A Segunda Semana do Peixe-leão (Pterois volitans) chega ao fim nesta sexta-feira em Fernando de Noronha, reunindo pesquisadores, mergulhadores, instituições ambientais e moradores em debates sobre o avanço da espécie invasora no litoral brasileiro. O evento, promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), discutiu estratégias de monitoramento, captura e controle do animal, considerado uma ameaça crescente ao ecossistema marinho.
Além das palestras e oficinas, um dos temas que mais chamou atenção foi a possibilidade de liberar o consumo humano do peixe-leão como forma de combater a proliferação da espécie. Especialistas apontam que essa prática já trouxe resultados positivos em outros países.
Segundo a chefe do ICMBio em Noronha, Lilian Hangae, o encontro serviu para compartilhar experiências e fortalecer o manejo da espécie invasora no Brasil.
“Como somos protagonistas no manejo aqui no Brasil, a ideia é trocar experiências, trazer o conhecimento gerado por outras instituições e pensar juntos nos nossos desafios”, afirmou.
Consumo do peixe-leão ganha força entre especialistas
De acordo com Lilian Hangae, o uso do peixe-leão na alimentação foi um dos principais assuntos debatidos durante o evento. Em diversos países, o consumo da espécie já integra as estratégias de controle populacional.
“Temos muitos peixes capturados e já temos dificuldade em armazenar. As estratégias internacionais mostram que o manejo é mais efetivo quando envolve o consumo”, explicou.
A gestora destacou ainda que estudos apontam a viabilidade gastronômica do peixe, bastante apreciado em locais como a Costa Rica.
“É um peixe muito apreciado, de filé branco e sabor leve, com potencial de alto valor agregado para Noronha, que pode servir de resultado de um manejo responsável”, disse.
Apesar disso, pesquisadores alertam que o preparo exige cuidados específicos. O peixe-leão possui 18 espinhos dorsais venenosos, capazes de liberar toxinas que provocam dor intensa, febre, náuseas e até convulsões em seres humanos.
Por isso, especialistas defendem treinamento adequado para manipulação e preparo seguro da espécie destinada ao consumo.

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Operações de captura retiraram centenas de peixes do arquipélago
Em Fernando de Noronha, o ICMBio tem contado com apoio de empresas de mergulho para ampliar o combate ao animal invasor.
Em 2024, uma operação coordenada pelo instituto resultou na captura de 140 peixes-leão no arquipélago pernambucano. A ação ocorreu no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e também na Área de Proteção Ambiental (APA).
Segundo o mergulhador e diretor da empresa participante da operação, Fernando Rodrigues, o objetivo foi avaliar a taxa de repovoamento da espécie nas áreas monitoradas.
“Nosso foco foi explorar pontos já mapeados para verificar a taxa de repovoamento do peixe-leão, identificando a densidade e os tamanhos da espécie. O menor peixe-leão media apenas 10 centímetros, enquanto o maior ultrapassou 45 centímetros”, declarou em nota divulgada pelo ICMBio.
Rodrigues ressaltou ainda que o manejo da espécie ajuda diretamente na preservação da fauna marinha ameaçada pelo predador invasor.
Espécie invasora ameaça biodiversidade marinha
O peixe-leão (Pterois volitans) é nativo da região indo-pacífica e foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2014. Já em Fernando de Noronha, os primeiros registros ocorreram em 2020.
Desde então, mais de mil exemplares foram capturados no arquipélago, segundo dados do ICMBio.
A preocupação das autoridades ambientais se deve à alta capacidade de reprodução e predação da espécie. O peixe-leão consegue consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos e pode colocar cerca de 30 mil ovos de uma só vez.
O coordenador do Projeto Conservação Recifal (PCR), Pedro Pereira, explicou que os animais ainda se concentram em regiões mais profundas, porém existe uma tendência de migração para áreas rasas.
“É importante destacar que essas capturas foram feitas em áreas que não têm sido manejadas com frequência, o que mostra também que a população está aumentando devido à falta deste trabalho de captura dos bichos, aumentando mais ainda a necessidade de colaboração, de inclusão de novas operadoras, incentivo à pesquisa, para que o manejo continue”, destacou.
