Tag: manejo do pirarucu

  • “Bolsa pirarucu”: entenda quem pode receber o benefício

    “Bolsa pirarucu”: entenda quem pode receber o benefício

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) começou a receber, nesta terça-feira (4), as notas fiscais e demais documentos necessários para o pagamento do Programa de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) da Sociobiodiversidade, voltado ao manejo comunitário do pirarucu (Arapaima gigas) no Amazonas. As associações, cooperativas, colônias de pescadores e manejadores e manejadoras interessados têm até 30 de setembro para enviar a documentação pelo sistema SociobioNet.

    O PSA Pirarucu remunera instituições e trabalhadores habilitados na Chamada Pública nº 01/2026 que mantêm os estoques naturais da espécie e conservam ecossistemas aquáticos em áreas protegidas da Amazônia. Além de enviar a documentação exigida no edital, as instituições precisam manter o cadastro ativo no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican) da Conab.

    Como funciona o envio pelo SociobioNet

    Os interessados devem instalar o sistema SociobioNet, desenvolvido pela própria Conab, em um computador. O processo dispensa login ou autenticação prévia, já que os dados pessoais são preenchidos diretamente no formulário. Depois de baixar o sistema, o usuário consegue preencher os dados e inserir as notas fiscais offline. Apenas a transmissão final dos documentos para a Conab exige conexão com a internet.

    O PSA Pirarucu reconhece e paga por cinco frentes de trabalho realizadas pelos manejadores:

    • o planejamento participativo anual do manejo
    • o zoneamento de lagos e ambientes aquáticos
    • a contagem e o monitoramento dos estoques da espécie
    • a vigilância comunitária ambiental e territorial
    • e a pesca controlada seguida de comercialização formal.

    Por que o manejo do pirarucu importa para a Amazônia

    O pirarucu é o maior peixe de escamas de água doce do mundo, podendo atingir até 4,5 metros de comprimento e pesar 200 quilos, e chegou a ficar ameaçado de extinção por causa da pesca predatória. O modelo de manejo comunitário, iniciado em 1999 em uma comunidade da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, reverteu esse quadro e hoje é considerado um dos grandes sucessos da conservação da biodiversidade no Brasil, com a metodologia envolvendo contagem de estoques, proteção de áreas de reprodução e limite de captura. Ou seja, não mais que 30% da população de pirarucus adultos por comunidade.

    Foto: Divulgação/IDSM

    Passadas mais de duas décadas, a prática já envolve mais de 1.300 famílias em 25 municípios do Amazonas. E se espalhou por 32 áreas entre unidades de conservação, terras indígenas e áreas de acordo de pesca. Além do impacto ambiental, o manejo tem gerado renda e fortalecido a organização comunitária. Em Carauari, por exemplo, a cadeia produtiva do pirarucu já alcança diretamente mais de 1 mil manejadores e manejadoras em 47 comunidades, com participação crescente de mulheres em etapas como beneficiamento e comercialização.

    Sobre o Programa

    O PSA Pirarucu resulta da atuação conjunta do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da Conab, do Ibama e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com participação de manejadores, organizações comunitárias e parceiros que atuam na cadeia do pirarucu no Amazonas.

    O programa integra o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). E tem entre suas missões reconhecer o protagonismo de povos indígenas, comunidades tradicionais, pescadores e agricultores familiares na conservação e no manejo sustentável da biodiversidade. O SociobioNet está disponível na página da Conab.

  • Manejo do pirarucu avança no Amazonas

    Manejo do pirarucu avança no Amazonas

    Uma série de eventos realizados em Manaus ao longo de maio reuniu representantes do governo, academia e comunidades para avançar no manejo sustentável do pirarucu (Arapaima gigas) no Amazonas. As discussões contaram com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e tiveram como principal objetivo fortalecer e institucionalizar as políticas voltadas à espécie.

    Encontros buscaram institucionalizar as tratativas referentes ao manejo da espécie. Foto: Divulgação/Ibama

    Como resultado direto das articulações, o Ibama estruturou o Comitê Técnico Permanente do Programa Arapaima. O grupo, formado por 15 instituições, promoveu sua segunda reunião neste mês e definiu prioridades como planejamento estratégico, análise dos resultados do último semestre e o georreferenciamento das áreas de manejo no estado.

    Outro destaque foi o avanço do Sistema Arapaima de Rastreabilidade, ferramenta desenvolvida pelo Ibama e atualmente em fase de testes. A iniciativa busca organizar e garantir a rastreabilidade da cadeia produtiva do pirarucu, incluindo carne, pele e couro provenientes de manejo sustentável.

    Pagamento por serviços ambientais entra na pauta

    Os eventos também discutiram a implementação do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA Pirarucu), instituído pela Chamada Pública MMA/CONAB nº 01/2026. O programa prevê remuneração aos manejadores que atuam na conservação da espécie.

    O Ibama mantém papel central no processo, ao monitorar o manejo e definir as cotas anuais de captura. Até 15 de junho, o órgão deve consolidar dados enviados pelas áreas de manejo, incluindo número de lagos monitorados, quantidade de peixes contabilizados e associações envolvidas na atividade. Com base nessas informações, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) calculará os pagamentos aos manejadores.

    Orientação técnica e apoio às comunidades

    Durante a programação, o Ibama apresentou as exigências legais do manejo do pirarucu e traçou um panorama da pesca em 2025. A equipe também realizou cerca de 60 atendimentos individuais a comunitários, com foco em organização social, fiscalização, vigilância e associativismo.

    Além disso, técnicos atualizaram as coordenadas geográficas das áreas de manejo no Amazonas, reforçando o controle e a gestão territorial da atividade.

  • Comunidades ribeirinhas recebem cartilha sobre conservação do pirarucu

    Comunidades ribeirinhas recebem cartilha sobre conservação do pirarucu

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) distribuiu 700 cartilhas que apresentam os resultados do Programa de Manejo Sustentável de Pirarucu para as comunidades participantes no Estado do Amazonas. O material reúne dados e experiências acumuladas desde 1999, quando o programa teve início.

    A publicação, elaborada pela Coordenação de Uso Sustentável da Fauna e da Biodiversidade (Cofap), detalha a formação, a importância e os resultados do manejo a partir das experiências da Superintendência do Ibama no Amazonas, que monitora e apoia as iniciativas. As cartilhas chegaram às secretarias municipais de educação para abastecer as escolas envolvidas nos projetos de educação ambiental, fortalecendo a participação comunitária.

    O manejo do pirarucu (Arapaima gigas) se consolidou no Amazonas como um processo exemplar de gestão compartilhada dos recursos naturais. Os lagos destinados ao manejo estão localizados em unidades de conservação federais e estaduais, terras indígenas e áreas de acordo de pesca, beneficiando diretamente as comunidades ribeirinhas.

    A iniciativa gera impacto positivo tanto na conservação da espécie quanto na melhoria da economia local. As comunidades conseguem evitar invasões de pescadores irregulares aos ambientes aquáticos e proteger a biodiversidade da região Amazônica.

    Em 2025, o Ibama implementou o Programa Arapaima por meio da Portaria nº 22/2025. Com a medida, o instituto busca incentivar e avaliar a viabilidade de expandir a iniciativa para outros estados da bacia hidrográfica do rio Amazonas. Reconhecendo o potencial dessas regiões para a conservação e o uso responsável da espécie.

  • Novo flutuante impulsiona cadeia do pirarucu e bioeconomia na Amazônia

    Novo flutuante impulsiona cadeia do pirarucu e bioeconomia na Amazônia

    A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e o Bradesco entregaram um flutuante de pré-beneficiamento na comunidade de Ingaioara, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, em Fonte Boa (AM).

    A estrutura vai transformar o manejo do pirarucu, um dos maiores peixes da Amazônia, fortalecendo a bioeconomia local e valorizando o trabalho ribeirinho. O projeto integra a Cadeia Produtiva do Pirarucu Manejado, desenvolvido pela FAS com apoio estratégico do Bradesco. E mantém compromisso com o desenvolvimento sustentável das comunidades amazônicas.

    O flutuante oferece instalações que garantem higiene e conservação do pescado imediatamente após a captura, reduzindo perdas e garantindo melhor qualidade para o produto final. Com capacidade para processar até 53 toneladas de pirarucu inteiro eviscerado por safra, a estrutura atenderá mais de 80 manejadores de quatro comunidades locais.

    Além disso, o equipamento alia o conhecimento técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá com as práticas tradicionais dos próprios manejadores, reforçando a autonomia comunitária e otimizando a cadeia produtiva.

    Importância do investimento

    Raimundo “Birico” Gomes Ferreira, manejador da comunidade de Ingaioara, destacou a importância do investimento: “Criamos um regimento para cuidar do flutuante, que vai ajudar a organizar a produção e garantir um preço justo pelo nosso trabalho.” Desde 2021, o projeto estimula a participação de jovens e mulheres nas atividades de beneficiamento e comercialização do pirarucu, ampliando as oportunidades econômicas e sociais.

    O projeto alcançou resultados significativos nas fases anteriores. Em 2023, beneficiou 369 pessoas com capacitações que aperfeiçoaram técnicas tradicionais, elevando o preço médio do pirarucu e melhorando a renda das famílias ribeirinhas. Foram realizados treinamentos em gestão de negócios e educação financeira, com apoio de voluntários do Bradesco, que também contribuíram com palestras para fortalecer a autonomia financeira dos manejadores.

    Em eventos como a Feira do Pirarucu, promovida em Manaus, 153 manejadores comercializaram mais de 33 toneladas de peixe para cerca de 2.800 clientes. Consolidando o evento como referência em conciliação entre conservação ambiental e geração de renda.

    Parceria

    Além disso, o projeto é fruto de uma parceria entre FAS, Associação dos Moradores e Usuários da RDS Mamirauá Antônio Martins (Amurman), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror).

    Silvana Machado, diretora-executiva de Recursos Humanos e Sustentabilidade do Bradesco, ressaltou que a iniciativa demonstra como preservar a floresta e desenvolver a economia local podem caminhar juntos. Ela afirmou que o flutuante consolida quatro anos de apoio contínuo do banco à cadeia produtiva do pirarucu. E reafirma o compromisso histórico da instituição com a região amazônica.

    O manejo segue cotas rigorosamente definidas cientificamente para garantir o equilíbrio ecológico e a reprodução da espécie. A população de pirarucus, que antes enfrentava risco de extinção, vem se recuperando consistentemente nas últimas décadas, segundo pesquisas do Instituto Mamirauá.

    Cada peixe comercializado simboliza a aplicação de um modelo coletivo, sustentável e responsável, conduzido pelas comunidades locais. Que agora contam com essa nova infraestrutura para ampliar ganhos e fortalecer a conservação ambiental.