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  • Mama-cadela: fruta pouco conhecida é potência nutricional

    Mama-cadela: fruta pouco conhecida é potência nutricional

    A mama-cadela (Brosimum gaudichaudii) ganha espaço nas pesquisas científicas como uma das frutas nativas mais promissoras do Cerrado brasileiro. Pequena, de casca amarelada a alaranjada e polpa doce e fibrosa, ela carrega um apelido que combina com sua textura: “chicletinho do Cerrado”. Apesar do potencial nutricional, a fruta ainda não faz parte do cardápio da maioria dos brasileiros, nem mesmo de quem vive no coração do bioma.

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    Foto: Frutos Atrativos do Cerrado/Flickr

    A espécie também atende por outros nomes populares, como mamica-de-cadela, algodão-do-campo, amoreira-do-campo, mururerana, apé, conduru e inharé, e ocorre naturalmente em estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, São Paulo e Paraná. Com cerca de dois centímetros de diâmetro, o fruto lembra a pitanga em tamanho, mas se diferencia pelo sabor mais adocicado.

    Pesquisa revela o valor nutricional escondido na fruta

    A nutricionista Grazieli Pascoal, professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), decidiu investigar a composição da mama-cadela durante o pós-doutorado justamente por notar a escassez de dados sobre o fruto. O trabalho, conduzido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, identificou uma combinação rica em compostos bioativos, carotenoides e fibras. Substâncias que vão além do papel de nutrientes e atuam como antioxidantes no organismo.

    “A mama-cadela pode trazer vários benefícios em uma alimentação saudável, especialmente em relação à quantidade de vitamina A e fibra alimentar”, afirma Pascoal.

    Os números impressionam. Uma porção de seis unidades da fruta cobre mais de 60% da recomendação diária de vitamina A. Portanto, um patamar comparável ao da cenoura. A mama-cadela também se destaca como fonte relevante de vitamina C, nutriente que favorece a absorção de ferro e reforça a ação antioxidante do corpo.

    Além da vitamina A: fibras, antifúngicos e tradição medicinal

    Outros estudos reforçam esse potencial. Pesquisas da Universidade de São Paulo indicam que a fruta apresenta boa quantidade de fibras, o que favorece o funcionamento intestinal, além de atividade antifúngica, com capacidade de inibir o crescimento da Candida albicans. A planta também carrega um longo histórico de uso tradicional no Cerrado: comunidades locais preparam chás e cataplasmas a partir de folhas, ramos, casca e raiz, seguindo práticas passadas entre gerações.

    Vale um alerta sobre esse uso tradicional: compostos da raiz, conhecidos como psoralenos e bergaptenos, têm ação fotossensibilizante e por isso foram historicamente associados ao tratamento de manchas de pele, como no vitiligo. Mas especialistas alertam que o uso inadequado pode causar lesões graves na pele, o que reforça que essa prática não deve ser feita por conta própria. É por isso que as pesquisas recentes concentram o interesse no fruto, e não na raiz, priorizando o uso alimentar seguro da planta.

    Por que o Brasil ainda ignora suas próprias frutas nativas

    Nos últimos anos, o consumo de ultraprocessados cresce no país, enquanto o de frutas e vegetais in natura recua. Portanto, uma tendência que preocupa especialistas em saúde pública e se conecta ao aumento de doenças crônicas. “Nossa alimentação está muito monótona”, resume Pascoal, ao defender o resgate de frutos nativos como forma de diversificar o prato dos brasileiros.

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    Foto: Leandro Luciano/Flickr

    Essa monotonia também afeta quem produz. Pequenos agricultores enfrentam dificuldade para escoar frutas pouco conhecidas como a mama-cadela, e a ausência de políticas públicas que valorizem alimentos nativos empurra o produtor rural para culturas mais tradicionais e com mercado consolidado.

    O caminho para colocar a mama-cadela no prato dos brasileiros

    Para Pascoal, reconhecer o valor nutricional da mama-cadela é o primeiro passo para transformá-la em um alimento culturalmente relevante outra vez. A pesquisadora integra ainda o desenvolvimento da Tabela de Composição de Alimentos Regionais e da Biodiversidade Brasileira, iniciativa que cataloga espécies nativas como essa.

    Portanto, com investimento em pesquisa e políticas que incentivem a biodiversidade alimentar, a fruta tem potencial para conquistar espaço na dieta nacional, somando benefícios à saúde e sustentabilidade no campo. “É fundamental resgatar os saberes sobre essas plantas e a riqueza do nosso bioma”, conclui Pascoal.

    Com informações do Jornal da USP.

  • Mama-cadela: a fruta do cerrado rica em pró-vitamina A

    Mama-cadela: a fruta do cerrado rica em pró-vitamina A

    A mama-cadela (Brosimum gaudichaudii), uma fruta nativa do Cerrado brasileiro, tem ganhado atenção por suas propriedades nutricionais e seu potencial para diversificar a alimentação. Com uma polpa doce e fibrosa, a fruta é conhecida por seu valor em pró-vitamina A, essencial para a saúde ocular e imunológica.

    A mama-cadela é uma fruta de cor que varia entre o amarelo e o alaranjado, pequena em tamanho, e frequentemente chamada de “chicletinho do Cerrado” devido à sua textura. Segundo Grazieli Pascoal, nutricionista e professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a fruta é negligenciada na dieta brasileira, apesar de seu alto valor nutricional.

    Pesquisa e descobertas

    Em seu pós-doutorado, Grazieli Pascoal analisou as características nutricionais da mama-cadela, revelando que a fruta é rica em compostos bioativos, carotenoides e fibras. Esses elementos não são apenas nutrientes, mas também exercem funções antioxidantes benéficas ao organismo. “A mama-cadela pode trazer vários benefícios em uma alimentação saudável, especialmente em relação à quantidade de vitamina A e fibra alimentar”, afirmou Pascoal.

    Uma porção de mama-cadela, equivalente a seis unidades da fruta, atende a mais de 60% da recomendação diária de vitamina A, um valor comparável ao da cenoura. Além disso, a fruta também é uma fonte significativa de vitamina C, que desempenha um papel crucial na absorção de ferro e na função antioxidante do corpo.

    Importância para a biodiversidade alimentar

    Nos últimos anos, o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil tem aumentado, enquanto a ingestão de frutas e vegetais in natura diminui. Isso tem gerado preocupações sobre a saúde pública, com doenças crônicas se tornando mais prevalentes. “Nossa alimentação está muito monótona”, destaca Pascoal, enfatizando a necessidade de resgatar frutos nativos como a mama-cadela para enriquecer a dieta.

    Apesar dos benefícios nutricionais da mama-cadela, os produtores enfrentam desafios para escoar esses produtos menos conhecidos. A falta de políticas públicas que valorizem alimentos nativos contribui para que os agricultores optem por culturas mais comuns e procuradas no mercado.

    O reconhecimento das propriedades nutricionais da mama-cadela pode contribuir para sua valorização como um alimento culturalmente significativo. Com o apoio de pesquisas e iniciativas que promovam a biodiversidade alimentar, há potencial para integrar essa fruta à dieta brasileira, oferecendo benefícios à saúde e incentivando práticas agrícolas sustentáveis. Grazieli Pascoal conclui: “É fundamental resgatar os saberes sobre essas plantas e a riqueza do nosso bioma.”

    Com informações do Jornal da USP.