 1,3%, impulsionado principalmente pelos setores de carnes e laticínios.

    Já as indústrias de alimentos de origem vegetal tiveram alta mais moderada, de 0,4% até junho. O resultado foi sustentado pela produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, moagem de trigo e café.

    Ainda assim, o segmento perdeu força ao longo do semestre. Depois de avançar 4,4% no primeiro trimestre, a produção recuou 2,7% entre abril e junho.

    Em junho, o PIMAgro caiu 0,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. Foi a segunda queda consecutiva do indicador.

    Cota chinesa e exportações podem pressionar setor

    Para o FGV Agro, a agroindústria deve enfrentar novos desafios no segundo semestre. Um dos principais fatores é o preenchimento da cota chinesa para a carne bovina.

    Segundo o centro de estudos, a produção destinada ao mercado asiático vinha contribuindo para sustentar um dos segmentos mais dinâmicos do indicador. Com o limite de embarques, portanto, esse impulso pode perder força nos próximos meses.

    Além disso, a interrupção dos embarques de produtos de origem animal para a União Europeia, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, também deve pressionar o desempenho da agroindústria brasileira no segundo semestre.

  • Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil

    Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil

    O verão de 2026 está impondo um dos maiores desafios já enfrentados pela agricultura britânica. A combinação de calor extremo e escassez de chuvas comprometeu a produção de hortaliças em diversas regiões do Reino Unido, reduziu a oferta de alimentos e obrigou supermercados, restaurantes e distribuidores a recorrerem às importações justamente no período em que o país costuma abastecer o próprio mercado.

    Os efeitos já chegaram às prateleiras. Segundo representantes do setor ouvidos pelo jornal britânico The Guardian, os preços no atacado dispararam nas últimas semanas. O tomate ficou mais de 60% mais caro, a alface americana registrou alta próxima de 90% e a batata acumula valorização superior a 40%.

    O cenário também preocupa autoridades, varejistas e produtores, que classificam a atual temporada como uma das mais difíceis das últimas décadas.

    Brócolis perde metade da produção

    Entre as culturas mais afetadas está o brócolis. Em algumas propriedades, a produtividade caiu cerca de 50%, consequência direta das temperaturas elevadas e da falta de água para irrigação.

    David Simmons, produtor da Riviera Produce e integrante da diretoria da Brassica Growers’ Association, afirmou ao The Guardian que os agricultores passaram a unir duas cabeças de brócolis para atingir o peso mínimo exigido pelo mercado.

    “O Reino Unido enfrenta uma grande escassez de brócolis neste momento. Estamos importando produtos da Espanha e da Holanda para atender aos pedidos”, afirmou.

    Segundo ele, a preocupação agora se concentra na couve-flor, que também pode apresentar redução significativa de oferta nas próximas semanas caso o clima permaneça seco.

    Importações voltam ao centro do abastecimento

    A queda da produção obrigou distribuidores a fazer um movimento considerado incomum para esta época do ano.

    Tradicionalmente, durante o verão, boa parte das hortaliças consumidas no Reino Unido é produzida internamente. Desta vez, porém, empresas voltaram a comprar grandes volumes na Espanha para evitar desabastecimento.

    Tim O’Malley, presidente da distribuidora Nationwide Produce, afirmou ao The Guardian que a situação é mais grave do que muitos consumidores imaginam.

    “A situação é pior do que o público imagina. Estamos ficando sem água”, disse.

    Segundo o executivo, verduras folhosas, alface americana e brócolis foram as culturas mais prejudicadas. Mesmo enfrentando temperaturas elevadas, produtores espanhóis conseguem manter parte da produção graças à infraestrutura de irrigação desenvolvida ao longo de décadas.

    Cenouras enfrentam o pior ano da história

    A situação também preocupa os produtores de cenoura.

    Rodger Hobson, agricultor de Yorkshire responsável por cerca de 4% da produção britânica da cultura, classificou 2026 como o pior ano já registrado em sua propriedade.

    “É de partir o coração e para o bolso”, afirmou ao The Guardian.

    Segundo Hobson, temperaturas acima de 25°C já reduzem significativamente o desenvolvimento das plantas. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, praticamente todo o crescimento da cultura é interrompido.

    Caso não ocorram chuvas consistentes nas próximas semanas, a produção nacional poderá acabar meses antes do previsto, obrigando o país a ampliar as importações durante a primavera europeia.

    Colheitas antecipadas preocupam agricultores

    Além das hortaliças, outras culturas também apresentam perdas importantes.

    A safra inglesa de ervilhas caiu cerca de um terço em relação ao esperado. Já a colheita de cereais começou mais cedo do que o habitual, reflexo direto das altas temperaturas e da rápida perda de umidade do solo.

    Produtores estudam adotar variedades mais resistentes ao calor, semelhantes às cultivadas no sul da Europa. No entanto, representantes do setor defendem que apenas mudanças tecnológicas não serão suficientes.

    Entre as principais reivindicações está o aumento dos investimentos em reservatórios para armazenar água das chuvas do inverno e da primavera, garantindo irrigação durante os meses mais secos.

    Supermercados cobram ação do governo

    A preocupação extrapolou o campo.

    As maiores redes varejistas do Reino Unido, juntamente com fabricantes, distribuidores e atacadistas de alimentos, enviaram um documento ao governo britânico alertando que incêndios florestais, secas prolongadas e eventos climáticos extremos passaram a representar uma ameaça concreta à segurança alimentar nacional.

    As empresas defendem políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção doméstica e à redução da dependência das importações.

    Calor atinge toda a Europa

    Os impactos não se restringem ao Reino Unido.

    Diversos países europeus registram perdas em culturas como trigo, batata, tomate e oliveiras, pressionados pela combinação de seca prolongada, incêndios florestais e sucessivas ondas de calor.

    Especialistas avaliam que a tendência aumenta a volatilidade do mercado internacional de alimentos e pode influenciar o comércio agrícola nos próximos meses, principalmente se as condições climáticas extremas persistirem até o fim do verão no Hemisfério Norte.

  • Congresso Andav reúne dados inéditos da distribuição de insumos

    Congresso Andav reúne dados inéditos da distribuição de insumos

    A 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav será apresentada no 15º Congresso Andav. O evento ocorre de 11 a 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. A divulgação do estudo está marcada para o dia 13, às 14h15.

    O levantamento acompanha o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários. Além disso, reúne indicadores sobre o desempenho econômico e financeiro das empresas. A pesquisa também analisa crédito, investimentos, estoques, infraestrutura e tendências do setor.

    A Andav desenvolve o estudo em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). O levantamento reúne informações de pequenas, médias e grandes empresas associadas. Assim, os dados ajudam a mostrar a realidade da distribuição de insumos em diferentes regiões do país.

    Entre os indicadores avaliados estão faturamento, desempenho financeiro e modalidades de crédito. A pesquisa também considera estoques, investimentos e infraestrutura. Além disso, analisa o perfil dos colaboradores, a participação feminina e os planos de expansão das empresas.

    O estudo ainda acompanha os níveis de satisfação dos clientes e as tendências do mercado. Dessa maneira, a pesquisa oferece uma visão ampla sobre os caminhos da distribuição de insumos agropecuários no Brasil.

    Pesquisa mostra evolução do setor

    A edição divulgada no ano passado apresentou dados importantes sobre o desempenho das empresas associadas à Andav. Na ocasião, o levantamento apontou crescimento de 10,6% na receita.

    As empresas alcançaram R$ 167 bilhões em faturamento em 2024. O resultado ocorreu em um cenário de restrições de crédito. Além disso, parte do setor enfrentou processos de recuperação judicial.

    O segmento de insumos respondeu por R$ 104 bilhões desse total. Já a comercialização de grãos movimentou R$ 36 bilhões. Por sua vez, máquinas, serviços e outros negócios representaram R$ 27 bilhões.

    O estudo também identificou avanços na infraestrutura da distribuição. Ao mesmo tempo, aumentaram as perspectivas de expansão das empresas.

    Agora, a nova edição da Pesquisa Nacional da Distribuição Andav deve atualizar esse cenário. Com isso, o levantamento poderá mostrar as mudanças registradas pelo setor desde a última edição.

    Para Roberta Alves, gerente de Atendimento e Educação da Andav, a participação dos associados amplia a representatividade da pesquisa.

    “A participação dos associados da Andav na pesquisa reflete a nossa imensa capilaridade e diversidade. Ao reunirmos a visão e os dados de pequenas, médias e grandes empresas, revelamos a verdadeira dimensão da Distribuição de Insumos Agropecuários. Somos o elo que conecta a indústria de insumos ao produtor rural, garantindo o avanço contínuo de todo o agronegócio.”

    Indicadores ajudam nas decisões

    A Pesquisa Nacional da Distribuição ganhou importância ao longo da última década. Nesse período, o levantamento passou a apoiar o acompanhamento da evolução do setor.

    Os dados também ajudam as empresas a tomar decisões. Além disso, permitem identificar riscos e oportunidades no mercado.

    Por outro lado, os indicadores fortalecem o diálogo com autoridades. Eles ainda ajudam a destacar a importância da distribuição na cadeia do agronegócio.

    A Andav conta com a condução do Cepea/Esalq-USP para realizar o levantamento. A instituição responde pela coleta e pelo tratamento das informações.

    Segundo a Andav, a parceria garante uma base de dados para analisar o mercado. Além disso, fortalece as ações da entidade em defesa do setor.

    Os resultados também contribuem para o diálogo com órgãos reguladores. Dessa forma, a pesquisa amplia a representatividade dos distribuidores nas discussões sobre o setor.

    Para Mateus Elias, gerente de Inteligência de Mercado da Andav, o levantamento apoia decisões estratégicas em um mercado dinâmico.

    “A Pesquisa Nacional da Distribuição Andav é uma ferramenta estratégica para compreender a evolução da Distribuição de Insumos Agropecuários no Brasil. Ao consolidar informações de mercado, desempenho financeiro, estoques e tendências regionais, a pesquisa fortalece e gera indicadores confiáveis para todo o segmento. Atualmente, em um cenário desafiador, os dados contribuem para que distribuidores tomem decisões mais assertivas, identifiquem riscos e oportunidades e aprimorem seu planejamento estratégico, fortalecendo a sustentabilidade e a competitividade do setor”, explica.

    Congresso Andav discute futuro do agro

    A apresentação da pesquisa integra a programação do 15º Congresso Andav. O evento terá como tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”.

    Ao longo de três dias, lideranças do agronegócio, economistas, executivos, pesquisadores e especialistas participarão dos debates. A programação abordará fatores que influenciam a competitividade do setor.

    Entre os assuntos estão economia, geopolítica e crédito. O evento também terá discussões sobre mercado financeiro, reforma tributária e inteligência de mercado.

    Além disso, a programação inclui temas como bioenergia, inovação e distribuição de insumos. A gestão empresarial também estará entre os assuntos tratados durante o congresso.

    O evento contará com quatro pavilhões e mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. Centenas de empresas, instituições e especialistas participarão da programação.

    Nesse ambiente, o congresso busca promover conhecimento, relacionamento e oportunidades de negócios. A pesquisa, por sua vez, acrescenta dados para a análise do mercado de distribuição de insumos.

    A 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav será apresentada no dia 13 de agosto, às 14h15. Portanto, o levantamento será um dos destaques da programação do último dia do evento.

    A expectativa é que os novos indicadores ajudem a compreender o momento atual da distribuição de insumos agropecuários. Além disso, os dados poderão apontar tendências e perspectivas para o setor no Brasil.

    Serviço

    15º Congresso Andav

    Data: 11 a 13 de agosto de 2026
    Horário da plenária: Dias 11 e 12, das 10h às 16h45; dia 13, das 10h às 16h
    Apresentação da 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav: 13 de agosto, às 14h15
    Horário da exposição: Dias 11 e 12, das 9h às 21h; dia 13, das 9h às 18h
    Local: Transamerica Expo Center
    Endereço: Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro, São Paulo (SP) – entrada pelo Pavilhão G
    Outras informações: eventosandav.com.br

  • Vendas de máquinas agrícolas caem 22,3% em junho, diz Abimaq

    Vendas de máquinas agrícolas caem 22,3% em junho, diz Abimaq

    As vendas da indústria de máquinas e equipamentos agrícolas somaram R$ 4,97 bilhões em junho de 2026, uma queda de 22,3% em relação a junho de 2025. Na comparação com maio deste ano, porém, houve alta de 8,3%. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    No acumulado do primeiro semestre de 2026, o setor totalizou R$ 26,64 bilhões, recuo de 21,3% frente ao mesmo período de 2025.

    Por que as vendas travaram

    Segundo Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, junho e julho costumam ser meses de transição por causa da virada do Plano Safra.

    “Principalmente neste ano, com juros menores do novo plano em relação ao ano passado, isso acabou travando as compras”, afirmou Bastos.

    O motivo está na mudança de programa de crédito. No ano passado, o Moderfrota oferecia juros de 13,5%. O novo programa, Já o Move Agricultura tem juros de 9,2%.

    “Os produtores esperam a entrada em vigor dessas condições para comprar máquinas”, destacou o executivo.

    Exportações em alta

    Na contramão do mercado interno, as exportações do setor cresceram:

    • Junho de 2026: US$ 160,67 milhões, alta de 17,2% sobre junho de 2025 e de 20,9% sobre maio de 2026
    • Acumulado do 1º semestre: US$ 876,6 milhões, 17,5% acima do mesmo período de 2025

    Já as importações também subiram no comparativo mensal, mas recuaram no semestre:

    • Junho de 2026: US$ 124,4 milhões, alta de 17,7% sobre junho de 2025
    • Acumulado do 1º semestre: US$ 626,07 milhões, queda de 4,7% ante 2025

    Tratores

    • 3.146 tratores vendidos a usuários finais em junho, queda de 20,8% na comparação anual
    • 3.636 unidades vendidas de fábrica, recuo de 20,7%
    • 620 tratores exportados, alta de 50,9% frente a junho de 2025

    Colheitadeiras

    • 140 unidades vendidas a usuários finais, queda de 41,4% na comparação anual
    • 78 unidades vendidas de fábrica, recuo de 78,7%
    • 15 colheitadeiras exportadas, 37,5% a menos que em junho de 2025

    O que esperar para 2026?

    A Abimaq mantém a projeção de queda de 20% nas vendas do setor neste ano, divulgada no mês anterior.

    “Se a situação parar de piorar, devemos fechar o ano com queda de 20%, o que ainda é bastante expressivo. Isso ocorre em função da baixa rentabilidade das principais lavouras. Com margens menores, o produtor adia os investimentos e deixa de comprar máquinas”, explicou Bastos.

  • Congresso Andav debate gestão de pessoas no agro

    Congresso Andav debate gestão de pessoas no agro

    A transformação do agronegócio brasileiro também passa pela forma como as empresas lidam com seus profissionais. Em um setor marcado por mudanças constantes e maior exigência de competitividade, temas como retenção de talentos, formação de lideranças, cultura organizacional e sucessão ganham espaço na agenda estratégica. Essas questões estarão entre os assuntos debatidos no 15º Congresso Andav 2026, que será realizado de 11 a 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

    A programação reunirá especialistas e lideranças para discutir os desafios relacionados à gestão de pessoas na distribuição de insumos agropecuários. O objetivo é ampliar o debate sobre desenvolvimento humano, engajamento e construção de ambientes organizacionais capazes de acompanhar as transformações do setor.

    Um dos destaques será a palestra “Transforme Negócios Através de Pessoas!”, marcada para 12 de agosto. A apresentação será conduzida por Paulo Camargo, mentor de CEOs, conselheiro, ex-CEO do McDonald’s e colunista do UOL Economia.

    No dia seguinte, 13 de agosto, Izabela Mioto, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), ministrará a palestra “Gestão de Pessoas que Transforma Organizações”. A especialista abordará estratégias relacionadas ao fortalecimento da cultura organizacional e ao desenvolvimento de lideranças, com foco em inovação, desempenho e engajamento das equipes.

    “Os desafios da distribuição vão além dos aspectos econômicos e tecnológicos. As pessoas são o principal ativo das empresas. Investir em liderança, cultura organizacional e desenvolvimento humano é investir na sustentabilidade dos negócios e na evolução de todo o setor”, afirma Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav.

    Premiações reconhecem nomes do agronegócio

    A programação do Congresso Andav também terá espaço para o reconhecimento de profissionais e personalidades que contribuem para o desenvolvimento da distribuição de insumos e do agronegócio brasileiro.

    O tradicional Prêmio Andav de Reconhecimento será realizado ao longo dos três dias do evento. Em 11 de agosto, a advogada especializada em Direito Socioambiental Samanta Pineda, do escritório Pineda e Krahn, receberá a homenagem na categoria Defesa do Setor.

    Já no dia 12, a premiação será dedicada à categoria Personalidades do Agro, que reconhecerá importantes lideranças da distribuição de insumos agropecuários.

    Encerrando as homenagens, Letícia Jacintho, presidente do movimento De Olho no Material Escolar (DONME), será reconhecida no dia 13, na categoria Educação e Comunicação. A homenagem considera sua atuação relacionada à valorização da educação e da comunicação junto à sociedade.

    Congresso reúne debates sobre futuro do setor

    Com o tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”, o 15º Congresso Andav 2026 terá uma programação voltada aos principais desafios e oportunidades do agronegócio.

    Além da gestão empresarial e das discussões sobre pessoas e liderança, o evento reunirá economistas, executivos, pesquisadores, especialistas e lideranças do setor. Entre os assuntos previstos estão economia, geopolítica, crédito, mercado financeiro, reforma tributária, inteligência de mercado, bioenergia, inovação e distribuição de insumos.

    A edição de 2026 contará com quatro pavilhões e mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. O espaço reunirá centenas de empresas, instituições e especialistas em uma programação voltada à geração de conhecimento, relacionamento e oportunidades de negócios.

    Durante o Congresso, também será apresentada a Pesquisa Nacional da Distribuição Andav 2026, desenvolvida em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). O levantamento é apontado como uma das principais referências sobre o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários.

    Serviço

    Congresso Andav 2026
    Data: 11 a 13 de agosto de 2026
    Horário da plenária: dias 11 e 12, das 10h às 16h45; dia 13, das 10h às 16h
    Horário da exposição: dias 11 e 12, das 9h às 21h; dia 13, das 9h às 18h
    Local: Transamerica Expo Center
    Endereço: Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro, São Paulo-SP – entrada pelo Pavilhão G
    Outras informações: eventosandav.com.br

  • Distribuição de insumos ganha destaque no Congresso Andav 2026

    Distribuição de insumos ganha destaque no Congresso Andav 2026

    A distribuição de insumos agropecuários estará no centro dos debates do 15º Congresso Andav 2026, que será realizado entre os dias 11 e 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Um dos destaques da programação será o painel “Distribuidor: Acesso ao Mercado”. O encontro reunirá empresários do setor para discutir os desafios e as oportunidades da atividade diante das mudanças econômicas e das novas demandas do agronegócio brasileiro.

    O debate está marcado para o dia 12 de agosto, às 11h. Na ocasião, executivos que atuam em diferentes regiões do País compartilharão experiências sobre expansão de mercado, relacionamento com a indústria, acesso ao crédito, gestão empresarial e estratégias para ampliar a competitividade das empresas de distribuição.

    Além disso, o painel busca apresentar soluções práticas para um segmento que desempenha papel estratégico na conexão entre a indústria e o produtor rural.

    Distribuição amplia papel no agronegócio

    A distribuição de insumos ocupa uma posição estratégica na cadeia do agronegócio. O segmento conecta a indústria ao produtor rural, levando tecnologia, assistência técnica, soluções financeiras e serviços especializados ao campo.

    Nos últimos anos, as empresas ampliaram sua atuação para atender às novas exigências do mercado. Além da comercialização de insumos, passaram a oferecer ferramentas de agricultura digital, gestão de risco e consultoria técnica.

    Segundo o presidente executivo da Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários), Paulo Tiburcio, o distribuidor deixou de atuar apenas na venda de insumos. Hoje, ele exerce uma função mais ampla no desenvolvimento da atividade agrícola.

    “Além da comercialização de insumos, as empresas ampliaram sua atuação na oferta de assistência técnica, agricultura digital, soluções financeiras, gestão de risco e serviços especializados, tornando-se parceiras estratégicas do produtor rural em um ambiente de negócios cada vez mais complexo”, afirma.

    Ao mesmo tempo, o segmento enfrenta desafios importantes. Entre eles estão o aumento do custo do capital, a maior seletividade na concessão de crédito, a necessidade de ganhos de escala, a profissionalização da gestão e o processo de consolidação do mercado.

    Nesse cenário, Tiburcio avalia que a competitividade depende cada vez mais da capacidade de oferecer soluções integradas ao produtor rural.

    “Hoje, a competitividade da distribuição vai muito além da capacidade comercial. Ela passa pela qualidade do relacionamento com a indústria, pela proximidade com o produtor, pela oferta de serviços, pela gestão financeira e pela capacidade de compreender as diferentes realidades do mercado brasileiro. É essa visão prática que queremos levar ao Congresso”, destaca.

    Programação aborda desafios e oportunidades

    O painel integra a programação do Congresso Andav 2026, que terá como tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”. Durante os três dias de evento, representantes do agronegócio, da indústria, do mercado financeiro e da economia discutirão temas considerados estratégicos para o setor.

    Entre os assuntos previstos estão economia, crédito, reforma tributária, geopolítica, gestão de pessoas, bioenergia, inteligência de mercado e inovação. Além disso, será apresentada a Pesquisa Nacional da Distribuição Andav 2026, desenvolvida em parceria com o Cepea/Esalq-USP. O levantamento é considerado uma das principais referências sobre o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários.

    Por fim, a edição deste ano contará com quatro pavilhões e mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. O congresso reunirá centenas de empresas, instituições e especialistas. Dessa forma, reforça seu papel como ambiente voltado à geração de conhecimento, relacionamento e oportunidades de negócios para o agronegócio.

    Serviço

    15º Congresso Andav 2026

    Data: 11 a 13 de agosto de 2026.

    Horário da plenária: 11 e 12 de agosto, das 10h às 16h45; 13 de agosto, das 10h às 16h.

    Horário da exposição: 11 e 12 de agosto, das 9h às 21h; 13 de agosto, das 9h às 18h.

    Local: Transamerica Expo Center.

    Endereço: Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro, São Paulo (SP), entrada pelo Pavilhão G.

    Outras informações: eventosandav.com.br

  • Congresso Andav discute os novos rumos do agronegócio

    Congresso Andav discute os novos rumos do agronegócio

    A competitividade do agronegócio brasileiro passa por uma transformação que vai além da produção no campo. Juros elevados, mudanças nas relações comerciais internacionais e novas exigências dos mercados importadores influenciam diretamente as decisões de investimento. Além disso, a expansão do crédito privado e a implementação da Reforma Tributária ampliaram a complexidade do ambiente de negócios. Nesse cenário, esses temas estarão no centro das discussões do 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), que será realizado entre os dias 11 e 13 de agosto, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

    Com o tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”, o encontro reunirá economistas, empresários, especialistas e representantes da cadeia de distribuição de insumos. Entre os palestrantes confirmados estão Ricardo Amorim, Alexandre Baldy, Paulo Camargo, Carlos Cogo, Antonio da Luz e outras lideranças do setor. Assim, o congresso pretende reunir diferentes visões sobre os desafios que influenciam o agronegócio brasileiro.

    Segundo Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav, o ambiente de negócios tornou-se mais complexo. Por isso, as empresas precisam ampliar a visão estratégica sobre temas econômicos e regulatórios.

    “A agenda do agronegócio tornou-se mais ampla e mais complexa. Questões tributárias, acesso ao crédito, sustentabilidade, ambiente regulatório e competitividade internacional passaram a fazer parte da rotina de decisão das empresas. O Congresso Andav busca reunir diferentes visões para discutir esses temas de forma pragmática e conectada à realidade do setor”, afirma.

    Crédito e mercado estarão no centro dos debates

    Um dos principais eixos da programação será o financiamento da atividade agropecuária. Com a expansão do mercado de capitais, o setor busca novas alternativas para complementar os recursos tradicionais do crédito rural. Ao mesmo tempo, temas como recuperação judicial, gestão de riscos e segurança financeira passaram a ocupar espaço crescente nas estratégias das empresas.

    Além do crédito, o congresso discutirá competitividade internacional, geopolítica, acesso a mercados e relacionamento entre distribuidores e indústria. Também fazem parte da programação assuntos ligados à sucessão empresarial, gestão de pessoas e bioenergia. Já a transição energética deverá ampliar o debate sobre combustíveis renováveis e novas oportunidades para o agronegócio brasileiro.

    Pesquisa apresenta panorama da distribuição

    Durante o evento, será apresentada a Pesquisa Nacional da Distribuição Andav 2026. O estudo é desenvolvido em parceria com o Cepea/Esalq-USP. O levantamento reúne indicadores sobre faturamento, infraestrutura, crédito, tecnologia, gestão, recursos humanos e perspectivas de crescimento das empresas de distribuição de insumos agropecuários.

    Segundo Paulo Tiburcio, a distribuição exerce papel estratégico para a competitividade do agronegócio. Isso porque conecta tecnologia, assistência técnica, inteligência de mercado e soluções financeiras ao produtor rural.

    “A distribuição é um elo estratégico para a competitividade do agro. Ela conecta tecnologia, assistência técnica, inteligência de mercado e soluções financeiras ao produtor rural. O Congresso reflete essa evolução e busca promover discussões alinhadas aos desafios que já estão moldando o futuro do setor”, destaca.

    Ao longo dos três dias de programação, o Congresso Andav 2026 ocupará mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. Além disso, reunirá centenas de marcas, instituições, distribuidores, fabricantes e especialistas ligados ao agronegócio. Dessa forma, o evento pretende estimular debates sobre os temas econômicos, regulatórios e tecnológicos que influenciam a cadeia agropecuária brasileira.

  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

    Leia mais: Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.

  • Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Apesar de a China ser o principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, produtores e moradores da fronteira agrícola demonstram maior confiança nos Estados Unidos do que no país asiático.

    A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela FGV RI (Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas) em municípios da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil no fim de 2025.

    O levantamento revela uma diferença significativa entre dependência econômica e confiança política.

    Dependência comercial não significa confiança

    A China concentra atualmente cerca de 80% das exportações brasileiras de soja e 86% das vendas externas de carne bovina.

    Mesmo assim, os entrevistados demonstraram maior confiança nos Estados Unidos.

    Segundo a pesquisa:

    21,8% consideram os EUA “muito confiáveis”;

    12,6% atribuem a mesma avaliação à China.

    A diferença supera nove pontos percentuais.

    O estudo também aponta que a confiança na China caiu quase 20 pontos percentuais em comparação com 2017, período em que as relações comerciais entre os dois países continuaram avançando.

    Segundo os pesquisadores, o resultado mostra que laços econômicos e alinhamentos políticos seguem caminhos distintos.

    “A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente. A pesquisa mostra que confiança política e dependência econômica são coisas distintas e seguem lógicas diferentes”, afirmou Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores do estudo.

    Leia mais: Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    União Europeia gera percepção dividida

    A pesquisa também avaliou como os entrevistados enxergam as exigências ambientais da União Europeia para produtos agrícolas.

    De um lado, 74,3% acreditam que atender às normas ambientais europeias fortalece a reputação internacional do Brasil.

    Por outro:

    66,9% afirmam que as exigências reduzem a competitividade dos produtos brasileiros;

    61,5% entendem que as regras atendem principalmente aos interesses econômicos da própria União Europeia.

    Segundo os pesquisadores, essas avaliações não são contraditórias.

    A interpretação é que o setor vê as exigências como uma condição necessária para manter acesso a um mercado estratégico, mesmo sem compartilhar integralmente os valores defendidos pelo bloco europeu.

    Fronteira agrícola tem perfil mais conservador

    O levantamento também traçou um panorama político dos moradores da região.

    De acordo com os dados:

    83,5% se identificam como de direita ou centro;

    16,5% se declaram de esquerda.

    A pesquisa aponta ainda que:

    55,9% acreditam que o governo interfere excessivamente na vida das pessoas;

    64,3% avaliam que a regulação estatal gera mais efeitos negativos do que positivos para os negócios.

    Segundo os autores, essas percepções influenciam a forma como a população da fronteira agrícola avalia parceiros internacionais como Estados Unidos, China e União Europeia.

    Peso político do agro pode crescer

    O estudo destaca ainda o aumento da relevância eleitoral da fronteira agrícola brasileira.

    Os estados que compõem essa região representam aproximadamente 15% do eleitorado nacional.

    Para os pesquisadores, esse crescimento pode ampliar a influência das preferências regionais nos debates sobre política externa e nas relações do Brasil com Washington, Pequim e Bruxelas.

    “Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, concluiu Matias Spektor.

    Leia mais: Frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

  • Alho importado avança e produtores brasileiros reduzem cultivo

    Alho importado avança e produtores brasileiros reduzem cultivo

    A crescente entrada de alho importado no mercado brasileiro tem pressionado os produtores nacionais e levado à redução dos investimentos na cultura. Diante desse cenário, representantes do setor pretendem solicitar ao governo federal a adoção de medidas para restringir as importações oriundas da China e da Argentina, países que, segundo produtores, comercializam o produto no Brasil por valores inferiores aos custos de produção nacionais.

    De acordo com a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), a situação já afeta diretamente o planejamento da próxima safra. Como consequência, os agricultores projetam uma redução de 21% na área plantada, que deverá cair para aproximadamente 11 mil hectares neste ano.

    Setor pede revisão das regras para importação

    Nesta semana, a Anapa deverá apresentar ao Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) um pedido para extinguir o compromisso de preço atualmente aplicado ao alho chinês exportado por quatro grandes empresas do país asiático.

    As companhias Shandong Trans-High Imp & Exp Co. Ltd., Jining Foreign Trading Co. Ltd., Jining Freen Agri-Produces Co. Ltd. e Shandong Goodfarmer International Trading Co. Ltd. operam com preço mínimo fixado em US$ 15,80 por caixa de 10 quilos. Para os demais exportadores chineses, permanece em vigor uma tarifa antidumping de US$ 7,80 por caixa.

    Segundo Rafael Corsino, presidente da Anapa, a medida tem prejudicado a competitividade da produção nacional.

    “O nosso custo de produção é de US$ 25 por caixa. Esse compromisso de preço desestimulou o plantio no Brasil”, afirma.

    Além disso, a entidade pretende solicitar que a sobretaxa antidumping seja aplicada a todas as importações de alho provenientes da China.

    Alho argentino também entra na mira

    Paralelamente, a Anapa deve protocolar ainda em junho um pedido para abertura de investigação antidumping sobre o alho argentino.

    Segundo Corsino, os valores praticados pelo país vizinho indicariam concorrência desleal. “A Argentina exporta o alho abaixo do custo de produção. O custo na Argentina é de US$ 18 por caixa e o alho chegou no Brasil a US$ 12,50”, diz.

    Além disso, a associação sustenta que a Argentina teria realizado subfaturamento das exportações destinadas ao Brasil ao longo dos últimos seis anos.

    Produção nacional não atende toda a demanda

    O mercado brasileiro consome cerca de 320 mil toneladas de alho por ano, enquanto a produção nacional alcança aproximadamente 170 mil toneladas, segundo dados da Anapa.

    A maior parte da produção está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Até o ano passado, cerca de 60% do alho importado tinha origem na Argentina, enquanto 36% vinham da China.

    Por outro lado, os números mais recentes mostram mudanças importantes nesse fluxo comercial.

    Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que as importações de alho somaram 62,4 mil toneladas entre janeiro e abril, volume 5,4% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

    Em valor, a retração foi ainda maior. As compras externas totalizaram US$ 77 milhões, queda de 15,9%, o equivalente a uma média de US$ 12,34 por caixa.

    Argentina amplia participação no mercado brasileiro

    Apesar da redução geral nas importações, a participação da Argentina cresceu significativamente.

    Entre janeiro e abril, 92,7% do alho importado veio do país vizinho, enquanto apenas 5,6% teve origem chinesa.

    As importações da China recuaram 82,3%, totalizando 19,9 mil toneladas. Em contrapartida, as compras da Argentina avançaram 26,7%, alcançando 45,7 mil toneladas no período.

    Para os produtores brasileiros, esse aumento tem provocado perdas financeiras expressivas.

    “Esse aumento da importação culminou em prejuízo de R$ 5,50 por quilo vendido. O antidumping é necessário já”, defende Franchielli Motter, presidente da Associação dos Produtores de Alho do Rio Grande do Sul.

    Segundo ela, a área cultivada no estado deverá cair de 850 hectares para 750 hectares em 2026.

    Agricultores reduzem investimentos diante dos prejuízos

    No Sul do Brasil, a colheita do alho plantado entre junho e julho ocorre no final do ano. Posteriormente, a comercialização acontece no primeiro semestre, período em que a concorrência com o alho argentino é mais intensa.

    Já os produtores do Sudeste e do Centro-Oeste abastecem o mercado no segundo semestre, enfrentando principalmente a concorrência do alho chinês.

    Em São Marcos (RS), o produtor Jaime Menegon decidiu reduzir drasticamente sua área cultivada.

    “Tive prejuízo de R$ 5 por quilo. Já vi várias crises, mas nunca como esta”, lamenta.

    Após cultivar 14 hectares em 2025, ele pretende plantar apenas 4 hectares neste ano. Além disso, planeja concentrar a produção em terras próprias e devolver áreas arrendadas.

    Situação semelhante ocorre em Curitibanos (SC). O produtor Everson Tagliari afirma que precisou vender sua última safra abaixo dos custos de produção.

    “Um hectare de alho custa de R$ 120 mil a R$ 130 mil para ser produzido. Tivemos R$ 80 mil de receita por hectare”, conta.

    Diante desse cenário, ele reduzirá sua área de cultivo de 10 hectares para 4 hectares. Nos demais 6 hectares, pretende implantar pastagens e arrendar as áreas para pecuaristas.

    Santa Catarina prevê nova retração

    A Associação Catarinense dos Produtores de Alho estima que a área cultivada no estado recuará de 850 hectares em 2025 para 700 hectares neste ano.

    Segundo Tagliari, medidas de proteção comercial tornaram-se essenciais para garantir a viabilidade econômica da atividade.

    “O antidumping sobre o alho da Argentina é vital para nós. Também é importante que derrubem o compromisso de preço com o alho chinês. Sobra produto no mercado, é uma situação alarmante para o produtor”, afirma.