Tag: Mediterrâneo

  • Tubarão-branco é flagrado em encontro raro no Mediterrâneo

    Tubarão-branco é flagrado em encontro raro no Mediterrâneo

    Uma operação voltada à remoção de redes de pesca abandonadas resultou em um encontro considerado histórico no Mar Mediterrâneo.

    Na última segunda-feira (8), a fundação Healthy Seas divulgou imagens que podem representar o primeiro registro de um tubarão-branco adulto em seu habitat natural na região localizada entre a Sicília e a Tunísia.

    Conservação e monitoramento marinho

    Embora os tubarões-brancos sejam conhecidos por frequentarem áreas superficiais, encontros com mergulhadores são extremamente raros. A operação contou com a participação de voluntários especializados na remoção de resíduos submersos, além da colaboração da Society for Documentation of Submerged Sites (SDSS).

    Segundo as entidades envolvidas, as chamadas redes fantasmas representam uma das principais ameaças à fauna marinha local. Esses materiais continuam capturando animais mesmo após serem abandonados no oceano.

    ‘Redes fantasmas’ são a mais perigosa forma de poluição para a vida marinha — Foto: Philippos Marakis/ iStock

    Além disso, mergulhos anteriores já haviam identificado tartarugas-cabeçudas ameaçadas de extinção e grandes espécies de peixes presos aos equipamentos descartados.

    Desta vez, no entanto, o destaque ficou para a aparição do tubarão, observado nadando livremente a cerca de 40 metros de profundidade.

    “Estatisticamente, é muito mais provável ganhar na loteria do que encontrar um animal tão icônico debaixo d’água. Você passa décadas mergulhando em naufrágios e removendo redes fantasmas, mas nada te prepara para um momento como esse”, relatou Remmers.

    https://www.instagram.com/reel/DZU_SRGuxCX/?utm_source=ig_web_button_share_sheet

    Trabalho continuou após encontro inesperado

    Apesar da surpresa causada pela presença do predador, a equipe manteve o cronograma previsto para a missão.

    “Foi insano, mas mesmo assim prosseguimos com nosso plano de mergulho para remover as redes do naufrágio, pois esse momento mostrou claramente a importância do nosso trabalho”, acrescentou o mergulhador.

    Segundo os participantes, o episódio reforça os impactos causados pela pesca predatória e pelo descarte inadequado de equipamentoos.

    Espécies ameaçadas

    A missão também teve como objetivo coletar amostras de DNA ambiental (eDNA) e realizar atividades de monitoramento da biodiversidade marinha.

    Dessa forma, os pesquisadores esperam obter novas informações sobre as espécies que habitam a região. No caso dos tubarões-brancos, boa parte do conhecimento disponível ainda provém de exemplares mortos capturados por atividades pesqueiras.

    “Observações como essa são extremamente valiosas para melhorar a nossa compreensão da distribuição, dos hábitos e do comportamento dessa espécie criticamente ameaçada, cuja sobrevivência está em risco devido às atividades humanas”, afirmou Carlo Cattano, especialista do Centro Marinho da Sicília da Estação Zoológica Anton Dohrn.

    Embora tenham ocorrido avistamentos ocasionais de tubarões-brancos, o tamanho da população é desconhecido e acredita-se que encontros anteriores não tenham sido filmados — Foto: Reprodução/Reuters

    Preservação dos oceanos

    Para Veronika Mikos, diretora da Healthy Seas, o significado do avistamento vai muito além da raridade da espécie.

    “O que torna esse encontro tão impactante não é apenas o animal em si, mas o contexto. Estávamos lá para remover redes que aprisionavam a vida marinha em um ecossistema de naufrágio. Momentos como esse nos lembram quanta vida ainda pode existir nas águas costeiras do Mediterrâneo e como é importante protegê-la de ameaças evitáveis”, concluiu.

  • Cobras invasoras colocam espécie rara em risco

    Cobras invasoras colocam espécie rara em risco

    A presença de cobras invasoras nas Ilhas Pitiusas, no Mediterrâneo, tem preocupado pesquisadores e ambientalistas. Um estudo recente revelou que a chamada cobra-ferradura passou a nadar em mar aberto para alcançar pequenos ilhéus onde ainda sobrevivem populações raras de lagartos endêmicos.

    O comportamento foi registrado em áreas próximas de Ibiza e Formentera, na Espanha. Segundo os cientistas, a expansão da espécie já ameaça o equilíbrio ecológico da região e pode causar impactos irreversíveis na biodiversidade local.

    Como as cobras chegaram às ilhas?

    Pesquisadores acreditam que as serpentes chegaram às Ilhas Baleares escondidas em oliveiras ornamentais importadas da Península Ibérica no início dos anos 2000.

    Na época, o número de indivíduos era pequeno e não gerava grande preocupação. No entanto, a situação mudou rapidamente. Em 2010, as cobras ocupavam menos de 5% de Ibiza. Já em 2016, estavam presentes em cerca de 40% da ilha.

    Hoje, segundo o biólogo Oriol Lapiedra, do Centro de Pesquisa Ecológica e Aplicações Florestais (CREAF), a espécie já domina mais de 90% do território de Ibiza.

    Além disso, os pesquisadores descobriram que as serpentes não dependem mais de transporte acidental para chegar a novos locais. Vídeos e registros de campo confirmaram que elas conseguem nadar até ilhéus próximos em busca de alimento.

    Os cientistas acreditam que a escassez de presas em algumas regiões de Ibiza fez com que as cobras passassem a procurar novos ambientes, especialmente áreas isoladas onde os lagartos ainda vivem sem grandes defesas naturais.

    A cobra-ferradura é uma serpente não peçonhenta que se espalhou rapidamente pelas ilhas do Mediterrâneo — Foto: Parque Biológico Gaia

    Avanço ameaça lagartos raros

    A pesquisa aponta que diversos fatores ajudam na rápida expansão da cobra-ferradura pelo Mediterrâneo:

    • Grande capacidade de adaptação ao ambiente;
    • Alta oferta de alimento nos ilhéus menores;
    • Ausência de predadores naturais;
    • Facilidade de deslocamento entre pequenas ilhas.

    Os impactos já são considerados graves. Em algumas ilhotas, populações inteiras de lagartos desapareceram poucos anos após a chegada das serpentes.

    Um dos casos mais preocupantes ocorreu em Santa Eulària, onde dezenas de cobras foram capturadas entre 2023 e 2025.

    Desequilíbrio ecológico preocupa cientistas

    Além da redução drástica dos lagartos, os pesquisadores alertam para consequências ambientais em cadeia. Esses répteis desempenham funções importantes no ecossistema, como dispersão de sementes, polinização de flores e controle natural de insetos.

    Sem eles, o equilíbrio ecológico das ilhas pode ser comprometido.

    Entre os principais impactos apontados pelos cientistas estão:

    • Extinção local de espécies únicas de lagartos;
    • Alterações na cadeia alimentar;
    • Desequilíbrio ambiental nas ilhas;
    • Aumento do risco de pragas agrícolas.

    Diante da ameaça, autoridades ambientais iniciaram programas emergenciais para proteger as espécies restantes. Alguns lagartos ameaçados foram levados para o Zoológico de Barcelona, onde participam de projetos de reprodução em cativeiro.

    Apesar disso, especialistas reconhecem que eliminar totalmente as cobras invasoras é uma tarefa extremamente difícil. Por enquanto, os esforços estão concentrados em conter a expansão da espécie e preservar os ilhéus considerados essenciais para a biodiversidade mediterrânea.

  • Focas raras usam cavernas submersas para fugir de turistas

    Focas raras usam cavernas submersas para fugir de turistas

    As raras focas-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus) podem estar adotando uma nova estratégia para escapar da intensa movimentação turística no verão europeu. Um estudo publicado na revista científica Oryx revelou que os animais passaram a utilizar pequenas cavernas submersas como abrigo na ilha de Formicula, na Grécia.

    Os pesquisadores registraram as focas descansando e dormindo em estruturas conhecidas como “cavernas de bolhas”, câmaras cheias de ar acessíveis apenas por passagens submersas. A descoberta amplia o entendimento sobre o comportamento da espécie e pode ajudar em futuras estratégias de conservação.

    Espécie segue ameaçada

    As focas-monge-do-mediterrâneo estão entre os pinípedes mais raros do planeta. Atualmente, estima-se que existam entre 444 e 600 indivíduos adultos distribuídos pelo Mediterrâneo e áreas do Atlântico próximas ao noroeste da África.

    Apesar do crescimento lento da população, a espécie ainda é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

    A foca-monge-do-mediterrâneo é o membro da família das focas mais ameaçado de extinção — (Foto: Divulgação)

    Historicamente, esses animais utilizavam praias abertas para descanso e reprodução. Porém, séculos de perseguição humana fizeram com que buscassem abrigo em cavernas isoladas. Mesmo assim, o turismo próximo a esses locais continua sendo uma ameaça.

    Câmeras revelaram comportamento inédito

    Em 2019, pesquisadores encontraram uma pequena caverna submersa enquanto instalavam equipamentos em uma caverna maior já conhecida em Formicula. O espaço era invisível da superfície e só podia ser acessado mergulhando.

    Para entender como as focas utilizavam o local, os cientistas instalaram câmeras subaquáticas entre 2020 e 2021. Durante 141 dias de monitoramento, os animais apareceram na caverna principal em 30 dias, enquanto a chamada caverna de bolhas foi utilizada em 119 dias.

    As imagens mostraram as focas descansando e dormindo dentro do abrigo, tanto flutuando quanto repousando no fundo da câmara. Os pesquisadores também registraram o comportamento conhecido como “engarrafamento”, quando os animais permanecem na posição vertical dentro da água.


    Registros das focas cochilando em cavernas subaquáticas — (Foto: J. Gonzalvo et al., Oryx)

    “Quando descobrimos remotamente que várias focas estavam inspecionando a câmera à prova d’água menos de uma hora depois de a instalarmos, ficamos realmente impressionados”, afirmou Julien Pfyffer.

    Embora funcionem como refúgio, os pesquisadores classificam essas cavernas como habitats menos adequados. Ainda assim, os locais parecem importantes para a sobrevivência da espécie em regiões com forte presença humana.

    Nos últimos anos, o governo grego também implementou novas regras para navegação e atividades recreativas ao redor de Formicula, medida que pode beneficiar diretamente os animais.

    “Se a tese estiver correta, de que eles dormem nessas cavernas de bolhas porque querem evitar a perturbação humana, se o habitat for protegido o suficiente, eles não precisariam fazer isso”, afirmou Jason Baker à revista Science.

  • Azeite: mitos e verdades que você precisa conhecer

    Azeite: mitos e verdades que você precisa conhecer

    Você já parou pra pensar na história por trás daquela garrafa de azeite na sua cozinha? A oliveira não é só uma árvore qualquer, mas sim um verdadeiro símbolo de resistência que atravessou milênios produzindo um dos ingredientes mais versáteis da gastronomia.

    A oliveira carrega consigo uma história de longevidade impressionante. Ela cresce devagar, quase como se não tivesse pressa nenhuma, mas quando decide produzir, não para mais. Algumas dessas árvores continuam dando frutos depois de 150 anos, e existem exemplares milenares que seguem firmes até hoje.

    A Jornada surpreendente: da flor ao azeite

    Mas a história fica ainda mais interessante quando você descobre que essa árvore não entrega seus tesouros facilmente. Uma oliveira leva pelo menos cinco anos pra começar a dar frutos. É quase como se ela precisasse amadurecer primeiro, ganhar experiência.

    E aqui vem uma revelação que surpreende muita gente: não existe pé de azeitona verde separado do pé de azeitona preta. Toda azeitona nasce verdinha e vai escurecendo conforme amadurece. Simples assim. Mas esse detalhe aparentemente pequeno faz toda diferença no sabor final do azeite.

    Frutos colhidos ainda verdes geram azeites mais intensos, com aquele gostinho picante e amargo que divide opiniões. Já as azeitonas maduras produzem azeites mais suaves e delicados. é a natureza mostrando como um timing perfeito transforma tudo.

    Do campo à garrafa: um processo que exige precisão

    Produzir azeite é quase uma arte. São necessarios de cinco a seis quilos de azeitonas pra extrair apenas um litro de azeite. Isso mesmo, é 100% suco de azeitona, sem misturas ou atalhos. A marca Andorinha, por exemplo, faz a colheita de forma mecânica nos seus olivais, preservando a qualidade do fruto, e leva as azeitonas pro lagar em questão de horas.

    “Muitas pessoas não fazem a ligação direta entre a oliveira e a complexidade sensorial de um bom azeite”, explica Vasco Martins, Diretor Geral da Nutrifarms, empresa agrícola do Grupo Sovena. “Entender que o clima, o momento da colheita e a rapidez da extração são vitais para a qualidade do que chega à mesa valoriza todo o trabalho no campo. A oliveira é a verdadeira protagonista dessa história.”

    Mitos e verdades: o que você precisa saber

    • ✓ VERDADE: o mediterrâneo é o paraíso da oliveira

    Invernos amenos e chuvosos combinados com verões quentes e secos criam o ambiente perfeito pra oliveira prosperar. Não é atoa que a região mediterrânea domina a produção mundial.

    • ✗ MITO: azeitona Direto do Pé é Deliciosa

    Se você tiver a ideia de colher uma azeitona e comer na hora, prepare-se pra uma surpresa desagradável. O fruto in natura é extremamente amargo e precisa passar por um longo processo de cura antes de ficar comestível.

    • ✗ MITO: azeite não serve pra fritar

    Esse é um dos maiores equívocos. O azeite é uma das gorduras mais estáveis e saudáveis pra altas temperaturas, resistindo ao calor sem perder suas propriedades benéficas.

    • ✓ VERDADE: acidez é Coisa Séria (Mas Não do Jeito Que Você Pensa)

    A acidez é sim um parâmetro químico importante pra determinar a qualidade do azeite, mas você não consegue perceber isso no paladar. É uma medida técnica, não sensorial.

    • ✗ MITO: quanto mais velho, melhor

    Ao contrário do vinho, o azeite não melhora com o tempo. Na verdade, quanto mais novo, mais preservados estarão seus aromas, sabores e benefícios à saúde. Não guarde aquela garrafa especial pra daqui há cinco anos!

    • ✗ MITO: azeite na geladeira

    Não precisa. O ideal é manter em temperatura ambiente, num local fresco e principalmente protegido da luz. Por isso que as embalagens escuras funcionam melhor.

    Quer ver de perto? visite um olival em Portugal

    Pra quem curte experiências autênticas, existe uma oportunidade incrível: visitar o olival e o Lagar de Marmelo, na região de Ferreira do Alentejo, em Portugal. É lá que nascem os azeites Andorinha.

    A visita é gratuita e oferece uma imersão completa no universo do azeite. Um guia acompanha os visitantes explicando todas as fases de produção, e no final rola uma degustação onde você aprende a distinguir as diferenças entre os azeites.

    As visitas acontecem de segunda a sexta-feira, das 11h às 13h e das 14h às 17h. O agendamento pode ser feito pelo e-mail [email protected].

  • Espécies mediterrâneas florescem até 18 dias antes por causa do aquecimento global

    Espécies mediterrâneas florescem até 18 dias antes por causa do aquecimento global

    Um estudo recente revelou que as espécies de plantas no Mediterrâneo estão florescendo até 18 dias mais cedo do que há três décadas. A pesquisa analisou 269 plantas no sul da Espanha e mostrou que o aquecimento global mudou o calendário da natureza na região.

    Pesquisadores da Universidade de Sevilha, na Espanha, e da Unesp repetiram um levantamento realizado nos anos 1980 na Andaluzia, região localizada no sul do país. Em comparação aos dados coletados em 1985, eles notaram que aproximadamente 90% das plantas anteciparam a floração em média 18 dias, entre 1985 e 2022. Além disso, 66,4% das espécies apresentaram períodos de floração mais longos.

    O estudo foi publicado em maio na revista científica Functional Ecology. A bióloga Patrícia Morellato, professora do Instituto de Biociências da Unesp e diretora do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima), participou da pesquisa. Que também está no site do Jornal da Unesp.

    Segundo os autores, o aumento da temperatura média na Andaluzia – que passou de 15,9 ºC em 1985 para 18,3 ºC em 2022 – combinado com a redução das chuvas anuais, que caíram de 580 mm para 205 mm, pressiona as plantas a florescerem mais cedo.

    Prejuízos

    Essa antecipação pode prejudicar a polinização e a produção de frutos, alerta Morellato. “As mudanças na época de floração não acompanham necessariamente a presença dos polinizadores. Isso pode causar descompasso que afeta a reprodução das plantas.”

    O problema se agrava com a fragmentação da vegetação nativa, que força insetos e pássaros a percorrer distâncias maiores para encontrar néctar. Esse cenário já acontece em áreas do Centro-Oeste brasileiro, uma das principais regiões agrícolas do país.

    Foto: Daniel Pareja-Bonilla/Divulgação

    No estudo, os pesquisadores coletaram informações sobre quatro eventos do ciclo de floração das plantas: a primeira floração, a primeira floração intensa, a última floração intensa e a última floração. Eles constataram que a média da primeira data de floração avançou de 17 de abril para 30 de março.

    Além disso, a primeira data de floração intensa mudou de 27 de abril para 13 de março. A última floração intensa recuou de 20 para 11 de maio, e a última floração passou de 5 para 27 de maio.

    Características comuns

    Os cientistas identificaram características comuns às plantas que florescem mais cedo: são mais baixas, têm folhas largas, flores grandes e caules lenhosos. Espécies com floração precocemente tradicional ou com período curto também tendem a antecipar mais.

    A hipótese dos pesquisadores é que essas plantas respondem mais diretamente à temperatura ambiente para iniciar a reprodução. Espécies que dependem de outros fatores, como a duração do dia, tendem a manter seus ciclos regulares, já que essa variável não muda com o aquecimento.

    O estudo mostrou que 88,4% das espécies apresentaram avanço na primeira data de floração. A floração intensa adiantou em 85% das plantas, enquanto a última floração intensa e a última floração avançaram em 75,1% e 72% das espécies, respectivamente. Isso aumentou a duração total da floração em aproximadamente 64% das plantas analisadas.

    Esses dados reforçam o impacto direto das mudanças climáticas no funcionamento dos ecossistemas e na agricultura local, trazendo desafios para a preservação da biodiversidade e a segurança alimentar..