Tag: manejo de pragas

  • Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    A agricultura brasileira entrou em um novo patamar de exigência técnica, no qual produzir mais não é mais suficiente: é preciso produzir melhor. Essa foi a principal mensagem apresentada por Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO). Nesse contexto, a pressão por produtividade aumenta, e o sucesso no campo passa a depender de inovação, manejo assertivo e escolha correta de tecnologias.

    Segundo ele, a IHARA atua como uma ponte entre a tecnologia japonesa e o agricultor brasileiro, trazendo moléculas inovadoras adaptadas à realidade tropical. “A agricultura é capricho. Não basta plantar, é preciso entender o ambiente, o momento da planta e o problema a ser enfrentado”, afirmou.

    A necessidade de inovação, explicou, está diretamente ligada às características do sistema produtivo brasileiro. Com possibilidade de segunda safra e condições climáticas favoráveis, o mesmo ambiente que beneficia as culturas também favorece pragas e doenças. “Tudo que é bom para a planta também é bom para os fatores que limitam a produtividade”, ressaltou. Por isso, investir em tecnologia deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

    Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de soja. No entanto, a área tratada com defensivos ultrapassa 1,4 bilhão de hectares ao longo dos anos, considerando múltiplas aplicações. Esse dado evidencia um movimento claro: o agricultor trata cada vez mais sua lavoura para proteger o potencial produtivo.

    Produtividade exige estratégia e precisão

    No Cerrado, a média de produtividade gira em torno de 55 sacas por hectare — ponto de equilíbrio para muitos produtores. A margem de lucro, porém, só aparece acima disso. Para alcançar ganhos mais expressivos, é necessário atingir patamares entre 70 e 75 sacas por hectare.

    Esse salto produtivo, segundo Valdumiro, depende de uma combinação de fatores: melhoramento genético, acesso a crédito e, principalmente, manejo eficiente. “É impossível imaginar a prosperidade da agricultura brasileira sem investimento em tecnologia”, afirmou.

    Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O avanço das doenças e pragas também exige um olhar mais detalhado. Se no passado o foco estava em problemas visíveis, como a ferrugem asiática, hoje o cenário é mais complexo. A mancha-alvo, por exemplo, vem ganhando protagonismo e já apresenta maior tolerância a fungicidas tradicionais.

    Diante desse cenário, a IHARA apresentou o fungicida SEIV, desenvolvido especificamente para o controle dessa doença. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode alcançar até 95% de eficácia, contribuindo diretamente para a manutenção da produtividade.

    Outro ponto destacado foi a importância da especificidade no manejo. Enquanto o produtor costuma escolher fungicidas considerando o tipo de doença e o estágio da planta, o mesmo cuidado nem sempre ocorre no controle de pragas.

    Pressão de pragas e plantas daninhas aumenta

    Entre os principais desafios atuais estão os percevejos, especialmente o barriga-verde, que vem se adaptando à soja e causando danos mais severos que o percevejo-marrom. Além disso, a presença de mosca-branca em anos chuvosos rompe antigos padrões e exige novas estratégias de controle.

    Para esse cenário, o inseticida ZEUS surge como uma solução de amplo espectro, com atuação eficiente tanto em percevejos quanto em mosca-branca, além de efeito residual prolongado.

    No manejo de plantas daninhas, o alerta é para a crescente resistência. Espécies como capim-pé-de-galinha, caruru e capim-amargoso apresentam menor sensibilidade aos herbicidas convencionais, exigindo novas abordagens.

    Uma das estratégias defendidas é o uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato, que atuam antes mesmo da germinação das plantas invasoras. Ainda assim, há espaço para crescimento: cerca de metade das lavouras brasileiras de soja não utiliza esse tipo de manejo.

    “A planta daninha precisa ser combatida antes de aparecer. O produtor precisa surpreender o problema, não reagir a ele”, explicou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e futuro da agricultura

    A relevância da Tecnoshow Comigo também aparece como ponto de conexão entre tecnologia e produtor. A cooperativa atua em cerca de 22% da área de soja e milho de Goiás, reforçando o papel do cooperativismo na difusão de conhecimento e inovação.

    Ao mesmo tempo, a IHARA mantém um pipeline robusto, com 22 novos ativos em desenvolvimento e potencial para até 240 produtos. Entre os lançamentos previstos está o Fusão Fix, que promete mais praticidade e eficiência no manejo da soja.

    A mensagem final reforça a mudança de mentalidade no campo. Se antes produzir 70 sacas era referência, hoje já se fala em 100 sacas por hectare. Assim, o novo cenário exige mais conhecimento, planejamento e precisão.

    “Cada vez mais, o agricultor precisa conhecer o alvo e escolher a solução adequada. Esse é o caminho para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu Valdumiro.

  • Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Uma nova biotecnologia na soja foi apresentada durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). A inovação amplia a proteção contra lagartas e aumenta as opções de manejo de herbicidas. Ao mesmo tempo, busca elevar a produtividade e a sustentabilidade da cultura no Brasil.

    A tecnologia faz parte de uma nova geração de soluções para a agricultura tropical. Durante o evento, especialistas explicaram que o avanço combina genética, biotecnologia e novas estratégias de manejo. O objetivo é ajudar o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos nas lavouras.

    A novidade integra a plataforma Intacta 5+, desenvolvida pela Bayer. Segundo a empresa, as primeiras variedades comerciais devem chegar ao mercado na safra 2027/28. No entanto, a liberação final ainda depende de aprovações regulatórias em países importadores de soja.

    Responsável pela apresentação da tecnologia, Mateus Benedeti afirmou que a evolução da biotecnologia acompanha a própria transformação da agricultura brasileira.

    “A história da biotecnologia na soja também é uma história de protagonismo do produtor brasileiro. Desde o início, o agricultor buscou tecnologias que permitissem produzir mais e com maior eficiência”, destacou.

    Nas últimas décadas, a adoção dessas tecnologias ajudou o Brasil a ampliar sua produtividade agrícola. Como resultado, o país se consolidou entre os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

    Proteção ampliada contra pragas e plantas daninhas

    A nova biotecnologia na soja incorpora cinco proteínas voltadas ao controle de lagartas que atacam a cultura. Dessa forma, o sistema amplia o espectro de proteção e fortalece o manejo integrado de pragas.

    Entre os principais alvos está a Elasmopalpus lignosellus, conhecida como elasmo. Essa lagarta ataca a planta ainda nas fases iniciais do desenvolvimento. Quando o ataque ocorre nesse estágio, a lavoura pode perder plantas inteiras e comprometer o potencial produtivo.

    Além da proteção contra insetos, a tecnologia permite tolerância a cinco herbicidas diferentes. Entre eles estão mesotriona, dicamba, glifosato, glufosinato e 2,4-D.

    Mateus Benedeti – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, essa combinação amplia as estratégias de controle de plantas daninhas. O produtor pode utilizar diferentes protocolos de manejo durante o ciclo da cultura. Assim, adapta o controle às condições de cada região produtora.

    Outro benefício está na preservação da eficiência da tecnologia ao longo do tempo. Quando o agricultor alterna mecanismos de ação, reduz a pressão de seleção sobre pragas e plantas daninhas.

    Integração entre genética e biotecnologia

    Outro destaque apresentado durante o lançamento foi o processo YieldBoost™. A metodologia foi desenvolvida no Brasil e busca acelerar a integração entre biotecnologia e genética das plantas.

    O sistema permite testar um número maior de materiais em campo. Com isso, os pesquisadores conseguem avaliar mais combinações genéticas em menos tempo.

    Segundo a empresa, o método permite analisar até 15 vezes mais materiais do que os processos tradicionais de melhoramento. Dessa forma, o desenvolvimento de novas variedades ocorre com maior velocidade e precisão.

    A estratégia também prioriza materiais adaptados às condições da agricultura tropical. Como resultado, as variedades tendem a apresentar maior estabilidade produtiva nas diferentes regiões do país.

    Caminho até o lançamento comercial

    A nova biotecnologia já recebeu aprovação regulatória no Brasil. Ainda assim, sua comercialização depende da autorização de mercados internacionais que importam soja brasileira.

    Por isso, os próximos anos serão dedicados à realização de testes em campo com produtores parceiros. Essas áreas permitirão avaliar o desempenho das variedades em diferentes ambientes produtivos.

    A expectativa é que, no momento do lançamento comercial, o mercado já conte com diversas variedades adaptadas às principais regiões produtoras.

    Para o setor agrícola, a chegada de novas biotecnologias representa um passo importante para o avanço da produtividade. Ao mesmo tempo, essas soluções ajudam o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo.

    Assim, a evolução da biotecnologia na soja continua a desempenhar um papel central no fortalecimento da agricultura brasileira.

  • Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Decisões tomadas ainda no início do ciclo da lavoura podem definir o sucesso da safra. Esse foi um dos principais recados apresentados por especialistas da IHARA durante a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. A empresa levou à feira um conjunto de tecnologias voltadas ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, três fatores que seguem entre os principais desafios enfrentados pelo produtor nas culturas de soja, milho e trigo.

    De acordo com o engenheiro agrônomo Rudimar Spannemberg, que atua no desenvolvimento de mercado da companhia, o cenário atual da agricultura exige planejamento técnico cada vez mais preciso. Segundo ele, reduzir investimentos em momentos críticos pode comprometer toda a produtividade da lavoura.

    “Em um cenário de custos pressionados, pode parecer tentador reduzir investimentos. No entanto, insetos, doenças e plantas daninhas precisam ser controlados desde o início do ciclo da cultura. O manejo realizado no momento adequado garante estabilidade produtiva e evita perdas que comprometem os resultados”, afirma.

    Além disso, o especialista lembra que o Rio Grande do Sul ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos. O estado aparece entre os principais polos agrícolas do país e é o segundo em área plantada de soja no Brasil, o que reforça a importância de decisões técnicas bem planejadas.

    Fernando Socolovski e Rudimar Spannemberg – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Plantas daninhas avançam e preocupam produtores

    Entre os temas que mais despertaram atenção na apresentação está o avanço das plantas daninhas resistentes. Estudos técnicos indicam que algumas espécies já estão presentes em mais de 50% das áreas agricultáveis do Brasil.

    Entre as mais comuns estão o capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, azevém, corda-de-viola, capim-colonião, caruru e capim-braquiária.

    Segundo o gerente comercial distrital da empresa, Fernando Socolovski, a presença dessas espécies pode provocar impactos significativos na produtividade.

    “O potencial de perdas causado pela matocompetição pode ultrapassar 90% quando o manejo não é feito de forma adequada”, explica.

    No Rio Grande do Sul, uma das plantas daninhas que mais preocupam os agricultores é o caruru. Em algumas regiões, a espécie já está presente em metade das áreas cultivadas. Além disso, a resistência ao glifosato tem dificultado o controle, reduzindo o rendimento das lavouras de soja e outras culturas.

    Nesse cenário, o manejo antecipado torna-se fundamental. Entre as tecnologias apresentadas na feira está o herbicida Yamato SC, desenvolvido para atuar ainda na fase de germinação das plantas daninhas.

    O produto funciona como pré-emergente. Ou seja, ao absorver água no solo, a planta daninha também absorve o produto, o que permite o controle ainda no início do desenvolvimento, antes que a competição com a cultura principal se intensifique.

    Doenças e insetos pressionam a produtividade

    Ao mesmo tempo, as doenças continuam representando um dos maiores riscos à produção agrícola. Entre elas, a ferrugem asiática da soja segue como uma das mais temidas pelos produtores.

    De acordo com especialistas, quando o manejo não é realizado de forma adequada, as perdas podem chegar a 90% da produção.

    Além da ferrugem, outras doenças aparecem em diferentes fases do ciclo da cultura. No início da safra, por exemplo, são comuns problemas como mancha parda, oídio, cercosporiose, crestamento bacteriano e fitóftora.

    Já durante o meio do ciclo surgem doenças como míldio, antracnose, mancha-alvo e mofo branco. No fim do desenvolvimento da lavoura, por sua vez, podem aparecer novamente mancha parda, cercospora, crestamento e ferrugem.

    Nesse contexto, o uso de fungicidas com diferentes mecanismos de ação torna-se uma estratégia importante para garantir eficiência no controle e reduzir o risco de resistência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologia e inovação no campo

    Outro desafio recorrente nas lavouras brasileiras é o ataque de insetos, especialmente percevejos. Esses insetos podem comprometer diretamente o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade final.

    Segundo dados apresentados pela empresa, testes realizados em campo indicaram que o inseticida Zeus alcançou até 95% de eficácia no controle do percevejo-marrom em lavouras de soja.

    Além disso, o portfólio da companhia inclui o inseticida Terminus, desenvolvido para o controle de diferentes espécies de percevejos, como o percevejo-marrom e o percevejo barriga-verde.

    A empresa, que possui 62 anos de atuação e sede em Sorocaba, no interior de São Paulo, destaca ainda sua forte ligação com a pesquisa agrícola japonesa. Atualmente, cerca de 60% das novas moléculas que chegam à agricultura brasileira têm origem em empresas japonesas.

    Segundo Socolovski, esse perfil inovador deve resultar em uma nova geração de tecnologias para o campo.

    “Nos próximos anos, a companhia tem potencial para lançar cerca de 240 novos produtos, entre herbicidas, fungicidas e inseticidas”, afirma.

    Por fim, os especialistas reforçam que a agricultura moderna exige cada vez mais conhecimento técnico e planejamento estratégico. A natureza é dinâmica, novas pragas surgem e a resistência a moléculas já conhecidas avança.

    Por isso, o produtor que antecipa decisões e investe em tecnologia tende a proteger melhor sua lavoura e garantir maior estabilidade produtiva nas próximas safras.

  • O fim dos percevejos: nanotecnologia é aposta da ADAMA

    O fim dos percevejos: nanotecnologia é aposta da ADAMA

    O avanço dos percevejos nas lavouras de soja e milho segue como um dos principais desafios do produtor rural, com impacto direto na produtividade e no bolso. Atenta a esse cenário, a ADAMA apresentou ao mercado brasileiro o Galil nano, inseticida desenvolvido no Brasil que utiliza nanotecnologia para elevar o padrão de controle de percevejos e da cigarrinha-do-milho. O lançamento ocorreu durante o Show Rural Coopavel, uma das maiores feiras agrícolas do país, que acontece em Cascavel (PR) e marcou a estreia da plataforma de Nanotecnologia da companhia.

    Apontado como a grande estrela do estande da ADAMA, o Galil nano foi apresentado por Yvan Lopes, diretor de Marketing da empresa no Brasil, que destacou o impacto silencioso, porém severo, causado pelos percevejos. Segundo ele, os insetos se alimentam sugando a seiva da planta e ainda injetam toxinas por meio da saliva, comprometendo o desenvolvimento da lavoura. “É um inseto que tira, em pouco tempo, tudo aquilo que o agricultor construiu ao longo da safra, reduzindo o potencial produtivo por hectare”, afirmou.

    Os prejuízos são expressivos. No caso do percevejo-marrom (Euschistus heros), a presença de três insetos por metro pode resultar em perda de 1,5 saca por hectare, o equivalente a cerca de R$ 180/ha. Já o percevejo-barriga-verde (Diceraeus spp.), com a mesma infestação, pode causar danos ainda mais severos, chegando a aproximadamente 20 sacas por hectare, o que representa até R$ 1.200/ha. No milho, os danos podem ser ainda mais críticos, exigindo atenção redobrada no manejo.

    Yvan Lopes, diretor de Marketing da Adama no Brasil

    Tecnologia nano muda o padrão de controle

    O Galil nano atua de forma estratégica no controle de percevejos, explorando principalmente a contaminação tarsal, responsável por cerca de 80% da eficácia do produto, enquanto a ingestão representa 15% e o contato direto, 5%. Essa característica está diretamente ligada à nanotecnologia presente na formulação.

    “Para se ter ideia, uma partícula nano pode ser até mil vezes menor do que uma partícula de uma formulação convencional”, explica Raphael Malandrino, gerente de Inseticidas da ADAMA. Segundo ele, esse tamanho reduzido permite uma distribuição mais uniforme sobre a superfície da folha, garantindo maior exposição do inseto ao ingrediente ativo.

    “No manejo do percevejo, o maior desafio não é aplicar o produto; é garantir que ele esteja presente em toda a superfície da folha, exatamente onde o inseto caminha e entra em contato com o ativo”, destaca Malandrino. Com isso, a tecnologia nano aumenta a biodisponibilidade do ingrediente ativo, intensifica o contato tarsal e potencializa o efeito de choque, mesmo em cenários de difícil controle.

    Pesquisa brasileira por trás da inovação

    Desenvolvido integralmente no centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ADAMA, em Londrina (PR), o Galil nano foi testado por várias safras, em diferentes regiões produtoras de soja e milho do País, sempre com resultados consistentes. A formulação também garante estabilidade e eficiência da aplicação em condições climáticas distintas, fator essencial para o dia a dia do produtor.

    Além do controle do percevejo-marrom e do percevejo-barriga-verde, o produto se consolida como uma ferramenta estratégica para áreas de produção de sementes, onde os danos causados por insetos sugadores exigem um manejo ainda mais rigoroso.

    Disponível comercialmente a partir da safra 2026/2027, o Galil nano sinaliza um novo momento da Adama em tecnologias de formulação. “A nanotecnologia muda o jogo ao entregar controle mais eficiente, seguro e alinhado às práticas de manejo integrado de pragas”, reforça Malandrino, em um cenário marcado pela escassez de novos ingredientes ativos no mercado.

  • Nova espécie de cigarrinha ameaça plantações de cana-de-açúcar no Brasil

    Nova espécie de cigarrinha ameaça plantações de cana-de-açúcar no Brasil

    Uma nova espécie de cigarrinha que ataca lavouras de cana-de-açúcar foi identificada por pesquisadores brasileiros após produtores rurais relatarem resistência da praga aos defensivos químicos tradicionais. A descoberta, publicada no periódico científico Bulletin of Entomological Research da Universidade de Cambridge, representa um avanço crucial para o combate às ameaças que afetam uma das culturas mais importantes da economia nacional.

    O inseto foi batizado de Mahanarva diakantha, termo que significa “dois espinhos”. E já foi encontrado em plantações de cana-de-açúcar em diversas regiões do Brasil. Cientistas do Instituto de Biociências da Unesp em Rio Claro e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul identificaram a espécie em colaboração.

    Problema nas lavouras motivou a pesquisa

    A investigação começou há uma década, quando empresas agrícolas procuraram o professor Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello, do Departamento de Biologia Geral e Aplicada da Unesp, relatando dificuldades no controle de cigarrinhas nas plantações. Os defensivos aplicados não apresentavam a eficácia esperada, gerando prejuízos significativos.

    Inicialmente, suspeitou-se que os insetos tivessem desenvolvido resistência aos produtos químicos. Porém, uma pesquisadora da Embrapa em Araras formulou uma hipótese diferente: poderia ser uma espécie ainda não catalogada pela ciência.

    Metodologia combinou análise genética e morfológica

    Para confirmar a descoberta, os pesquisadores adotaram duas abordagens complementares. A equipe da PUC-RS, liderada por Andressa Paladini e Gervásio Silva Carvalho, realizou análises morfológicas detalhadas. Enquanto isso, o grupo da Unesp conduziu estudos genéticos utilizando marcadores de DNA presentes nas mitocôndrias dos insetos.

    Mais de 300 indivíduos coletados entre 2012 e 2015 em usinas de cana-de-açúcar foram examinados. A análise genética revelou diferenças significativas em relação às espécies conhecidas de cigarrinha-da-raiz, como a Mahanarva fimbriolata e a Mahanarva spectabilis.

    O estudo morfológico identificou uma característica distintiva na genitália dos machos: uma estrutura bifurcada e pontiaguda, diferente do formato quadrangular não bifurcado presente nas outras espécies. Essa particularidade inspirou o nome científico do novo inseto.

    Impacto econômico da cana-de-açúcar no Brasil

    A cana-de-açúcar é fundamental para a economia brasileira. Em 2020, o setor gerou receita de aproximadamente US$ 8,7 bilhões em exportações. O Brasil produz cerca de 700 milhões de toneladas anuais da cultura desde 2010, sendo o maior exportador mundial de açúcar. Além disso, a planta é essencial para a produção de etanol e geração de energia a partir da queima do bagaço.

    As cigarrinhas-da-raiz representam uma das principais ameaças às plantações. Esses pequenos insetos de coloração marrom-avermelhada se alimentam da seiva da cana e transmitem toxinas que provocam a queima das folhas e perda de sacarose. Estima-se que a infestação possa causar prejuízos de até 36 toneladas por alqueire.

    Próximos passos para controle da praga

    A identificação da M. diakantha é apenas o primeiro passo. Segundo o professor Cabral-de-Mello, quando se trata de combater pragas agrícolas, as substâncias utilizadas podem ter ação direcionada para espécies específicas. Mesmo entre espécies próximas, um produto pode ser eficaz contra uma e ineficaz contra outra.

    Após a descrição inicial, a pesquisadora Andressa Paladini revisou coleções da Universidade Federal do Paraná e descobriu registros da década de 1960 de espécimes da nova espécie classificados incorretamente como M. fimbriolata. Isso sugere que o inseto pode estar presente nas lavouras há décadas sem o devido reconhecimento.

    Os próximos desafios envolvem compreender aspectos biológicos, populacionais e taxas reprodutivas da nova espécie, além de analisar amostras mais recentes, já que o cultivo de cana-de-açúcar mudou significativamente desde 2015.

    Controle biológico como alternativa

    Atualmente, o método mais utilizado para combater cigarrinhas é o controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae. O fungo é cultivado em laboratório, geralmente sobre grãos de arroz, e aplicado nas plantações misturado com água. Por ser um produto seletivo, ataca apenas insetos e não oferece riscos à cana ou ao ser humano.

    Odair Aparecido Fernandes, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp em Jaboticabal e líder do Centro de Pesquisa em Engenharia – Fitossanidade em Cana-de-Açúcar, acredita que as ferramentas de controle biológico continuarão eficazes. No entanto, será necessário avaliar o impacto dessas técnicas especificamente sobre a M. diakantha.

    Sequenciamento genômico promete agricultura de precisão

    O professor Cabral-de-Mello orienta atualmente uma pesquisa de doutorado que pretende realizar o sequenciamento genômico completo das três espécies de cigarrinha. Pela similaridade entre elas, a hipótese é que a separação evolutiva ocorreu nos últimos 100 mil anos.

    O sequenciamento do genoma abre possibilidades para o desenvolvimento de uma agricultura de precisão, permitindo identificar variações genéticas e estudar como elas afetam o controle de insetos. Assim, será possível desenvolver técnicas personalizadas para combater diferentes pragas de forma mais eficiente.

    Outras ameaças à cultura da cana

    Além das cigarrinhas, a cultura da cana-de-açúcar enfrenta outras duas grandes ameaças no Brasil. A primeira é a síndrome do murchamento da cana, causada pela combinação de fatores climáticos, como seca e mudanças no clima, com fatores biológicos, como fungos e pragas. A doença pode reduzir a safra em até 40%.

    A segunda ameaça é o bicudo-da-cana, um besouro que se alimenta do tecido vegetal e causa perdas de cerca de 25 toneladas por hectare. O inseto tem se espalhado devido ao método mecanizado de colheita, que mantém a palha da cana no solo — prática benéfica para conservação da umidade, mas que favorece a proliferação da praga.

    Colaboração entre universidade e setor privado

    O professor Cabral-de-Mello destaca que os resultados alcançados só foram possíveis graças à colaboração entre universidades e o setor privado. Aliás, o próprio Centro de Pesquisa em Fitossanidade em Cana-de-Açúcar é um exemplo dessa cooperação, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e pelo Grupo São Martinho.

    O centro desenvolve atualmente 55 projetos na área de saúde vegetal e manejo de pragas, muitos em parceria direta com o setor produtivo e as indústrias sucroalcooleiras, demonstrando como a ciência básica pode contribuir para resolver problemas práticos da agricultura brasileira.

  • 4G na roça e inteligência artificial para combater pragas

    4G na roça e inteligência artificial para combater pragas

    Pequenos e médios produtores rurais de São Paulo terão acesso a conectividade 4G e soluções tecnológicas para o manejo de pragas. Em geral, a iniciativa é resultado de uma parceria entre a empresa de tecnologia Elsys, a Embrapa Agricultura Digital e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado. O projeto visa beneficiar agricultores em Alto Alegre, Jacupiranga e Lagoinha.

    A colaboração, firmada em dezembro, integra o projeto Semear Digital, que transforma áreas rurais em Distritos Agrotecnológicos (DATs). Portanto, esses municípios paulistas estão entre os dez escolhidos no Brasil para promover inclusão digital e ampliar o acesso à internet no campo.

    Regiões em internet terão 4G em breve

    As primeiras antenas de longo alcance devem entrar em operação ainda este mês, levando conectividade 4G a regiões sem cobertura de sinal. “A instalação das antenas permitirá testar dispositivos de internet das coisas e inteligência artificial para validar soluções em larga escala”, explicou Luciana Alvim Romani, coordenadora de parcerias do Semear Digital e pesquisadora da Embrapa.

    Tecnologia digital reforça manejo de pragas

    Em Alto Alegre, a parceria também prevê o uso de armadilhas inteligentes para combater a broca-da-cana-de-açúcar, uma das principais pragas dos canaviais brasileiros. A tecnologia utiliza inteligência artificial para capturar e monitorar insetos, fornecendo dados precisos sobre a infestação.

    “As armadilhas digitais enviam informações georreferenciadas e alertas por aplicativos de celular, ajudando os produtores a tomar decisões rápidas”, afirmou Franz Bories, gerente de Novos Negócios da Elsys. Ou seja, a solução reduz o uso de defensivos e aumenta a sustentabilidade da produção.

    Os primeiros testes começaram em uma propriedade no bairro Santana, e os dados coletados estão sendo analisados. “Nosso objetivo é democratizar essa tecnologia e expandir seu uso para outras culturas, como soja e citros”, completou Bories.

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    Inclusão digital no campo

    O Semear Digital, lançado em 2023, promove a inclusão de pequenos e médios agricultores na transformação digital do agronegócio. O projeto conta com apoio da Fapesp e da Embrapa Agricultura Digital, além de instituições como o CPQD, Esalq/USP, IAC, IEA, Inatel e UFLA.

    As ações abrangem dez DATs espalhados pelo Brasil, cobrindo diferentes biomas e cadeias produtivas. Além disso, as iniciativas incluem conectividade, inteligência artificial, sensoriamento remoto e certificação digital, buscando aumentar a competitividade dos produtores.

    Portanto, a expectativa é que a tecnologia digital impulsione a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio, beneficiando milhares de agricultores pelo país.