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  • Abril Laranja: mês alerta para crimes contra animais

    Abril Laranja: mês alerta para crimes contra animais

    O mês de abril ganhou um significado especial na luta pela proteção animal. Conhecido como Abril Laranja, o período concentra ações de conscientização e combate aos maus-tratos em todo o país.

    A campanha busca informar a população, incentivar denúncias e reforçar a importância do respeito aos animais. Além disso, destaca que cães, gatos e outros animais sentem dor e precisam de cuidados adequados.

    Campanha nasceu fora do Brasil

    O movimento surgiu em 2006, criado pela ASPCA, nos Estados Unidos.
    Desde então, a iniciativa se espalhou por diversos países, incluindo o Brasil, onde ganhou força com o apoio de instituições, órgãos públicos e entidades de proteção animal.

    Maus-tratos são crime

    No Brasil, a legislação avançou nos últimos anos.

    A Lei nº 14.064/2020 aumentou as punições para quem comete crueldade contra cães e gatos. Hoje, a pena pode chegar a até cinco anos de reclusão, além de multa e perda da guarda do animal.

    Além disso, especialistas reforçam que a punição busca não apenas penalizar, mas também prevenir novos casos.

    O que caracteriza maus-tratos

    A campanha também ajuda a esclarecer o que configura crime.

    Entre as situações mais comuns estão abandono, agressão física e negligência. Também entram na lista manter o animal sem água, alimento ou higiene adequada.

    Além disso, deixar o animal preso de forma contínua, exposto ao sol, à chuva ou em espaços muito pequenos também caracteriza maus-tratos.

    Denúncia é fundamental

    Outro ponto central do Abril Laranja é incentivar a população a denunciar.

    Casos suspeitos podem ser comunicados à Polícia Militar pelo 190 ou pelo Disque Denúncia, no número 181. Além disso, muitas cidades contam com delegacias especializadas.
    Na maioria dos casos, a denúncia pode ser feita de forma anônima, o que facilita a participação da população.

    Ações se espalham pelo país

    Durante o mês, diversas cidades promovem campanhas educativas, mutirões e ações de orientação.

    Além disso, instituições lançam materiais informativos para ajudar a população a identificar e combater situações de maus-tratos. Essas iniciativas fortalecem a rede de proteção animal e ampliam o alcance da campanha.

    Guarda responsável ganha destaque

    Mais do que denunciar, o Abril Laranja também reforça a importância da guarda responsável.

    Isso inclui oferecer alimentação adequada, cuidados veterinários e um ambiente seguro para o animal. Além disso, a convivência deve respeitar o bem-estar físico e emocional.
    Dessa forma, a campanha vai além da denúncia e busca promover uma mudança de comportamento na sociedade.

  • Projeto proíbe novos contratos de aluguel para quem abandonar animais

    Projeto proíbe novos contratos de aluguel para quem abandonar animais

    A Câmara dos Deputados analisa um pacote de projetos que ampliam a responsabilidade de inquilinos, síndicos e criadores comerciais na proteção de animais domésticos. As propostas propõem novas restrições legais e o endurecimento de penas para casos de abandono, negligência e exploração irregular.

    Deputado Duda Ramos (MDB-RR). Foto: Agência Câmara de Notícias

    O primeiro deles, Projeto de Lei 6964/25, impede o locatário que abandonar seu animal de firmar novos contratos de aluguel por até cinco anos. A medida, de autoria do deputado Duda Ramos (MDB-RR), busca fechar brechas na legislação atual. Ramos destaca que o abandono durante a mudança configura “crueldade e omissão” e precisa de tratamento legal específico dentro das relações de locação.

    O texto define abandono como deixar o animal sem abrigo, alimentação ou vigilância após a desocupação do imóvel. Além da restrição em futuros contratos, o infrator deverá arcar com multa administrativa e com as despesas de resgate e tratamento do animal.

    Para reforçar a fiscalização, o projeto obriga imobiliárias, síndicos, administradores e proprietários a comunicarem o caso às autoridades em até 48 horas. O inquilino só será isento se comprovar a entrega responsável do animal a um abrigo ou novo tutor. Segundo entidades citadas pelo parlamentar, 15% dos resgates urbanos envolvem animais deixados por locatários que se mudam.

    Condomínios deverão denunciar maus-tratos a animais

    Outro projeto de Duda Ramos, PL 6880/25, determina que condomínios residenciais e comerciais comuniquem às autoridades qualquer indício ou ocorrência de maus-tratos em suas dependências. O parlamentar argumenta que esses espaços têm papel estratégico na fiscalização, já que a maioria dos casos ocorre em residências particulares.

    A proposta torna síndicos, administradores e gestores condominiais responsáveis por formalizar as denúncias à polícia, ao Ministério Público ou aos órgãos de proteção animal. O comunicado deve incluir informações sobre local, data e possíveis autores, preservando o anonimato do denunciante.

    O texto também obriga os condomínios a fixarem cartazes em áreas comuns com orientações sobre como denunciar maus-tratos. A omissão dolosa do síndico poderá gerar sanções civis e administrativas, além de eventual responsabilização penal. A proposta, no entanto, deixa claro que a regra não autoriza entradas forçadas em imóveis sem autorização judicial ou do morador.

    Projeto aumenta punição para criadores clandestinos de cães e gatos

    Já o PL 6543/25, do deputado Célio Studart (PSD-CE), propõe aumentar de um terço a dois terços a pena para o crime de maus-tratos quando praticado com propósito de lucro ou em canis e gatis irregulares. A mudança altera a Lei dos Crimes Ambientais e visa impedir a exploração comercial de animais em condições degradantes.

    Deputado Célio Studart (PSD-CE).
    Foto: Agência Câmara de Notícias

    Além da ampliação da punição,que atualmente prevê reclusão de dois a cinco anos, o texto proíbe o infrator de obter novas licenças de criação ou comércio e determina a interdição definitiva do estabelecimento envolvido.

    Studart defende que o projeto atinge os responsáveis pela “industrialização do sofrimento animal”, citando práticas de confinamento extremo, ausência de cuidados veterinários e reprodução forçada. O parlamentar também prevê que bens e valores apreendidos em operações policiais sejam destinados ao custeio do tratamento e abrigo dos animais resgatados, evitando que o custo recaia apenas sobre o Estado ou ONGs.

    As três propostas tramitam em caráter conclusivo nas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovadas, seguirão para votação no Plenário da Câmara e, depois, no Senado Federal.

  • Gata entra com ação judicial contra clínica veterinária

    Gata entra com ação judicial contra clínica veterinária

    Uma decisão judicial inédita no Rio Grande do Sul está chamando a atenção para os direitos dos animais. A gata Cacau, de menos de um ano, se tornou a primeira felina a figurar como autora em uma ação judicial contra uma clínica veterinária. A alegação é de maus-tratos durante um procedimento de castração.

    O incidente ocorreu na Comarca de Santa Maria, onde a proprietária da gata decidiu processar a clínica veterinária após alegações de que Cacau sofreu danos físicos e emocionais durante a cirurgia. A ação busca reparação por “danos morais e materiais”, reconhecendo a gata como sujeito de direitos no processo legal.

    Ação tem o nome da gata como autora. Reprodução: Internet.

    A aceitação da petição pela Justiça gaúcha representa um marco significativo na proteção dos direitos dos animais no Brasil. O juiz responsável pelo caso enfatizou a importância de considerar o bem-estar animal nas decisões judiciais. E destacou que os animais não são meros objetos, mas seres que merecem proteção e respeito.

    Repercussão na mídia e na sociedade

    A ação da gata Cacau gerou uma ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa. Muitos defensores dos direitos dos animais elogiando essa iniciativa como um passo importante para a defesa dos direitos dos seres não humanos. Especialistas acreditam que essa decisão pode abrir precedentes para que outros animais também possam reivindicar seus direitos em situações semelhantes.

    Advogados e ativistas dos direitos dos animais veem o caso como uma oportunidade para reforçar a necessidade de legislações mais rigorosas em relação ao bem-estar animal. “Esse tipo de decisão é fundamental para que possamos avançar na proteção dos direitos dos animais. E garantir que eles sejam tratados com dignidade”, afirmou um defensor da causa.

    “Embora a legislação civil ainda reconheça os animais como bens, os mesmos têm amparo constitucional onde é reconhecida a senciência.  Embora não possam, em tese, comparecer em audiências, podem e devem figurar como parte, o que reforça o conjunto probatório. Desde 2021 há decisões reconhecendo os animais como parte processual, é o judiciário evoluindo junto com a sociedade, afinal, animais são membros não-humanos da família multiespécie”, explica a advogada Carolina de Mattos Galvão, especialista em Direito Animal.

    A ação judicial movida pela gata Cacau não apenas destaca a importância da proteção aos animais, mas também reflete uma mudança cultural em relação à forma como a sociedade e o sistema judiciário enxergam os direitos dos seres não humanos. Com essa decisão, espera-se que mais casos semelhantes sejam levados à Justiça, contribuindo para um futuro onde os direitos dos animais sejam cada vez mais respeitados e protegidos.

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