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  • Estância das Oliveiras: fazenda gaúcha é referência mundial de azeite

    Estância das Oliveiras: fazenda gaúcha é referência mundial de azeite

    A história começa com um ato de teimosia. Daqueles que parecem exagero no início — mas que, mais tarde, ali adiante, revelam visão. Foi assim com o engenheiro agrônomo Lucídio Morsch Goelzer, descendente de alemães, que decidiu apostar onde quase ninguém apostava: produzir azeite de oliva extravirgem de padrão internacional em pleno Rio Grande do Sul. Em Viamão. A apenas 28 quilômetros de Porto Alegre. No coração do clima subtropical. Difícil? Sim. Impossível? Ele jurava que não. Assim nasceu a história da premiada Estância das Oliveiras.

    O projeto nasceu há pouco mais de uma década, meio silencioso, meio ousado.  E, no começo, tudo parecia improvável. Lucídio importou oliveiras, testou variedades, perdeu noites. “Vai dar errado”, diziam. Não deu. Pelo contrário. Pouco a pouco, a propriedade virou laboratório, escola e vitrine.

    Transformou também o estado. Onde antes havia ceticismo, surgiu um polo. E, logo depois, surgiu outro. Um novo endereço de azeites premium no país.

    A Estância das Oliveiras cresceu. Cresceu mesmo. E não cresceu só no campo. A fazenda virou um conjunto elegante, quase cinematográfico.

    Um casarão histórico de 600 metros quadrados, assinado pelo arquiteto uruguaio Alberto Brizolara, domina a paisagem. É grande, imponente. Ali ao lado, quase colado, um lagar moderno extrai o azeite com precisão cirúrgica.

    E, sob a sombra de uma figueira centenária, visitantes descansam, conversam, respiram o lugar. Assim, com o tempo, a estância virou turismo. Virou gastronomia. Virou experiência.

    Potência em azeite brasileiro

    Depois vieram os prêmios. E vieram rápido. De início, em 2024, o “Oscar dos azeites” — o Mario Solinas Quality Award — colocou o nome de Viamão no mapa mundial. Logo depois, no ano seguinte, a vitória no Anatolian International Olive Oil Contest, na Turquia, levou a Estância ao topo do Brasil e ainda arrancou um Best in Class. Um feito raro.

    E, por fim, hoje o produtor é o azeite mais premiado do país e aparece como a quinta marca mais laureada do mundo. Sim, do mundo.

    Mas a história não termina no brilho das medalhas. Pelo contrário. A Estância também virou referência em sustentabilidade e vida comunitária. Promove eventos, celebra a gastronomia gaúcha, estimula práticas ecológicas. A cada safra, atrai mais gente. E, em 2025, sete de seus azeites receberam o selo Produtos Premium Origem e Qualidade RS. Outro carimbo, por exemplo, importante.

    No fim, o que fica é simples. A Estância das Oliveiras não é só uma fazenda. Nem só um caso de sucesso. É, acima de tudo, uma narrativa de insistência e excelência que redesenha o mapa do azeite brasileiro. E faz de Viamão, antes discreta, um destino obrigatório para quem quer entender o novo rosto do agro gaúcho.

  • Azeite brasileiro conquista ouro em premiação na Argentina

    Azeite brasileiro conquista ouro em premiação na Argentina

    O Brasil acaba de conquistar o topo do pódio no mercado mundial de azeites de oliva. O azeite extravirgem Potenza Intenso, produzido pela Fazenda Serra dos Tapes, no Rio Grande do Sul, levou o primeiro lugar na categoria “frutado verde médio” da segunda edição do Prêmio Mario Solinas de Qualidade – Hemisfério Sul, realizada em 5 de novembro na cidade argentina de San Juan.

    A cerimônia de premiação, que reuniu autoridades locais e representantes do Conselho Oleícola Internacional (COI), celebrou a excelência de 30 azeites extravirgens de cinco países sul-americanos e africanos. O Potenza Intenso superou 29 concorrentes de Argentina, Peru, África do Sul e Uruguai, além de outros produtores brasileiros.

    Bicampeão brasileiro no Mario Solinas

    Com essa vitória, o Potenza Intenso entra para a história como o único azeite brasileiro bicampeão do prêmio considerado o “Oscar” mundial do setor. A façanha se repete após 2023, quando outro rótulo da mesma linha, o Potenza Frutado, conquistou o título de melhor azeite do Hemisfério Sul.

    “Essa conquista consolida ainda mais a qualidade dos azeites brasileiros no mercado internacional. Ganhar duas vezes em três anos o reconhecimento máximo da olivicultura mundial mostra que estamos no caminho certo”, celebra Cláudia Santos, sommelier de azeites, mestra de lagar e proprietária da Fazenda Serra dos Tapes.

    O que torna o Potenza Intenso especial

    O blend vencedor apresenta acidez máxima de apenas 0,14% e combina três variedades de olivas: Koroneiki, Picual e Frantoio. A extração segue rigorosos padrões de qualidade, com envasamento em pequenos lotes para preservar o frescor e a identidade sensorial do produto.

    Cláudia Santos, mestra de lagar e sommelier de azeites da Fazenda Serra dos Tapes. Foto: Divulgação

    No perfil sensorial, o azeite revela aromas de grama cortada, ervas frescas, rúcula, tomate verde e figueira. No paladar, destaca-se pelo equilíbrio entre amargor e picância, com frescor herbáceo persistente — características ideais para harmonizar com carnes grelhadas, pizzas, saladas, massas com molho de tomate e queijos curados.

    Prêmio Mario Solinas: referência mundial desde 2000

    Promovido pelo Conselho Oleícola Internacional desde 2000, o Prêmio Mario Solinas de Qualidade é a mais importante competição do setor oleícola mundial. A categoria específica para o Hemisfério Sul foi criada para respeitar o calendário de colheita das olivas na região, que difere do Hemisfério Norte.

    Para participar da edição 2025, os azeites precisaram atender critérios técnicos rigorosos, incluindo lotes superiores a 1.000 litros e classificação baseada em análise sensorial, mediana de qualidade e perfil de frutado. As categorias contempladas foram: frutado verde intenso, médio e ligeiro, frutado maduro e envasadores.

    Brasil no mapa mundial dos azeites premium

    A vitória do Potenza Intenso reforça a ascensão do Brasil no competitivo mercado internacional de azeites de oliva extravirgem. Com apenas quatro azeites brasileiros inscritos contra 15 argentinos e oito uruguaios, a conquista demonstra que a olivicultura gaúcha alcançou padrão de excelência mundial.

    “Nosso time está comprometido na missão de buscar a perfeição na produção de azeite de oliva extravirgem”, finaliza Cláudia Santos, destacando o trabalho contínuo da Fazenda Serra dos Tapes pela qualidade.