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  • Agricultura regenerativa fortalece manejo e reduz emissões de CO2

    Agricultura regenerativa fortalece manejo e reduz emissões de CO2

    Na Fazenda Estância, em Pirassununga, interior de São Paulo, a agricultura regenerativa deixou de ser teoria para se tornar prática diária de manejo. Integrante do programa Bayer ForwardFarming, a propriedade conduzida por Nathalia Vick, administradora e gestora de agronegócios, e Aline Vick, economista, se tornou referência em sustentabilidade ao unir produtividade agrícola, conservação do solo e redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa.

    Com 1.200 hectares dedicados às culturas de soja, milho, sorgo, mandioca e cana-de-açúcar, a fazenda tem mostrado resultados consistentes. As análises de pegada de carbono, realizadas entre fevereiro de 2024 e março de 2025, comprovaram que a média da safra 24/25 da soja atingiu 616,4 kg CO2 eq./t, valor 60% menor do que a média nacional (1.526 kg CO2 eq./t). Em um dos talhões avaliados, o índice chegou a 373 kg CO2 eq./t, redução de 76% em relação à média brasileira.

    Ferramenta inédita de medição por talhão

    O cálculo foi feito por meio da Footprint PRO Carbono, ferramenta desenvolvida pela Bayer em parceria com a Embrapa, baseada na metodologia internacional de avaliação do ciclo de vida (ACV). Dessa forma, a tecnologia permite calcular a pegada de carbono por talhão, diferencial em relação a outras ferramentas disponíveis no mercado.

    Aline e Nathalia Vick – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “É importante ressaltar que cada talhão possui um perfil de solo e histórico de manejo diferente, o que influencia a pegada. Ainda assim, o talhão com maior pegada registrada ainda representa 22% menos do que a média nacional”, afirma Felipe Albuquerque, diretor de Sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.

    No milho segunda safra, a análise também seguiu a mesma metodologia e concluiu que a média da Fazenda Estância foi de 751,71 kg CO2 eq./t, resultado 46% menor que a média brasileira da cultura (1.387 kg CO2 eq./t).

    Manejo regenerativo como caminho sustentável

    As irmãs Vick apostam em técnicas como sucessão milho-soja, integração com braquiária e manutenção da palhada para proteger o solo e melhorar sua fertilidade. “Falar em carbono é falar na medida de vida do solo. Onde tenho mais carbono, tenho mais produtividade”, resume Aline.

    Ela explica que pequenas mudanças fazem diferença. “No caso da soja, substituímos a aplicação de ureia pelo nitrato, que emite menos gases de efeito estufa. Também adotamos tecnologias de precisão que reduzem manobras de maquinário, gerando economia de combustível e, consequentemente, menor emissão”, diz.

    Palhada no solo garante proteção e mantém umidade – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A transição exigiu convencimento dentro da família, mas hoje os resultados falam por si. “Foi um desafio mostrar que a mudança era positiva. Enfim, todos defendem as práticas regenerativas porque vemos na prática a resiliência da lavoura e os ganhos ambientais”, afirma Aline.

  • Estudo revela que solo bem manejado resiste a queimadas

    Estudo revela que solo bem manejado resiste a queimadas

    Um estudo inovador conduzido pelo Grupo GoGenetic, em parceria com a Fazenda Tropical e a Syncbio, revelou que o manejo adequado do solo é crucial para mitigar os danos causados por queimadas e garantir a sua recuperação. A pesquisa, realizada na Fazenda Tropical, em Montividiu (GO), analisou o microbioma do solo após um incêndio em setembro de 2024, utilizando a metagenômica.

    Os resultados preliminares mostraram que, apesar dos impactos na biomassa microbiana, a estrutura microbiana do solo demonstrou alta resiliência. Vânia Pankievicz, CEO da plataforma GoSolos, da GoGenetic Agro, explica que isso comprova que o manejo contínuo e voltado para a agricultura regenerativa contribui para a recuperação de áreas afetadas por queimadas.

    Metodologia do estudo

    O estudo, denominado Projeto Queimadas, envolveu análises genéticas do solo em diferentes estágios da lavoura: cobertura do solo, pré-plantio, semeadura, florescimento, colheita e pós-colheita da soja, encerrada entre janeiro e fevereiro de 2025. Os pesquisadores mapearam fungos e bactérias em áreas atingidas e não atingidas pelo fogo, permitindo uma análise comparativa detalhada.

    Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, compartilhou estudos que demonstram que o aquecimento do solo pode eliminar microrganismos benéficos, comprometendo a capacidade do solo de suprimir doenças. No caso da Fazenda Tropical, a rápida recuperação da área degradada está ligada à estabilidade do microbioma do solo.

    Erick Van Den Broek, proprietário da Fazenda Tropical, afirma que os resultados reforçam a eficácia das práticas sustentáveis adotadas na propriedade. Isso inclui o investimento em plantas de cobertura, rotação de culturas e mix de espécies. A pesquisa também indicou um aumento na produtividade nas áreas afetadas, com ganhos de até 12 sacas por hectare na safra atual de soja.

    Equilíbrio do solo e monitoramento contínuo

    Daniel Mol, agrônomo da Syncbio, reforça que o período de seca prolongada antes das queimadas também contribuiu para a menor vulnerabilidade do microbioma. A análise metagenômica foi fundamental para identificar microrganismos benéficos e possíveis desequilíbrios. Permitindo estratégias de manejo mais eficazes e sustentáveis a longo prazo, de acordo com Vânia.

    As queimadas podem causar diversos impactos negativos no solo. Por exemplo, a perda de matéria orgânica, a deterioração da estrutura do solo e a interrupção de comunidades microbianas essenciais. As altas temperaturas podem romper os limiares de estabilidade biológica, comprometendo sementes, tecidos vegetais, nutrientes e microrganismos essenciais. Além disso, a queima da cobertura vegetal aumenta a área descoberta do solo, favorecendo a erosão.

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