Tag: Manejo Integrado de Pragas

  • Greening dos citros avança e exige ação rápida nos pomares

    Greening dos citros avança e exige ação rápida nos pomares

    O Brasil lidera as exportações mundiais de suco de laranja e produz mais de 16 milhões de toneladas da fruta por ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da liderança, a citricultura nacional enfrenta agora um dos maiores desafios de sua história.

    Trata-se do greening, também conhecido como HLB. A doença é considerada a mais destrutiva entre os citros porque reduz a produtividade, compromete a qualidade dos frutos e encurta a vida útil das árvores.

    Quando o produtor não age rapidamente, a doença se espalha pelo pomar e provoca perdas significativas.

    O que causa a doença

    Segundo Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil, duas variantes de bactéria causam o greening no país: Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas) e Candidatus Liberibacter americanus (CLam). A primeira está presente em mais de 99% das árvores contaminadas no Brasil, conforme levantamentos citados pelo especialista.

    Um inseto chamado psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri) transmite as bactérias entre as plantas. De coloração branco-acinzentada, ele aparece com mais frequência durante os períodos de brotação, quando se alimenta da seiva das árvores. Ao picar uma planta infectada e, em seguida, uma planta saudável, o inseto espalha a doença.

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    O greening provoca o amarelecimento das folhas e a deformação dos frutos. Com o tempo, a árvore perde vigor e reduz gradualmente sua produtividade, até deixar de ser produtiva.

    Sem cura, controle começa pelo monitoramento

    Até o momento, nenhum tratamento elimina o greening de uma árvore já infectada. Por isso, o produtor precisa retirar e destruir as plantas doentes para reduzir as fontes de contaminação no pomar.

    Diante desse cenário, Valerim recomenda monitoramento constante das plantas e controle rigoroso da população do psilídeo. O engenheiro agrônomo, mestre em fitotecnia pela Universidade de São Paulo (USP), defende ainda estratégias que preparem as árvores para enfrentar os desafios do campo.

    Assim, o manejo do greening depende da combinação de várias medidas: inspeções frequentes, eliminação de árvores contaminadas, controle do inseto vetor e práticas que fortaleçam a saúde das plantas.

    Nova tecnologia ativa defesa natural da planta

    Além do controle do psilídeo, uma nova tecnologia busca ampliar as ferramentas de manejo integrado. Ela usa peptídeos sinalizadores — moléculas que funcionam como sinais químicos reconhecidos pela própria planta.

    De acordo com Mariana Yama, gerente de produtos da UPL Brasil, esses peptídeos ativam de forma coordenada os mecanismos naturais de defesa da planta contra a doença.

    A UPL lançou recentemente o Strakor a partir dessa tecnologia. A empresa apresenta o produto como a primeira solução registrada no país para o manejo do greening. Desenvolvido em parceria com a Elemental Enzymes, ele ativa o sistema de defesa das plantas de forma sistêmica.

    Controle do inseto vetor complementa o manejo

    Para o controle do psilídeo, a UPL também oferece o inseticida Sperto. Segundo a empresa, o produto age por contato, ingestão e ação sistêmica, com efeito de choque sobre o inseto.

    Dessa forma, o produtor consegue atuar em duas frentes ao mesmo tempo: reduzir a presença do inseto transmissor e fortalecer a capacidade de resposta do pomar.

    “Quanto mais cedo e assertiva for a intervenção, maiores serão as chances de reduzir o avanço da doença e aumentar a longevidade dos pomares”, afirma Mariana Yama, especialista em fisiologia vegetal pela USP.

    Como funciona o manejo integrado

    Especialistas reúnem o manejo integrado do greening em seis frentes:

    • monitoramento frequente dos pomares
    • identificação rápida de plantas com sintomas
    • retirada e destruição de árvores infectadas
    • controle rigoroso do psilídeo
    • uso de tecnologias de proteção, como peptídeos sinalizadores
    • acompanhamento técnico durante todo o ciclo da cultura.

    Essa combinação de ações reduz a velocidade de disseminação da doença e ajuda a preservar o potencial produtivo dos pomares brasileiros.

  • Brasil é um dos maiores produtores de limão do mundo, mas doença ameaça a oferta da fruta

    Brasil é um dos maiores produtores de limão do mundo, mas doença ameaça a oferta da fruta

    O Brasil está entre os maiores produtores mundiais de limão, mas a citricultura nacional enfrenta um desafio crescente: o avanço do greening, doença sem cura que compromete a produtividade dos pomares e pode levar à erradicação de plantas infectadas. A cultura representa 8% da produção citrícola nacional, e a variedade Tahiti responde por 97% desse total.

    “A doença é causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp, transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri. Apesar de medir apenas até 3 milímetros e viver de 12 a 43 dias, o inseto possui elevado potencial reprodutivo: as fêmeas depositam de 600 a 800 ovos. Ao se alimentar da seiva dos limoeiros, o psilídeo também enfraquece as plantas e libera uma substância que atrai formigas”, explica Fabio Kagi, gerente de assuntos regulatórios do Sindiveg.

    Sintomas aparecem nas folhas e comprometem os frutos

    Conhecido também como Huanglongbing (HLB), o greening apresenta sinais como folhas amareladas ou com manchas irregulares. Os frutos não amadurecem normalmente e podem ficar pequenos, deformados e assimétricos. A doença compromete totalmente plantas jovens em um ou dois anos, enquanto árvores adultas levam de três a cinco anos para morrer.

    “Sem um tratamento disponível, a única alternativa para conter o avanço da patologia é eliminar completamente as árvores infectadas, o que pode gerar impactos econômicos e reduzir a oferta da fruta e de seus derivados”, alerta Kagi.

    Prevenção e manejo integrado ajudam a conter o avanço

    Segundo o gerente, a estratégia para reduzir a disseminação da doença começa pelo acompanhamento frequente das lavouras e pela adoção do manejo integrado do psilídeo. Nesse processo, os produtores devem usar inseticidas com diferentes mecanismos de ação, medida importante para evitar o desenvolvimento de resistência. Os rótulos e as bulas dos produtos trazem, logo abaixo da marca, um quadro com números que indicam o respectivo modo de ação. Como orientação adicional para o manejo da resistência, a indústria também disponibiliza um folheto elaborado pelo IRAC-BR.

    “O diagnóstico precoce e o controle do vetor são fundamentais para reduzir os impactos do greening sobre os pomares. Por isso, o acompanhamento das plantas e a adoção de medidas de manejo devem fazer parte da rotina do produtor”, afirma Kagi.

    Os produtores também precisam ficar atentos ao uso de mudas sadias e certificadas, medida essencial para evitar a proliferação da doença. O site do Sindiveg reúne mais informações sobre a defesa dessa e de outras culturas na página de proteção de cultivos.

  • Embrapa publica recomendações para o controle de pragas do quiabo

    Embrapa publica recomendações para o controle de pragas do quiabo

    A Embrapa Hortaliças publicou a Circular Técnica nº 179, intitulada Recomendações para o controle de pragas do quiabeiro. O material apresenta estratégias para o manejo de insetos e ácaros que podem causar prejuízos à cultura, independentemente do sistema de produção adotado, convencional ou agroecológico.

    A publicação foi elaborada pelos pesquisadores Miguel Michereff Filho e Carlos Alberto Lopes, da Embrapa Hortaliças, e pelo professor Jorge Braz Torres, da Universidade Rural de Pernambuco. O conteúdo reúne descrições detalhadas, ilustrações e orientações sobre as principais pragas do quiabeiro e os métodos de controle recomendados.

    A produção brasileira de quiabo é estimada em aproximadamente 120 mil toneladas. Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro estão entre os principais estados produtores.

    Segundo os autores, a importância de cada praga pode variar conforme a região, a época de cultivo e o sistema de produção. Por isso, o manejo deve priorizar medidas capazes de reduzir a presença dos organismos na lavoura sem causar impactos econômicos, sociais e ambientais ao produtor.

    Principais pragas do quiabeiro

    Entre os insetos sugadores mais importantes para a cultura estão o pulgão-do-algodoeiro, a mosca-branca, o percevejo-manchador e os tripes. A circular apresenta informações para a identificação desses organismos e orientações sobre as respectivas formas de controle.

    O quiabeiro também pode ser atacado por diferentes espécies de ácaros. Entre os principais estão o ácaro-rajado, os ácaros-vermelhos, o ácaro-verde, o microácaro ou ácaro-da-erinose e o ácaro-branco.

    As lagartas, que correspondem à fase larval do ciclo de vida de mariposas e borboletas, também podem provocar danos à cultura. Entre as espécies de maior relevância estão a lagarta-rosca, a lagarta-do-cartucho-do-milho, a lagarta-helicoverpa, a lagarta-heliothis e a lagarta-rosada.

    Algumas famílias de besouros também podem ser encontradas em plantações de quiabo. Esses insetos atacam brotos, folhas e flores, mas, de acordo com a publicação, os danos costumam ocorrer de forma esporádica. Entre os exemplos estão adultos dos gêneros Colaspis e Diabrotica.

    As abelhas sem ferrão nativas do Brasil, conhecidas regionalmente como arapuá, arapuã, irapuã, cupira, enrola-cabelo e abelha-cachorro, são mais comuns em lavouras orgânicas. Em sistemas convencionais, a pulverização pode afastar a visita dessas espécies.

    Controle biológico e manejo integrado

    O uso de inimigos naturais no controle de pragas é chamado de controle biológico. A estratégia aproveita a regulação natural das populações de insetos e ácaros que se alimentam das plantas.

    Para os pesquisadores, o agricultor pode contribuir para esse processo ao preservar e ampliar a atuação dos inimigos naturais presentes no agroecossistema. Dessa forma, o controle de pragas não depende exclusivamente da aplicação de produtos químicos.

    A circular destaca que o controle químico deve ser associado a outros métodos de manejo. Um profissional habilitado deve orientar a recomendação e o uso de defensivos agrícolas para evitar aplicações insuficientes ou excessivas.

    Manejo Integrado de Pragas

    O desenvolvimento de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) é considerado fundamental para a cadeia produtiva do quiabo. A estratégia busca garantir alimentos de qualidade e livres de contaminantes, além de preservar o meio ambiente e proteger a saúde dos consumidores e dos trabalhadores rurais.

    “É importante ressaltar que o desenvolvimento e a implementação de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) são importantes para a cadeia de valor do quiabeiro, especialmente para suprir a demanda por alimentos de qualidade e livre de contaminantes, respeitando-se o meio ambiente e a saúde do consumidor e do trabalhador rural”, resumem os pesquisadores.

    Nesse contexto, o aprimoramento do manejo da cultura depende da integração entre pesquisa, assistência técnica e setor produtivo.

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  • Milho “perfumado” por fungo espanta praga que causa perdas de até 30%

    Milho “perfumado” por fungo espanta praga que causa perdas de até 30%

    Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, no Distrito Federal, identificam uma estratégia biológica capaz de reduzir os danos causados pelo percevejo-barriga-verde, uma das pragas mais prejudiciais ao milho e a outras culturas de relevância econômica no Brasil.

    O estudo mostra que a aplicação de um fungo benéfico nas folhas da planta altera as substâncias aromáticas que ela libera no ambiente. E essa mudança atrai uma vespa parasitoide que elimina os ovos da praga antes que ela se prolifere.

    A descoberta abre caminho para um controle mais sustentável do inseto, com potencial para reduzir a dependência de defensivos químicos nas lavouras brasileiras.

    Um problema recorrente no Sistema Plantio Direto

    Os maiores prejuízos provocados pelo percevejo-barriga-verde acontecem em áreas que adotam o Sistema Plantio Direto com rotação entre soja e milho. Nesse modelo de cultivo, o inseto migra da soja recém-colhida e passa a se alimentar das plantas jovens de milho logo nas duas primeiras semanas após a germinação.

    Esse ataque precoce compromete o desenvolvimento inicial da cultura e pode reduzir a produtividade em até 30%. O que torna o manejo da praga uma prioridade para produtores que trabalham com essa rotação de culturas.

    Cinco anos de pesquisa para driblar a dependência química

    A pesquisadora Maria Carolina Blassioli Moraes coordenou um estudo de cinco anos com o objetivo de enfrentar esse problema crônico sem recorrer exclusivamente aos defensivos químicos tradicionais. A equipe combinou duas tecnologias ecológicas: o fungo Beauveria bassiana e a vespinha Telenomus podisi, espécie que parasita os ovos do percevejo.

    Pesquisadora Maria Carolina Blassioli Moraes. Foto: Claudio Bezerra

    Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico científico internacional Journal of Pest Science, no artigo intitulado “Association of Beauveria bassiana with maize alters volatile organic compounds and enhances attraction of the egg parasitoid Telenomus podisi”.

    Uma reação química inesperada

    A equipe selecionou uma linhagem específica do fungo, chamada CG 1105, mantida no banco de microrganismos do laboratório de micologia da Embrapa. Inicialmente, os pesquisadores pulverizaram as plantas de milho com o fungo esperando um efeito direto de mortalidade sobre o percevejo.

    O experimento, no entanto, revelou algo mais surpreendente sob a ótica da ecologia química, área da ciência que estuda os sinais químicos trocados entre os seres vivos. Cinco dias após a aplicação foliar, a equipe observou que o fungo havia colonizado a planta de forma benéfica. E alterado significativamente sua composição de compostos voláteis, os odores característicos emitidos pela vegetação.

    O microrganismo aumentou a produção de salicilato de metila, substância já conhecida na literatura científica por sua capacidade de atrair inimigos naturais de pragas. Ao mesmo tempo, reduziu a emissão de alfa-farneseno, composto de aroma doce e amadeirado amplamente utilizado nas indústrias de fragrâncias.

    O “aroma” que chama a vespa aliada

    Segundo Blassioli, essa mudança molecular no conjunto de aromas do milho funciona como um aviso biológico que atrai a vespinha Telenomus podisi. Ao perceber a alteração no odor da planta, o inseto localiza com precisão a área afetada e parasita os ovos depositados pelo percevejo-barriga-verde.

    Imagem: Embrapa

    A vespa insere seus próprios ovos dentro dos ovos da praga, o que impede o nascimento de novos indivíduos e controla a população do inseto de forma sustentável. Ou seja, sem a necessidade de aplicações químicas adicionais.

    Próximo passo: testes em condições reais de lavoura

    Até agora, todos os bioensaios e análises foram realizados em ambiente controlado de laboratório. A pesquisadora afirma que a equipe pretende expandir as avaliações para testes práticos em campo nos próximos meses.

    Caso os resultados obtidos nas lavouras confirmem os índices observados em laboratório, os produtores rurais brasileiros poderão contar com um protocolo inédito de Manejo Integrado de Pragas (MIP). A metodologia reuniria diferentes frentes de controle biológico atuando em conjunto, o que otimizaria a proteção das lavouras e reduziria custos e impactos ambientais.

    Uma pesquisa multidisciplinar

    O estudo reuniu um grupo diverso de cientistas da Embrapa e de instituições parceiras. Além de Maria Carolina Blassioli Moraes, participaram Rogério Biaggioni, responsável pelo laboratório de micologia, e Raul Laumann e Miguel Borges, ambos do laboratório de semioquímicos, todos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

    A pesquisa também contou com a colaboração de Clenilson Rodrigues, pesquisador da Embrapa Agroenergia, da pós-doutoranda Mírian Michereff, responsável por grande parte dos bioensaios laboratoriais, e da estudante Isadora Quevedo.

  • Promip e Embrapa Soja firmam parceria para ampliar manejo integrado de pragas na soja

    Promip e Embrapa Soja firmam parceria para ampliar manejo integrado de pragas na soja

    Promip e Embrapa Soja firmaram uma carta de intenção para ampliar a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) na sojicultura brasileira. O acordo foi oficializado durante a 40ª Reunião de Pesquisa da Soja, em Londrina (PR), e marca um avanço na integração entre pesquisa e campo.

    Carina Rufino – chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja e Marcelo Poletti – CEO da Promip. Foto: Divulgação

    A iniciativa prevê ações conjuntas de capacitação e treinamento de produtores rurais. O objetivo é expandir o acesso ao programa Soja Rota + Sustentável, desenvolvido pela Promip, que reúne treinamentos e práticas voltadas ao uso integrado de controle biológico e defensivos químicos no manejo de pragas.

    O movimento ocorre em um cenário em que especialistas buscam reduzir a distância entre o conhecimento técnico gerado pela pesquisa e sua aplicação prática nas lavouras. Apesar dos avanços científicos, a adoção do MIP ainda permanece abaixo do potencial em várias regiões produtoras.

    Segundo o CEO da Promip, Marcelo Poletti, a parceria fortalece a conexão entre ciência e produtor. Ele destaca que a iniciativa amplia a capacitação no campo e contribui para sistemas de produção mais eficientes e economicamente viáveis. Poletti também afirma que o programa Soja Rota + Sustentável incentiva uma evolução contínua no manejo integrado de pragas.

    A chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Carina Rufino, ressalta que a cooperação amplia o alcance do conhecimento técnico, inclusive por meio de ferramentas digitais. Ela aponta que o MIP melhora a tomada de decisão no campo e gera impactos positivos na sustentabilidade econômica e social da produção.

    Diálogos para o Uso Prático do MIP em Soja

    Durante o workshop “Diálogos para o Uso Prático do MIP em Soja”, realizado paralelamente ao evento, especialistas discutiram os desafios da adoção do manejo integrado. O pesquisador Adeney de Freitas Bueno destacou que a tecnologia já apresenta resultados consistentes, como redução de custos, preservação de inimigos naturais e aumento da rentabilidade.

    Para ele, o principal desafio está na ampliação do uso dessas ferramentas. Bueno defende a necessidade de compreender as barreiras enfrentadas pelos produtores, como receios e dificuldades operacionais, para desenvolver estratégias mais eficazes de adoção.

    O evento também reuniu diferentes elos da cadeia produtiva. O produtor rural Luiz Carlos de Castro abordou formas de engajar agricultores no manejo sustentável. Enquanto Amália Borsari, da CropLife Brasil, apresentou a visão da indústria sobre a integração de táticas de manejo.

    No encerramento, Marcelo Poletti destacou o conceito de MIP regenerativo dentro da proposta Rota + Sustentável, com foco em experiências práticas e nos principais gargalos enfrentados nas propriedades.

    O workshop reuniu pesquisadores, consultores, indústria e produtores, reforçando a importância da integração da cadeia para fortalecer sistemas produtivos mais rentáveis e sustentáveis, além de ampliar a disseminação das Boas Práticas Agrícolas no Brasil.

  • Outono liga sinal de alerta para a maior praga do café

    Outono liga sinal de alerta para a maior praga do café

    Responsável por severos prejuízos à produção, o bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) segue como a principal ameaça à cafeicultura brasileira. Presente em todas as regiões produtoras, estudos de campo indicam perdas entre 30 e 80%, em áreas de Cerrado, como Minas Gerais, Bahia, Goiás e parte de São Paulo.

    Mariposa é o estágio adulto do bicho-mineiro. Foto: Divulgação Rovensa Next Brasil

    “Sua capacidade adaptativa a diferentes condições ambientais, aliada ao rápido ciclo de vida e à elevada fecundidade, faz com que surtos populacionais sejam frequentes, especialmente com o clima quente e seco, comum no Outono”, alerta o engenheiro agrônomo Paulo Henrique Sá Fortes, coordenador de Desenvolvimento Técnico da Rovensa Next Brasil.

    O impacto do bicho-mineiro supera a queda de produtividade. Compromete a qualidade dos grãos, a longevidade das plantas e a rentabilidade dos produtores. O controle eficiente envolve o Manejo Integrado de Pragas (MIP) associado a inseticidas eficazes, pois as populações existentes já resistem às principais moléculas do mercado.

    Características do bicho mineiro

    O bicho-mineiro alimenta-se especificamente de folhas de cafeeiro. A larva penetra nelas logo após a eclosão e ali permanece durante o desenvolvimento, formando minas que evoluem de túneis lineares a manchas amarronzadas.

    Cada larva consome entre 1 e 2 cm² de área foliar, e a combinação de várias minas causam necrose de 80% da folha ou mais. O adulto (alvo do inseticida natural) é uma pequena mariposa de coloração branco-prateada, com cerca de 2 mm de comprimento, e asas com manchas pretas circulares e contorno amarelo.

    Bicho-mineiro se alimenta do interior da folha do cafeeiro. Foto: Divulgação Rovensa Next Brasil

    De hábitos noturnos, deposita até 50 ovos por ciclo nas folhas jovens, localizadas no terço superior da planta, especialmente em lavouras com espaçamento aberto, onde há maior exposição ao sol e menor período de molhamento.

    Ciclo de vida do bicho mineiro

    Sob temperatura média de 25° C, o ciclo de vida completo dura cerca de 22 dias, podendo cair para 14 dias, sob calor intenso e baixa umidade, ou prolongado para 87 dias, em temperaturas baixas. Aos 35° C, completa-se de 16 a 19 dias, enquanto a 19°C, de 45 a 50 dias.

    No Brasil, podem ocorrer oito a 12 gerações por ano, alcançando picos populacionais entre os meses de maio e setembro, com maior incidência em regiões de Cerrado e áreas irrigadas do Oeste da Bahia.

  • Boas práticas e tecnologia marcam debate da Corteva

    Boas práticas e tecnologia marcam debate da Corteva

    A Corteva Agriscience reuniu especialistas, produtores rurais e jornalistas durante a Expodireto Cotrijal 2026, em Não-Me-Toque (RS), para discutir dois temas centrais da próxima safra de grãos: a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas e o impacto das doenças iniciais da soja na produtividade. O encontro ocorreu no dia 11 de março e destacou a importância da inovação, do treinamento e das boas práticas agrícolas para reduzir perdas no campo.

    Participaram da coletiva o professor Adriano Arrué Melo, da Universidade Federal de Santa Maria, o consultor agronômico Maurício De Bortoli, o produtor rural Pedro Basso, da região de Vacaria (RS), e Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da empresa. Ao longo do debate, os convidados abordaram desafios técnicos da produção agrícola e estratégias para melhorar a eficiência das lavouras.

    Além disso, representantes da companhia apresentaram projetos voltados à disseminação de conhecimento técnico no campo. A iniciativa busca aproximar pesquisadores, técnicos e produtores, ampliando o acesso a informações sobre manejo e aplicação correta de insumos agrícolas.

    Treinamento e tecnologia para aplicação responsável

    Um dos focos da apresentação foi a difusão de boas práticas agrícolas. A empresa destacou programas de capacitação voltados à aplicação responsável de defensivos, com treinamentos teóricos e práticos para agricultores e operadores de máquinas.

    Nesse contexto, uma das iniciativas utiliza uma caminhonete equipada para levar cursos diretamente às propriedades rurais. O objetivo é orientar trabalhadores sobre a pulverização correta, garantindo que o produto seja aplicado na dose adequada e atinja o alvo desejado.

    Desde 2006, mais de 45 mil pessoas já participaram de mais de 2 mil treinamentos promovidos pela empresa em diferentes regiões do país. Os cursos têm duração de 16 horas, divididas entre teoria e prática, e abordam temas como regulagem de pulverizadores, segurança do trabalhador e manejo eficiente de defensivos.

    Além disso, as ações fazem parte de uma estratégia baseada em cinco pilares: manejo integrado de plantas daninhas, manejo integrado de pragas, manejo integrado de doenças, tecnologia de aplicação e segurança do trabalhador rural.

    Deriva

    Outro ponto discutido foi a deriva de herbicidas, fenômeno que ocorre quando o produto aplicado se desloca para áreas vizinhas. Esse problema pode atingir outras culturas e gerar prejuízos para produtores rurais.

    Para reduzir esse risco, a empresa apresentou tecnologias como o herbicida Enlist Colex-D, desenvolvido com sal colina. Segundo a companhia, a formulação reduz a volatilidade e pode diminuir o risco de deriva em até 90% durante a aplicação.

    O professor Adriano Arrué Melo destacou que a evolução da tecnologia de aplicação tem papel decisivo para conciliar produtividade e responsabilidade ambiental. Segundo ele, defensivos agrícolas continuam sendo ferramentas importantes para o controle de pragas e doenças, desde que utilizados com critérios técnicos.

    “A pesquisa busca garantir que os produtos sejam aplicados de forma eficiente. Assim, o agricultor evita perdas e a sociedade também se beneficia”, afirmou.

    De acordo com o pesquisador, o Rio Grande do Sul foi pioneiro ao estabelecer normas específicas sobre tecnologia de aplicação em 2018. A regulamentação ampliou o controle sobre a atividade e estimulou programas de capacitação de operadores.

    Hoje, segundo dados apresentados no encontro, o número de aplicadores cadastrados no Estado passou de 3.348 em 2022 para mais de 32 mil em 2026. Além disso, a certificação exige reciclagem a cada cinco anos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças iniciais da soja preocupam produtores

    Outro tema discutido foi o impacto das doenças iniciais da soja, que podem comprometer o desenvolvimento das plantas logo nas primeiras fases da cultura. O consultor agronômico Maurício De Bortoli apresentou um panorama dos principais patógenos presentes na safra 2025/26 e destacou que fatores como solo, clima e qualidade das sementes influenciam diretamente o desempenho das lavouras.

    Segundo ele, a janela de plantio considerada ideal no Rio Grande do Sul costuma ocorrer entre 20 de outubro e 20 de novembro. Esse período reúne condições favoráveis de temperatura e umidade para o estabelecimento inicial da cultura.

    No entanto, variações climáticas podem trazer desafios adicionais ao produtor. Em muitas regiões, o início da safra apresenta temperaturas mais baixas e maior umidade. Já no final do ciclo, o cenário costuma mudar, com calor mais intenso e menor disponibilidade de água.

    Por isso, especialistas defendem que o produtor adote estratégias preventivas para proteger a lavoura desde o início do cultivo. Nesse contexto, o tratamento de sementes surge como uma ferramenta fundamental para reduzir riscos e garantir melhor desenvolvimento das plantas.

    Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da Corteva, destacou que a proteção inicial da semente pode influenciar diretamente o estabelecimento da cultura no campo. Segundo ele, a adoção de tecnologias específicas ajuda a reduzir o impacto de patógenos presentes no solo.

    Além disso, o manejo adequado contribui para fortalecer o sistema radicular das plantas e aumentar o potencial produtivo das lavouras.

    Experiência no campo reforça importância do manejo

    A visão prática do campo foi apresentada pelo produtor rural Pedro Basso, que cultiva soja na região de Vacaria (RS), área caracterizada por altitudes mais elevadas e variações climáticas frequentes.

    Segundo ele, as lavouras enfrentam diferentes adversidades ao longo da safra, como frio, chuvas intensas e períodos de estiagem. Por isso, a escolha de tecnologias adequadas se torna decisiva para reduzir perdas.

    Basso relatou experiências com doenças como a podridão radicular causada por Phytophthora sojae, patógeno que pode comprometer o desenvolvimento das plantas ainda nos estágios iniciais da cultura.

    Para enfrentar esse cenário, o produtor afirmou que o tratamento de sementes tem se mostrado uma estratégia importante para aumentar a segurança da lavoura. Ele destacou resultados obtidos após testar a tecnologia LumiTreo.

    Segundo o agricultor, o produto apresentou efeito mais duradouro em comparação ao manejo anterior. “Observamos cerca de 21 dias adicionais de proteção, o que trouxe mais segurança no estabelecimento da lavoura”, relatou.

    Por fim, os participantes do encontro ressaltaram que a integração entre pesquisa, inovação tecnológica e capacitação de produtores será fundamental para enfrentar os desafios da próxima safra. A troca de conhecimento entre universidades, empresas e agricultores deve continuar impulsionando práticas mais eficientes e sustentáveis no agronegócio brasileiro.

  • Pragas avançam no início da safra de milho e exigem monitoramento intenso

    Pragas avançam no início da safra de milho e exigem monitoramento intenso

    Com o plantio concentrado na segunda safra, o milho entra em 2026 sob forte pressão de pragas iniciais, especialmente percevejos, pragas de solo e roedores. Especialistas reforçam a necessidade de um Manejo Integrado de Pragas (MIP) mais rigoroso, com vistorias frequentes e atenção redobrada ao que fica escondido sob a palhada.

    Segundo a Conab, a produção total de milho na safra 2025/26 deve atingir 138,45 milhões de toneladas, sendo 79% vindos da segunda safra, período mais exposto a variações climáticas e ao avanço de pragas em áreas recém-colhidas de soja.

    O engenheiro agrônomo Alexandre Gazoni, da Sell Agro, alerta para um ano de cenário fragmentado e regionalizado. “Em algumas regiões, o coró voltou com força e já causa prejuízos. Também há relatos de lesmas em áreas com muita palhada e até casos de ratos reduzindo o estande do milho”, afirma.

    Percevejo segue como vilão da largada

    Pragas como o percevejo barriga-verde continuam sendo um dos principais desafios na fase inicial da cultura. “Em áreas onde a soja deixou excesso de palhada, esse material serve de abrigo e favorece a multiplicação. O impacto aparece logo nas primeiras semanas, com perda de vigor nas plantas”, explica Gazoni.

    Pesquisas da Embrapa confirmam que o percevejo se esconde nos horários mais quentes, o que dificulta a detecção e reforça a importância do monitoramento antes da semeadura.

    Entre 2020/21 e 2023/24, cigarrinhas-do-milho causaram prejuízos estimados em US$ 25,8 bilhões, com redução média de 22,7% na produção nacional, segundo levantamento de CNA, Embrapa e Epagri.

    Palhada: aliada e ameaça

    A palhada, essencial no plantio direto e na conservação do solo, também cria um ambiente favorável para lesmas e caramujos. Segundo a Embrapa, esses organismos se desenvolvem sob restos vegetais e podem causar desfolha e morte de plantas jovens.

    Gazoni destaca que o segredo está no detalhamento das vistorias. “O produtor precisa olhar além da superfície: levantar a palhada, observar a base da planta e procurar o que está escondido. Se houver condição de ataque, a praga vai aproveitar”, reforça.

    Manejo integrado exige consistência

    O sucesso no controle depende de um MIP bem executado, combinando monitoramento, definição de níveis de ação e controle biológico, cultural ou químico quando necessário. Entre as práticas mais recomendadas estão:

    • Monitoramento frequente desde o plantio, com checagens na linha, na base e sob palhada.
    • Amostragens de solo para pragas subterrâneas, como corós, em áreas com histórico de infestação.
    • Controle preventivo do percevejo na pré-semeadura e início de desenvolvimento.
    • Uso criterioso de Bt e rotação de inseticidas no caso de lagartas, seguindo orientações do IRAC-BR.
    • Controle contínuo de roedores, com redução de abrigo e reposição programada de iscas.

    Tecnologia de aplicação faz diferença

    Com parte das pragas protegidas pela palhada ou dentro do cartucho, a eficiência dos defensivos depende cada vez mais da qualidade da aplicação. “Em 2026, o produtor deve acertar o timing e melhorar a cobertura da gota. O uso de desalojantes pode ajudar a expor pragas escondidas e aumentar a efetividade do controle”, conclui o agrônomo.

  • Broca-do-abacate ameaça até 100% da produção em Santa Catarina

    Broca-do-abacate ameaça até 100% da produção em Santa Catarina

    A broca-do-abacate (Stenoma catenifer) representa uma ameaça severa aos produtores catarinenses, com potencial para destruir completamente as safras. A praga ataca os frutos ainda no pomar: as lagartas perfuram a casca, devoram a polpa e chegam até o caroço, inviabilizando a comercialização.

    Produtores de abacate em Santa Catarina agora contam com uma ferramenta digital que prevê a ocorrência da praga. O portal Agroconnect, desenvolvido pela Epagri/Ciram, calcula quantas gerações anuais da broca-do-abacate devem surgir em cada região, além da duração de cada ciclo, conforme a temperatura local. O sistema atualiza os dados diariamente.

    Ciclo de vida e danos da praga

    A broca-do-abacate completa um ciclo destrutivo nos pomares. As mariposas depositam ovos em fissuras, pedicelos e pedúnculos dos frutos. Após a eclosão, as lagartas perfuram a casca e se alimentam da polpa até atingir o caroço. O ataque causa perdas que podem chegar a 100% da produção.

    Cientistas identificaram a praga no Brasil pela primeira vez em 1923. A espécie neotropical ocorre na Venezuela, Peru e México. No território nacional, a broca-do-abacate se distribui amplamente e ataca com frequência os principais estados produtores: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

    Projeto Miríades amplia monitoramento de pragas

    A pesquisadora Iria Sartor Araújo coordena o projeto Miríades, da Epagri/Ciram, que desenvolveu a nova ferramenta. A iniciativa apoia o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e garante uma abordagem eficiente, econômica e sustentável no controle de infestações agrícolas.

    O projeto já calculou a favorabilidade para ocorrência de outras pragas importantes: cigarrinha-do-milho, lagarta-do-cartucho-do-milho, tripes e mariposa oriental das fruteiras. O Miríades também monitora a distribuição e duração de ciclos de vida do mosquito da dengue. Todas as informações estão disponíveis gratuitamente no Agroconnect.

    Cultura do abacate tem potencial em Santa Catarina

    O cultivo de abacate apresenta potencial significativo em Santa Catarina, especialmente nas regiões litorâneas e em áreas com clima ameno, que minimizam o risco de geadas.

    Reprodução – Mapa

    “Diante do cenário de mudanças climáticas, precisamos conhecer a influência das condições do clima tanto em insetos e culturas de grande importância socioeconômica, como também em pragas e culturas com potencial de desenvolvimento em Santa Catarina”, explica Hamilton Vieira, pesquisador da Epagri/Ciram e integrante do projeto Miríades.

    A divulgação antecipada da favorabilidade de ocorrência da broca-do-abacate no território catarinense ganha relevância econômica e ambiental. As informações permitem que produtores planejem a instalação de pomares considerando os riscos de cada região.

    Como funciona o cálculo de favorabilidade

    O sistema utiliza uma equação matemática para calcular a favorabilidade térmica e estimar o número de gerações anuais da praga, a duração de cada ciclo e a distribuição espacial em Santa Catarina.

    O cálculo considera a duração em horas do desenvolvimento da mariposa Stenoma catenifer, do ovo até a fase adulta, em função da temperatura média horária. “Os insetos têm pequena massa corporal e dependem altamente da temperatura ambiente”, explica Hamilton Vieira.

    https://www.youtube.com/watch?v=4ncl9U4EUUQ