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  • Maracujá paulista vira referência nacional para indústria de sucos e polpas

    Maracujá paulista vira referência nacional para indústria de sucos e polpas

    O Instituto Agronômico (IAC-APTA), de Campinas (SP), vem ampliando a presença de cultivares de maracujá voltadas à produção de polpas em diferentes regiões do Brasil. As variedades IAC 275 Maravilha e IAC 1013 Laureado se destacam pelo rendimento industrial e pela produtividade, características que podem aumentar a competitividade da cadeia e criar novas oportunidades para pequenos e médios produtores.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    Em 2025 e no primeiro semestre de 2026, considerando pomares já produtivos e aqueles ainda em formação, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Paraná lideraram o plantio das cultivares do IAC destinadas à indústria.

    Também houve registros no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Tocantins, Alagoas, Pernambuco, Pará, Bahia, Rondônia, Acre e Distrito Federal.

    Em São Paulo, os cultivos estão distribuídos por diferentes municípios, com destaque para Fartura, próximo à divisa com o Paraná.

    “Em 2025 e 2026, fornecemos sementes para produtores de Americana, Areias, Bauru, Campina do Monte Alegre, Conchas, Cruzeiro, Guaratinguetá, Iacanga, Iguape, Itaí, Itaporanga, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Óleo, Santos, São Paulo e Sertãozinho”, afirma José Luiz Hernandes, pesquisador do IAC.

    Maracujá vira alternativa para pequenos produtores

    Nas lavouras paulistas, o cultivo tem atraído pequenos produtores familiares. Segundo o IAC, uma das vantagens é a facilidade de adoção, já que o sistema de plantio e manejo é semelhante tanto para frutos destinados à indústria quanto para aqueles comercializados in natura.

    Em agosto, os produtores paulistas entram na fase final da produção. Quem realiza duas safras no mesmo plantio inicia a limpeza e se prepara para a poda entre o fim de agosto e o começo de setembro.

    Já os produtores que trabalham com apenas uma safra começam a retirar as plantas que produziram durante o ciclo e preparam o solo e o sistema de condução para o cultivo seguinte.

    “Aqueles que realizam duas safras no mesmo plantio iniciam a limpeza e se preparam para a poda no fim de agosto e início de setembro. Já quem trabalha com apenas uma safra começa a eliminar as plantas que produziram neste ciclo, preparando o solo e o sistema de condução para o próximo cultivo”, explica Hernandes.

    O que a indústria busca no maracujá?

    Para a produção de polpa, tamanho e aparência do fruto deixam de ser os principais critérios de qualidade. A indústria busca características diretamente relacionadas ao aproveitamento da matéria-prima.

    Entre elas estão rendimento de polpa acima de 50%, teor de sólidos solúveis superior a 12 graus Brix — preferencialmente acima de 14 — e polpa de coloração alaranjada intensa.

    “As características buscadas pela indústria e plenamente atendidas pelas nossas cultivares são o rendimento de polpa acima de 50%, teor de sólidos solúveis acima de 12 graus Brix, sendo desejável acima de 14, e coloração alaranjado intenso da polpa”, afirma o pesquisador.

    O ciclo relativamente rápido da cultura também favorece o retorno econômico. Além disso, o processamento da fruta agrega valor à produção e permite a geração de renda durante boa parte do ano.

    Cultivares podem chegar a 17 graus Brix

    Atualmente, o IAC disponibiliza sementes de quatro cultivares de maracujá azedo amarelo. A IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado são direcionadas à produção de polpa, enquanto a IAC 273 e a IAC 277 são destinadas principalmente ao mercado de frutas de mesa.

    As duas variedades industriais podem atingir 17 graus Brix, além de apresentarem alto rendimento e polpa de coloração alaranjada intensa. Na IAC 1013 Laureado, a tonalidade tende a ser ainda mais acentuada.

    A recomendação dos pesquisadores é cultivar a IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado juntas, na proporção de 50% para cada variedade.

    “A combinação das características dessas duas cultivares permite os melhores parâmetros de qualidade para produção de polpa em rendimento, Brix e coloração da polpa”, explica Hernandes.

    A IAC 275 Maravilha produz frutos de tamanho médio e formato predominantemente alongado, embora também possam ser arredondados. A IAC 1013 Laureado, por sua vez, apresenta principalmente frutos médios e redondos, com ocorrência de exemplares alongados. Ambas possuem casca fina.

    Na região Sudeste, o amadurecimento ocorre principalmente entre janeiro e julho. O período tende a ser mais longo no Norte e Nordeste e mais curto no Sul, devido às diferenças na quantidade de luz disponível em cada região.

    Agroindústria próxima ajuda a reduzir custos

    Um dos pontos fundamentais para a viabilidade da produção é a existência de agroindústrias próximas às lavouras. A comercialização dos frutos destinados à fabricação de polpa costuma ocorrer diretamente entre produtores e unidades processadoras.

    A proximidade reduz despesas com transporte e facilita entregas frequentes.

    “Como o maracujá é colhido diariamente por cerca de seis meses do ano nas lavouras paulistas, com muitas entregas ao longo desse período, a proximidade da indústria é essencial para facilitar o escoamento frequente da produção”, afirma Hernandes.

    Cooperativas regionais e agroindústrias familiares também funcionam como canais de comercialização. Parte da produção brasileira de polpa e suco ainda é destinada à exportação, inclusive para mercados europeus.

    Além do suco e da polpa, a cadeia permite o aproveitamento de cascas e sementes, que podem ser utilizadas na fabricação de ração animal, óleos e insumos para a indústria de cosméticos.

    Polinização pode definir produtividade da lavoura

    As flores do maracujazeiro também desempenham papel essencial na produtividade. As mamangavas estão entre as principais responsáveis pela polinização natural da cultura.

    Por serem maiores, esses insetos conseguem transportar o pólen no dorso entre diferentes flores. Assim, quando a polinização é insuficiente, os frutos podem apresentar menor qualidade e formação incompleta.

    Para preservar os polinizadores, a recomendação é que eventuais pulverizações sejam realizadas pela manhã, antes da abertura das flores e do período de maior atividade desses insetos, que ocorre à tarde.

    Em regiões onde não há quantidade suficiente de mamangavas, a alternativa é recorrer à polinização manual.

    O maracujá azedo (Passiflora edulis) representa cerca de 90% dos pomares brasileiros e é o tipo mais consumido no país. A fruta é utilizada na produção de sucos concentrados, integrais e néctares, além de produtos cosméticos e fitoterápicos.

    Onde encontrar as sementes

    Produtores e viveiristas interessados nas cultivares podem procurar o Instituto Agronômico pelos contatos [email protected] e [email protected].

    O IAC também fornece material de propagação ao Serviço de Produção de Sementes e Mudas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

  • Araquari retoma produção de maracujá

    Araquari retoma produção de maracujá

    Há 20 anos, Araquari ocupava posição de destaque na fruticultura de Santa Catarina pela produção de maracujá. Isso tanto que o município carregava o título de Capital Catarinense do Maracujá e realizava uma festa anual em sua homenagem. Uma doença viral, porém, dizimou pomares inteiros entre 2008 e 2019 e praticamente encerrou a atividade no Litoral Norte. Agora, uma ação conjunta entre pesquisadores, extensionistas da Epagri de Norte a Sul do Estado e a prefeitura municipal reverte esse cenário.

    O número de produtores de maracujá no município cresceu de 19, em 2022, para 34 em 2025, segundo dados do escritório da Epagri local. Nesse mesmo período, a prefeitura ampliou a distribuição de mudas: foram 23,5 mil na safra 2023/24 e 43 mil na safra seguinte.

    A doença que mudou tudo

    O vilão da história é a virose do endurecimento do fruto, transmitida por pulgões. Após anos de pesquisa na Estação Experimental da Epagri em Urussanga (EEUR), os pesquisadores identificaram o vírus em 2016.

    Em 2020, o Estado publicou a primeira portaria instituindo o vazio sanitário do maracujá-azedo, com recomendação de 30 dias. Na região de Araquari, o período começa em 1.º de julho.

    Vazio sanitário do maracujá começa em 1º de julho no Litoral Norte e Sul do Estado. Foto: Divulgação/Epagri

    “O vírus não gosta de se alimentar da seiva do maracujazeiro, mas acaba provando a planta. E é nesse momento que ocorre a contaminação, geralmente nos tecidos jovens”, explica o pesquisador e engenheiro-agrônomo Henrique Petry. Ele recomenda que as mudas produzidas em sistema protegido atinjam pelo menos 80 cm antes do transplante.

    Intercâmbio com o Sul como estratégia central

    O Sul catarinense concentra hoje 90% da produção de maracujá do Estado. Para aproveitar esse conhecimento acumulado, a Epagri organiza seminários, cursos e visitas técnicas que levam produtores do Litoral Norte às propriedades sulistas referência em produtividade.

    Em abril, um seminário em Araquari reuniu a Epagri, o Instituto Federal Catarinense (IFC), a Cidasc e a prefeitura. O técnico agrícola e gestor do Centro de Treinamento da Epagri em Araranguá (Cetrar), Sandoval Ferreira, apresentou as principais estratégias de controle de doenças, entre elas a verrugose, a antracnose, a bacteriose e a fusariose.

    “O que aprendemos durante 20 anos de trabalho é que o segredo está no manejo. Não adianta apenas aplicar produtos”, afirma Sandoval.

    A fusariose, doença de solo que ataca as raízes, exige atenção especial à cobertura vegetal. “Antes só havia aveia disponível; hoje existem misturas de nabo, ervilhaca e centeio. No verão, o produtor pode usar milheto e braquiária”, orienta o técnico.

    O extensionista rural Valdemar Sievert, que atua em Araquari há seis meses, planeja visitas periódicas às propriedades para apoiar a adoção das técnicas. “Quero mostrar os benefícios de eliminar todos os pés de maracujá na época certa e apresentar políticas públicas para melhorar a produtividade”, diz.

    Sistema de latada eleva produtividade em até 330%

    Uma das principais mudanças técnicas é a troca do sistema espaldeira pelo sistema de latada, no qual as ramas crescem sobre uma malha de arames aérea, formando um teto verde que facilita a colheita e a poda. Com isso, a produtividade média saltou de 18 para 30 toneladas por hectare. E propriedades bem manejadas chegam a 77 toneladas.

    “A adoção do sistema de latada no Sul tem origem cultural: é uma região produtora de vinho, e as uvas crescem em parreiras. Mas nada impede que o sistema espaldeira dê bons resultados, desde que o produtor siga as boas práticas e use quebra-ventos”, pondera Petry.

    O pesquisador ainda revela que testes com novos cultivares e sistema de condução com cobertura plástica estão previstos para o próximo ano. O projeto, aprovado no SC Rural 2 com recursos do Banco Mundial, pode viabilizar a produção de maracujá em regiões mais frias, como Videira, onde o pomar experimental da EEUR resistiu até a primeira geada.

    Produtor troca espaldeira por latada e ganha 50% de produtividade

    Julio Fialkoski, 74 anos, planta maracujá em Araquari há mais de 20 anos. Ele se aposentou como engenheiro civil e migrou para a fruticultura quando a produção local ainda estava em alta, época em que a festa anual atraía milhares de visitantes e impulsionava a venda de geleias, licores e cachaça à base da fruta. “A última festa foi em 2019”, lembra.

    Foto: Divulgação/Epagri

    Após frequentar propriedades do Sul do Estado, Julio decidiu migrar do sistema espaldeira para a latada. O resultado apareceu já na primeira safra: 15 kg de fruta por planta na latada contra no máximo 10 kg na espaldeira. Um ganho de 50%.

    “Na latada, a planta se mantém mais saudável. Na espaldeira, o excesso de folhas fecha o ambiente e dificulta até a polinização”, explica. Hoje, Julio colhe 60 toneladas de maracujá em três hectares e vende para uma indústria de polpas em Joinville e para mercados em Curitiba.

    Além da mudança de sistema, ele investiu em análise de solo, adubação frequente, cobertura vegetal permanente e quebra-ventos nas laterais do pomar. E respeita rigorosamente o vazio sanitário. “Tem agricultor que não respeita, mas a gente sabe que é isso que mantém a virose controlada”, conclui.

  • Técnica criada por produtores está mudando o cultivo de maracujá no Brasil

    Técnica criada por produtores está mudando o cultivo de maracujá no Brasil

    Quem planta maracujá conhece bem a equação cruel da fruticultura: você investe meses de trabalho, e o mercado decide quanto vai pagar. Em 2026, essa conta ficou ainda mais difícil. O preço despencou, o clima atrapalhou a formação dos frutos e, mesmo assim, há produtores que encontraram saída por conta própria, literalmente na ponta do broto.

    Quando o preço cai pela metade, é hora de adaptar

    Em Gália, no centro-oeste paulista, José Roberto Martineli cuida de três hectares com 2,5 mil pés de maracujá. A caixa de aproximadamente 20 quilos, que chegou a R$ 100 no final do ano passado, agora sai por R$ 40. Uma queda de 60% que não veio sozinha.

    As temperaturas mais baixas registradas em 2025 comprometeram a formação da fruta, reduzindo qualidade e volume. Para muitos produtores, esse tipo de combinação seria razão suficiente para repensar a cultura. Para Martineli, foi razão suficiente para aperfeiçoar o que já fazia.

    O método que o produtor desenvolveu ao longo dos anos foca em aumentar a florada e concentrar a produção em dezembro, quando o mercado paga melhor. A lógica está no número de brotos conduzidos na parreira: mais brotos geram mais guias, mais guias resultam em mais frutos no período certo. A meta é chegar a duas mil caixas até o fim do ano.

    A técnica não está em nenhum manual acadêmico. Ela nasceu da observação, do erro e do acerto dentro da própria lavoura, o que define boa parte do conhecimento aplicado na agricultura familiar brasileira.

    A 40 quilômetros dali, outra família e o mesmo compromisso

    Em Alvinlândia, município vizinho, a família de Viviane Pinheiro da Cruz Pereira trabalha um hectare com 830 pés de maracujá. Por lá, a polinização manual é o detalhe que faz toda a diferença, processo que exige presença constante e atenção ao ciclo das flores.

    A projeção para 2026 é ambiciosa: a família espera colher três caixas por pé, o que representa uma estimativa de cerca de 35 mil quilos. Para uma propriedade de um hectare conduzida em família, esse volume só se sustenta com rotina rigorosa e presença diária no campo, incluindo sábados e domingos.

    O que esses produtores nos ensinam?

    A história de Martineli e da família Pereira funciona como exemplo de como a agricultura familiar responde a pressões que fogem do seu controle. Quando o preço cai e o clima falha, o que resta ao produtor é dominar aquilo que está ao seu alcance: o manejo, o tempo de poda, a condução da planta, a polinização feita à mão.

    Nenhuma dessas escolhas resolve o problema estrutural da oscilação de preços. Mas elas fazem a diferença entre fechar a safra no vermelho ou chegar a dezembro com produção suficiente para aproveitar o melhor momento do mercado.

  • Conheça os benefícios do maracujá

    Conheça os benefícios do maracujá

    O maracujá conquista nutricionistas e consumidores com uma característica rara entre as frutas: seu teor elevado de proteína. Uma porção da fruta entrega aproximadamente 5g de proteína, valor que se aproxima dos 6g fornecidos por um ovo médio. Essa concentração surpreende, já que frutas raramente aparecem como fontes significativas desse macronutriente.

    A descoberta transforma o maracujá em uma alternativa valiosa para quem busca aumentar a ingestão de proteína vegetal na dieta. Vegetarianos, veganos e pessoas interessadas em diversificar suas fontes proteicas encontram na fruta tropical uma opção nutritiva e acessível.

    Riqueza nutricional vai muito além da proteína

    O maracujá concentra benefícios que vão além do conteúdo proteico. A fruta oferece abundância em fibras alimentares, que auxiliam o funcionamento intestinal e prolongam a sensação de saciedade. Seu perfil antioxidante protege as células contra danos oxidativos, enquanto vitaminas essenciais fortalecem o organismo.

    O betacaroteno, precursor da vitamina A, atua na saúde ocular e na integridade da pele. A vitamina C, presente em quantidades expressivas, fortalece o sistema imunológico e participa da síntese de colágeno. Esses nutrientes trabalham em conjunto para promover bem-estar e vitalidade.

    Propriedades calmantes atraem atenção crescente

    As reconhecidas propriedades calmantes do maracujá consolidam sua reputação como alimento funcional. Compostos bioativos presentes na fruta, especialmente na polpa e nas folhas, demonstram efeitos ansiolíticos e sedativos suaves. Estudos científicos investigam a passiflorina e outros alcaloides que podem modular a atividade do sistema nervoso.

    Consumidores modernos, pressionados por rotinas estressantes, procuram alternativas naturais para promover relaxamento. O maracujá atende essa demanda sem os efeitos colaterais associados a medicamentos sintéticos. Sucos, chás e extratos da fruta ganham espaço nas prateleiras de produtos naturais.

    Brasil domina produção mundial de maracujá

    O Brasil se posiciona como maior produtor mundial de maracujá, colhendo mais de 700 mil toneladas anuais. A produção nacional concentra-se principalmente no Nordeste, onde estados como Bahia, Ceará e Pernambuco lideram o cultivo. O clima tropical e as condições de solo favorecem o desenvolvimento das diversas variedades da fruta.

    O maracujá-azedo (Passiflora edulis) representa a maior parte da produção comercial brasileira. Agricultores familiares e grandes produtores cultivam a fruta para atender o mercado interno e exportações crescentes. A cadeia produtiva gera empregos e movimenta a economia regional, especialmente em áreas rurais.

    Mercado nacional e exportações em expansão

    O mercado brasileiro de maracujá movimenta cifras expressivas, com consumo tanto in natura quanto processado. A indústria transforma a fruta em sucos, polpas congeladas, doces, geleias e sorvetes. Produtos derivados do maracujá conquistam consumidores que valorizam sabores tropicais autênticos.

    As exportações brasileiras de maracujá e seus derivados crescem anualmente, com destinos principais na Europa e América do Norte. Países importadores apreciam a qualidade da fruta brasileira e sua versatilidade culinária. O mercado internacional reconhece o Brasil como fornecedor confiável de maracujá premium.

    Desafios da produção e oportunidades de crescimento

    Produtores enfrentam desafios como pragas, doenças e oscilações climáticas que afetam a produtividade. A fusariose e o vírus do endurecimento dos frutos representam ameaças significativas aos pomares. Pesquisadores desenvolvem variedades resistentes e técnicas de manejo integrado para minimizar perdas.

    Oportunidades surgem com a demanda crescente por alimentos funcionais e superalimentos. O marketing em torno dos benefícios nutricionais do maracujá impulsiona vendas em mercados sofisticados. Produtores que investem em certificações orgânicas e práticas sustentáveis conseguem preços premium.

    Versatilidade culinária amplia consumo

    A gastronomia explora o maracujá em preparações doces e salgadas. Chefs criam mousses, tortas, pavês e drinks que destacam o sabor ácido característico da fruta. Cozinhas contemporâneas incorporam o maracujá em molhos para carnes, marinadas e reduções que agregam complexidade aos pratos.

    Cultivares Maracujá resistentes a fusariose
    Foto: Gabriel Faria/Embrapa

    O uso do maracujá em receitas funcionais cresce entre nutricionistas e influenciadores digitais. Smoothies proteicos combinam a fruta com outras fontes vegetais para maximizar o aporte nutricional. Essa versatilidade mantém o maracujá relevante em diferentes contextos alimentares.

    Sustentabilidade e aproveitamento integral

    Iniciativas sustentáveis promovem o aproveitamento integral do maracujá, incluindo cascas e sementes. A casca, rica em pectina, serve como ingrediente para produtos funcionais voltados ao controle glicêmico. Pesquisadores estudam aplicações industriais para subprodutos que tradicionalmente viravam descarte.

    Pequenos produtores adotam sistemas agroflorestais que integram maracujazeiros com outras culturas. Essas práticas melhoram a resiliência dos sistemas produtivos e reduzem a dependência de insumos externos. A produção sustentável de maracujá alinha-se com expectativas crescentes de consumidores conscientes.

    O futuro do maracujá no Brasil e no mundo parece promissor. A fruta combina apelo nutricional, sabor único e versatilidade que atendem tendências contemporâneas de alimentação. Investimentos em pesquisa, melhoramento genético e marketing devem ampliar ainda mais o alcance do maracujá.

    A revelação sobre seu conteúdo proteico posiciona o maracujá como protagonista em dietas baseadas em plantas. Consumidores descobrem que podem obter nutrição completa de fontes tropicais e saborosas. O maracujá se estabelece não apenas como fruta, mas como alimento estratégico para a nutrição moderna.

  • Maracujá inicia colheita em SC com previsão de 55 mil toneladas

    Maracujá inicia colheita em SC com previsão de 55 mil toneladas

    A Epagri realiza nesta terça-feira, 17 de dezembro, a abertura oficial da colheita do maracujá em Santa Catarina. O evento ocorre na propriedade da família Zizo e Filho, no bairro Vila São José, em São João do Sul, das 8h30 às 13h. A iniciativa é itinerante e destaca uma cidade e uma propriedade produtora diferente a cada ano.

    Mais de mil famílias catarinenses trabalham na produção de maracujá, com destaque para a região Sul do Estado. Foto: Aires Mariga

    Cerca de 200 participantes, entre produtores, técnicos e convidados, começam o dia com um café da manhã de recepção. Após o café, os visitantes podem conhecer as tecnologias e serviços de 18 expositores. Às 10h15, o consultor e engenheiro-agrônomo Hércules José de Oliveira, formado pela Universidade Federal de Viçosa (MG), ministra uma palestra sobre o mercado de maracujá. O ato simbólico de abertura da colheita está marcado para as 11h15, seguido de um almoço de confraternização.

    Estado mantém posição como terceiro maior produtor nacional

    Santa Catarina se consolida como o terceiro maior produtor nacional de maracujá. O estado cultiva a fruta em uma área de dois mil hectares, envolvendo mais de mil famílias. A região Sul concentra 90% da produção catarinense, com os municípios de Sombrio e São João do Sul se destacando.

    Natan da Rosa Porto, extensionista rural da Epagri em São João do Sul, comenta as expectativas para a safra 2024/2025. “O setor prevê uma colheita em torno de 55 mil toneladas, volume semelhante ao do ano passado. Até agora, não tivemos contratempos climáticos significativos, mas a safra está só começando e precisamos acompanhar”, afirma.

    A safra 2023/2024 registrou uma produção de 45 mil toneladas, queda atribuída ao excesso de chuvas no estado. A Epagri apoia a cadeia produtiva através de políticas de crédito, desenvolvimento de tecnologias e orientação sobre sistemas de manejo.

    Serviço:

    • O quê: Abertura Oficial da Colheita do Maracujá em SC
    • Quando: 17 de dezembro, das 8h30 às 13h
    • Onde: Propriedade Zizo e Filho, Bairro Vila São José, São João do Sul (SC)
  • Safra de maracujá em SC cresce 26% e alcança 56,8 mil toneladas

    Safra de maracujá em SC cresce 26% e alcança 56,8 mil toneladas

    A safra catarinense de maracujá 2024/2025 registrou uma produção de 56,8 mil toneladas. O número representa um crescimento expressivo de 26,2% em relação à safra anterior, que foi de 45 mil toneladas. A produtividade média dos pomares também subiu, atingindo 28,4 toneladas por hectare.

    O levantamento é da Epagri, realizado em parceria com atacadistas e a Cooperja no Sul do Estado, região que concentra a maior parte da produção.

    O resultado é ainda mais significativo pois superou os efeitos da estiagem provocada pelo La Niña. O fenômeno climático causou escassez de chuva e temperaturas excessivas em janeiro, período crítico para a florada do maracujazeiro-azedo.

    Tecnologia e boas práticas impulsionam a produtividade

    Especialistas atribuem o salto de produtividade a avanços tecnológicos. O engenheiro-agrônomo Diego Adílio da Silva, da Epagri, destaca o programa Mudas Seguras de Maracujá. A iniciativa já elaborou 67 projetos e investiu mais de R$ 1,3 milhão em mudas avançadas e de alta qualidade.

    Outros fatores cruciais foram:

    • O vazio sanitário.
    • O manejo eficiente da adubação.
    • O controle de pragas.
    • O uso da cultivar SCS437 Catarina, desenvolvida pela Epagri e adaptada ao clima do estado.

    Investimento e importância econômica

    A fruta movimentou um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 135 milhões na economia catarinense. Os preços médios pagos aos produtores variaram entre R$ 2,30 e R$ 2,50 por quilo.

    Para mitigar os efeitos da seca, o programa Água para Todos viabilizou 93 propostas de crédito para irrigação. A ação resultou em 127 hectares de pomares irrigados entre 2024 e 2025.

    Santa Catarina é o terceiro maior produtor de maracujá do país, atrás apenas da Bahia e do Ceará. A cultura sustenta mil famílias em mais de 2 mil hectares plantados, com 90% da produção localizada na região Sul.

  • Bahia se destaca na produção de maracujá

    Bahia se destaca na produção de maracujá

    A Bahia, reconhecida por sua força no agronegócio, especialmente na produção de grãos, tem se destacado também na fruticultura, com um desempenho notável no cultivo de maracujá. Em 2023, o estado manteve a liderança nacional na produção da fruta, alcançando um total de 253,9 mil toneladas, o que representa um crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior. Esse aumento resultou em um faturamento de R$ 545,6 milhões para os produtores baianos, quase 16% a mais do que em 2022.

    A Chapada Diamantina, uma região rica em biodiversidade e famosa pelo turismo ecológico, se destaca como o principal polo produtor de maracujá na Bahia. O município de Livramento de Nossa Senhora é o maior produtor brasileiro da fruta, com uma produção de 44.395 toneladas em 2023, apesar de uma leve retração de 5% em comparação à safra anterior. Outros municípios da Chapada, como Ituaçu e Barra da Estiva, também contribuem significativamente para a produção nacional, com aproximadamente 30 mil toneladas cada.

    Condições favoráveis ao cultivo

    As condições climáticas da Bahia são ideais para o cultivo do maracujá. A combinação de altas temperaturas, alta incidência solar e diversidade de solos proporciona um ambiente propício para o desenvolvimento da planta. A disponibilidade de recursos hídricos para irrigação também é um fator crucial que contribui para o sucesso da fruticultura na região.

    De acordo com a Embrapa Mandioca e Fruticultura, a temperatura ideal para o crescimento do maracujazeiro varia entre 21°C e 25°C. Além disso, a planta requer uma distribuição constante de chuvas ao longo do ano, com demanda hídrica variando entre 800 mm e 1.750 mm.

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    O sucesso da produção de maracujá na Chapada Diamantina também é atribuído ao uso de tecnologias avançadas e práticas agrícolas adequadas. Pesquisas têm mostrado que o uso de cultivares desenvolvidas por melhoramento genético e a implementação de sistemas de irrigação eficientes têm elevado a produtividade dos cultivos.

    Gonçalo Santos, presidente da cooperativa Cooppmamo, que apoia pequenos produtores na região, destaca a importância do cooperativismo: “Fornecemos adubos a preço de fábrica e assistência técnica sem custo algum aos nossos cooperados.”

    Desafios enfrentados pelos produtores

    Apesar das condições favoráveis e do crescimento contínuo da produção, os agricultores enfrentam desafios significativos. O aumento dos custos de produção devido aos preços elevados dos defensivos agrícolas e adubos é uma preocupação constante. Além disso, a falta de um mercado estável e políticas de preços mínimos tem dificultado a comercialização do produto.

    O pesquisador da Embrapa alerta sobre as doenças fúngicas e bacterianas que afetam as plantações. “A alta incidência dessas doenças pode comprometer seriamente a produção em alguns polos.”

    Apesar dos desafios enfrentados, as expectativas para o futuro são otimistas. A cooperativa Cooppmamo planeja expandir ainda mais sua produção e está considerando a implementação de uma fábrica de polpas para agregar valor ao produto e gerar empregos na região.

    Com um potencial significativo para crescimento e inovação no setor frutal, a Chapada Diamantina se estabelece firmemente como um importante polo produtivo no Brasil. Contribuindo não apenas para a economia local mas também para a diversificação da agricultura baiana.

  • Novas cultivares de maracujá resistentes à fusariose

    Novas cultivares de maracujá resistentes à fusariose

    A Embrapa apresentou recentemente duas cultivares inovadoras de maracujá silvestre, BRS Terra Nova (BRS TN) e BRS Terra Boa (BRS TB), desenvolvidas para servir como porta-enxertos resistentes à fusariose, uma das principais ameaças à cultura do maracujá-azedo no Brasil. As novas variedades já começaram a impactar positivamente a produção em estados como Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Bahia.

    A fusariose, causada pelos fungos Fusarium oxysporum f. sp. passiflorae e Fusarium solani, provoca o entupimento do sistema vascular e a podridão das raízes, levando à morte das plantas. A doença dizimou plantações inteiras de maracujá no norte de Mato Grosso, onde, em 2005, mais de 90% dos produtores abandonaram a cultura devido aos prejuízos. Sem alternativas eficazes de controle, a resistência genética tornou-se a solução mais viável.

    Inovações genéticas para enfrentar a doença

    As cultivares BRS TN e BRS TB foram desenvolvidas através de melhoramento genético convencional. Selecionadas a partir das espécies silvestres Passiflora nitida Kunth e Passiflora alata Curtis, elas apresentaram alta compatibilidade com cultivares comerciais de maracujá-azedo (Passiflora edulis), alta produtividade e resistência comprovada à fusariose. As pesquisas iniciaram em 2008 em parceria com a Coopernova e outros institutos como Pesagro-Rio, Instituto Federal Fluminense e Universidade Federal Rural do Semiárido.

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    Os porta-enxertos dessas cultivares permitem produções de até 30 toneladas por hectare, o dobro da média nacional, que é de 14 a 15 toneladas. A resistência também possibilita o cultivo em regiões antes consideradas inviáveis, como o norte de Mato Grosso e áreas com histórico crítico da doença.

    Vantagens das novas cultivares

    BRS Terra Nova (BRS TN):
    • Resistência à fusariose, alta produtividade, flores aromáticas e frutos doces.
    • Origem: Passiflora nitida Kunth.
    • Características: Alta germinação de sementes, compatibilidade com maracujá-azedo, alta produtividade e resistência à fusariose.
    • Usos adicionais: Planta ornamental com flores brancas aromáticas e frutos de polpa doce.
    BRS Terra Boa (BRS TB):
    • Resistência à fusariose, flores decorativas e frutos de alto valor agronômico.
    • Origem: Passiflora alata Curtis.
    • Características: Resistência à fusariose, compatibilidade com maracujá-azedo e flores vermelho-arroxeadas de grande valor ornamental.
    • Usos adicionais: Produção de frutos doces e aromáticos.

    Mudando o cenário da produção de maracujá no Brasil

    Com a adoção de mudas enxertadas, estados como Mato Grosso viram um aumento significativo na produção. Em 2023, a área colhida no estado chegou a 320 hectares, gerando uma renda de R$ 27,8 milhões, R$ 10 milhões a mais que em 2022.

    Produtores como André Piccini, de Terra Nova do Norte, relatam resultados positivos com os novos porta-enxertos, que garantiram resistência à doença e produtividade consistente.

    Com essas inovações, a produção de maracujá no Brasil ganha uma nova perspectiva, consolidando a resistência à fusariose como um marco para a fruticultura nacional.