Tag: manejo

  • Gestão da pecuária de corte ganha sistema com rastreabilidade

    Gestão da pecuária de corte ganha sistema com rastreabilidade

    O Broto e a agtech iRancho lançaram o Broto Gestão Pecuária, novo sistema de gestão da pecuária de corte. A plataforma oferece rastreabilidade individual dos animais e uma visão completa da produção. A solução permite ao pecuarista controlar o rebanho com mais eficiência. Além disso, melhora a produtividade e apoia decisões baseadas em dados confiáveis.

    Segundo empresas responsáveis pelo sistema, clientes relatam redução de até 50% no tempo dedicado ao manejo. Além disso, informam aumento de até duas vezes no giro de caixa com o abate precoce. De acordo com o CEO da iRancho, Thiago Parente, a ferramenta busca transformar a gestão da pecuária brasileira.

    Segundo ele, o sistema ajuda o produtor a identificar perdas financeiras. Também permite conhecer os custos reais e tomar decisões baseadas em informações concretas. Ainda conforme Parente, muitos pecuaristas movimentam altos valores. No entanto, enfrentam dificuldades para acompanhar a gestão interna da propriedade.

    Para Alberto Martinhago, diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, o Broto Gestão Pecuária fortalece o ecossistema de inovação no campo. Ele afirma que sistemas de gestão ajudam a reduzir riscos na atividade rural. Além disso, incentivam uma pecuária mais rentável, eficiente e sustentável.

    José Evaldo Gonçalo, presidente do Broto, destaca que a plataforma amplia o acesso dos pecuaristas à tecnologia. Segundo ele, a gestão eficiente e a rastreabilidade definirão o futuro da pecuária brasileira. A integração da tecnologia da iRancho amplia esse acesso.

    Sistema organiza dados da fazenda

    O Broto Gestão Pecuária reúne informações que antes permaneciam dispersas na propriedade. Assim, o produtor consegue organizar melhor a gestão da fazenda.

    A plataforma funciona mesmo sem conexão com a internet. Dessa forma, o manejo e a coleta de dados podem ocorrer totalmente offline. Além disso, o sistema apresenta interface simples. Com isso, equipes de diferentes tamanhos podem adotar a gestão digital com facilidade.

    Rastreabilidade bovina avança no Brasil

    O lançamento ocorre em um momento de mudanças na pecuária. A rastreabilidade deixa de ser diferencial e passa a integrar as exigências do mercado. Em 2025, a Federação Brasileira de Bancos publicou norma para impedir o financiamento de atividades ligadas ao desmatamento ilegal.

    Além disso, a Lei Antidesmatamento da União Europeia proibirá, a partir de dezembro de 2026, produtos provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Ao mesmo tempo, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos estabelece a identificação individual obrigatória dos animais até 2032. A iniciativa, criada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, busca ampliar a rastreabilidade dos bovinos e búfalos em todo o país.

  • Pecuária: parasitas reduzem até 13 quilos por animal

    Pecuária: parasitas reduzem até 13 quilos por animal

    Carrapatos e outros parasitas provocam perdas na pecuária brasileira, segundo pesquisa da empresa alemã Boehringer Ingelheim. O estudo aponta redução de 13 quilos por animal ao ano na pecuária de corte. No leite, as perdas chegam a 7% da produção anual.

    Pesquisa em 13 estados

    A pesquisa ouviu 490 pecuaristas em 13 estados brasileiros. Além disso, o levantamento identificou o carrapato como principal preocupação sanitária do setor. Segundo o estudo, 70% dos entrevistados citaram o carrapato como maior ameaça ao rebanho. A mosca-dos-chifres apareceu com 48%. Já o berne foi mencionado por 17%.

    Prejuízo milionário

    A multinacional não calculou o impacto financeiro da infestação. Porém, dados da Embrapa estimam prejuízos superiores a R$ 16 bilhões anuais. De acordo com a pesquisa, as mudanças climáticas ampliam o problema no campo. Além disso, o aumento da resistência dos carrapatos preocupa produtores e especialistas.

    O diretor de Grandes Animais da empresa, Filipe Fernando, afirma que o clima quente e úmido favorece a proliferação dos parasitas. Segundo ele, temperaturas elevadas e períodos chuvosos aumentam o desenvolvimento das populações de carrapatos no rebanho brasileiro.

    Manejo

    O levantamento também avaliou os impactos no manejo das propriedades. Entre os entrevistados, 91% afirmaram utilizar produtos preventivos ou tratamentos contra carrapatos.

    Apesar disso, apenas 20% usam calculadoras de produtividade para definir a compra de parasitários. Assim, muitos produtores ainda não analisam o retorno econômico dos tratamentos.

    Fernando afirma que as infecções elevam os custos operacionais das fazendas. Além disso, os parasitas exigem mais mão de obra, tempo e energia no manejo.

    O custo dos produtos lidera os obstáculos enfrentados pelos pecuaristas. Esse fator foi citado por 47% dos entrevistados. Já a falta de mão de obra apareceu com 23%.

    Segundo o executivo, o uso repetitivo das mesmas moléculas aumentou a resistência dos carrapatos nos últimos anos. Além disso, muitas propriedades não adotam rotação de princípios ativos. Fernando afirma que algumas regiões brasileiras já registram resistência a produtos tradicionais. Com isso, os tratamentos perdem eficiência e elevam os custos da produção pecuária.

    A Boehringer Ingelheim informou que desenvolve uma nova geração de moléculas antiparasitárias. No entanto, a companhia ainda não definiu a data de lançamento. A multinacional investe cerca de 6 bilhões de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento no mercado global. Na avaliação da empresa, o Brasil pode ampliar a produção de carne bovina sem aumentar o rebanho. Para isso, o controle sanitário deve ganhar eficiência nas fazendas.

    Nos Estados Unidos, principal concorrente brasileiro no mercado internacional, as perdas causadas por carrapatos chegam a US$ 19 bilhões anuais.

  • Cigarrinha-do-milho gera perdas bilionárias no Brasil

    Cigarrinha-do-milho gera perdas bilionárias no Brasil

    A cigarrinha-do-milho, *Dalbulus maidis*, causa prejuízos bilionários à produção nacional de milho. Um estudo inédito quantificou o impacto dos enfezamentos na safra brasileira. Entre 2020 e 2024, o Brasil perdeu, em média, 22,7% da produção anual de milho. Essas perdas geraram prejuízo de 6,5 bilhões de dólares por ano.

    Ao longo das quatro safras, o prejuízo acumulado atingiu 25,8 bilhões de dólares. Além disso, cerca de 2 bilhões de sacas deixaram de ser produzidas. Os pesquisadores analisaram dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) desde 1976. Eles avaliaram produtividade, produção e área plantada nas principais regiões produtoras. O estudo foi publicado na revista *Crop Protection*. A pesquisa envolveu Embrapa Cerrados, Epagri e CNA.

    Os resultados mostram que os enfezamentos se tornaram o principal desafio sanitário do milho. Antes, o problema era considerado secundário no sistema produtivo.

    Levantamento aponta perdas e aumento de custos

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    Os pesquisadores utilizaram dados do projeto Campo Futuro, da CNA e do Senar. Eles coletaram informações em 34 municípios produtores. Os produtores e especialistas estimaram perdas por consenso técnico em cada safra.
    Na safra 2020/2021, as perdas chegaram a 28,9%. Já na safra 2023/2024, o índice caiu para 16,7%. Apesar disso, o custo com inseticidas aumentou 19% no período.

    Os gastos superaram nove dólares por hectare. Esse aumento elevou o custo de produção do milho. O pesquisador Charles Oliveira afirmou que as perdas médias chegaram a 31,8 milhões de toneladas anuais.
    Em 80% das regiões, a cigarrinha impactou diretamente a produtividade.

    Larissa Mouro destacou que o estudo trouxe estimativas econômicas consistentes. Segundo ela, os dados possuem abrangência nacional.

    Enfezamentos ameaçam produção de milho

    O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais de milho. O país também se destaca como um dos principais exportadores. A Conab estima produção de 138,4 milhões de toneladas na safra 2025/2026. O valor da produção pode chegar a 30 bilhões de dólares.

    Os enfezamentos pálido e vermelho representam a maior ameaça fitossanitária atual. A cigarrinha transmite essas doenças e outros vírus do milho. Os patógenos podem causar perdas totais, especialmente em híbridos suscetíveis. Além disso, não existe tratamento preventivo para essas doenças.

    Os surtos se intensificaram a partir de 2015. Mudanças no sistema produtivo favoreceram a praga. A expansão da safrinha e o cultivo contínuo aumentaram a sobrevivência do inseto. Assim, o problema deixou de ser localizado.

    Segundo Tiago Pereira, as perdas afetam renda, produtividade e competitividade. O estudo transformou percepções do setor em dados científicos.

    Produção cresce, mas enfrenta desafios

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    A área plantada variou pouco entre 1976 e 2012. Ela oscilou entre 10 e 14 milhões de hectares. A partir de 2015, a área cresceu e atingiu 22,3 milhões de hectares em 2022/2023. A produção e a produtividade seguiram essa tendência.

    Até o início dos anos 2000, a produtividade ficou abaixo de três toneladas por hectare. A produção média era de 42 milhões de toneladas. Entre 2000 e 2015, a produtividade superou cinco toneladas por hectare. A produção chegou a 84 milhões de toneladas. O avanço ocorreu com a safrinha e novas tecnologias agrícolas. No entanto, os enfezamentos reduziram a produtividade nos últimos anos.

    Manejo integrado é essencial no controle

    A cigarrinha apresenta alta capacidade de reprodução e dispersão. Ela ocorre em todas as regiões do Brasil. O controle biológico surge como alternativa ao manejo químico. Fungos entomopatogênicos ajudam no controle da praga. Os pesquisadores recomendam adotar manejo integrado nas lavouras. A estratégia combina diferentes práticas agrícolas.

    A eliminação do milho tiguera interrompe o ciclo da praga. A sincronização do plantio reduz a disseminação. O uso de cultivares resistentes mantém a produtividade. O manejo inicial evita danos severos.

    O monitoramento constante exige ação conjunta entre produtores. Essa prática melhora a eficiência do controle.

    Impactos atingem economia e consumo

    Os prejuízos vão além das lavouras. O milho é base para proteína animal e biocombustíveis. As quebras de safra elevam preços ao consumidor. Elas também afetam a balança comercial brasileira. A pesquisadora Maria Cristina Canale destacou a importância das estimativas. Segundo ela, os dados orientam políticas públicas.

    As informações ajudam na alocação de recursos e no seguro agrícola. Também orientam estratégias para reduzir perdas no campo.

  • Manejo e nutrição reduzem estresse térmico em vacas leiteiras

    Manejo e nutrição reduzem estresse térmico em vacas leiteiras

    As altas temperaturas da primavera e do verão desafiam a pecuária leiteira brasileira. O calor excessivo afeta conforto, saúde e desempenho produtivo dos animais. Além disso, rebanhos da raça holandesa sofrem impactos ainda mais intensos.

    Sob estresse térmico, vacas reduzem o consumo de matéria seca. Ao mesmo tempo, os animais aumentam a frequência respiratória para dissipar calor. Consequentemente, as vacas gastam mais energia com termorregulação.

    Esse cenário provoca queda na produção de leite e redução da fertilidade. Além disso, o risco de doenças cresce em períodos de calor intenso. Estudos da Embrapa Gado de Leite confirmam perdas expressivas de produtividade, com queda de mais de 30% da produção.

    Na prática, isso representa até cinco litros a menos por vaca diariamente. O Ministério da Agricultura e Pecuária também alerta para o problema.

    Atenção com o manejo

    A combinação de calor, umidade elevada e radiação solar prejudica o bem-estar animal.
    Por isso, o MAPA recomenda ajustes no manejo e na nutrição dos rebanhos.

    Para o veterinário e gerente de ruminantes da Mig-PLUS, Rubem Frosi, a integração é essencial.
    Segundo ele, manejo e nutrição atuam juntos no enfrentamento do estresse térmico. “O estresse térmico é um desafio fisiológico, não apenas climático”, afirma. De acordo com Frosi, estratégias coordenadas preservam o potencial produtivo das vacas.

    Pesquisas recentes indicam aumento das ondas de calor e maior instabilidade climática. Diante disso, cresce a urgência na adoção de práticas de mitigação. Entre as medidas, destacam-se sombra natural ou artificial e sistemas de ventilação.

    Além disso, o resfriamento e ajustes na ordenha ajudam a reduzir o impacto do calor. No manejo a pasto, a oferta de sombra torna-se fundamental. Ao mesmo tempo, o produtor deve priorizar atividades nos horários mais amenos. Como resultado, essa estratégia reduz o estresse térmico desde o início da rotina diária.
    Já em sistemas confinados, o controle ambiental exige maior atenção.

    O uso de aspersores e ventiladores melhora o conforto térmico. Estruturas com pé-direito alto e ventilação natural evitam o acúmulo de calor.

    Impacto da dieta

    Nesse contexto, a nutrição assume papel estratégico na mitigação do estresse térmico.
    Dietas balanceadas ajudam a manter a homeostase dos animais. Além disso, suplementos minerais de alta biodisponibilidade favorecem o equilíbrio metabólico.

    Elementos como sódio, potássio, magnésio e fósforo são essenciais. Esses minerais contribuem para o equilíbrio eletrolítico e a hidratação celular. Assim, a nutrição compensa perdas causadas pelo estresse oxidativo e menor ingestão. Segundo Frosi, o produtor precisa agir de forma preventiva. “O planejamento nutricional aliado ao bem-estar reduz perdas e melhora o desempenho”, reforça. Com isso, o sistema produtivo ganha maior eficiência e resiliência ao calor.

  • Manejo racional reduz custo e mantém fertilidade do solo

    Manejo racional reduz custo e mantém fertilidade do solo

    Uma pesquisa realizada em Unaí (MG) mostrou que uma estratégia simples reduz custos com fertilizantes sem comprometer a produtividade das lavouras. Os cientistas testaram a adubação de restituição associada ao balanço de nutrientes durante três safras e seis cultivos. A técnica repõe apenas os nutrientes exportados nos produtos colhidos, o que torna o uso dos insumos mais eficiente.

    Os pesquisadores confirmaram que o ajuste do aporte de nutrientes favorece o uso consciente dos fertilizantes e conserva os recursos naturais. A prática também reduz a pegada de carbono e aumenta a eficiência energética das lavouras em solos de Cerrado com fertilidade construída.

    Estudo considera alta demanda nutricional

    As culturas anuais demandam grandes quantidades de Nitrogênio, Fósforo e Potássio, o que eleva o uso de fertilizantes no Brasil. Ou seja, essa necessidade pesa nos custos de produção e aumenta os riscos econômicos. Muitos produtores aplicam adubações tradicionais mesmo em solos com fertilidade acima dos níveis críticos.
    Pesquisas anteriores mostraram que áreas consolidadas do Cerrado acumularam estoques de nutrientes ao longo dos anos. Esse acúmulo supera a condição original de baixa fertilidade, mas ainda assim muitos agricultores mantêm práticas antigas por segurança.

    Artigo apresenta resultados

    O estudo, coordenado pelo pesquisador Álvaro Vilela de Resende, reuniu especialistas da Embrapa Milho e Sorgo e da UFV. A Fazenda Decisão, em Unaí, apoiou os experimentos. O artigo foi publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira, em seção dedicada à COP 30. A publicação integra a Jornada pelo Clima da Embrapa e celebra os 60 anos da revista.

    Testes ocorreram em lavoura comercial

    Foto: divulgação – Embrapa/Samuel Abreu

    Os pesquisadores instalaram parcelas de larga escala em um talhão com plantio direto e fertilidade construída. Os tratamentos envolveram a adubação de restituição com N, P e K exportados, o manejo padrão da fazenda e um controle sem adubação. As avaliações ocorreram durante três ciclos de soja e milho ou sorgo, com e sem braquiária em consórcio.

    Resultados indicam eficiência

    Os resultados mostraram que a adubação não altera a produtividade da soja no talhão analisado. O nitrogênio limitou o rendimento do milho, enquanto o consórcio com braquiária prejudicou o sorgo. No entanto, a braquiária aumentou a produtividade da soja seguinte.
    Resende afirma que a adubação de restituição, vinculada ao balanço de nutrientes, mantém a produtividade e a rentabilidade. A estratégia usa fertilizantes com mais eficiência e mantém a fertilidade do solo. O manejo também evita déficits ou excessos de nutrientes, o que favorece a sustentabilidade ambiental.

    Produtores ainda relutam em mudar

    O pesquisador lembra que a falta de resposta à adubação com Fósforo e Potássio já apareceu em estudos de outras regiões do Cerrado. Mesmo assim, muitos produtores continuam usando fórmulas fixas de NPK. Segundo Miguel Marques Gontijo Neto, os agricultores raramente calculam o balanço de nutrientes e desconhecem seu valor.
    Resende explica que o manejo adequado dimensiona apenas a reposição necessária dos nutrientes exportados e das perdas do sistema. Ele afirma que a estratégia simples permite acompanhar a fertilidade ao longo do tempo com análises de solo. O produtor, assim, evita excessos e reduz desperdícios.

    Estratégia pode ser automatizada

    A solução validada possibilita ajustar as adubações por talhão com precisão e baixo custo. Em geral, muitas fazendas podem automatizar o processo com ferramentas já disponíveis. O objetivo é equilibrar continuamente o aporte de nutrientes em sequências de cultivos e ampliar o uso consciente dos insumos agrícolas.
    Situações de desequilíbrio entre nutrientes adicionados e removidos são comuns e podem reduzir produtividade ou gerar desperdício. Em resumo, esse desequilíbrio também aumenta a pegada de carbono e reduz a rentabilidade. Por isso, a estratégia proposta contribui para maior eficiência energética e para a neutralidade ambiental das lavouras consolidadas.

     

  • Solo e sementes bem preparados garantem safra de soja produtiva

    Solo e sementes bem preparados garantem safra de soja produtiva

    O sucesso de uma lavoura de soja começa muito antes da semeadura. Garantir uma área livre de plantas daninhas é essencial para um arranque vigoroso, e quando aliado ao tratamento industrial de sementes, a cultura recebe proteção extra contra doenças, pragas e desafios iniciais do campo.

    Pré-plantio: cuidado que define a safra

    Felipe Stefaroli, gerente técnico de portfólio para soja e algodão da Bayer, ressalta a importância dessa fase:

    “É nesse estágio que o produtor deve se preocupar com o estabelecimento da cultura, garantindo um bom preparo da área, controle de plantas daninhas resistentes e proteção inicial da semente. Esses cuidados são fundamentais para que a genética e a biotecnologia da soja possam expressar todo o seu potencial produtivo.”

    A resistência das plantas daninhas aos herbicidas já afeta cerca de 60% da área cultivada com soja no Brasil, podendo ultrapassar 65% até 2030. O manejo exige estratégias combinadas, incluindo plantio direto, herbicidas pré e pós-emergentes e rotação de mecanismos de ação.

    Produtos e soluções para controle de plantas daninhas

    Entre as ferramentas para o pré-plantio estão:

    • ConvintroDuo: herbicida pré-emergente que impede a emergência de plantas daninhas, seletivo para soja e sem efeito em culturas subsequentes.
    • Xtendicam: elimina plantas já estabelecidas e mantém efeito residual, indicado para soja Intacta2 Xtend.
    • Roundup Transorb TOP: herbicida pós-emergente de alta concentração, com surfactantes que facilitam o manejo e a aplicação.

    “O uso de pré-emergentes protege a cultura contra a competição inicial, enquanto os herbicidas pós-emergentes facilitam o controle antes do fechamento da lavoura”, explica Stefaroli.

    Tratamento industrial de sementes (TSI)

    Após a limpeza do campo, o tratamento de sementes garante defesa da plântula contra doenças e pragas iniciais. Os pacotes Guardião e Guardião+ protegem a soja até os estágios V4/V5 (cerca de 30 dias após a semeadura) e agora contam com o fungicida Evergol, primeira carboxamida da Bayer no tratamento industrial de sementes.

    Entre os benefícios do TSI estão: sementes já tratadas, maior segurança para o agricultor, economia de tempo e flexibilidade de uso, com tempo de prateleira de até 120 dias.

    Manejo de nematoides

    Os nematoides são pragas que comprometem a produtividade ao atacar as raízes. O produto Verango Prime oferece controle de longa duração, com baixa dosagem e amplo espectro. O manejo inclui rotação de culturas, uso de cultivares tolerantes e aplicação de produtos biológicos e químicos, garantindo raízes protegidas e desenvolvimento saudável da lavoura.

    “O conjunto de ações integradas permite melhores condições para o crescimento e rendimento da soja, transformando cada safra em oportunidade de crescimento”, reforça Stefaroli.

    Com portfólio integrado, a Bayer oferece soluções desde o pré-plantio até o manejo de pragas e doenças, permitindo que o produtor tenha mais segurança e maximize a produtividade da soja.

  • Sequestro de vacas é estratégia para otimizar recursos

    Sequestro de vacas é estratégia para otimizar recursos

    Durante o período da estiagem, produtores rurais têm adotado uma técnica inovadora para garantir a saúde do rebanho e a recuperação das pastagens: o sequestro de vacas de cria. Essa prática auxilia na estabilidade da taxa de lotação e no aumento da produtividade, evitando o uso excessivo das áreas de pastagem.

    O método consiste em separar antecipadamente os bezerros das vacas mães, que são realocadas para áreas específicas da propriedade com controle de acesso e suplementação alimentar. Isso permite que o pasto descanse e se regenere após a estação seca, preservando o solo e a vegetação.

    Segundo o zootecnista Bruno Marson, diretor técnico comercial da Connan, o sequestro ajuda a manter a condição corporal ideal das vacas durante a época de monta. “As fêmeas, recebendo dieta adequada longe dos bezerros, conseguem preservar a saúde e incrementar o desempenho reprodutivo”, explica.

    Vantagens

    Além da melhoria na taxa de concepção, a técnica facilita o acompanhamento da saúde individual dos animais, pois o rebanho fica concentrado em áreas específicas. Isso reduz o estresse nutricional e permite intervenções veterinárias rápidas em caso de necessidade.

    Os benefícios do sequestro vão além da produtividade. A prática contribui para o manejo sanitário eficiente, melhora a qualidade dos bezerros e promove a sustentabilidade ambiental, com uso racional dos recursos naturais. “É fundamental que as áreas de pasto durante o sequestro estejam fechadas, impedindo o acesso dos animais para garantir a recuperação do capim”, complementa Marson.

    O manejo planejado também possibilita uma alimentação focada no escore corporal ideal das fêmeas para o parto. Com isso, a operação da fazenda se torna mais eficiente, conciliando aumento da produtividade com o bem-estar animal.

    Com o sequestro de vacas, os pecuaristas encontram uma alternativa sustentável para enfrentar os desafios da estiagem, integrando saúde animal, conservação ambiental e rentabilidade na atividade pecuária.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Oportunidade – piscicultura familiar cresce no Piauí

    + Agro em Campo: Pioneiras do café – mulheres transformam a cafeicultura no sul de Minas Gerais

  • Manejo sustentável: pescador captura pirarucu gigante

    Manejo sustentável: pescador captura pirarucu gigante

    Em uma cena que mistura força, tradição e conservação, o pescador Seu Luiz Ferreira viralizou nas redes sociais ao carregar um imponente pirarucu de 150 quilos para sua canoa. O vídeo, gravado em uma comunidade ribeirinha, mostra não apenas a grandiosidade do maior peixe de água doce escamado do mundo, mas também a eficácia do manejo sustentável, técnica que equilibra preservação e subsistência na região.

    O gigante das águas amazônicas

    O pirarucu (Arapaima gigas) é um símbolo da biodiversidade amazônica, podendo atingir 3 metros de comprimento e pesar até 250 kg. Sua respiração aérea — ele sobe à superfície a cada 20 minutos — o torna vulnerável à pesca predatória, que quase o levou à extinção nos anos 1990. Hoje, graças ao manejo comunitário, a espécie se recupera: em áreas como a Resex Médio Purus, a população saltou de 16.555 para 19.678 indivíduos entre 2021 e 2023.

    Como funciona o manejo sustentável

    A técnica segue regras rigorosas:

    Contagem científica: pescadores monitoram os pirarucus adultos que emergem para respirar, calculando estoques sem prejudicar a reprodução.

    Cotas controladas: apenas 30% dos adultos podem ser pescados anualmente, garantindo a renovação dos estoques.

    Vigilância comunitária: lagos são protegidos por moradores contra pesca ilegal, assegurando a sustentabilidade.

    Essa abordagem já beneficia mais de 40 áreas na Amazônia, como as bacias dos rios Juruá e Solimões, onde o manejo gera R$ 360 mil por temporada em feiras locais.

    Impacto além da conservação

    Além de salvar o pirarucu, o manejo transforma vidas:

    Geração de renda: na Feira de Tefé (AM), 42 pescadores venderam 6 toneladas de pirarucu em 2024, com ganhos médios de R$ 1.214 por família.

    Empoderamento comunitário: em Carauari (AM), a venda do peixe financiou placas solares para comunidades ribeirinhas.

    Turismo sustentável: em Pixuna do Tapará (PA), o manejo atrai visitantes para festivais gastronômicos, movimentando a economia local.

    Desafios e futuro

    Apesar do sucesso, secas severas — como as de 2024 — dificultam o acesso aos lagos, exigindo investimentos em infraestrutura. Projetos como o Programa Arapaima, lançado pelo Ibama em 2025, buscam ampliar parcerias com universidades e institutos de pesquisa para fortalecer a resiliência das comunidades.

    Para Seu Luiz e outros manejadores, o pirarucu não é só um peixe: “O manejo representa vida”, como define um líder da Associação de Carauari. A cena do pescador carregando seu gigante de 150 kg é, assim, um retrato de como tradição e ciência podem escrever um futuro mais verde.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Suplemento alimentar garante sobrevivência de abelhas sem ferrão 

    + Agro em Campo: Sudoeste do Paraná inicia vazio sanitário da soja

  • Manejo de leitões no inverno evita mortalidade

    Manejo de leitões no inverno evita mortalidade

    Com a chegada do inverno, a mortalidade de leitões aumenta significativamente, principalmente nos primeiros dias de vida. Quando a temperatura cai para cerca de 10°C, a taxa de mortalidade pode chegar a 31%, enquanto em 25°C fica em torno de 6%.

    A médica veterinária da Mig-PLUS, Laura Espíndola Argenti, explica: “A mortalidade no período de maternidade está diretamente associada à baixa ingestão de colostro, que é o principal responsável pela produção de energia e pela manutenção da temperatura corporal dos animais”. Ela destaca que mais de 35% das matrizes suínas não produzem colostro suficiente para cada leitão em leitegadas de 12 animais, e esse índice sobe para 53% em leitegadas maiores. “Os leitões que ingerem menos de 140g de colostro apresentam comprometimento no ganho de peso e a taxa de mortalidade desses animais pode ultrapassar os 40%”, alerta.

    Para leitegadas numerosas, Laura recomenda suplementar os leitões mais sensíveis e, em períodos de baixas temperaturas, estender o manejo para 100% dos animais logo após o parto. Ela orienta: “É necessário secar o leitão recém-nascido para garantir menor perda de calor e, em seguida, realizar a suplementação via oral desses animais”.

    Após esse manejo inicial, os leitões devem ter livre acesso aos tetos da mãe para mamar o colostro com maior vitalidade. “Suplementar com produtos que forneçam energia e probióticos, antes mesmo de mamarem o colostro da mãe biológica, aumenta consideravelmente as chances de sobrevivência dos leitões”, reforça Laura.

    Leia mais:

     

    + Agro em Campo: Mosca-da-carambola: praga ameaça fruticultura brasileira e mundial
    + Agro em Campo: Apicultura migratória: abelhas turbinam a produção de maçã

  • Retorno: sociedade ganhou R$ 25 para cada R$ 1 investido na Embrapa

    Retorno: sociedade ganhou R$ 25 para cada R$ 1 investido na Embrapa

    A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) divulgou na última semana seu Balanço Social 2024, revelando um lucro social de cento e sete bilhões e duzentos e quarenta milhões de reais – um crescimento de dezessete por cento em relação a 2023. O resultado reflete o impacto das cento e sessenta e seis tecnologias desenvolvidas pela empresa, que impulsionam a produtividade e a sustentabilidade no agronegócio brasileiro.

    Um dos destaques do relatório é a relação entre lucro social e receita operacional líquida, que saltou de vinte e um vírgula vinte e três em 2023 para vinte e cinco vírgula trinta e cinco em 2024. Isso significa que, para cada real investido na Embrapa, a sociedade ganhou vinte e cinco reais em retorno.

    Do total de cento e sete bilhões e duzentos e quarenta milhões de reais, cento e dois bilhões e noventa milhões de reais estão diretamente ligados aos benefícios econômicos das tecnologias da empresa. Desse valor, três bilhões e setecentos e oitenta milhões de reais vêm de cultivares desenvolvidas em parceria. Enquanto um bilhão e trezentos milhões de reais é resultado de impactos sociais e laborais.

    Tecnologias geram cinquenta bilhões em produtividade e trinta e cinco mil empregos

    As inovações da Embrapa se concentram em:

    • Manejo agrossilvipastoril
    • Correção de solos
    • Fixação biológica de nitrogênio

    Em 2024, setenta e duas das cento e sessenta e seis tecnologias avaliadas garantiram ganhos de produtividade, somando mais de cinquenta bilhões de reais em impacto econômico. Outras vinte e seis soluções reduziram custos em aproximadamente trinta e cinco bilhões de reais.

    No campo social, as tecnologias da Embrapa foram responsáveis por gerar mais de trinta e cinco mil empregos. Com maior impacto nas regiões Nordeste, Sudeste e Norte, onde a agricultura familiar tem papel crucial.

    Quatrocentas e trinta e uma soluções em cento e oitenta milhões de hectares

    A Embrapa estima que quatrocentas e trinta e uma de suas tecnologias foram adotadas em 2024. Cobrindo mais de cento e oitenta milhões de hectares no país. Além disso, a empresa ultrapassou quinhentos e oitenta mil citações científicas, reforçando sua influência na pesquisa e na assistência técnica rural.

    O Balanço Social comprova a eficiência do investimento em pesquisa pública. E ajuda a Embrapa a direcionar seus estudos para atender melhor o setor agropecuário e a sociedade.

    Leia mais:

     

    + Agro em Campo: Previsão de alta na safra no Brasil derruba preço do suco em NY
    + Agro em Campo: Tunísia promove degustação de azeites e tâmaras em São Paulo