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  • Recorde: exportação de maçã cresce mais de 200% em seis meses

    Recorde: exportação de maçã cresce mais de 200% em seis meses

    A fruticultura brasileira alcançou um novo marco no comércio internacional no primeiro semestre de 2026. Mesmo diante de um cenário global mais desafiador, o setor registrou avanço simultâneo em receita e em volume embarcado de frutas, impulsionado principalmente pelo desempenho recorde da maçã.

    Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras de frutas somaram US$ 707,9 milhões e 619,1 mil toneladas. O resultado representa um salto de 20,64% em valor e de 13,32% em volume na comparação com o mesmo período de 2025, quando o país faturou US$ 586,8 milhões com o embarque de 546,3 mil toneladas.

    Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), os embarques de manga, maçã, abacate e melancia impulsionaram o desempenho do setor. Já as vendas de uva, banana e melão enfrentaram desafios pontuais na temporada, sem comprometer o resultado geral.

    Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas, atribui o avanço à diversificação de mercados e ao investimento contínuo em tecnologia. “O primeiro semestre confirma a capacidade do setor de responder aos desafios com eficiência, qualidade e abertura de mercados. A diversificação dos destinos, o investimento constante em tecnologia e as ações de promoção comercial das frutas brasileiras, desenvolvidas por meio do projeto Frutas do Brasil, em parceria com a ApexBrasil, têm fortalecido a presença dos nossos produtos no mercado internacional e ampliado as oportunidades para os produtores brasileiros”, destacou o dirigente.

    Maçã registra a maior alta da história e lidera exportações

    A maçã protagonizou o resultado do semestre com expansão histórica de 223,55% em faturamento e 225,11% em volume. Moises Lopes de Albuquerque, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), explica que o salto decorre da maior safra já registrada no país, que sucede dois anos de retração provocada por fatores climáticos. A Índia manteve a liderança entre os compradores, seguida por Arábia Saudita e Rússia.

    mangas
    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    A manga segue entre os principais produtos da pauta exportadora e cresceu 42,41% em valor e 37,96% em volume, resultado da alta qualidade do produto e da consolidação em mercados estratégicos.

    O abacate apresentou expansão de 72,52% em valor e 92,68% em volume. A melhor safra dos últimos cinco anos em São Paulo ampliou a oferta destinada ao exterior.

    A melancia avançou 30,59% em receita e 6,27% em volume, beneficiada pela constância de oferta e pela qualidade da produção do Nordeste.

    O levantamento também identificou avanços nas exportações de limões, limas e mamão, o que reforça a diversificação da pauta brasileira de frutas.

    Uva e banana enfrentam retração no mercado externo

    Algumas culturas sentiram o impacto de gargalos comerciais e climáticos no período. A uva registrou queda de 27,92% em valor e 27,86% em volume. Uma retração conjuntural motivada por incertezas no mercado norte-americano após o anúncio de novas tarifas pelos Estados Unidos, o que desacelerou os embarques.

    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    A banana teve redução de 15,63% em valor e 27,19% em volume. A concorrência no Mercosul pressionou o produto brasileiro, já que frutas vindas do Equador, Bolívia e Paraguai chegaram ao mercado a preços mais competitivos.

    Já o melão sofreu leve queda de 2% no volume embarcado, em razão de impactos climáticos pontuais. Ainda assim, a receita subiu 8,18%, sustentada por preços melhores e pela demanda firme no exterior.

    A Abrafrutas espera manter o ritmo de crescimento na segunda metade do ano. A entidade avalia que a ampliação de novos mercados e a competitividade das frutas brasileiras serão estratégicas para mitigar riscos globais e consolidar um novo recorde anual de exportações do setor.

  • Produtoras do Piauí assumem liderança em projetos de agricultura familiar

    Produtoras do Piauí assumem liderança em projetos de agricultura familiar

    Na zona rural de Teresina e em diversos municípios do Piauí, cresce o número de mulheres à frente da produção agrícola. Elas participam de todas as etapas da cadeia produtiva, do plantio à comercialização. E vêm consolidando um papel decisivo na economia rural do estado.

    A Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) tem priorizado políticas públicas voltadas às mulheres rurais. Segundo a secretária Rejane Tavares, cerca de 30% dos recursos dos programas da pasta são destinados a projetos liderados por mulheres. “Temos priorizado as mulheres rurais em quase todos os nossos programas”, destaca.

    Produtoras que inspiram o campo piauiense

    Em Coivaras, na localidade Malhada Alta, a produtora Leslly Raquel Costa dos Santos lidera a Associação de Produtores e Criadores do município. Com seis hectares, ela cultiva melancia, principal cultura local, além de milho, feijão verde e outras lavouras. Em 2025, Leslly colheu 179 toneladas de melancia e comercializou parte da produção por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa de Alimentação Saudável (PAS).

    “Conseguimos escoar volumes significativos para a Nova Ceasa. Ainda enfrentamos desafios na comercialização, mas seguimos com fé e persistência”, afirma a produtora, que também gera empregos temporários durante a colheita e contribui para a economia local.

    Para ela, a agricultura representa mais do que renda: é sinônimo de força e esperança. “Acordamos cedo, enfrentamos muitos desafios, mas acreditamos que vale a pena”, destaca.

    De autônoma a produtora rural em Teresina

    No Assentamento Vale da Esperança, na zona sudeste de Teresina, Cleidimar Oliveira de Araújo Sousa transformou a rotina da família ao investir na agricultura familiar. Antes autônoma, hoje cultiva hortaliças, feijão, milho, macaxeira e abóbora, além de criar pequenos animais.

    “O trabalho na agricultura aumentou nossa renda e melhorou nossa alimentação. Vendemos ao PAA, ao PAS e também na feira da Universidade Federal do Piauí”, conta. A renda mensal chega a cerca de um salário mínimo, sem contar os alimentos consumidos em casa.

    Agricultura como sinônimo de independência

    A produtora Antônia Soares de Moura Costa, conhecida como Toinha, é outro exemplo de protagonismo feminino no campo. Moradora da Serra do Gavião, em Teresina, ela cultiva três hectares e integra um grupo de 30 agricultores, sendo mais da metade mulheres, que compartilham uma área coletiva de oito hectares.

    A agricultora Antônia Soares de Moura Costa, conhecida como Toinha. Foto: Arquivo Pessoal

    Toinha cultiva banana, caju e acerola, além de aproveitar integralmente o fruto do caju para doces, pães e conservas. Parte da produção é vendida em feiras organizadas pela SAF e por programas de compra pública. “Com as vendas, nossa renda mensal chega a R$ 1,6 mil”, afirma.

    Essas histórias refletem a força do trabalho feminino na agricultura familiar piauiense. Nas comunidades rurais, as mulheres vêm consolidando espaço, ampliando a renda e garantindo alimentos saudáveis à população. O protagonismo delas mostra que a agricultura familiar é, acima de tudo, uma forma de resistência e de vida no campo.

  • Exportação brasileira de frutas para Europa cresce 19%

    Exportação brasileira de frutas para Europa cresce 19%

    O Brasil vendeu 19,1% mais frutas em volume para a Europa em 2025 na comparação com o ano anterior. A receita com essas exportações cresceu 12,8% no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Midic). O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que os blocos devem assinar no sábado (17), no Paraguai, promete acelerar ainda mais esses números.

    O tratado, negociado há pelo menos 25 anos, vai reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os dois blocos e facilitar o comércio de bens agrícolas e alimentos frescos.

    “O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um divisor de águas para o agro brasileiro. A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirma Patrícia Cesarino, engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.

    Europa concentra 79% das frutas exportadas pelo Brasil

    A União Europeia recebeu 79% das frutas que o Brasil exportou em 2025. Atualmente, produtores brasileiros pagam tarifas que variam entre 4% e 14% para vender no bloco europeu. O acordo vai reduzir e extinguir essas cobranças, o que amplia a abertura aos produtos nacionais.

    “Os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, diz a executiva da Ascenza Brasil.

    No total, as exportações brasileiras para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, comparado a 2024, segundo o Midic.

    Faturamento pode chegar a US$ 1,8 bilhão até 2029

    A Apex estima que o faturamento da fruticultura brasileira aumente 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, com receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.

    Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão lideraram as exportações para a Europa no ano passado. Essas seis frutas geraram receita de US$ 967 milhões, contra US$ 857,6 milhões no ano anterior. Em volume, o Brasil exportou 949 mil toneladas dessas frutas para a Europa em 2025 e 796,6 mil toneladas em 2024.

    Melão e manga lideram; melancia tem melhor desempenho

    Agricultores brasileiros enviaram 269,5 mil toneladas de melão (US$ 221,7 milhões) e 226,3 mil toneladas de manga (US$ 262,8 milhões) para o continente europeu no ano passado. Essas frutas registraram os melhores resultados em valor absoluto.

    Foto: Divulgação – Isla Sementes

    A melancia, no entanto, teve o melhor desempenho relativo em 2025. As exportações cresceram 44,3% em volume (de 115,8 mil toneladas em 2024 para 167,1 mil toneladas em 2025) e 60,5% em receita (de US$ 68,4 milhões para US$ 109,9 milhões).

    Café valoriza em receita, mas recua em volume

    O café, outro importante produto agrícola que o Brasil exporta para a Europa, registrou alta de 34,2% em receita: de US$ 6,5 bilhões em 2024 para US$ 8,7 bilhões em 2025. No entanto, o volume exportado caiu de 1,6 milhão de toneladas em 2024 para 1,3 milhão de toneladas no ano passado.

    Assim, a expectativa para 2026 é de que a receita continue elevada devido aos preços internacionais. A Europa mantém-se como mercado-chave do café brasileiro, com Alemanha e Itália entre os principais importadores.

    Como o acordo vai reduzir tarifas

    Segundo o tratado entre os dois blocos, a tarifa sobre uvas frescas será zerada assim que o acordo entrar em vigor. Melões, melancias e limões terão as tarifas reduzidas em etapas até chegar a zero em cerca de sete anos. Mamão e manga já têm tarifas zeradas na União Europeia devido à forte dependência que o bloco tem da importação dessas frutas do Brasil.

    “Após a assinatura, depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo Mercosul-União Europeia chega em um momento estratégico. Ele fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, amplia o acesso a um mercado que já responde pela maior parte das nossas exportações de frutas e cria uma base sólida para expansão de longo prazo, com ganhos para produtores, exportadores e consumidores”, aponta Patrícia.

    Os principais concorrentes do Brasil nos envios à União Europeia, como Peru, Chile e México, já exportam frutas sem pagar tarifas. O acordo torna-se, portanto, fundamental para nivelar as condições de competição e permitir que produtores brasileiros disputem o mercado europeu em igualdade de condições.

  • Verão aquece mercado de frutas com melancia, morango e abacaxi

    Verão aquece mercado de frutas com melancia, morango e abacaxi

    O verão impulsiona o consumo de frutas frescas no Rio Grande do Sul. Agricultores familiares assistidos pela Emater/RS-Ascar cultivam melancia, morango, abacaxi, uva, pêssego e outras variedades que abastecem feiras e mercados em todo o Estado. Os consumidores buscam essas frutas in natura, em sucos, sobremesas e smoothies durante a temporada de calor, que se estende até 20 de março.

    “O Rio Grande do Sul produz uma diversidade de frutas que colorem as mesas e o dia a dia de quem produz, mas também dos consumidores”, destaca Luis Bohn, gerente técnico estadual e diretor técnico em exercício da Emater/RS-Ascar. Ele observa aumento na procura durante o verão, especialmente nas feiras realizadas em quase todos os municípios gaúchos, com destaque para o Litoral.

    Clima desafia produtores e beneficia culturas específicas

    As temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar prejudicaram algumas culturas, como melancia e melão, mas beneficiaram as videiras, o abacaxi e o morango, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. Bohn ressalta que a irrigação se tornou fundamental para os produtores enfrentarem períodos de seca.

    “A irrigação nesse momento, em especial para a viticultura ou mesmo as melancias e melões, é fundamental, pela necessidade fisiológica dessas frutíferas, pois permite que as frutas se desenvolvam a um tamanho de boa aparência”, avalia o diretor técnico.

    Abacaxi de Terra de Areia conquista pelo sabor único

    Terra de Areia, município tradicional na produção de abacaxi no Litoral gaúcho, cultiva a fruta em 360 hectares com 120 famílias. A variedade Pérola se diferencia pelo sabor sempre doce, resultado de uma característica especial: os produtores colhem o abacaxi bem maduro.

    “O abacaxi é uma fruta não climatéria, ou seja, colhemos ele bem maduro. Depois de desconectado da planta-mãe, ele pode mudar de cor, mas não acrescenta mais açúcares”, explica o extensionista Wolnei Marcio Fenner. Essa particularidade impede o transporte de longa distância, diferentemente do abacaxi de outros estados, colhido verde e com sabor inferior.

    A safra 2025/2026 prevê colheita de 7,5 milhões de frutos. “O clima neste ano tem sido muito favorável. Quem comprar não vai se arrepender”, garante Fenner.

    Morango gaúcho atinge pico de qualidade

    O Rio Grande do Sul cultiva morango em 588 hectares com 2.631 famílias de agricultores. O Levantamento Frutícola de 2025 da Emater/RS-Ascar identifica a Serra, o Vale do Caí e Pelotas como principais regiões produtoras.

    No Vale do Caí e em Pelotas, os produtores comercializam morango entre outubro e dezembro. Na Serra, o auge ocorre do final de dezembro até fevereiro. As cultivares de dias neutros, como San Andrés e Álbio, ocupam maior área, enquanto as variedades de dias curtos — Fênix, Fronteiras e Caminho Real — se destacam pela precocidade.

    “As frutas deste ano estão com ótima qualidade, demonstrando uma excelente safra, com colaboração do clima”, destaca o extensionista Thompsson Benhur Didoné. Ele menciona pequeno atraso no início da safra devido a fortes geadas, mas a produção se recuperou completamente.

    Em Pelotas, a cultura mantém plena produção com frutos de excelente qualidade, calibre, coloração e sabor. Bom Princípio, conhecido como Terra do Moranguinho, celebra anualmente a Festa Nacional do Moranguinho em setembro e mantém colheita com boa qualidade e demanda satisfatória.

    Melancia amplia área cultivada no Estado

    A colheita de melancia atinge o auge no Rio Grande do Sul. Os bons preços na safra anterior motivaram produtores da região de Pelotas a aumentar a área plantada. Na região de Soledade, municípios como Rio Pardo, General Câmara e Encruzilhada do Sul intensificam a colheita em área estimada de 1.800 hectares.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    São Jerônimo concentra 60 produtores que cultivam 800 hectares de melancia, com expectativa de produtividade de 35 toneladas por hectare. “Porém a falta de chuvas afeta algumas lavouras que não têm sistema de irrigação”, ressalta o extensionista Marcelo da Silva Fortes. Ele também atende 35 produtores em Arroio dos Ratos, onde cultivam 350 hectares.

    As variedades Manchester, Braba, Karistan, Top Gun e Talismã dominam a produção nos dois municípios, basicamente através do sistema convencional com aração e gradagem.

    Irrigação multiplica produtividade por cinco

    Fortes identifica tendência de aumento da área cultivada com melancia em plantio consorciado com florestas de acácia-negra e eucalipto, fomentadas por empresas florestais. Alguns produtores de soja migraram para a melancia devido à descapitalização, atraídos pela rentabilidade em área menor.

    O uso de tecnologias como irrigação por aspersão e fertirrigação por gotejamento aumenta significativamente a produtividade. Atualmente, os produtores irrigam 60% das áreas de melancia em São Jerônimo e Arroio dos Ratos. “Temos exemplos bem claros das vantagens de irrigar, com um produtor produzindo 15 toneladas por hectare e outro, do outro lado da estrada, produzindo 75 toneladas por hectare”, compara Fortes.

    Os produtores também adotam outras técnicas, como protetor solar à base de caulim, que evita queimaduras e escaldaduras nas frutas. “Hoje o pessoal é adepto e já inclui o protetor solar no seu orçamento”, afirma. Ele desmistifica a mancha branca na casca: “Não é veneno. É efeito do protetor solar, à base de caulim, uma rocha, sendo, portanto, um produto natural”.

    “O Rio Grande do Sul tem a fruticultura como uma de suas vocações produtivas, uma das suas grandes tradições, com característica a produção dentro de uma diversidade, diante do clima que temos nas regiões. A safra de verão de 2026 está ofertando frutas com sensacional aparência, qualidade e sabor”, conclui Bohn.

  • Conheça a cidade onde comer melancia era crime

    Conheça a cidade onde comer melancia era crime

    A Câmara Municipal de Rio Claro revogou a legislação que proibia há mais de 130 anos o consumo de melancia no município paulista. A decisão encerra um dos capítulos mais curiosos da história legislativa brasileira e coloca fim a uma norma que, embora esquecida pela população, ainda constava nos registros oficiais da cidade.

    O vereador Julinho Lopes (PP), vice-presidente da Casa de Leis, apresentou o projeto que revogou a lei. A medida contou com aprovação unânime dos parlamentares e põe fim definitivo à Resolução de 30 de novembro de 1894, assinada pelo então gestor Marcelo Schmidt.

    Quando a ciência não existia: a época em que frutas eram consideradas transmissoras de doenças

    A Resolução de 1894 proibiu a venda de melancias e outras frutas que pudessem prejudicar a saúde pública no município de Rio Claro. O contexto histórico explica a medida aparentemente absurda: o Brasil vivia surtos devastadores de doenças infecciosas, principalmente a febre amarela, que dizimavam populações inteiras.

    Naquela época, as autoridades acreditavam erroneamente que a melancia e outras frutas poderiam propagar doenças infecciosas, como cólera e tifo, especialmente em cidades com saneamento básico precário. A falta de conhecimento científico sobre a transmissão de doenças levou gestores municipais a adotarem medidas drásticas baseadas em suposições e teorias infundadas.

    Rio Claro destacava-se como uma das principais cidades do interior paulista no fim do século XIX. O município enfrentava o desafio de crescer rapidamente enquanto lidava com surtos epidêmicos que ameaçavam sua população. A proibição da melancia representava uma tentativa desesperada de conter o avanço de doenças que as autoridades não compreendiam completamente.

    Multa de 5 mil réis: o valor que desencorajava moradores a consumir a fruta

    A multa de 5 mil réis era um valor significativo na época e reforçava o esforço em desencorajar o consumo da melancia. Quem descumprisse a lei arriscava enfrentar uma penalidade financeira pesada para os padrões do século XIX, demonstrando o quanto as autoridades levavam a sério a suposta ameaça à saúde pública.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    O documento original de mais de 130 anos atrás, escrito à mão, está registrado no Livro do Tombo 1, no acervo do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro. A preservação do documento permite que gerações atuais conheçam as práticas sanitárias e decisões governamentais de mais de um século atrás.

    Como Rio Claro eliminou uma das leis mais curiosas do Brasil

    O vereador Julinho Lopes justificou seu projeto explicando que a normativa perdeu eficácia e tornou-se obsoleta devido aos usos e costumes da sociedade moderna. Principalmente, a lei não foi recepcionada pela nova ordem constitucional brasileira, razão pela qual solicitou sua revogação formal.

    “A matéria reflete o contexto sanitário do fim do século XIX, quando surtos de doenças infecciosas eram comuns”, declarou o parlamentar. Ele destacou que Rio Claro já era uma potência regional comparada a outros municípios paulistas, mas enfrentava limitações estruturais, especialmente na infraestrutura de saneamento.

    A proibição instituída na Câmara Municipal naquela época não era um caso isolado. Durante o Brasil do século XIX, autoridades locais em diversos municípios regulamentavam o consumo de alimentos, frequentemente baseando suas decisões em percepções populares ou em conhecimento científico extremamente limitado.

    Lei caiu em desuso mas nunca havia sido revogada oficialmente

    Embora a população de Rio Claro desconhecesse ou simplesmente ignorasse a proibição há décadas, a legislação tecnicamente permanecia em vigor. Juristas explicam o conceito de “desuso” aplicado a normas antigas: tratam-se de leis que perderam sentido social e deixaram de ter lógica prática de aplicação.

    A ciência moderna comprovou que a transmissão da febre amarela ocorre exclusivamente através de mosquitos infectados, principalmente o Aedes aegypti. A melancia nunca teve qualquer relação com a propagação da doença. Outras medidas sanitárias adotadas por Rio Claro no mesmo período, como a obrigatoriedade de varrer as ruas e a proibição de jogar lixo no chão, provavelmente contribuíram muito mais efetivamente para o controle de epidemias.

    A reportagem original que trouxe à tona a curiosa legislação foi publicada pelo Jornal Cidade em novembro de 2024, quando a lei completava exatamente 130 anos. A repercussão nacional do caso motivou o Poder Legislativo municipal a finalmente encerrar a proibição histórica.

    Com a revogação oficial, Rio Claro encerra um capítulo peculiar de sua história. E se junta ao restante do país, onde a melancia ocupa lugar de destaque nas preferências nacionais. A fruta, rica em vitaminas C e A, além de cálcio, fósforo, magnésio e potássio, continua sendo apreciada por suas propriedades refrescantes e nutritivas, agora sem qualquer restrição legal em território rio-clarense.

  • Goiás lidera a produção de melancia no Brasil

    Goiás lidera a produção de melancia no Brasil

    Goiás consolida sua liderança na produção de melancia no Brasil e alcança recorde histórico em valor gerado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2024, o estado colheu 270,5 mil toneladas da fruta, volume que representa crescimento de 9,6% na série histórica da última década. O valor da produção saltou 134,9% no período, chegando a R$ 273,3 milhões.

    De acordo com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), os avanços refletem investimentos do setor em inovação genética, especialmente no desenvolvimento de cultivares sem sementes, com maior doçura e firmeza. A melhoria das variedades impulsiona a competitividade dos produtores goianos, que conquistam espaço em mercados mais exigentes e rentáveis, dentro e fora do país.

    O secretário Pedro Leonardo Rezende destacou o papel da fruticultura como vetor de crescimento regional. “Esses resultados reforçam a capacidade do produtor goiano de inovar, investir em tecnologia e alcançar eficiência. O Governo de Goiás tem priorizado políticas públicas, como o Crédito Social e o FCO Rural, para garantir inclusão produtiva no campo”, afirmou.

    Uruana mantém liderança e exportações avançam

    Entre os municípios goianos, Uruana segue como o maior produtor nacional, responsável por 32,6% da colheita estadual em 2024. Jussara retomou o cultivo e alcançou a segunda posição, enquanto Santa Fé de Goiás apresentou o maior avanço proporcional, dobrando seu volume produtivo em relação ao ano anterior.

    O desempenho nas exportações também reflete o bom momento do setor. De janeiro a setembro de 2024, Goiás registrou o melhor resultado em seis anos, com US$ 270,1 mil em vendas externas. Embora a maior parte da produção ainda seja direcionada ao mercado interno, o aumento das exportações indica novas oportunidades no comércio internacional.

    Os principais destinos são países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 2025, os Emirados Árabes Unidos entraram no rol de compradores e se destacaram como o destino que melhor remunera a tonelada exportada de melancia goiana.

  • Pesquisa promete revolucionar cultivo de melancia no Amapá

    Pesquisa promete revolucionar cultivo de melancia no Amapá

    A produção de melancia no município de Amapá está prestes a ganhar um importante aliado científico. Um projeto de pesquisa conduzido pela Universidade do Estado do Amapá (UEAP) promete transformar a realidade dos agricultores familiares da região, oferecendo pela primeira vez recomendações específicas de adubação adaptadas às condições locais de solo e clima.

    O estudo, desenvolvido por estudantes e professores do curso de Engenharia Agronômica, está sendo realizado em uma fazenda na Região dos Lagos e foca na aplicação estratégica de fósforo e potássio, dois nutrientes fundamentais para o desenvolvimento da melancia.

    “Hoje, os produtores da região não contam com recomendações específicas de adubação para a cultura da melancia. Por isso, utilizam como referência dados de outros estados, como o Pará. No entanto, essas informações podem não refletir as condições locais”, explica Mila Façanha, técnica da UEAP e orientadora do projeto.

    Metodologia inovadora avalia múltiplos indicadores

    A pesquisa utiliza uma abordagem experimental rigorosa, com diferentes combinações de fósforo e potássio aplicadas em blocos experimentais. Os pesquisadores avaliarão três indicadores principais:

    • Número de frutos por hectare
    • Peso médio dos frutos
    • Produtividade total da cultura

    Além dos aspectos produtivos, o projeto também analisará a viabilidade econômica, identificando qual dosagem oferece maior retorno financeiro aos produtores, considerando tanto os custos com fertilizantes quanto o valor de comercialização da melancia.

    Sustentabilidade e desenvolvimento regional

    A iniciativa está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 2 da ONU, que promove a segurança alimentar e agricultura sustentável. Segundo Telma Nogueira, estudante participante e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), os benefícios vão além da produtividade.

    Telma Nogueira, estudante participante e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica. Foto: Agência Amapá de Notícias

    “Ao auxiliar os agricultores a realizarem uma adubação mais adequada, evita-se o desperdício de recursos, tanto financeiros quanto de nutrientes. O objetivo é recomendar a dose ideal de adubação com potássio e fósforo, visando máxima produtividade e qualidade do sabor da melancia”, destaca a pesquisadora.

    Resultados promissores em análise

    Com a colheita já finalizada, o projeto encontra-se na fase crucial de análise dos dados coletados. A conclusão dos resultados está prevista para o final de outubro, quando os pesquisadores poderão apresentar recomendações concretas aos produtores locais.

    O grupo de pesquisa, que conta também com a orientação do professor Bruno Feitosa, já planeja expandir os estudos. Para 2026, novos experimentos estão programados, desta vez focando na avaliação de outros nutrientes essenciais, com o objetivo de oferecer um pacote completo de recomendações técnicas.

    Impacto esperado na economia local

    A melancia representa uma cultura de grande importância para a agricultura familiar amapaense, e os resultados desta pesquisa podem significar um salto qualitativo na produção regional. Com recomendações científicas específicas para as condições locais, os produtores terão acesso a técnicas que podem otimizar tanto a produtividade quanto a qualidade dos frutos, fortalecendo a economia agrícola do estado.

    Foto: Agência Amapá de Notícias

    A iniciativa demonstra como a pesquisa acadêmica pode gerar impacto direto na vida dos produtores rurais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da agricultura regional e para a segurança alimentar da população amapaense.

  • Primavera abastece mercado com manga, melancia e abacaxi

    Primavera abastece mercado com manga, melancia e abacaxi

    A primavera de 2025 começou com ótimas notícias para o bolso do consumidor. A safra de frutas tropicais está em plena colheita. Isso derruba os preços no mercado interno e movimenta as exportações brasileiras.

    Manga, melancia e abacaxi lideram essa onda de abundância. O clima favorável e o uso de tecnologia no campo impulsionaram a produção. O resultado são frutas de alta qualidade e preços mais acessíveis para o consumidor final.

    A manga vive um momento forte. A exportadora Agrodan, por exemplo, projeta um salto nas vendas para a Europa. A expectativa é aumentar de 30 mil toneladas em 2024 para 36 mil toneladas em 2025.

    A melancia também tem destaque. A Agrícola Famosa espera quase dobrar o volume exportado de melões e melancias. A meta é atingir impressionantes 300 mil toneladas nesta safra.

    O abacaxi, outra fruta símbolo do clima tropical, segue a mesma tendência. Sua alta produtividade nesta estação garante oferta constante e preços estáveis nas gôndolas.

    A chave do sucesso está no solo

    Por trás dessa safra generosa, está um cuidado essencial: a saúde do solo. A capacidade de reter nutrientes e o equilíbrio de fertilidade são decisivos para a qualidade e o volume da produção.

    Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, destaca a inovação como fator crucial. “O manejo adequado com fertilizantes líquidos de alta concentração é fundamental. Essa prática aumenta a produtividade, melhora a qualidade da fruta e controla pragas. Tudo isso fortalece a imagem do Brasil como líder global”, afirma o executivo.

    Agricultores estão adotando irrigação inteligente e rotação de culturas. Essas práticas reduzem custos, previnem perdas e preparam o campo para instabilidades climáticas.

    O cenário é de otimismo. A primavera não traz apenas dias mais quentes, mas a promessa de um equilíbrio saudável. Os produtores consolidam boas práticas e garantem rentabilidade. Os consumidores, por fim, aproveitam alimentos frescos e a preços justos

  • Melancia preta atrai mercado com sabor único e aparência exótica

    Melancia preta atrai mercado com sabor único e aparência exótica

    A melancia preta, conhecida por sua casca escura e polpa vibrante, encanta os paladares com sua combinação única de textura suculenta e sabor doce. Portanto, ela se destaca no mercado de frutas exóticas, atraindo consumidores em busca de experiências gastronômicas distintas. Além disso, a melancia preta é rica em nutrientes, como vitaminas A e C, tornando-a uma escolha saudável para quem busca hidratação e bem-estar.

    O Agro em Campo vai explorar três variedades notáveis: Densuke, Sugar Baby e Black Diamond.

    Densuke

    Foto: Divulgação – Tastle Atlas

    A Densuke, cultivada exclusivamente em Hokkaido, Japão, é famosa por sua raridade e preço elevado, podendo chegar a milhares de dólares. Sua casca preta e polpa rosa oferecem uma experiência única, com um peso médio que varia, mas geralmente é menor que as variedades comuns, que podem chegar a 10 kg.

    Sugar Baby

    Foto: Divulgação – Isla Sementes

    A Sugar Baby, por outro lado, é uma variedade compacta e doce, ideal para jardins pequenos. Originária da África, ela é rica em vitaminas e é uma excelente fonte de hidratação. Sua casca verde-escura e polpa vermelha atraem consumidores em todo o mundo, com um peso médio de cerca de 1,6 a 1,9 kg.

    Black Diamond

    Foto: Divulgação – Etsy.com

    A Black Diamond  impressiona com seu tamanho e doçura. As variedades maiores podem ter pesos médios de 10 a 15 kg e são comuns no mercados pelo mundo. Além disso, essas melancias fazem sucesso em eventos de verão por sua textura suculenta e sabor atraente.

    No mercado global, consumidores valorizam essas melancias por sua exclusividade e sabor. No Japão, onde frutas caras são presentes tradicionais, a Densuke simboliza status. Consequentemente, a demanda por essas frutas reflete a busca por experiências gastronômicas únicas e saudáveis.

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  • A tradição das frutas no Natal

    A tradição das frutas no Natal

    A tradição de incluir frutas na ceia de Natal no Brasil tem raízes que remontam às influências europeias, onde as frutas secas e frescas eram utilizadas para decorar as mesas festivas. Com o tempo, porém, essa prática se adaptou ao clima tropical brasileiro, incorporando frutas locais e sazonais.

    As frutas não apenas embelezam a mesa, mas também simbolizam prosperidade e fartura. A romã, por exemplo, é frequentemente associada à abundância e é consumida em várias culturas durante as festividades. Assim, a presença dessas frutas na ceia natalina representa um desejo de saúde e prosperidade para o ano que se inicia.

    Além do aspecto simbólico, as frutas desempenham um papel importante na saúde durante as festas. Elas oferecem uma alternativa refrescante às refeições pesadas, ajudando na digestão e proporcionando nutrientes essenciais. Em um período em que as calorias tendem a aumentar devido aos pratos tradicionais, as frutas atuam como um contraponto saudável.

    Em resumo, as frutas de Natal são muito mais do que simples acompanhamentos; elas carregam significados profundos e contribuem para uma celebração mais saudável e equilibrada. Incorporá-las à ceia não só enriquece o paladar, mas também reforça laços familiares e tradições que perduram ao longo dos anos.

    As frutas de Natal mais comuns no Brasil, como ameixa, pêssego e nectarina, são parte essencial das celebrações, trazendo não apenas sabor, mas também simbolismo e tradição.

    Frutas tradicionais do Natal

    A ameixa é uma das mais populares nas ceias de Natal. Rica em fibras e antioxidantes, a ameixa não apenas auxilia na digestão, mas também fortalece o sistema imunológico. Sua cor vibrante e sabor adocicado a tornam uma escolha ideal para sobremesas e decoração de pratos.

    Ameixa é uma das frutas do Natal

    As uvas são um clássico nas mesas natalinas, disponíveis em variedades como uva Itália, Niágara e roxas. Além de serem saborosas e suculentas, estão associadas à sorte e prosperidade.

    O pêssego é apreciado por sua textura macia e sabor delicado. Além disso, o pêssego é frequentemente utilizado em compotas e sobremesas.

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    Refrescante e ideal para o clima quente do Brasil, a melancia é uma opção comum nas ceias de Natal. Seu alto teor de água a torna perfeita para saladas de frutas e sobremesas leves.

    Com um sabor tropical marcante, o abacaxi é frequentemente utilizado em pratos doces e salgados, como saladas de frutas ou assados. Além disso, sua apresentação exótica também enriquece a decoração da mesa.

    Frutas da moda no Natal

    Conhecida por sua aparência charmosa e sabor intenso, a cereja é uma fruta que não pode faltar nas sobremesas natalinas. Além de deliciosa, ela traz um toque festivo aos pratos.

    Simbolizando abundância e prosperidade, a romã é uma fruta tradicional nas festas de fim de ano. Seu uso em receitas e decorações é comum, além de ser rica em antioxidantes.

    Com sua casca avermelhada e polpa doce, a lichia tem ganhado espaço nas ceias natalinas, sendo ideal para sobremesas ou consumida in natura.

    Embora menos mencionada, a nectarina também é uma fruta que começa a aparecer nas mesas natalinas. Sua polpa suculenta e sabor doce, é perfeita para saladas de frutas ou como acompanhamento em pratos principais.

    Portanto, cada uma delas traz benefícios nutricionais e combina bem com os pratos típicos dessa época. Durante as festas de fim de ano, a mesa brasileira se enche de cores e sabores com a presença dessas frutas, que ajudam a equilibrar as refeições pesadas típicas da ceia natalina.