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  • Após 17 anos, Brasil atualiza Plano Clima com foco em justiça social

    Após 17 anos, Brasil atualiza Plano Clima com foco em justiça social

    O Governo Federal lançou nesta semana o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima) , o mais completo e ambicioso instrumento de planejamento já criado no país para enfrentar a crise climática até o ano de 2035. Aprovado pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) e apresentado em coletiva no Palácio do Planalto, o documento chega para substituir a versão de 2008, atualizando a estratégia brasileira após 17 anos de espera.

    Coordenado pela Casa Civil e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o plano é fruto de três anos de trabalho e da colaboração de 25 pastas ministeriais. O objetivo é claro: integrar a redução de emissões de gases de efeito estufa com a adaptação das cidades e biomas aos impactos inevitáveis do aquecimento global, tudo isso alinhado às metas do Acordo de Paris.

    O que o Plano Clima significa na prática?

    O documento não é apenas uma carta de intenções. Ele funciona como um guia operacional para a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), definindo metas setoriais e estratégias de financiamento para que as ações saiam do papel. O Brasil se compromete, através de sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), a reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035 (em relação a 2005) e alcançar a neutralidade climática até 2050.

    “Estamos construindo as bases para um futuro mais sustentável, com desenvolvimento econômico, proteção ambiental e qualidade de vida”, afirmou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, destacando o chamado à união de estados, municípios e setor privado.

    Mitigação, adaptação e justiça climática: os três pilares

    O Plano Clima está estruturado em três eixos complementares, que priorizam não apenas o meio ambiente, mas a proteção das populações mais vulneráveis:

    • Mitigação: composto por oito planos setoriais que estabelecem metas para reduzir as emissões em áreas estratégicas da economia, promovendo a transição para uma matriz de baixo carbono sem abrir mão do crescimento econômico.
    • Adaptação: com 16 planos setoriais e temáticos, este eixo foca em preparar o país para os efeitos que já são realidade. Áreas como agricultura, cidades, recursos hídricos, saúde e gestão de riscos receberão diretrizes para aumentar a resiliência contra secas, enchentes e ondas de calor. Ao todo, são 312 metas setoriais a serem implementadas por meio de mais de 800 ações.
    • Estratégias transversais: tratam do “como fazer”, abordando financiamento climático, educação, inovação, transparência e, pela primeira vez de forma estruturada, a agenda de mulheres e clima e a promoção da justiça climática.

    “Colocamos as pessoas no centro da política. Os desastres, como as enchentes e os incêndios de 2024, destroem vidas e infraestruturas. Reduzir emissões e adaptar as cidades é proteger a vida de quem já sofre com a emergência climática”, destacou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

    Participação recorde e ciência como guia

    Diferente da versão anterior, o Plano Clima 2035 teve uma construção participativa histórica. Cerca de 24 mil pessoas contribuíram por meio de oficinas, plenárias territoriais e da 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, que consolidou 104 propostas para o texto final.

    “Não se faz política ambiental sem evidências científicas. Estamos antecipando soluções com tecnologia de ponta para enfrentar a crise com soberania. E proteger nossa biodiversidade”, reforçou a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos.

    O plano não é estático. O governo prevê avaliações bienais e revisões estruturais a cada quatro anos. Portanto, garantindo que as metas se mantenham alinhadas aos desafios globais e às necessidades do país. Com a aprovação final das Estratégias Nacionais de Mitigação e Adaptação, o Brasil sai na frente na corrida por financiamento internacional e na construção de uma economia verde, ao mesmo tempo em que tenta corrigir rotas para evitar novos desastres climáticos.

  • Fundo Amazônia investe R$ 80 milhões para viabilizar economia da floresta em pé

    Fundo Amazônia investe R$ 80 milhões para viabilizar economia da floresta em pé

    A produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares da Amazônia Legal ganha um reforço de R$ 80 milhões do Fundo Amazônia. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançaram, nesta terça-feira (3), um edital público para selecionar os projetos que receberão os investimentos.

    A iniciativa integra o projeto “Florestas e Comunidades: Amazônia Viva” e tem como objetivo principal superar os principais obstáculos que historicamente limitam a geração de renda na região. Os recursos financiarão soluções para gargalos em logística, beneficiamento, armazenamento, adequação sanitária e, principalmente, no acesso a mercados para produtos da sociobiodiversidade.

    Como funciona o edital e quem pode participar

    Cooperativas, associações e organizações da sociedade civil da Amazônia Legal já podem apresentar suas propostas. O edital priorizará projetos com maior número de beneficiários, protagonismo feminino, participação de jovens e atuação em cadeias produtivas como açaí, castanha-do-Brasil, babaçu, mel e pesca artesanal.

    Os valores dos apoios variam entre R$ 500 mil e R$ 2,5 milhões por projeto, com previsão de selecionar pelo menos 32 propostas. Os recursos podem custear desde assistência técnica e obras civis até a aquisição de máquinas, equipamentos e a realização de consultorias especializadas.

    Foco na infraestrutura e geração de renda

    Líderes das instituições envolvidas destacam que o investimento vai direto para a ponta da cadeia produtiva. “Esse apoio do Fundo Amazônia chega à ponta, fortalecendo quem produz de forma sustentável. Ao ampliar o acesso a infraestrutura e mercados, criamos condições reais para geração de renda, redução das desigualdades e manutenção da floresta em pé”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

    A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou a conexão entre economia e conservação. “Fortalecer as atividades produtivas dessas populações significa valorizar os saberes locais e proteger a floresta”.

    Conexão com políticas públicas

    Além do mercado privado, os projetos deverão fortalecer a participação das comunidades em programas públicos de abastecimento, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

    O lançamento do edital ocorreu em um webinar transmitido pelas instituições. A íntegra do documento e todas as regras para participação já estão disponíveis para consulta pública.

  • Governo Federal sanciona política nacional de manejo integrado do fogo

    Governo Federal sanciona política nacional de manejo integrado do fogo

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (31), a lei que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. A cerimônia ocorreu em Corumbá (MS), após Lula sobrevoar áreas atingidas por incêndios na região, acompanhado pelos ministros Carlos Fávaro (Agricultura) e Marina Silva (Meio Ambiente).

    A nova política estabelece uma abordagem planejada e coordenada para o uso controlado e consciente do fogo. E visa prevenir e combater incêndios florestais, conservar ecossistemas e respeitar práticas tradicionais. Ela permite o uso do fogo em atividades agropecuárias, pesquisa científica, prevenção e combate a incêndios, agricultura de subsistência de comunidades tradicionais, sempre com autorização dos órgãos competentes.

    Combate aos incêndios no Pantanal

    Segundo Marina Silva, a situação crítica no Pantanal é resultado da combinação entre mudanças climáticas, desmatamento e incêndios. Fávaro destacou que, neste ano, a região sofrerá fortes consequências da seca, com alto risco de incêndios e escassez de água.

    Atualmente, há 890 profissionais do governo federal em campo, entre integrantes das Forças Armadas, Ibama, ICMBio, Força Nacional e Polícia Federal. Eles contam com 15 aeronaves e 33 embarcações para combater os 82 focos de incêndio registrados até 28 de julho. Desses, 45 já foram extintos e 37 estão ativos, sendo 20 controlados.

    A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo tem como principais objetivos a prevenção e redução de incêndios florestais, a promoção do uso controlado do fogo, a capacitação para enfrentamento dos incêndios, a conservação e recuperação da vegetação nativa e a responsabilização pelo uso não autorizado do fogo.

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    A governança será realizada pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, com participação de representantes de diversos setores. Isso para garantir a coordenação entre instituições públicas, privadas e a sociedade civil.

    Importância da sanção

    Para Lula, a sanção da política será um marco no combate a incêndios no país, reconhecendo o trabalho dos brigadistas e respeitando os saberes tradicionais. Ele destacou que o Brasil sediará a COP 30 em 2024, na cidade de Belém, o que torna a iniciativa ainda mais relevante para o país.

    A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo será implementada em cooperação entre União, estados, municípios, sociedade civil e entidades privadas. E visa prevenir e reduzir os impactos dos incêndios florestais e promover o uso controlado e sustentável do fogo no país.