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  • Pesquisadora apresenta raio-x do agronegócio baiano

    Pesquisadora apresenta raio-x do agronegócio baiano

    Baianópolis, município de 14 mil habitantes no oeste da Bahia, fica no Matopiba, uma das regiões mais dinâmicas do agronegócio brasileiro. Ainda assim, apenas 20% da cadeia produtiva da soja e do milho cultivados ali funciona localmente. O restante escoa para outros centros, levando junto empregos, renda e oportunidades. Esse paradoxo está no centro de uma pesquisa de doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB) que propõe um novo modelo de planejamento urbano para municípios pequenos. E que, em simulação, multiplica por 2,4 vezes cada real investido.

    A urbanista Carlla Brito Furlan Pourre desenvolveu o estudo, intitulado “Modelo conceitual de instrumento econômico: desenho e análise de aplicação para a viabilidade de projetos urbanos em pequenas cidades”. A tese parte de um diagnóstico econômico detalhado do município para, só então, definir programas, políticas e ações de desenvolvimento urbano alinhadas à realidade local. E não a modelos genéricos pensados para grandes capitais.

    O problema: instrumentos urbanos que ignoram cidades pequenas

    O Brasil tem 5.569 municípios. Desses, 3.370, quase 70%, têm menos de 20 mil habitantes, segundo o IBGE. Apesar de representar a maioria, essas cidades não contam com instrumentos de planejamento urbano adequados à sua escala.

    Os mecanismos hoje disponíveis, como a Operação Urbana Consorciada e os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac), nasceram para grandes centros. A Operação Urbana Consorciada une poder público e iniciativa privada para viabilizar intervenções como escolas, praças e unidades de saúde. Os Cepacs permitem que o mercado imobiliário construa acima dos limites urbanísticos estabelecidos em troca de contrapartidas financeiras.

    Segundo Carlla Pourre, esses instrumentos costumam chegar ao território sem estudos aprofundados e sem conexão com as necessidades reais da população. “São decisões pontuais, muitas vezes tomadas de forma unilateral pelo grupo político gestor ou até mesmo pela iniciativa privada”, afirma. Para municípios pequenos, onde o mercado imobiliário é restrito, esses mecanismos simplesmente não funcionam. “Há um verdadeiro vácuo de políticas de planejamento urbano voltadas às pequenas cidades”, diz a pesquisadora.

    O modelo: planejamento que começa pela economia

    A proposta de Carlla Pourre inverte a lógica tradicional. Em vez de partir do desenho urbano, o modelo começa pelo mapeamento econômico do município, suas vocações, lacunas e potencialidades. A partir desse diagnóstico, o poder público identifica cadeias de negócios estratégicas e estrutura infraestrutura, serviços e políticas públicas para fortalecê-las.

    “A tese propõe um modelo de desenvolvimento baseado em cadeias de negócios, no qual o planejamento urbano deixa de ser pensado apenas como desenho urbano e passa a ser articulado à dinâmica econômica local”, explica a urbanista. O objetivo é estimular a circulação de renda, criar atividades estratégicas e garantir a sustentabilidade financeira de projetos, públicos ou privados.

    Para municípios pequenos, a pesquisadora defende um modelo híbrido de financiamento, que combine recursos públicos, capital privado, financiamento de desenvolvimento e fundos multilaterais, calibrado às vocações econômicas de cada lugar.

    O caso Baianópolis: R$ 20 milhões que podem virar R$ 48 milhões

    O modelo chegou a números concretos quando a pesquisadora simulou a instalação de uma indústria esmagadora de soja em Baianópolis. Com investimento estimado em R$ 20 milhões, a projeção aponta impacto total de R$ 48 milhões na economia local, 2,4 vezes o valor aplicado. A simulação também indica a criação de cerca de 285 empregos diretos, indiretos e induzidos, além de R$ 8 milhões em renda anual gerada.

    Com a implantação do modelo completo, a cadeia do agronegócio de soja e milho no município avançaria de 20% para 41% de completude, com novos serviços e atividades econômicas integradas. “Assim, Baianópolis aproveitaria novos fluxos de capital, pessoas e serviços, aumentando a qualidade de vida da população local”, destaca Carlla Pourre.

    Hoje, a ausência de indústrias de processamento e a baixa oferta de serviços de apoio forçam trabalhadores a migrar para centros maiores e aprofundam informalidade, pobreza e desigualdade. Mesmo em um município inserido em uma das regiões agrícolas mais produtivas do país.

    Por que isso importa além da Bahia

    A pesquisadora defende que o modelo pode servir de referência para qualquer município que busque atrair investimentos, reduzir desigualdades e construir estratégias de crescimento mais sustentáveis.

    Mestre e doutora em Planejamento Urbano e Regional Carlla Brito Furlan Pourre. Foto: Divulgação

    Na prática, significa criar condições para reter população com mais oportunidades de trabalho, ampliar serviços urbanos e dinamizar a economia a partir das vocações do próprio território. E sem depender de receitas prontas feitas para realidades completamente diferentes.

  • Alexandre Pires compra fazenda de 2 mil hectares no Tocantins e entra no agronegócio

    Alexandre Pires compra fazenda de 2 mil hectares no Tocantins e entra no agronegócio

    Alexandre Pires construiu sua fama nos palcos. Mas, aos 50 anos, o cantor que emplacou hits como “Que Se Chama Amor” e “Essa Tal Liberdade” à frente do grupo Só Pra Contrariar decidiu ampliar seus horizontes. Em 2026, ele entrou para a lista dos artistas brasileiros que apostam no agronegócio. O destino escolhido foi o Tocantins.

    A nova aquisição do artista é a Fazenda Arara Preta, localizada no município de Dianópolis, no sudeste do Tocantins. A área possui aproximadamente 2 mil hectares, o equivalente a cerca de 2.500 campos de futebol, segundo estimativas técnicas citadas por especialistas do setor.

    Foto do Corretor de imóveis, Bruno Leonardo, com o cantor após aquisição do imóvel. (Imagem/Reprodução: Redes Sociais)

    Uma fazenda estratégica no coração do Matopiba

    A escolha de Dianópolis não foi por acaso. A propriedade fica a cerca de 90 quilômetros de Luís Eduardo Magalhães, um dos principais polos do agronegócio no oeste baiano. Assim, a proximidade com essa região agrícola foi um dos fatores que contribuíram para valorizar o imóvel rural.

    Além disso, Dianópolis está inserida no Matopiba, acrônimo que reúne partes dos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Trata-se, portanto, de uma das principais fronteiras agrícolas em expansão no Brasil e de uma aposta bem localizada, em uma área que atrai cada vez mais investidores do campo.

    O corretor responsável pela negociação, Bruno Leonardo, também destacou o potencial da propriedade. Segundo ele, a fazenda conta com terreno plano, boa disponibilidade de água e chuvas regulares. Por isso, as atividades ligadas à agricultura tendem a ser bastante promissoras na região nos próximos anos.

    Pecuária primeiro, agricultura depois

    O plano de Alexandre Pires para a fazenda segue uma lógica comum entre novos investidores rurais: começar pela atividade de menor custo de implantação e, gradualmente, expandir para culturas agrícolas. Nesse sentido, o prefeito de Dianópolis, José Salomão, confirmou que o cantor pretende investir primeiro na criação de gado e, somente depois, avançar para a agricultura. “Ele vai investir inicialmente na pecuária e depois na agricultura, segundo o que ele me informou. Isso contribui decisivamente para a economia do nosso município”, explicou.

    Além do impacto econômico direto, a chegada do cantor ao município também gerou expectativa entre os moradores. Recentemente, o artista esteve em Dianópolis para conhecer de perto a nova propriedade e acabou chamando atenção durante a visita.

    Quanto vale a Fazenda Arara Preta?

    O valor exato da transação não foi divulgado. No entanto, estimativas do mercado fundiário local dão uma dimensão do investimento. No sudeste do Tocantins, o alqueire de terra varia entre R$ 40 mil e R$ 150 mil, a depender de fatores como qualidade do solo, acesso e disponibilidade de água. Dessa forma, considerando que 2 mil hectares equivalem a aproximadamente 413 alqueires, o valor estimado da propriedade pode variar entre R$ 16 milhões e R$ 61 milhões.

    Uma tendência no meio artístico

    Alexandre Pires não é o único artista a apostar no campo. Aliás, sua ligação com o universo rural já vinha sendo construída antes mesmo da compra da fazenda. Em novembro de 2025, o cantor participou do Viver Sertanejo, programa comandado por Daniel na TV Globo, onde revelou como o sertanejo moldou sua musicalidade e inspirou o projeto “Pagonejo Bão”, mistura de pagode com elementos sertanejos. O encontro aconteceu justamente na fazenda de Daniel, em Brotas, interior de São Paulo, cenário do programa.

    https://www.instagram.com/p/DQ1qeFBERpg/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Daniel: outro artista com raízes ligadas ao campo

    Daniel, por sua vez, é outro nome do meio artístico que há anos investe no agronegócio de forma consistente. A propriedade rural do cantor reúne áreas de produção agropecuária, espaços de convivência e paisagens naturais. Além disso, conta com um rebanho de aproximadamente 3,2 mil cabeças de gado criadas em sistema de ciclo completo, que inclui as etapas de cria, recria e engorda. A fazenda também adota integração entre floresta e pecuária, com plantio de eucalipto em áreas de pastagem.

    Nesse sentido, a conversa gravada nos arredores da propriedade de Daniel pode ter influenciado Alexandre Pires a dar o passo que deu meses depois. A compra da Fazenda Arara Preta, portanto, reforça uma tendência que vem se consolidando no Brasil: artistas e empresários do entretenimento investindo em propriedades rurais. No próprio Tocantins, por exemplo, nomes como Leonardo e a dupla Henrique e Juliano já possuem fazendas voltadas à pecuária, atraídos pela produtividade e logística favorável da região.

    Esse movimento reflete, em parte, a valorização consistente das terras agrícolas brasileiras. Para artistas com patrimônio consolidado, a terra produtiva funciona como reserva de valor e fonte de renda complementar, especialmente em regiões com potencial de expansão como o Matopiba. Com a Fazenda Arara Preta, consequentemente, Alexandre Pires dá seu primeiro passo formal nesse setor. E, a julgar pelo perfil da propriedade e pela localização estratégica, dificilmente será o último.

    Leia mais em: Fazenda de Daniel vira vitrine do agro e reforça estratégia de investimento

  • Produtividade leva Brasil a novo recorde de soja na safra 2025/26

    Produtividade leva Brasil a novo recorde de soja na safra 2025/26

    A produção de soja no Brasil deve alcançar o maior volume já registrado. Projeção da Biond Agro indica colheita de 176,85 milhões de toneladas na safra 2025/26, resultado que reforça o país como principal fornecedor global da oleaginosa. O avanço ocorre em cenário de clima mais equilibrado e ganhos de produtividade em regiões-chave, especialmente no Centro-Oeste, mesmo diante de expansão moderada da área plantada.

    Segundo Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o desempenho reflete um ano de alto potencial produtivo, mas ainda marcado por desafios econômicos. “Mesmo com menor avanço de área, o bom desempenho em estados como Mato Grosso deve garantir resultados expressivos, confirmando a força do setor”, explica.

    Produtividade impulsiona resultado em ano de menor expansão de área

    A área cultivada com soja deve crescer 2,9%, totalizando cerca de 48,7 milhões de hectares, um dos menores avanços dos últimos ciclos. A Biond aponta que margens apertadas, custos elevados de financiamento e crédito restrito reduziram o ritmo de expansão.

    Para Monteiro, a produtividade será o fator decisivo. “O recorde dependerá da combinação entre clima favorável, manejo eficiente e alto desempenho das lavouras, e não da ampliação de área”, afirma. A analista acrescenta que atrasos no plantio no MATOPIBA e replantios no norte de Mato Grosso podem ajustar as estimativas, mas parte dessas perdas tende a ser compensada ao longo do ciclo.

    Clima e mercado internacional definem expectativa de preços

    As condições climáticas seguem como principal ponto de atenção. A região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, ainda enfrenta risco de déficits hídricos em anos de La Niña. Já o Centro-Oeste e o MATOPIBA dependem da regularidade das chuvas no início da primavera para assegurar uma boa janela de plantio e o sucesso do milho safrinha.

    “O fator mais importante para o potencial produtivo não é tanto o volume de chuvas, mas sua distribuição nas fases críticas da cultura, como floração e enchimento de grãos”, reforça Monteiro.

    No cenário internacional, a perspectiva de safra robusta no Brasil pressiona os preços no curto prazo, diante de estoques globais confortáveis. O retorno das compras chinesas de soja dos Estados Unidos aumenta a volatilidade nas cotações em Chicago e reduz os prêmios de exportação brasileiros.

    “Com a forte oferta esperada, o Brasil deve recuperar a posição de origem mais competitiva no mercado global em 2026”, conclui a analista.

  • Família Yamada conquista recuperação extrajudicial

    Família Yamada conquista recuperação extrajudicial

    O juiz Davi Vilas Verdes Guedes Neto homologou a recuperação extrajudicial da Família Yamada, grupo de cinco produtores rurais que cultiva 4 mil hectares em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. A decisão da 1ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo Cíveis e Comerciais permite que a família quite R$ 75,6 milhões de um total de R$ 131,5 milhões em dívidas.

    O escritório Celso Cândido de Souza Advogados conduziu as negociações com os credores e apresentou o plano de recuperação extrajudicial ao juiz. Segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial, o Brasil registrou apenas 57 processos dessa modalidade até dezembro, contra 1.921 recuperações judiciais até novembro.

    Modalidade rara exige consenso entre credores

    A recuperação extrajudicial acontece fora do ambiente jurídico e depende da concordância dos credores, que têm liberdade para recusar propostas. O juiz homologa o acordo somente depois que os produtores apresentam o plano aprovado pela maioria dos envolvidos.

    “É o mesmo que ocorre quando as partes fazem um acordo em uma audiência de conciliação, desafogando o judiciário e dando mais celeridade à resolução da questão”, explica Fabrício Cândido Gomes de Souza, CEO do escritório responsável pelo caso. “Mas essa modalidade não é utilizada com frequência porque é muito difícil fazer os credores chegarem no denominador comum.”

    O advogado Fabrício Cândido Gomes de Souza. Foto: Arquivo pessoal.

    A Família Yamada obteve a adesão de 55,41% dos credores, que representam 57,46% do total das dívidas. O plano seguiu a via impositiva, que exige aprovação de mais da metade dos credores e de mais da metade do valor total devido.

    Trajetória de 40 anos no Matopiba

    Os Yamadas saíram do Paraná na década de 1980 e apostaram no potencial agrícola do Matopiba, região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A família levou tecnologias de correção de solo para terras ainda improdutivas e contribuiu para transformar a região em importante polo produtor de soja, milho, sorgo e feijão.

    Nos últimos anos, os produtores enfrentaram problemas conjunturais agravados pela variação cambial, alta de insumos e mudanças climáticas. Em 2019, os advogados da família solicitaram recuperação judicial, mas o processo não avançou. A assessoria jurídica identificou então a possibilidade de seguir pela via extrajudicial.

    Diferença entre as modalidades

    A recuperação extrajudicial oferece duas vias: a voluntária, quando o devedor negocia com alguns credores específicos, e a impositiva, que exige aprovação de mais da metade dos credores e mais da metade do valor da dívida. Somente na segunda modalidade o acordo se estende a todos os envolvidos.

    Com a homologação judicial, a Família Yamada ganha fôlego para reorganizar as finanças e manter a operação agrícola na região oeste da Bahia.

  • Bahia Farm Show: maior feira de tecnologia agrícola do Nordeste é lançada

    Bahia Farm Show: maior feira de tecnologia agrícola do Nordeste é lançada

    A maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste acaba de ganhar data marcada. A 20ª edição da Bahia Farm Show foi lançada oficialmente neste domingo (30), durante a abertura da Fenagro 2025, em Salvador, e já promete fazer história. Marcado para junho de 2026, o evento reuniu o governador Jerônimo Rodrigues, secretários estaduais e as principais lideranças do agronegócio baiano em um momento que celebra duas décadas de transformação no campo.

    Entre os dias 8 e 13 de junho do próximo ano, a região MATOPIBA,que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, vai receber milhares de produtores, empresários e técnicos em busca das últimas novidades em máquinas agrícolas, sementes, insumos e soluções em agricultura de precisão. A expectativa dos organizadores é superar a marca de mil marcas expositoras, consolidando ainda mais o evento como uma das plataformas de negócios mais relevantes do Brasil.

    Feira que nasceu pequena e virou gigante

    Quando a primeira edição aconteceu em 2004, ninguém imaginava o tamanho que a Bahia Farm Show iria alcançar. Naquele ano, cerca de 20 mil visitantes e 200 expositores compareceram ao evento. Vinte anos depois, os números impressionam: a edição de 2025 bateu recorde histórico com 162.370 visitantes, 434 expositores e mais de 1.000 marcas presentes.

    “Chegamos aos 20 anos com uma feira consolidada, tradicional e de grande alcance em todo o MATOPIBA”, comemorou Moisés Schmidt, presidente da Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia). Segundo ele, a edição de 2026 vai trazer ainda mais inovação e tecnologia, contribuindo para aumentar a produtividade e gerar oportunidades no agro baiano.

    Alessandra Zanotto Costa, presidente da Abapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão), também participou do lançamento, reforçando o alinhamento entre as entidades que sustentam o evento.

    Governador destaca impacto econômico da feira

    O governador Jerônimo Rodrigues não economizou elogios ao falar sobre a importância da Bahia Farm Show para o estado. “A feira fortalece o agronegócio, gera emprego, renda e contribui para o desenvolvimento da Bahia”, afirmou Rodrigues durante o lançamento. Ele destacou que o governo estadual apoia o evento porque reconhece seu papel transformador na economia regional.

    Foto: Divulgação

    Pablo Barrozo, secretário estadual de Agricultura, também reafirmou o compromisso da Seagri com a feira. “A Bahia Farm Show é fundamental para a economia do Estado, e a Seagri se mantém parceira desse evento tão importante”, disse o secretário.

    O reconhecimento oficial mostra como a feira deixou de ser apenas um evento do setor privado para se tornar uma estratégia de desenvolvimento regional apoiada pelo poder público.

    Seis dias de tecnologia, conhecimento e oportunidades

    A Bahia Farm Show 2026 vai funcionar como uma verdadeira vitrine tecnológica do agronegócio. Durante seis dias, produtores rurais vão poder ver demonstrações práticas de máquinas e equipamentos em campo, participar de palestras com especialistas e conhecer lançamentos de produtos que prometem revolucionar a produção agrícola.

    Além das grandes empresas, a feira também abre espaço para agricultura familiar, mostrando que inovação não é privilégio apenas dos grandes produtores.

    Compromisso com o meio ambiente

    Durante a Fenagro, a Aiba mostrou que tecnologia e sustentabilidade podem caminhar juntas. A associação manteve um estande com materiais educativos, quiz sobre o agronegócio e até os mascotes Emilho e Sojita, que fizeram sucesso com o público, principalmente as crianças.

    Mas o destaque ficou por conta da entrega de 1.000 mudas de árvores nativas à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA). As mudas vão integrar o programa Bahia Mais Verde, reforçando o compromisso ambiental do setor. Durante o evento, os visitantes também receberam mudas de espécies nativas do Cerrado, em uma ação que busca conscientizar sobre a importância da preservação.

    Oeste da Bahia consolida posição estratégica

    A escolha do Oeste baiano como sede permanente da Bahia Farm Show não é por acaso. A região se transformou em um dos principais polos do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, atraindo investimentos bilionários e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

    Foto: Divulgação

    Com a 20ª edição programada para 2026, a feira consolida sua trajetória de crescimento. E reafirma a capacidade da região de sediar eventos de grande porte. A movimentação econômica gerada pela Bahia Farm Show beneficia não apenas os produtores rurais. Mas toda a cadeia produtiva, incluindo hotéis, restaurantes, transportadoras e prestadores de serviços locais.

    Para quem trabalha no campo ou acompanha o setor, a Bahia Farm Show 2026 já entrou no calendário como um evento imperdível. Afinal, são duas décadas construindo uma história de sucesso que coloca o agronegócio baiano no mapa nacional.

  • Ibama apreende 30 mil litros de agrotóxicos irregulares

    Ibama apreende 30 mil litros de agrotóxicos irregulares

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) identificou aproximadamente 30 mil litros de agrotóxicos em situação irregular durante operação de fiscalização em Campos Lindos, no Tocantins. A ação, conduzida pela Divisão de Proteção Ambiental do Tocantins (Dipam-TO), resultou na aplicação de R$ 1,5 milhão em multas ambientais.

    O município fiscalizado integra o Matopiba, uma das principais fronteiras agrícolas do país, que abrange territórios do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A região é reconhecida nacionalmente pela intensa atividade agropecuária. E também pela expansão do agronegócio.

    Irregularidades detectadas em propriedades rurais

    As equipes do Ibama vistoriaram 22 propriedades rurais durante a operação, com foco no controle da origem, legalidade, validade e condições de armazenamento dos agrotóxicos utilizados na região. As inspeções incluíram verificação detalhada de documentação e análise da conformidade dos produtos químicos.

    Entre as principais irregularidades identificadas estão o armazenamento inadequado de produtos, uso de agrotóxicos vencidos e comercialização de insumos sem procedência legal comprovada. Os responsáveis pelas infrações têm prazo de 30 dias para promover a destinação adequada dos produtos por meio da logística reversa, conforme estabelece a legislação ambiental brasileira.

    Autuações e notificações

    A fiscalização resultou na lavratura de seis autos de infração, totalizando aproximadamente R$ 1,5 milhão em penalidades. Além das multas, foram emitidas 11 notificações complementares determinando a destinação ambientalmente correta dos insumos irregulares encontrados nas propriedades.

    Foto: Ibama/TO

    A operação mobilizou servidores do Ibama Tocantins distribuídos em duas frentes de trabalho. Durante toda a ação, as equipes seguiram rigorosamente os protocolos de segurança, com uso obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), garantindo a proteção dos fiscais em situações de exposição a substâncias potencialmente perigosas.

    A ação reforça o compromisso do órgão ambiental com o controle e fiscalização do uso de agrotóxicos em regiões de intensa atividade agrícola. Buscando prevenir danos ambientais e garantir o cumprimento da legislação.

  • Chuvas irregulares em outubro atrasam plantio da safra de verão

    Chuvas irregulares em outubro atrasam plantio da safra de verão

    As precipitações registradas em outubro chegaram de forma irregular às principais regiões produtoras do Brasil e impactaram diretamente o calendário de semeadura dos cultivos de verão. O Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado esta semana, aponta que os volumes ficaram abaixo da média histórica e atrasaram o plantio em diversas áreas.

    No Centro-Oeste, as chuvas ocorreram de maneira desigual ao longo do mês. Mato Grosso e o sudoeste de Mato Grosso do Sul concentraram os maiores volumes, enquanto outras regiões receberam acumulados menores. O período chuvoso ainda não se estabilizou na região.

    Os dados do último decêndio de outubro revelam uma recuperação nos níveis de umidade do solo em algumas áreas, o que beneficia tanto a semeadura quanto o desenvolvimento inicial da soja. Entretanto, o norte de Mato Grosso do Sul e Goiás ainda enfrentam restrição hídrica significativa.

    Sudeste e Nordeste apresentam cenários críticos

    O Sudeste seguiu o padrão de irregularidade observado no Centro-Oeste. As chuvas se concentraram apenas no segundo decêndio do mês, mas chegaram de forma mal distribuída às lavouras.

    No Nordeste, a situação preocupa ainda mais. A Conab identificou pouca ou nenhuma precipitação na maior parte da região durante outubro. No Matopiba, que engloba áreas do Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste da Bahia e Tocantins, as poucas chuvas registradas não foram suficientes para recuperar o armazenamento hídrico do solo. O cenário limita o avanço da semeadura dos cultivos de primeira safra sem irrigação.

    Por outro lado, o centro-leste do Maranhão e parte do Sealba (Sergipe, Alagoas e Nordeste da Bahia, além do sul baiano) receberam volumes maiores. As precipitações não prejudicaram a colheita do milho de terceira safra, que avança na nova fronteira agrícola.

    Norte apresenta contrastes entre regiões, Sul tem melhor desempenho com chuvas intensas

    Rondônia, o sudeste do Pará e o oeste do Tocantins registraram chuvas irregulares e em menor volume durante o mês. Já o Amazonas e o oeste paraense receberam precipitações mais favoráveis, o que beneficia a semeadura da soja no sudoeste do Pará e melhora as condições de umidade no noroeste do estado.

    A região Sul apresentou o cenário mais favorável em outubro. Chuvas intensas se alternaram com períodos de tempo estável ao longo do mês. O noroeste do Rio Grande do Sul, o oeste de Santa Catarina e o Paraná concentraram os maiores volumes.

    As precipitações contribuíram para recuperar e manter a umidade do solo, favorecendo os cultivos de inverno em estádios reprodutivos e o desenvolvimento dos cultivos de verão. Portanto, os períodos de tempo estável no último decêndio beneficiaram os cultivos de inverno em maturação e colheita. Isso além de acelerar a semeadura da safra de verão.

  • Petrobras e Ministério da Agricultura unem forças para impulsionar energias renováveis e crescimento do agro

    Petrobras e Ministério da Agricultura unem forças para impulsionar energias renováveis e crescimento do agro

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu nesta quinta-feira (2), na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. O encontro marcou a primeira visita de Magda à Pasta. E teve como foco a integração estratégica entre os setores de agropecuária e energia para alavancar o desenvolvimento do país.

    Carlos Fávaro destacou a importância do momento histórico. “É um orgulho ter sido o ministro que recebeu, pela primeira vez em 165 anos do Ministério da Agricultura, a presidente da Petrobras. Esse encontro aproxima de forma concreta o agro e o setor de energia. O agronegócio se tornou estratégico no Brasil e, da mesma forma, deve ser relevante para a Petrobras”, afirmou.

    Durante a reunião, a Petrobras apresentou três frentes para estreitar a relação com o agronegócio: originação de matérias-primas, polos de venda e vendas diretas para grandes consumidores. Magda Chambriard reforçou que a estratégia da estatal para os próximos anos busca a integração entre os principais setores da economia brasileira. “O futuro do Brasil passa pela união do agronegócio e do setor petrolífero. São motores da economia que precisam caminhar juntos e se complementar”, declarou.

    O crescimento do consumo de diesel nas regiões do Centro-Oeste e MATOPIBA, áreas com forte potencial agrícola, impulsiona a expansão das operações da Petrobras nessas áreas. A demanda do agronegócio por diesel mais que dobrou nos últimos anos nessas regiões.

    Oportunidades

    Além disso, o encontro destacou oportunidades para ampliar o transporte dutoviário e ferroviário. Além de otimizar o escoamento da produção e estimular a produção de biocombustíveis, como etanol de milho e biodiesel. Já em andamento, a Petrobras atua na produção de Hydrotreated Vegetable Oil (HVO), um biocombustível avançado feito a partir de óleos vegetais e gorduras animais tratados com hidrogênio. O Sustainable Aviation Fuel (SAF), combustível sustentável para aviação, também integra os projetos da empresa, utilizando matérias-primas renováveis e resíduos agrícolas.

    “O caminho da energia renovável, verde e limpa nasce da terra. Essa integração abre novas oportunidades para o Brasil”, reforçou o ministro Fávaro.

    O Mapa, a Petrobras e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) firmaram acordos para cooperar com cooperativas, oferecer produtos e assistência técnica ao consumidor final e desenvolver fertilizantes de eficiência aumentada, usando matérias-primas alternativas, em parceria também com o Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).

    Cooperação

    A cooperação da Petrobras no MATOPIBA começou em março, após reuniões técnicas que identificaram oportunidades e promoveram visitas a associações e produtores rurais, com o objetivo de fortalecer a presença da estatal na região.

    Magda Chambriard ressaltou o compromisso da Petrobras com políticas públicas. “Não estamos aqui para destruir nenhuma política pública. Pelo contrário, entendemos que esses investimentos valorizam o que temos de melhor: o petróleo e o agro”, afirmou.

    O encontro contou ainda com a participação do corregedor do Mapa, Cyro Dornelas; do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Cláudio Schlosser; do gerente-geral de Comércio de Produtos e Claros da Petrobras, Leonardo Gouveia; do gerente de contratações de Logística e Parcerias da Petrobras, Eduardo Ávila; e representantes de associações do agronegócio brasileiro.

  • Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    A chegada da primavera 2025, iniciada nesta segunda-feira (22) às 15h19, marca um divisor de águas para a agricultura brasileira. Conhecida como a estação das flores, a primavera marca transição entre o inverno seco e o verão chuvoso no Brasil, trazendo oportunidades e desafios únicos para diferentes regiões produtoras do país.

    No Espírito Santo, a transição promete ser especialmente significativa. Após um inverno caracterizado por tempo seco e temperaturas amenas, a Coordenação de Meteorologia do Incaper projeta cenário otimista com aumento gradual das temperaturas e retomada das chuvas, principalmente a partir de outubro.

    “Este é o momento de os agricultores se prepararem para essa estação. Independentemente do volume de chuvas, é essencial revisar equipamentos, planejar o uso eficiente da água e adotar boas práticas de manejo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    A cafeicultura arábica capixaba, cultivada em regiões de altitude, enfrenta momento crucial. A irregularidade das chuvas no início da primavera pode comprometer a uniformidade da florada – fator determinante para a produtividade futura. Produtores devem intensificar práticas que reduzam impactos de períodos curtos de estiagem.

    No cultivo do conilon, predominante no Norte e áreas de baixada no Sul do estado, a irrigação eficiente torna-se essencial. Com temperaturas mais altas previstas, o manejo hídrico adequado garantirá boa frutificação e evitará perdas significativas.

    Culturas tropicais demandam atenção redobrada

    O mamão, cultivado principalmente no Norte capixaba, pode enfrentar maior susceptibilidade à antracnose e mosca-das-frutas com o aumento da umidade. A pimenta-do-reino está mais vulnerável à fusariose, demandando manejo fitossanitário rigoroso. O cacau requer atenção especial contra a vassoura-de-bruxa, enquanto a banana necessita monitoramento constante contra sigatoka-negra e nematoides.

    Para a pecuária de corte e leite, a primavera apresenta cenário duplo. Enquanto as condições favorecem o crescimento das pastagens, melhorando a oferta de alimento, o calor acima da média pode gerar estresse térmico nos animais, reduzindo produtividade leiteira e comprometendo ganho de peso.

    O Incaper recomenda reforçar acesso dos animais à água de qualidade, disponibilizar áreas de sombra e adotar suplementação mineral adequada.

    Rio Grande do Sul: normalidade com variações sazonais

    No Rio Grande do Sul, a primavera 2025 tende a seguir padrão próximo da normalidade, segundo Flávio Varone, coordenador do Simagro-RS. “A primavera vai começar com condição bem típica da estação, com passagem de sistemas meteorológicos que provocam chuva regular e grande amplitude térmica”, explica.

    A previsão indica outubro úmido, com chuvas dentro ou acima da média na metade Norte do estado, seguido por novembro mais seco. As temperaturas devem apresentar grande amplitude térmica no início, com noites frias e tardes quentes, evoluindo para temperaturas mais elevadas em novembro e dezembro.

    Norte do Brasil: protagonismo na bioeconomia nacional

    A região Norte, responsável por significativa parcela da produção agrícola nacional, enfrenta cenários específicos durante a primavera. A primavera 2024 traz temperaturas acima da média e secas intensas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, demandando estratégias adaptadas para cultivos regionais.

    O Estado comemora, por exemplo, a liderança na produção de açaí e dendê, respondendo por 90% do volume nacional. O Pará mantém posição de destaque, com 95% da produção do açaí se concentra no estado do Pará. A primavera representa período crucial para a safra, exigindo monitoramento constante das condições hídricas.

    A produção de 100% da área nacional de guaraná, 75% de açaí, 24% de cacau e 56% do dendê estão dentro do Bioma amazônico. R$ 24,4 bilhões (20,5%) foram gerados pela produção de açaí, mandioca, café, cacau, banana, cana, dendê, abacaxi, arroz, feijão e outros produtos da região, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas.

    Desafios climáticos regionais

    No entanto, em áreas do Matopiba, a expectativa de precipitação abaixo da média eleva o risco de dificuldades para a implantação da soja, conforme previsões do Inmet. A região Norte deve enfrentar chuvas irregulares e abaixo da média, dificultando o abastecimento hídrico e pressionando setores como agricultura e geração de energia.

    O Inmet afirma que o período é de “transição entre as estações seca e chuvosa no setor central do Brasil”, marcado pela convergência de umidade vinda da Amazônia. A ausência de influência significativa dos fenômenos El Niño ou La Niña mantém cenário de neutralidade climática, mas com variações regionais importantes.

    Temperaturas e precipitações previstas

    No Espírito Santo, as temperaturas máximas médias devem variar entre 24°C e 26°C na Região Serrana e entre 28°C e 30°C nas demais regiões. As mínimas ficam entre 15°C e 16°C na Serrana e cerca de 19°C nas outras áreas. O volume de precipitação deve ultrapassar 400mm no Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana.

    Hugo Ramos, coordenador de Meteorologia do Incaper, enfatiza: “O produtor rural deve adotar estratégias de manejo hídrico eficiente, intensificar o monitoramento fitossanitário e investir em práticas de bem-estar animal”.

    A primavera 2025 exige planejamento estratégico, aproveitando oportunidades de crescimento das lavouras e recuperação de pastagens, enquanto minimiza riscos de doenças, pragas e estresse térmico.

  • Como uma fazenda revoluciona o agronegócio sustentável no Nordeste

    Como uma fazenda revoluciona o agronegócio sustentável no Nordeste

    Localizada estrategicamente no coração do Matopiba, a Fazenda Sol Nascente emerge como um case de sucesso que comprova: o tamanho da propriedade não determina o impacto social. Com apenas 100 hectares, sendo 35 destinados ao cultivo de soja, esta fazenda no Maranhão e Piauí tornou-se referência nacional em sustentabilidade e inclusão social no agronegócio.

    Fundada em 2002, a propriedade abriga a sede da Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcen) e nasceu com uma missão clara: desenvolver a região ao longo do corredor logístico que conecta a produção de soja ao Porto de Itaqui, em São Luís (MA) — um dos portos mais estratégicos para as exportações brasileiras.

    Do laboratório ao campo: a transformação sustentável

    A trajetória da Fazenda Sol Nascente começou focada na pesquisa genética de soja adaptada às condições climáticas desafiadoras da região: baixas altitudes e altas temperaturas. O ponto de virada aconteceu em 2012, quando a propriedade aderiu à certificação da Mesa Global da Soja Responsável (Round Table on Responsible Soy – RTRS).

    “Hoje, a Sol Nascente é mais do que uma fazenda. É um polo de conhecimento, de troca de tecnologias inovadoras e de fortalecimento das comunidades rurais do entorno”, explica Gisela Introvini, superintendente da Fapcen e referência na promoção de práticas sustentáveis na região.

    Os resultados comprovam a eficácia do modelo adotado. A fazenda já produziu 193 toneladas de soja e 234 toneladas de milho certificadas RTRS. Além disso, representa todos os produtores certificados da região e sedia o AgroBalsas, considerado o maior evento agro do Maranhão, onde os princípios da certificação são disseminados para agricultores e comunidades locais.

    Impacto social vai além da soja

    O diferencial da Fazenda Sol Nascente está na amplitude de sua atuação social. A propriedade não se limita à produção de soja, promovendo ativamente a diversificação agrícola em comunidades tradicionais, indígenas e entre pequenos produtores.

    Foto: Divulgação

    “Nós propagamos o cultivo da mandioca, arroz, feijão e até espécies como girassol, gergelim e amaranto, estimulando a diversidade agrícola e a segurança alimentar dessas famílias”, detalha Gisela Introvini.

    Empoderamento feminino no agronegócio

    Um dos pilares mais inovadores do trabalho desenvolvido pela Fapcen é o programa de mulheres, que promove o empoderamento feminino no campo. A iniciativa incentiva a autonomia econômica e o protagonismo social de mulheres rurais através de capacitações, dias de campo e projetos comunitários.

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    “Temos muito orgulho de dizer que, a partir daqui, irradiamos conhecimento para dezenas de comunidades, levando dias de campo, capacitações e projetos de base comunitária, agora inclusive junto às populações indígenas da região”, destaca a superintendente.

    Qualidade de vida transformada

    A certificação RTRS tem impactado diretamente as condições de trabalho nas fazendas da região. Segundo Gisela, as mudanças são visíveis no dia a dia das propriedades certificadas.

    “Ao chegar em uma fazenda certificada, o colaborador encontra uma estrutura digna dos grandes centros urbanos. Estamos falando de academias de ginástica, áreas de lazer, cursos e treinamentos constantes. A certificação transformou muitas dessas propriedades em verdadeiras minicidades organizadas”, revela.

    Em regiões distantes dos grandes centros, esse cuidado com o bem-estar do trabalhador faz toda a diferença. “É ali que o funcionário encontra qualidade de vida, oportunidade de crescimento e condições para sustentar com dignidade a sua família”, completa.

    1,5 milhão de toneladas: a meta ambiciosa

    A Fapcen administra dois grupos de certificação RTRS que já produziram mais de 830 mil toneladas de soja certificada. A expectativa é alcançar 1,5 milhão de toneladas até o final do ano, consolidando a fundação como uma das maiores referências em produção responsável no Matopiba.

    Os dois grupos contam atualmente com 16 fazendas certificadas e outras 12 em processo de análise documental e auditoria inicial. “A ideia é mais do que trazer números. É contar a história de como essa transformação vem acontecendo no dia a dia das fazendas”, explica Samaycon Gonçalves, gerente de RH e Sustentabilidade da Fapcen.

    Para incluir propriedades em preparação para a certificação oficial, a Fapcen desenvolveu o selo PMAPS (Programa de Mapeamento de Indicadores Sustentáveis). A ferramenta funciona como um sistema de gestão e incentivo para adoção gradual de boas práticas sustentáveis.

    Foco especial no aspecto social

    Entre os cinco princípios da RTRS — cumprimento legal e boas práticas empresariais, condições de trabalho responsáveis, relações comunitárias responsáveis, responsabilidade ambiental e boas práticas agrícolas — o aspecto social recebe atenção especial na região.

    “As fazendas destinam parte dos créditos obtidos com a certificação para projetos sociais. Isso gera impacto direto nas comunidades e posiciona os produtores como co-realizadores dessas ações”, destaca Samaycon Gonçalves.

    A visão da Fapcen vai além das demandas tradicionais do mercado internacional. “Enquanto o mundo foca apenas no desmatamento zero, nós vamos além. Fazemos questão de cobrar e aplicar o quarto princípio da certificação: a integração com comunidades, cidades e os próprios colaboradores”, conclui Gisela Introvini.

    Este modelo de agronegócio sustentável desenvolvido no Matopiba demonstra que é possível conciliar produtividade, responsabilidade ambiental e impacto social positivo, criando um novo paradigma para o setor no Brasil.

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