Tag: Manaus

  • Manejo do pirarucu avança no Amazonas

    Manejo do pirarucu avança no Amazonas

    Uma série de eventos realizados em Manaus ao longo de maio reuniu representantes do governo, academia e comunidades para avançar no manejo sustentável do pirarucu (Arapaima gigas) no Amazonas. As discussões contaram com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e tiveram como principal objetivo fortalecer e institucionalizar as políticas voltadas à espécie.

    Encontros buscaram institucionalizar as tratativas referentes ao manejo da espécie. Foto: Divulgação/Ibama

    Como resultado direto das articulações, o Ibama estruturou o Comitê Técnico Permanente do Programa Arapaima. O grupo, formado por 15 instituições, promoveu sua segunda reunião neste mês e definiu prioridades como planejamento estratégico, análise dos resultados do último semestre e o georreferenciamento das áreas de manejo no estado.

    Outro destaque foi o avanço do Sistema Arapaima de Rastreabilidade, ferramenta desenvolvida pelo Ibama e atualmente em fase de testes. A iniciativa busca organizar e garantir a rastreabilidade da cadeia produtiva do pirarucu, incluindo carne, pele e couro provenientes de manejo sustentável.

    Pagamento por serviços ambientais entra na pauta

    Os eventos também discutiram a implementação do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA Pirarucu), instituído pela Chamada Pública MMA/CONAB nº 01/2026. O programa prevê remuneração aos manejadores que atuam na conservação da espécie.

    O Ibama mantém papel central no processo, ao monitorar o manejo e definir as cotas anuais de captura. Até 15 de junho, o órgão deve consolidar dados enviados pelas áreas de manejo, incluindo número de lagos monitorados, quantidade de peixes contabilizados e associações envolvidas na atividade. Com base nessas informações, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) calculará os pagamentos aos manejadores.

    Orientação técnica e apoio às comunidades

    Durante a programação, o Ibama apresentou as exigências legais do manejo do pirarucu e traçou um panorama da pesca em 2025. A equipe também realizou cerca de 60 atendimentos individuais a comunitários, com foco em organização social, fiscalização, vigilância e associativismo.

    Além disso, técnicos atualizaram as coordenadas geográficas das áreas de manejo no Amazonas, reforçando o controle e a gestão territorial da atividade.

  • Onça-pintada: o olhar feroz que parou a internet

    Onça-pintada: o olhar feroz que parou a internet

    Uma foto, uma onça e um confronto de olhares que ninguém esperava. Uma imagem registrada no Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva, o CIGS, em Manaus, viralizou ao mostrar uma onça-pintada encarando diretamente a câmera, com a intensidade fria de quem sabe exatamente o que está fazendo. O registro correu as redes, acumulou compartilhamentos e abriu uma janela rara para o mundo de um dos predadores mais poderosos das Américas.

    Afinal, não é todo dia que um animal assim olha de volta.

    https://www.instagram.com/p/DXWrvuWksd5/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Quem é Mura, a onça do CIGS

    Por trás do olhar que impressionou tanta gente há uma história que começa pequena, literalmente. Mura é uma fêmea e nasceu em 1º de junho de 2022 dentro do zoológico do CIGS, uma data simbólica por coincidir com o Dia do Guerreiro de Selva. Filha de Pituca e Máximus, ela chegou ao mundo pesando cerca de 300 gramas. Hoje, já adulta, ultrapassa os 75 quilos.

    Durante os primeiros cinco meses de vida, Mura foi amamentada de forma espontânea pela mãe. Atualmente, sua dieta inclui carne bovina, suína, frango, pescado e carnes de caça, respeitando os padrões nutricionais estabelecidos para a sua espécie. Ela segue no recinto ao lado da mãe e apresenta crescimento saudável, segundo o próprio CIGS.

    O nascimento de Mura, aliás, marcou história no zoológico. A reprodução da onça-pintada em cativeiro é considerada um evento raro. “O nascimento de Mura foi o primeiro registrado no zoológico do CIGS, o que evidencia as condições favoráveis do local para a preservação da espécie,” informou a equipe do centro.

    Um felino que não tem medo de câmera

    Nas imagens que circulam pelas redes sociais, a onça revela um lado descontraído, nadando e interagindo com os visitantes. Seus giros na água e olhares conquistaram o público, rendendo comentários bem-humorados. Entre os mais compartilhados, um usuário escreveu: “Minha namorada se fingindo de fofa.” Outro arriscou: “Bota a mão, mana, ela não morde.”

    Embora o flagrante seja raro, o comportamento é comum entre as onças-pintadas, conhecidas por sua afinidade com a água. Diferente de outros felinos que evitam se molhar, esse predador é um nadador excepcional. No Pantanal, a água faz parte da estratégia de caça. No CIGS, serve para se refrescar e, aparentemente, para virar estrela das redes sociais.

    O zoológico que poucos conhecem

    O CIGS não é um zoológico qualquer. Criado e administrado pelo Exército Brasileiro, abriu suas portas ao público em 1967 e, em 2014, foi classificado entre os 25 melhores zoológicos e aquários da América do Sul, conquistando o prêmio Travelers’ Choice. Fica na zona oeste de Manaus, no bairro São Jorge, em meio a mata fechada.

    Administrado pela Divisão de Veterinária do CIGS, o zoológico também promove atividades de pesquisa e acolhimento de animais, reforçando seu compromisso com a preservação da floresta e suas espécies. Além das onças, o espaço abriga araras-azuis, gaviões-reais, macacos-prego e dezenas de outras espécies da fauna amazônica. Os felinos podem ser observados no seu habitat natural do alto de uma passarela de concreto, o que garante uma experiência de observação sem colocar visitantes nem animais em risco.

    O que esse olhar diz sobre a conservação?

    Há algo perturbador e necessário nessa foto. A onça-pintada está na lista de espécies vulneráveis no Brasil. O animal precisa de grande extensão de selva para sobreviver e vive ameaçado pela caça predatória, pelas queimadas e pelo desmatamento da floresta. Na Amazônia, onde o desmatamento avança e os corredores ecológicos encolhem, a presença de um zoológico com programa de reprodução ativa faz diferença concreta.

    Mura nasceu em cativeiro, cresceu na selva urbana de Manaus e hoje protagoniza um dos registros mais virais da fauna brasileira. “O vídeo de sua interação com a água reforça a importância da conservação da espécie e da educação ambiental promovida pelo zoológico,” destacou o CIGS.

    Às vezes, um olhar diz o que nenhum relatório consegue. O de Mura diz: estou aqui. Por enquanto.

  • Governo vai pagar 5 mil pescadores por preservar o pirarucu

    Governo vai pagar 5 mil pescadores por preservar o pirarucu

    O Governo Federal anunciou nesta quinta-feira (26), em Manaus, o Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu), programa que vai remunerar mais de 5 mil pescadores e manejadores da Amazônia pelo trabalho de conservação da maior espécie de peixe de água doce do mundo. A iniciativa, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, prevê a mobilização de R$ 15 milhões ao longo de dois anos.

    Foto: Talita Oliveira/Instituto Mamirauá

    O programa deve beneficiar mais de 40 organizações comunitárias que atuam em 41 áreas protegidas, cobrindo uma área superior a 20 milhões de hectares na bacia amazônica. O lançamento contou com a presença da ministra Marina Silva e de representantes do Instituto Mamirauá, referência nacional em manejo participativo de recursos pesqueiros.

    25 anos de trabalho reconhecidos

    Para a coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Ana Cláudia Gonçalves, que integrou a mesa de lançamento ao lado da ministra, o momento é histórico. “Aqueles 42 manejadores que começaram este trabalho junto com a equipe do Programa de Pesca: 25 anos depois, saímos de um cenário de escassez da espécie para um cenário de superpopulação do pirarucu nos territórios onde o manejo ocorre”, afirmou.

    Os números confirmam o impacto do modelo. Desde 1999, o manejo participativo nas áreas da Reserva Mamirauá resultou em um aumento de aproximadamente 620% no estoque natural do pirarucu. Resultado que transformou a metodologia em referência replicada em boa parte da bacia amazônica e em países vizinhos.

    Como funciona o manejo comunitário

    Criado em 1998 para conter o declínio agudo do pescado na região, o Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá envolve as comunidades em todas as etapas do processo. Vigilância dos ambientes aquáticos, definição de regras de uso, monitoramento dos estoques, pesca e comercialização. A cota anual de pesca é calculada com base em contagens populacionais. E permite a retirada de até 30% dos indivíduos adultos, preservando ao menos 70% para garantir a reprodução da espécie.

    Na Reserva Mamirauá, a pesca é a principal fonte de proteína e uma das maiores fontes de renda das populações ribeirinhas. E foi a atividade produtiva que mais ampliou sua participação na renda doméstica ao longo de uma década, segundo dados de pesquisa.

    PSA Pirarucu: conservação que gera renda

    Com o PSA Pirarucu, o governo federal passa a reconhecer financeiramente o serviço ambiental prestado por essas comunidades. Que ao manejar o pirarucu de forma sustentável, contribuem diretamente para a conservação dos ecossistemas amazônicos. O programa integra o Projeto Floresta+ Amazônia e marca um passo concreto na valorização do conhecimento tradicional como ferramenta de política ambiental.

    Pedro Canizio Oliveira da Silva, representante da Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região de Mamirauá (Femapam), também participou da mesa de lançamento, simbolizando a presença das comunidades no centro das decisões sobre o futuro da Amazônia.

  • Luto na comunidade científica: professor da Ufam e referência em meliponicultura é morto em Manaus

    Luto na comunidade científica: professor da Ufam e referência em meliponicultura é morto em Manaus

    O professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Davi Said Aidar, de 62 anos, conhecido nacionalmente por seus estudos sobre abelhas da Amazônia, foi assassinado a tiros na noite de sexta-feira (6), em um bar localizado na zona oeste de Manaus. Segundo informações preliminares da Polícia Civil, homens encapuzados chegaram ao local e atiraram várias vezes contra o pesquisador antes de fugir.

    A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) assumiu a investigação e tenta identificar os autores e a motivação do crime.

    Aidar era professor titular da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Ufam e coordenava o Laboratório de Abelhas da instituição, referência na pesquisa e conservação de abelhas sem ferrão nativas da Amazônia. O docente atuava em temas ligados à zootecnia, meliponicultura e apicultura, com foco na multiplicação e preservação de espécies silvestres.

    Durante a carreira, publicou diversos artigos e livros técnicos sobre manejo e criação racional de abelhas nativas, contribuindo para projetos de sustentabilidade e conservação ambiental na região. Segundo colegas, Aidar estava entre os pioneiros em estudar o papel ecológico das abelhas na produção agrícola amazônica.

    Em nota oficial, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) lamentou a morte do pesquisador. “A Ufam manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor titular Davi Said Aidar, cuja trajetória acadêmica foi marcada pela dedicação e pela relevante contribuição aos estudos sobre abelhas na Amazônia.”

    O corpo do professor foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Até o momento, ninguém foi preso.

    Nota de pesar – professor titular Davi Said Aidar


    A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor titular Davi Said Aidar, ligado à Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), cuja trajetória acadêmica foi marcada pela dedicação aos estudos de abelhas.

    Reconhecido pela experiências na área de genética de abelhas e com trabalhos nos temas de meliponicultura, apicultura, multiplicação e preservação de abelhas silvestres, o professor tornou-se titular em 2020 e deixa um legado à comunidade universitária. Até o momento, não foram informados os locais do velório.

    Neste momento de dor, a Ufam se solidariza com os familiares, amigos, e colegas de trabalho, desejando força e conforto diante desta irreparável perda.

  • Brasil devolve 127 canários-da-terra à Venezuela após apreensão

    Brasil devolve 127 canários-da-terra à Venezuela após apreensão

    Uma operação conjunta entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e autoridades venezuelanas resultou na repatriação de 127 canários-da-terra (Sicalis flaveola flaveola) à Venezuela, entre os dias 9 e 12 de dezembro. As aves foram interceptadas pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na capital amazonense, em uma ação de combate ao tráfico internacional de fauna silvestre.

    As aves estavam sendo transportadas ilegalmente para Guarulhos, em São Paulo, onde seriam comercializadas no mercado negro de animais silvestres. Após a apreensão, os canários foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Amazonas (Cetas/AM), unidade do Ibama especializada no atendimento de fauna apreendida.

    No Cetas, os animais receberam atendimento veterinário especializado e foram submetidos a rigorosos protocolos de avaliação sanitária e monitoramento, garantindo as condições adequadas para a repatriação.

    Análises científicas comprovam origem venezuelana

    Em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Polícia Federal, a equipe do Ibama realizou análises morfológicas detalhadas e estudos de isótopos estáveis nos espécimes apreendidos. Os resultados foram conclusivos: os canários-da-terra possuem distribuição natural exclusiva no território venezuelano e não fazem parte da fauna nativa brasileira.

    Diante dessa constatação científica, a soltura das aves em território nacional foi descartada. Segundo especialistas, a introdução de espécies exóticas no ambiente pode causar sérios desequilíbrios ecológicos, incluindo competição com espécies nativas, transmissão de doenças e alteração de ecossistemas locais.

    Diplomacia ambiental em ação

    Com base nos laudos técnicos, o governo brasileiro iniciou as tratativas diplomáticas com as autoridades ambientais venezuelanas para viabilizar o retorno dos animais ao seu habitat de origem. O processo envolveu articulação entre órgãos ambientais dos dois países e seguiu protocolos internacionais de cooperação em biodiversidade.

    A entrega oficial dos 127 canários-da-terra aos representantes do órgão ambiental venezuelano ocorreu na quinta-feira, 11 de dezembro, concluindo com sucesso a missão de repatriação.

    Compromisso contra o tráfico de animais

    A operação reforça a atuação do Ibama no combate ao tráfico internacional de fauna e destaca a importância da cooperação entre países para a proteção da biodiversidade. De acordo com o instituto, a destinação ambientalmente adequada de animais apreendidos é prioridade, assegurando que retornem ao seu ambiente natural sempre que possível.

    O tráfico de animais silvestres é considerado a terceira atividade ilegal mais lucrativa do mundo, movimentando bilhões de dólares anualmente. No Brasil, o comércio ilegal de fauna é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98, com penas que variam de seis meses a um ano de detenção, além de multas.

    Conscientização é fundamental

    O Ibama reforça o alerta à população: não compre animais silvestres. Ao recusar o comércio ilegal, cada cidadão contribui diretamente para a preservação da fauna brasileira e combate redes criminosas que lucram com o sofrimento animal e a destruição da biodiversidade.

    Para denunciar o tráfico de animais silvestres, a população pode utilizar a Linha Verde do Ibama pelo telefone 0800-61-8080 ou fazer denúncias online através do portal do instituto.

  • Safra de guaraná no Amazonas surpreende produtores

    Safra de guaraná no Amazonas surpreende produtores

    A metáfora indígena não poderia ser mais certeira: “quando os olhos se abrem, é tempo de guaraná”. As sementes da planta, que realmente lembram pupilas humanas, agora revelam números que fazem os produtores amazonenses celebrarem uma das melhores safras dos últimos anos.

    Guaranazeiro no Campo Experimental da Embrapa em Manaus. Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    Apesar das preocupações iniciais com o calor extremo e os efeitos das mudanças climáticas que tem afetado diversas culturas pelo Brasil, o guaraná amazonense mostra resiliência. A safra atual surpreende com um crescimento expressivo que varia entre 20% e 50%, dependendo da área de cultivo.

    Números confirmam crescimento robusto da produção

    André Atroch, pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, acompanha de perto os guaranazais do estado. Através de visitas regulares aos campos, monitoramento nas áreas experimentais e contato direto com grupos de produtores, ele consegue ter uma visão privilegiada do que acontece nas plantações.

    “Os produtores comentam que estão colhendo bem mais guaraná do que no ano passado. Esse aumento é perceptível nas áreas que temos acompanhado”, revela Atroch. O pesquisador destaca um detalhe que chama atenção de quem visita as propriedades: “O que tem se observado nas áreas é as plantas muito carregadas, muito cheias de guaraná”.

    Os números consolidam essa impressão visual. Enquanto produtores de pequeno e médio porte reportam ganhos entre 20% e 30% comparado a 2024, grandes empresas do setor apresentam resultados ainda mais impressionantes – alguns chegam perto dos 50% de crescimento na colheita.

    O estado do Amazonas, que tradicionalmente produz entre 600 e 700 toneladas anuais de guaraná em rama (sementes secas com 13% de umidade), pode alcançar entre 700 e 800 toneladas neste ano. Um salto significativo para uma cultura tão importante economica e culturalmente para a região.

    Condições climáticas favoreceram desenvolvimento das plantas

    Diferente de safras anteriores, 2025 trouxe um presente raro aos cultivadores: estabilidade climática nos momentos certos. Setembro, mês crítico para a floração do guaraná, transcorreu sem os extremos que costumam prejudicar a cultura.

    Não houve secas prolongadas capazes de secar as flores ainda na planta. Também não vieram chuvas torrenciais que derrubam as delicadas florações. Sim, os termômetros registraram alguns dos dias mais quentes das últimas duas décadas, mas isso não chegou a comprometer o desenvolvimento dos frutos.

    Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    “Para o guaraná, o tempo foi normal. Mesmo com alguns dias de calor extremo, isso não chegou a comprometer a safra”, explica Atroch, aliviado com um cenário que poderia ter sido bem diferente.

    Chuvas de novembro trazem última preocupação da temporada

    Agora, com a colheita ainda em andamento, surge uma preocupação pontual, mas importante. As chuvas que chegaram a Manaus em novembro podem representar um desafio para o fechamento da safra.

    Precipitações muito intensas tem o poder de provocar a queda prematura de frutos que já estão maduros ou até mesmo causar o apodrecimento de cachos que ainda permanecem nas plantas. Os produtores agora correm contra o tempo para colher o máximo possível antes que eventuais temporais causem perdas desnecessárias.

    Mesmo com essa última variável climática no horizonte, a expectativa geral entre pesquisadores e produtores é otimista. O balanço final deve confirmar 2025 como um ano de recuperação e crescimento expressivo para o guaraná amazonense. Uma notícia que anima não apenas os cultivadores, mas toda a cadeia produtiva que depende dessa planta símbolo da Amazônia.

  • Onça-pintada é resgatada após horas nadando no Rio Negro em Manaus

    Onça-pintada é resgatada após horas nadando no Rio Negro em Manaus

    Uma onça-pintada foi resgatada com vida na tarde desta quarta-feira (1º) após ser avistada nadando por horas no Rio Negro, na região da Ponta Negra, em Manaus. O animal apresentava sinais de exaustão e desorientação, segundo testemunhas que acompanharam a situação.

     

    https://www.instagram.com/p/DPSBRlZARhi/

    O resgate do felino contou com a participação de uma força-tarefa que reuniu a Equipe Pet da deputada Joana Darc, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal (Sepet), o Batalhão Ambiental da Polícia Militar e o Instituto Laiff. As equipes trabalharam em conjunto para retirar a onça das águas do Rio Negro com segurança.

    Após a captura, o animal foi imediatamente encaminhado a uma clínica veterinária especializada para avaliação de seu estado de saúde e receber os cuidados necessários.

    Disputa territorial pode ter causado fuga do animal

    De acordo com o capitão Dilson Castro, do Batalhão Ambiental, que fez a gravação, a hipótese mais provável é que a onça tenha entrado no rio fugindo de um confronto com outro felino. “Possivelmente em uma briga de territórios ela tentou fugir da área e veio parar no meio do Rio Negro”, explicou o oficial.

    Esse tipo de disputa é comum entre onças-pintadas, especialmente machos que competem por território e recursos na floresta amazônica.

    Destino do animal ainda não foi definido

    Os órgãos ambientais envolvidos no resgate ainda avaliam qual será o destino da onça. Entre as possibilidades estão o encaminhamento ao Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou ao Zoológico de Manaus.

    A prioridade das autoridades é garantir a completa recuperação do animal. Caso as condições de saúde permitam, a onça deverá ser reintroduzida ao seu habitat natural, seguindo os protocolos de conservação da fauna silvestre brasileira.

    O caso reforça a importância da preservação dos habitats naturais e do trabalho integrado entre órgãos de proteção ambiental na Amazônia.

  • Agricultores de Manaus aprendem a produzir sem adubos químicos

    Agricultores de Manaus aprendem a produzir sem adubos químicos

    Na zona leste de Manaus, a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) finalizou um curso de formação em biofertilizantes e compostagem orgânica para 15 produtores rurais da Associação de Piscicultores e Agricultores Familiares do ramal 14 (Apaf). O objetivo é promover o cultivo orgânico e melhorar o aproveitamento dos recursos naturais, evitando o uso de adubos e defensivos químicos.

    A comunidade manifestou interesse em ampliar seus conhecimentos sobre práticas orgânicas, e, em resposta, o Engenheiro Agrônomo José Portugal ministrou os cursos. Essa abordagem não apenas agrega valor aos produtos, mas também garante a saúde dos consumidores, atendendo a um nicho de mercado em crescimento.

    A propriedade da agricultora Raimunda Bittencourt, presidente da Apaf, sediou as aulas. Ela destacou a importância dos aprendizados teóricos para melhorar a eficiência dos processos já utilizados. “Agora, além do manuseio que já fazíamos, temos as informações teóricas para garantir o que estamos fazendo”, revelou.

    Impacto ambiental e social

    Além de evitar produtos químicos, os produtores podem multiplicar seus conhecimentos, disseminando as vantagens do reaproveitamento do material orgânico. Isso contribui para a causa ambiental, oferecendo alimentos mais saudáveis e protegendo o solo, a água e a saúde dos animais.

    O Departamento Pedagógico (Depe) da Sepror atua no fortalecimento da agricultura, pecuária e outras atividades do setor primário. Desde 2021, mais de 30 mil produtores foram capacitados em 19 municípios do Amazonas.

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  • Super Terminais firma compromisso com sustentabilidade

    Super Terminais firma compromisso com sustentabilidade

    O Super Terminais, primeiro porto verde do Brasil, aderiu ao Pacto pela Sustentabilidade, iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos lançada em Brasília no último dia 27. Sendo o único terminal da região Norte a integrar o programa, a adesão reforça seu compromisso com práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).

    Como parte do Plano de Ação do Pacto, o Super Terminais implementa iniciativas sustentáveis inovadoras. Entre elas, destaca-se a aquisição dos três primeiros guindastes elétricos do mundo para operações em Manaus. Esses equipamentos reduzem significativamente as emissões de gases de efeito estufa e garantem uma economia anual de 5,2 mil litros de óleo hidráulico, contribuindo para a eficiência energética do terminal.

    Outra iniciativa é o programa de gerenciamento de resíduos, que controla e monitora o descarte adequado de todos os materiais utilizados no porto. Atualmente, a empresa recicla 100% dos fluidos hidráulicos produzidos, reaproveitando-os em outras operações.

    O terminal também investe no monitoramento da qualidade da água do rio Amazonas. Uma empresa especializada realiza análises contínuas para garantir a balneabilidade e a preservação da biodiversidade na área ao redor do porto.

    Além do compromisso ambiental, o Super Terminais mantém programas sociais voltados para as comunidades vizinhas. O programa “Porto e Comunidade” promove ações sociais e de educação ambiental, beneficiando moradores locais. A empresa também é mantenedora do Educandário Gustavo Capanema, instituição que oferece apoio a crianças em situação de vulnerabilidade social.

    Sobre o Pacto pela Sustentabilidade

    O programa do Ministério de Portos e Aeroportos incentiva empresas a adotarem práticas sustentáveis, promovendo transparência e inclusão social. Para aderir, é necessário cumprir uma série de critérios, como estar em dia com obrigações trabalhistas e não possuir histórico de infrações graves.

    Empresas que atenderem a pelo menos 10 ações dentro dos eixos ambiental, social e de governança receberão o selo ouro do programa. A entrega dos certificados está prevista para novembro, durante a COP30, evento que colocará o Brasil no centro das discussões globais sobre sustentabilidade.

    O Super Terminais, primeiro porto verde do Brasil.

    O Super Terminais também contribui significativamente para a economia amazonense. Em 2024, com a “Operação Itacoatiara”, desenvolvida pelo engenheiro naval Heitor Augusto de Souza Lima, a empresa garantiu o escoamento da produção da Zona Franca de Manaus, minimizando os impactos da seca histórica que atingiu a região.

    A infraestrutura do Super Terminais inclui um píer exclusivo em uma área de 300 mil metros quadrados na margem esquerda do rio Amazonas. Com acesso rodoviário asfaltado, a localização estratégica facilita o transporte de cargas. A operação resultou em um recorde histórico para o terminal, com a movimentação de 264.805 TEUs (cerca de 140 mil contêineres) em 2024.

    Liderança em sustentabilidade portuária

    Com mais de 25 anos de experiência, o Super Terminais se consolidou como o terminal privativo mais eficiente do Polo Industrial de Manaus. Reconhecido como o único porto verde do Brasil, sua estrutura moderna e suas iniciativas sustentáveis destacam a empresa como referência em logística responsável na região Amazônica.

    Marcello di Gregorio, diretor do Super Terminais

    “Sabemos que precisamos agir agora para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, que já nos afetam diretamente. No ano passado, por exemplo, a região amazônica enfrentou a pior seca da história e foi apenas por meio da atuação conjunta entre setor público e privado que conseguimos manter a economia estável”, afirma Marcello di Gregorio, diretor do Super Terminais.

    Com essa adesão ao Pacto pela Sustentabilidade, o terminal reforça sua posição de liderança na adoção de práticas sustentáveis, garantindo um futuro mais verde para a logística e o transporte de cargas no Brasil.

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  • Manaus recebe evento para estudo dos solos das várzeas do Médio Amazonas

    Manaus recebe evento para estudo dos solos das várzeas do Médio Amazonas

    O estado do Amazonas recebe até o dia 25 de outubro cerca de 80 pesquisadores especialistas em ciências dos solos, que se dedicam ao estudo da classificação dos solos das várzeas do Médio Rio Amazonas. A pesquisa ocorre durante a XV Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos (RCC). Ela começou no dia 18 de outubro em Manaus e se estenderá até Santarém, no Pará.

    O evento contará com atividades itinerantes que incluem visitas a áreas rurais nos municípios do interior do Amazonas e Pará, onde os pesquisadores analisarão 17 perfis de solos para discutir e definir sua classificação.

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    A RCC é promovida pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) e organizada pela Embrapa Amazônia Ocidental. Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Solos, Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Esta é a primeira vez que uma RCC acontece no Amazonas. E reune mais de 80 pesquisadores de cerca de 20 instituições, incluindo universidades federais e estaduais.

    Promoção do conhecimento

    Maria do Rosário Lobato Rodrigues é pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental e membro da equipe de coordenação da XV RCC. Ela destacou que o evento visa aprimorar o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos e promover o conhecimento sobre os solos do bioma Amazônia. “Queremos estimular o desenvolvimento de pesquisas em solos e fomentar o intercâmbio entre pesquisadores e profissionais da área”, afirmou.

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    Rodrigues também explicou que a realização do evento envolveu intensos trabalhos prévios em campo, com três campanhas realizadas entre novembro de 2022 e outubro de 2023 para selecionar os solos estudados. Os dados coletados serão publicados em 2025 no “Guia de Campo da XV Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos”.

    As atividades de campo ocorrem em áreas rurais dos municípios amazonenses de Iranduba, Rio Preto da Eva, Itacoatiara e Parintins, seguindo para os municípios paraenses de Juriti, Belterra e Santarém. Segundo os organizadores, o trabalho contribuirá para preencher lacunas no conhecimento sobre a formação, geografia e vulnerabilidades dos solos das várzeas do Médio Amazonas.