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  • Brasil cria plano contra desastres naturais com investimento de R$ 100 milhões do BNDES

    Brasil cria plano contra desastres naturais com investimento de R$ 100 milhões do BNDES

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai investir R$ 100 milhões em estudos que fundamentarão um plano nacional para enfrentar desastres naturais no Brasil. A instituição financeira formalizou na sexta-feira (7) um protocolo de intenções com a Marinha do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para desenvolver essa cooperação estratégica.

    A solenidade aconteceu em Belém, no interior do navio Atlântico, atracado no porto da capital paraense. O evento também prestou homenagem ao militar português Pedro Teixeira, figura histórica do período colonial que liderou a primeira expedição fluvial subindo o rio Amazonas e contribuiu decisivamente para estabelecer as fronteiras atuais no norte do país.

    O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, a diretora do Cemaden, Regina Célia Alvalá, e a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, participaram da cerimônia.

    Brasil enfrenta aumento de desastres climáticos

    O navio Atlântico, conhecido informalmente como Gigante da Marinha, servirá como base de operações das Forças Armadas durante a COP30. A embarcação executa tarefas de controle de áreas marítimas e missões humanitárias, incluindo o auxílio a vítimas de desastres naturais.

    O protocolo responde ao crescimento na frequência e intensidade de desastres no país nos últimos anos, especialmente aqueles associados às mudanças climáticas. Esses eventos ameaçam vidas e causam perdas significativas ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro. As instituições unem esforços técnicos, científicos e institucionais para fortalecer a capacidade nacional de prevenção, monitoramento e resposta.

    “Desastres extremos ocorrem com cada vez mais frequência e intensidade. Desenvolvemos esforços de prevenção, com programa de descarbonização e outras iniciativas. Mas também precisamos nos preparar para a resposta: salvar vidas em primeiro lugar e recuperar as estruturas, as comunicações, a economia”, afirma Mercadante.

    Experiência do Rio Grande do Sul inspira plano nacional

    O presidente do BNDES destacou a atuação da instituição após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre o final de abril e início de maio de 2024. “Recuperamos a economia gaúcha. O Rio Grande do Sul cresceu 4,9% em 2024, enquanto o Brasil cresceu 3,4%. O estado cresceu mais porque o acesso ao crédito que liberamos impediu que empresas quebrassem e que ocorresse desemprego em massa. Precisamos estudar essas experiências e criar um plano nacional para enfrentar desastres naturais”, declarou.

    Foto: Rafael Silva / BNDES

    Mercadante projeta que os estudos subsidiarão a conclusão do plano nacional até outubro de 2025. O documento indicará caminhos para adaptação e reconstrução em situações extremas. “O Estado precisa chegar com ciência e pesquisa. Como responder à urgência e emergência? Quais providências tomar? Como chegar nas regiões afetadas? Além de salvar vidas, o que reconstruir? Comunicação, infraestrutura? Como recuperar melhor? Qual o tamanho do investimento necessário? Precisamos estudar isso para as áreas mais críticas”, explicou.

    Cada instituição contribui com sua expertise

    O protocolo valoriza as vocações específicas de cada instituição. A Marinha do Brasil oferece seu conhecimento e experiência como braço operacional do Estado, por meio de um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais – Defesa Civil. O Cemaden, vinculado ao MCTI, contribui com sua experiência no monitoramento de desastres e na modelagem de dados preditivos. O BNDES aporta sua capacidade técnica e financeira para construir soluções emergenciais e viabilizar ações conjuntas.

    As três instituições iniciarão a formação de uma rede que poderá expandir futuramente e agregar institutos de pesquisas, especialistas em proteção civil e representantes do setor produtivo.

    O Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, considera que o protocolo reforça o compromisso brasileiro com o fortalecimento da resiliência nacional diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. “A experiência operacional da Marinha, aliada à excelência técnica do Cemaden e à capacidade estratégica do BNDES, traduz a união entre defesa, ciência e desenvolvimento em favor da proteção da vida e da segurança da população”, destacou.

    Mudanças climáticas exigem resposta coordenada

    A ministra Luciana Santos considera a atuação coordenada fundamental para o sucesso na execução de políticas públicas. Segundo ela, as mudanças climáticas já intensificam as chuvas, tornam as enchentes mais frequentes e agravam as ondas de calor, atingindo sobretudo as comunidades vulneráveis. “Só com pesquisa, ferramentas adequadas e conhecimento aplicado teremos respostas realmente efetivas diante desse cenário”, completou.

    Regina Célia Alvalá destacou que o Cemaden acumula quase 15 anos de experiência e emite alertas de desastres com bastante antecedência. Para ela, a soma de esforços resultará em ampliação do conhecimento e inovações tecnológicas. “Fazemos parte dessa parceria com muita alegria. Esperamos avançar ainda mais, sempre com o objetivo de salvaguardar vidas e contribuir para que o meio ambiente sofra menos impactos”, disse a diretora do Cemaden.

    O protocolo também busca contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, estabelecidos na Agenda 2030, e reforçar as ações brasileiras como signatário do Marco de Sendai, criado pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR).

    Homenagem a Pedro Teixeira Resgata história da soberania amazônica

    A cerimônia homenageou Pedro Teixeira, militar português do período colonial que participou da fundação de Belém, onde viveu e morreu. Suas expedições fluviais contribuíram para a incorporação da Amazônia ao território nacional. O BNDES entregou ao Comando da Marinha uma placa de metal em reconhecimento ao legado do militar.

    O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, participou da homenagem e anunciou a criação de uma comissão de estudos sobre a história de Pedro Teixeira. “É uma honra muito grande colocar a universidade à disposição do Brasil para desenvolver pesquisas e reflexões sobre esse país”, declarou.

    Pedro Teixeira atuou contra incursões de franceses, ingleses e holandeses na região. Com apoio de índios tupinambás, construiu uma estrada ligando Belém ao Maranhão e abriu caminhos que fortaleceram a ocupação e defesa do território. Na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei do senador Beto Faro (PT-PA) que propõe reconhecer o legado de Pedro Teixeira e incluir seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

    A expedição mais memorável conduzida por Teixeira durou mais de dois anos e começou em 1637. Com cerca de 50 grandes canoas, 70 soldados e mais de 1,2 mil indígenas, subiu o Rio Amazonas e o Rio Negro em uma façanha sem precedentes para sua época.

    “No início do século 20, defendiam que a Amazônia é patrimônio da humanidade e que os brasileiros não têm condição de administrá-la. Defendiam a internacionalização da gestão da Amazônia. E nós respondemos: a Amazônia é reconhecidamente brasileira. Muito do fato de ela ser brasileira se deve a Pedro Teixeira”, afirmou Mercadante.

  • Pesca proibida: 14 presos e 60 toneladas de peixe apreendidas

    Pesca proibida: 14 presos e 60 toneladas de peixe apreendidas

    Uma operação conjunta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Marinha do Brasil e da Polícia Federal apreendeu 60 toneladas de pescado capturado ilegalmente no litoral norte de Santa Catarina. A ação ocorreu na última semana de setembro e também prendeu 14 pessoas em flagrante por pescarem em área proibida.

    A operação Saragaço focou no combate à pesca irregular com redes de emalhe, tanto de fundo quanto de superfície, em um ecossistema reconhecido pela sua importância ambiental e sujeito a regime especial de proteção.

    Durante as fiscalizações, a equipe apreendeu 14 embarcações por falta de licença, irregularidades sanitárias e documentação incompleta.

    As autoridades aplicaram multas que somam mais de R$ 1 milhão. As 14 prisões realizadas configuram crime ambiental previsto na Lei nº 9.605/1998 e no Decreto nº 6.514/2008. A ação reforça o trabalho integrado entre órgãos para proteger os ecossistemas marinhos da região

  • Entrevista: Capitão de Mar e Guerra da Marinha do Brasil, Anderson de Melo Reis

    Entrevista: Capitão de Mar e Guerra da Marinha do Brasil, Anderson de Melo Reis

    Vamos abrir um espaço em nosso site para entrevistar os principais nomes do Brasil em suas profissões, não se limitando ao segmento agro. E vamos começar com um profissional que dedicou sua carreira à proteção do país.

    Com uma trajetória marcada por liderança estratégica, atuação internacional e reconhecimento institucional, Anderson de Melo Reis consolidou-se como uma das principais referências em desenvolvimento organizacional dentro das Forças Armadas brasileiras. Capitão de Mar e Guerra da Marinha do Brasil, Anderson comandou unidades de grande complexidade, liderou operações com organismos multilaterais e recebeu distinções por sua atuação em contextos críticos. Agora, em transição para o mercado norte-americano, ele busca expandir sua contribuição em ambientes corporativos e acadêmicos que valorizem excelência, ética e performance institucional.

    Entrevista com o Capitão de Mar e Guerra da Marinha do Brasil, Anderson de Melo Reis

    Anderson, ao longo de sua trajetória, você recebeu algumas distinções bastante raras em sua área. Que tipo de circunstâncias profissionais levaram a esses reconhecimentos?

    Anderson de Melo Reis: Acredito que os reconhecimentos que recebi foram consequência direta da responsabilidade que assumi em contextos muito específicos e sensíveis, especialmente em ambientes multinacionais. O trabalho em operações conjuntas, sob coordenação de organismos internacionais, exige não apenas conhecimento técnico, mas também capacidade de articulação, mediação e liderança. Tive a honra de ser reconhecido por esses esforços em momentos importantes da minha carreira, o que reforça o compromisso institucional com resultados concretos.

    Poucas pessoas costumam receber esses reconhecimentos. O que você acredita que diferenciou sua atuação?

    Anderson de Melo Reis: Em geral, os contextos nos quais atuei requeriam decisões rápidas, estratégias claras e coordenação de equipes sob pressão. Em particular, liderei operações em que a interlocução entre forças de diferentes países era essencial — e minha formação, aliada à vivência prática em diversas frentes da Marinha do Brasil, me permitiu navegar com segurança por essas situações. Acredito que o diferencial esteve em transformar desafios operacionais em oportunidades de cooperação, sem perder o foco nos valores institucionais.

    Desenvolvimento e gestão de pessoas

    Como sua formação militar influenciou sua abordagem ao desenvolvimento organizacional e gestão de pessoas?

    Anderson de Melo Reis: Minha formação militar foi fundamental para moldar minha visão estratégica e humanizada da gestão organizacional. Na Marinha do Brasil, ocupei cargos de alto escalão com grande responsabilidade sobre recursos humanos, financeiros e logísticos. Essa vivência me ensinou a importância da disciplina, da clareza de objetivos e da valorização do potencial humano como força motriz das organizações. Sempre procurei liderar com empatia, reconhecendo e incentivando os pontos fortes individuais de cada subordinado, promovendo assim um ambiente de confiança, comprometimento e alta performance. A estrutura e os valores militares me deram base sólida para aplicar princípios de meritocracia, desenvolvimento contínuo e planejamento de longo prazo na gestão de equipes.

    Poderia dar um exemplo de uma situação em que sua liderança tenha sido essencial para o sucesso de uma missão ou projeto?

    Anderson de Melo Reis: Uma das situações mais emblemáticas foi durante o comando de uma unidade envolvida em operação conjunta com apoio internacional. Havia um alto grau de complexidade logística e política, e coube a mim construir a ponte entre as diretrizes institucionais e a execução no terreno. Coordenamos treinamentos, rotinas operacionais e fluxos administrativos sob supervisão de instâncias internacionais, o que exigia precisão, clareza e confiança. Foi um período desafiador — e muito gratificante.

    Maiores desafios

    Quais foram os maiores desafios institucionais que enfrentou como comandante, e como lidou com eles?

    Anderson de Melo Reis: Os maiores desafios estiveram relacionados à gestão eficiente de recursos escassos, à motivação de grandes efetivos em cenários adversos e à necessidade constante de adaptação a mudanças institucionais e operacionais. Como comandante, enfrentei situações que exigiram decisões rápidas, mas sempre pautadas na análise estratégica e no diálogo com a equipe. Um dos pilares que utilizei para superar esses desafios foi a comunicação clara e transparente, aliada à escuta ativa e à valorização das contribuições individuais. Ao estabelecer metas bem definidas, alinhar propósitos e reforçar a cultura organizacional, consegui manter a coesão do grupo e a eficácia operacional, mesmo em contextos de alta complexidade.

    Como você enxerga a transferência das competências desenvolvidas na Marinha para o setor privado ou para ambientes acadêmicos?

    Anderson de Melo Reis: As competências desenvolvidas na Marinha são altamente transferíveis e valiosas tanto para o setor privado quanto para o meio acadêmico. A liderança estratégica, a resiliência, a gestão de crises, o planejamento logístico e a capacidade de tomada de decisão sob pressão são habilidades essenciais em qualquer ambiente organizacional. Além disso, a experiência em liderar grandes equipes e desenvolver talentos pode ser aplicada diretamente em empresas que buscam inovação, eficiência e desenvolvimento humano. No campo acadêmico, posso contribuir com uma visão prática da gestão e da liderança, agregando experiências reais à formação teórica de alunos e profissionais. Acredito que essa vivência é um diferencial para contribuir com a formação de líderes mais preparados e conscientes de seu papel social e institucional.

    E como você avalia esta nova fase nos Estados Unidos?

    Anderson de Melo Reis: Vejo como uma extensão natural do trabalho que venho desenvolvendo. Ao longo da minha carreira, sempre busquei ambientes em que fosse possível agregar valor humano e institucional. Nos Estados Unidos, acredito que posso contribuir com organizações que valorizem excelência, ética, visão estratégica e resultados. Tenho convicção de que o acúmulo de experiências que trago pode ser uma ferramenta concreta de transformação positiva.

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